ODS 15: Vida Terrestre
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Educação para o
Desenvolvimento Sustentável
na Escola
Vida terrestre
EDUCAÇÃO PARA
O DESENVOLVIMENTO
SUSTENTÁVEL NA ESCOLA
ODS 15
VIDA TERRESTRE
BRASÍLIA, 2020
Publicado em 2020 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e a
Representação da UNESCO no Brasil, em cooperação com o Ministério da Educação (MEC).
© UNESCO 2020
Esta publicação está disponível em acesso livre ao abrigo da licença Atribuição-Partilha 3.0 IGO (CC-BY-SA 3.0 IGO) (http://
creativecommons. org/licenses/by-sa/3.0/igo/). Ao utilizar o conteúdo da presente publicação, os usuários aceitam os
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As indicações de nomes e a apresentação do material ao longo deste livro não implicam a manifestação de qualquer opinião
por parte da UNESCO a respeito da condição jurídica de qualquer país, território, cidade, região ou de suas autoridades,
tampouco da delimitação de suas fronteiras ou limites.
As ideias e opiniões expressas nesta publicação são as dos autores e não refletem obrigatoriamente as da UNESCO
nem comprometem a Organização.
Coordenação técnica da Representação da UNESCO no Brasil:
Marlova Jovchelovitch Noleto, Diretora e Representante
Maria Rebeca Otero Gomes, Coordenadora do Setor de Educação
Mariana Alcalay, Oficial do Setor de Educação
Edição e redação: Tereza Moreira e Rita Silvana Santana dos Santos
Pesquisa: Clara Miranda, Isabeli Cristini Santana Oliveira, Rita Silvana Santana dos Santos e Tereza Moreira
Revisão técnica: Setor de Educação da Representação da UNESCO no Brasil, Jane Fontana (Ministério da
Educação), Patricia Fernandes Barbosa (Ministério do Meio Ambiente) e Renata Maranhão (Agência Nacional
de Águas) e Maria Rehder (consultora da UNESCO)
Revisão gramatical e ortográfica: Lúcia Leiria
Revisão editorial: Unidade de Publicações da Representação da UNESCO no Brasil
Capa, Projeto gráfico e diagramação: Raruti Comunicação e Design
Ilustração: Marcela Weigert
Educação para o desenvolvimento sustentável na escola: ODS 15, vida terrestre / editado por Tereza
Moreira e Rita Silvana Santana dos Santos. – Brasília : UNESCO, 2020.
72 p., il.
Incl. bibl.
ISBN: 978-85-7652-255-3
1. Educação para o desenvolvimento sustentável 2. Desenvolvimento sustentável 3. Biodiversidade
4. Meio ambiente 5. Ecossistema 6. Animais 7. Plantas 8. Desenvolvimento curricular 9. Guia
pedagógico 10. Brasil I. Moreira, Teresa II. Santos, Rita Silvana Santana dos III. UNESCO
CDD 373
Esclarecimento: a UNESCO mantém, no cerne de suas prioridades, a promoção da igualdade de gênero, em todas as
suas atividades e ações. Devido à especificidade da língua portuguesa, adotam-se, nesta publicação, os termos no gênero
masculino, para facilitar a leitura, considerando as inúmeras menções ao longo do texto. Assim, embora alguns termos sejam
escritos no masculino, eles referem-se igualmente ao gênero feminino.
Agradecimentos
A série “Cadernos de Educação para o Desenvolvimento Sustentável na Escola”
foi produzida pelo Setor de Educação da UNESCO no Brasil. O material é
resultado de uma parceria frutífera entre a UNESCO no Brasil e o Ministério da
Educação (MEC) que, no âmbito de seus mandatos, uniram esforços para produzir
um conteúdo de qualidade, fundamental para o nosso século, sobre Educação
Ambiental e Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS).
Gostaríamos de agradecer especialmente a Rita Silvana Santana dos Santos e
a Tereza Moreira, que desenvolveram a série, também enriquecida pelo apoio
técnico de Renata Maranhão, Patrícia Fernandes Barbosa, Jane Fontana e Maria
Rehder, cujas valiosas contribuições foram fundamentais para a preparação destes
cadernos.
Agradecimentos especiais a Thaís Pires e a Thaís Guerra pelo grande apoio e às
integrantes da equipe da Escola da Natureza de Brasília. Esse trabalho contou
também com a experiência e as contribuições de Mariana Braga, Massimiliano
Lombardo, Edneia Oliveira e Maria Clara Mendes.
Esse projeto não seria possível sem o apoio da equipe de publicação da UNESCO
no Brasil e o incansável trabalho gráfico de Edson Fogaça e Marcela Weigert.
Apresentação
Desafios globais, como erradicação da fome, agricultura sustentável, saúde e bemestar, educação de qualidade, acesso à agua potável e saneamento, cidades e
comunidades sustentáveis, consumo e produção responsáveis, mudança climática
global e preservação da vida na água e na terra, entre outros, exigem, mais do
que nunca, uma mudança urgente em nosso estilo de vida, bem como uma
transformação em nosso modo de pensar e agir.
Em 2015, os países das Nações Unidas adotaram a Agenda 2030 para o
Desenvolvimento Sustentável. Trata-se de um plano de ação previamente acordado
pelos Estados-membros, que convoca governos, a sociedade civil e o setor privado
a se comprometerem com a agenda proposta, protegendo e preparando as
gerações futuras, para alcançarmos o mundo que queremos em 2030.
A educação é explicitamente formulada como um objetivo independente, o Objetivo
de Desenvolvimento Sustentável 4 (ODS 4), que visa a “assegurar a educação inclusiva
e equitativa de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da
vida” , sendo, portanto, um fator essencial para atingir todos os demais ODS.
Para possibilitar essas mudanças e vencer esses desafios nos âmbitos local,
nacional, regional e global, precisamos de novas competências, habilidades,
valores e atitudes que assegurem sociedades mais sustentáveis. Nesse sentido,
os sistemas educacionais em geral, e as escolas em particular, como espaços de
socialização fundamental, devem responder a esses desafios prementes, definindo
objetivos e conteúdos de aprendizagem relevantes, introduzindo pedagogias
que inspirem e empoderem docentes e estudantes, e instando suas instituições a
incluir princípios de sustentabilidade em suas estruturas de gestão. A escola, sob
um ponto de vista mais abrangente, está diretamente ligada à sua comunidade, o
que aumenta sua importância e, consequentemente, sua responsabilidade, pois os
conhecimentos ali produzidos irão para além de seus muros, influenciando todo o
seu entorno.
A UNESCO Brasil e o Ministério da Educação (MEC) se uniram para produzir
uma série inédita de materiais pedagógicos, a fim de divulgar a Educação para
o Desenvolvimento Sustentável (EDS) e a Agenda 2030 para estudantes dos
anos iniciais do ensino fundamental, faixa etária para a qual há poucos materiais
educacionais sobre o tema. Além disso, é importante que crianças e jovens sejam
protagonistas da mudança de estilos de vida, contribuindo para criar uma cultura
mais responsável e sustentável. A primeira iniciativa foi produzir, em 2017, nove
vídeos educativos, a partir dos desafios descritos acima, que correspondem aos
ODS cuidadosamente selecionados, considerando sua relação mais direta com
a EDS e com a Educação Ambiental do Brasil: ODS 2 (Fome zero e agricultura
sustentável), ODS 3 (Saúde e bem-estar), ODS 4 (Educação de qualidade), ODS 6
(Água potável e saneamento), ODS 11 (Cidades e comunidades sustentáveis), ODS
12 (Consumo e produção responsáveis), ODS 13 (Ação contra a mudança global do
clima), ODS 14 (Vida na água) e ODS 15 (Vida terrestre).
A partir da produção dos vídeos, desenvolveu-se também esta série de cadernos
sobre a Agenda 2030. Em cada um deles, são sugeridas atividades lúdicas a serem
adaptadas conforme cada contexto escolar, atividades que podem ser utilizadas
tanto na educação formal como na não formal. Essa série é, assim, uma referência
para que profissionais da educação possam trabalhar com os ODS.
Os docentes são atores essenciais para a conscientização das gerações futuras e
da comunidade escolar como um todo, neste caso, com a utilização dos cadernos
que disponibilizamos. Vale lembrar que todos os 17 ODS estão interligados e
serão trabalhados ao longo desta série. Esta primeira edição será testada em
caráter piloto no Brasil, em suas cinco regiões, para, em seguida, ser validada e
amplamente divulgada no país e no mundo.
Dessa forma, os cadernos somam-se aos esforços que a UNESCO vem realizando,
desde 1992, com a instituição da Década das Nações Unidas para a Educação para
o Desenvolvimento Sustentável (2005-2014) e, atualmente, dando continuidade às
ações por meio do Programa de Ação Global para a EDS (2015-2030).
No Brasil, esse trabalho fortalece as ações que o MEC tem realizado para promover
a Educação Ambiental. Em sentido amplo, esse trabalho valoriza e reconhece a
importância do local para garantir a sobrevivência do global, contribuindo assim para
assegurarmos um mundo mais sustentável em 2030.
UNESCO no Brasil
Ministério da Educação (MEC)
Sumário
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM................................................................................10
UMA AGENDA GLOBAL................................................................................................. 11
Todos a bordo!....................................................................................................................... 11
É preciso educar-se para a sustentabilidade.................................................................. 17
Políticas de Educação Ambiental no Brasil................................................................................19
Motivos para abordar os ODS na escola.......................................................................20
PREPARAR PARA A PRÁTICA....................................................................................... 22
Uma questão de sobrevivência........................................................................................23
Dados que reforçam a necessidade de cuidado.........................................................26
Ecossistemas terrestres ......................................................................................................28
Biomas brasileiros ...............................................................................................................29
Contribuições da integridade dos ecossistemas.......................................................... 37
Causas da degradação.................................................................................................... 40
Soluções existem.................................................................................................................44
Iniciar o trabalho com o ODS 15 na escola.................................................................. 50
IDEIAS PARA A AÇÃO............................................................................................................... 54
AVALIAR O ALCANCE DO ODS 15............................................................................ 66
REFERÊNCIAS................................................................................................................... 67
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A educação para o cuidado com os ecossistemas terrestres é o tema
deste caderno e refere-se ao Objetivo do Desenvolvimento Sustentável
15: “Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas
terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a
desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda
de biodiversidade”. (ONU BRASIL, s.d.).
Com as orientações e indicações aqui propostas, pretendemos
contribuir para realizar as seguintes ações:
· facilitar a compreensão da ecologia básica relacionada aos ecossistemas e
biomas brasileiros;
· identificar as ameaças múltiplas à biodiversidade, incluindo a perda de habitat,
o desmatamento, a fragmentação, a exploração excessiva e as espécies
invasoras;
· ampliar a compreensão dos estudantes sobre a lenta regeneração dos solos
e a importância de práticas agropecuárias sustentáveis para a conservação da
biodiversidade;
· sensibilizar os estudantes para que sejam capazes de conectar-se com as áreas
naturais locais e sentir empatia com a vida em todas suas dimensões, humanas
e não humanas;
· inspirar campanhas de conscientização sobre a exploração de espécies e
trabalhar contra o comércio ilegal de plantas e animais, bem como sobre a
caça e o atropelamento de animais nas rodovias.
10
Crédito da arte: Ken Robinson/Global Goals
UMA AGENDA GLOBAL
Todos a bordo!
Qual educação precisamos oferecer hoje para garantir uma vida mais sustentável até 2030?
Desde setembro de 2015, o mundo está diante de um novo desafio: alcançar – até 2030 –
os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). Trata-se de um ambicioso conjunto
de 17 objetivos e 169 metas, que foi adotado por 193 Estados-membros das Nações
Unidas. Esses objetivos buscam “garantir uma vida sustentável, pacífica, próspera e
equitativa na Terra, para todos, agora e no futuro” (UNESCO, 2017a).
Os ODS foram definidos por meio de um amplo processo de negociações, que durou
três anos e envolveu a participação de governos e da sociedade civil dos diversos
países. Contou ainda com a contribuição de cidadãos de todo o planeta por meio de
consultas on-line. O resultado desse esforço mundial compõe a Agenda 2030 para o
Desenvolvimento Sustentável, que comporta os 17 ODS e suas respectivas metas.
Desde então, milhões de pessoas e instituições, em todo o mundo, têm-se mobilizado em
resposta ao chamado dos ODS. Elas estão buscando maneiras de transformar os desafios
globais em objeto de suas reflexões e práticas locais, visando contribuir para o alcance
de metas tão ambiciosas. Afinal, isso pressupõe mudanças de estilo de vida, aquisição
de valores, habilidades, atitudes e comportamento que conduzam à construção de
sociedades mais sustentáveis.
11
É nesse contexto que a Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS) faz-se
presente. Todas as pessoas que vivem o cotidiano escolar como você, profissionais da
educação, estudantes, famílias e comunidade, são agentes de transformação fundamentais
para que os ODS sejam alcançados até 2030.
A partir da realização de ações contextualizadas com a realidade das escolas, incluindo a
mobilização de mais pessoas, você pode fazer toda a diferença para a Agenda 2030 ‘sair
do papel’, ajudando a dar vida e significado às metas em seu dia a dia.
Crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos, sem exceção, são fundamentais para a
transformação local no âmbito desse movimento global. E o melhor lugar do mundo para
tudo isso começar é a escola.
Com o objetivo de incentivar a compreensão, o debate, o exercício e a criação de práticas
pedagógicas transformadoras inspiradas nos ODS, contextualizadas com os desafios de
cada comunidade e região onde as escolas estão inseridas, esta série chega até você.
Os vídeos e os cadernos que a compõem visam divulgar os ODS e fornecer subsídios para
o tratamento pedagógico de nove temas considerados mais relevantes para a EDS e o
atendimento dos estudantes na faixa etária entre seis e dez anos1.
A partir de explicação feita pelas próprias crianças, os vídeos, disponíveis em <bitly.com/
videos_eds> (UNESCO, 2017c), propiciam uma primeira aproximação com os temas.
Os cadernos, com conteúdos básicos e materiais de referência, apresentam os ODS e
suas metas aos docentes, subsidiando e estimulando o desenvolvimento e a criação de
diversas atividades pedagógicas, como pesquisas, jogos e brincadeiras, com os estudantes.
Lembrando que não existe receita pronta, quem vai trilhar o caminho para a materialização
disso tudo é você, em aliança com estudantes e comunidade escolar.
Vamos começar?
1. Para a elaboração desta série foram identificados 9 ODS que têm relação direta com a Educação Ambiental do Brasil e a
EDS da UNESCO para dos anos iniciais do ensino fundamental esta faixa etária (6 a 10 anos). Lembrando que todos os 17
ODS estão interligados e serão trabalhados ao longo desta série.
12
Estes são os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável
Fonte: ONUBR, s.d.
Objetivo 1: Erradicação da pobreza – Acabar com a pobreza em todas as suas formas,
em todos os lugares.
Objetivo 2: Fome zero e agricultura sustentável – Acabar com a fome, alcançar a
segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável.
Objetivo 3: Saúde e bem-estar – Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar
para todos, em todas as idades.
Objetivo 4: Educação de qualidade – Assegurar a educação inclusiva e equitativa de
qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos.
Objetivo 5: Igualdade de gênero – Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas
as mulheres e meninas.
Objetivo 6: Água potável e saneamento – Assegurar a disponibilidade e gestão
sustentável da água e saneamento para todos.
Objetivo 7: Energia limpa e acessível – Assegurar o acesso confiável, sustentável,
moderno e a preço acessível à energia para todos.
Objetivo 8: Trabalho decente e crescimento econômico – Promover o crescimento
econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho
decente para todos.
13
Objetivo 9: Indústria, inovação e infraestrutura – Construir infraestruturas resilientes,
promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação.
Objetivo 10: Redução das desigualdades – Reduzir a desigualdade dentro dos países e
entre eles.
Objetivo 11: Cidades e comunidades sustentáveis – Tornar as cidades e os
assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis.
Objetivo 12: Consumo e produção responsáveis – Assegurar padrões de produção e
de consumo sustentáveis.
Objetivo 13: Ação contra a mudança global do clima – Tomar medidas urgentes para
combater a mudança climática e seus impactos.
Objetivo 14: Vida na água – Promover a conservação e o uso sustentável dos oceanos,
dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável.
Objetivo 15: Vida terrestre – Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos
ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação,
deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade.
Objetivo 16: Paz, justiça e instituições eficazes – Promover sociedades pacíficas e
inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e
construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis.
Objetivo 17: Parcerias e meios de implementação – Fortalecer os meios de
implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável.
14
Princípios dos ODS
• Cada país e cada localidade tem seus próprios desafios e pode alcançar os
ODS com base em sua própria realidade.
• Ninguém deve ficar para trás. É fundamental que todos sejam incluídos nos
esforços e nos benefícios do desenvolvimento sustentável.
• Os objetivos devem ser vistos de forma integrada: o alcance de um ODS
relaciona-se com o alcance dos demais.
Direitos Humanos: a base dos ODS
Conforme o preâmbulo da Agenda 2030, em todos os ODS há temas
que dialogam com o cumprimento dos direitos humanos. Os ODS,
assim como os direitos humanos, são integrados e indivisíveis, por essa
razão, sua aplicação exige uma abordagem sistêmica, integrada e que
envolve esforços globais.
A abordagem pedagógica com os ODS é uma oportunidade para, a
partir da perspectiva da Educação para o Desenvolvimento Sustentável
(EDS), discutir os direitos humanos no ensino fundamental, contribuindo
para a implementação do Plano Nacional de Educação em Direitos
Humanos (PNEDH) e a promoção de uma cultura de paz e ambiente não
discriminatório, de valorização e respeito às diversidades na escola.
O caderno ODS 4: Educação de qualidade,
desta série, dispõe de informações sobre o tema
da Educação em Direitos Humanos (EDH). O
caderno Introdutório, desta série, traz uma tabela,
produzida pela ONU, com a relação de cada ODS
com os direitos humanos relacionados, com base
nos tratados e documentos internacionais.
15
Depende de nós
Os ODS constituem uma agenda de direitos e não possuem natureza
legalmente vinculante, ou seja, nenhum país sofrerá sanções por deixar de
cumpri-los. Quando os países comprometem-se com esses direitos, porém,
eles assumem o compromisso político de criar uma estrutura nacional para sua
implementação. Isso envolve o estabelecimento de leis, políticas, planos e programas,
medidas que permitem aos ODS serem tratados por meio de ações coletivas.
O Brasil foi um dos principais articuladores da formulação dos ODS. Por isso, o país tem pela
frente a responsabilidade de implementar essa agenda. Uma missão que é tanto do governo
quanto da população. Diversos segmentos sociais estão se organizando para a implementação
dos ODS: governos nas esferas federal, estadual e municipal, meio empresarial e instituições
filantrópicas, universidades e instituições de pesquisas, organizações não governamentais e
movimentos sociais que apostam no sucesso da Agenda 2030.
No âmbito da sociedade civil, vale ressaltar a importância do envolvimento das escolas,
dos educadores, das comunidades, das famílias, das crianças e da juventude. Todos têm
um papel a desempenhar na realização dos ODS e, de maneira especial, no exercício do
direito à educação de qualidade.
Para saber mais
É interessante, ao iniciar o diálogo sobre os ODS, também explicar o que é a ONU, como
funciona, qual seu papel, suas principais temáticas e o contexto da criação dos ODS.
Informações em (ONU BRASIL, s.d.):
<https://nacoesunidas.org/conheca/como-funciona/>.
Selecionamos três vídeos disponibilizados pela ONU Brasil sobre a Agenda 2030:
A ONU tem um plano: os Objetivos Globais (ONU BRASIL, 2017), que explica em
linguagem simples o que são os ODS: <http://bit.ly/2rqqxOe>
16
Transformando os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio rumo a 2030 (ONU
BRASIL,2015) faz um balanço do alcance dos ODM e lança a plataforma 2030. Disponível em:
<http://bit.ly/2DfaZQf>
Há também o vídeo ODS: não deixar ninguém para trás (ONU BRASIL, 2016), que
enfatiza o sentido do slogan da Agenda 2030, e está disponível em: <http://bit.ly/2qN6Ccm>
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) acompanha a implementação
dos ODS. No portal, criado com essa finalidade, é possível encontrar vídeos, entrevistas
e diversos recursos para quem quiser saber mais sobre o tema. O vídeo IBGE Explica
– Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (Introdução) (IBGE, 2016) fornece
informações adicionais sobre os objetivos. Disponível em: <http://bit.ly/2pU0P4A>
O caderno Introdutório, desta série, traz mais subsídios sobre o
histórico das agendas internacionais para o século XXI e detalhes
sobre a Agenda 2030. É fortemente recomendada a leitura desse
caderno, que fornece a base para utilizar as demais publicações
desta série.
É preciso educar para a sustentabilidade
A busca do desenvolvimento sustentável exige um amplo movimento voltado à mudança de
mentalidades, atitudes e comportamentos. O trabalho pedagógico envolvendo os Objetivos
de Desenvolvimento Sustentável (ODS) tem sido realizado mundialmente na perspectiva da
Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS). Segundo a UNESCO (2017a), a EDS
pode ser conceituada como uma educação nos âmbitos formal, não formal e informal que
contribui para que as pessoas pensem criticamente, identificando elementos insustentáveis
em suas vidas e na sociedade, e ajam por mudanças sociais e ambientais positivas.
17
Segundo a Declaração de Incheon, por meio da EDS, desenvolvem-se “habilidades,
valores e atitudes que permitem aos cidadãos levar vidas saudáveis e plenas, tomar
decisões conscientes e responder a desafios locais e globais” (UNESCO, 2015b, p. 8).
Por isso, a EDS é entendida como parte da educação de qualidade e da aprendizagem ao
longo da vida. Relaciona-se diretamente com o ODS 4 e indiretamente com os demais
ODS, pois dá suporte aos indivíduos para que transformem seu próprio comportamento,
aprendam a participar de processos coletivos e engajem-se em mudanças sociais,
econômicas e políticas em direção à sustentabilidade.
O esquema a seguir sintetiza as habilidades a serem desenvolvidas ao trabalhar com EDS2.
Principais dimensões conceituais da EDS
Habilidades cognitivas
Habilidades socioemocionais
Os estudantes constroem conhecimentos,
compreensão e raciocínio crítico sobre
questões globais e sobre a interconectividade /
interdependência entre países e entre diferentes
populações.
Os estudantes desenvolvem o sentimento
de pertencer a uma humanidade comum, ao
compartilhar valores e responsabilidades e ao
perceberem-se possuidores de direitos.
Os estudantes demonstram empatia, solidariedade
e respeito por diferenças e diversidade.
Habilidades comportamentais
Os estudantes agem de forma efetiva e
responsável nos contextos local, nacional e global,
em prol de um mundo mais pacífico e sustentável.
Fonte: Adaptado de UNESCO, 2013.
18
2 Esquema desenvolvido pela UNESCO com base em contribuições de especialistas em Educação para a Cidadania
Global (ECG) e a Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS) de todo o mundo e na consultoria técnica sobre ECG,
realizada em Seul, Coreia do Sul, em 2013, e no Primeiro Fórum da UNESCO sobre a Educação para a Cidadania Global,
que ocorreu em Bangkok, Tailândia, em 2013.
Políticas de Educação Ambiental no Brasil
No Brasil, desde a década de 1990, existem políticas públicas voltadas a estimular a busca
da sustentabilidade socioambiental, algumas das quais se baseiam na Lei nº 9795/99
(BRASIL, 1999), que instituiu a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA). Essa
lei estabelece que a Educação Ambiental constitui-se de processos que possibilitem a
construção de conhecimentos e valores, bem como de ações individuais e coletivas em
prol da sustentabilidade socioambiental.
No âmbito da educação formal, o Conselho Nacional de Educação (CNE), em 2012,
estabeleceu as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental (DCNEA)
(BRASIL, 2012). Tais diretrizes reconhecem o papel transformador da Educação Ambiental
e consideram estratégico seu desenvolvimento nas escolas, principalmente diante do atual
quadro de riscos socioambientais a que estamos expostos tanto em nível global quanto local.
As DCNEA também incentivam as escolas a constituírem-se como espaços educadores
sustentáveis, promovendo as temáticas relacionadas em seu Projeto Político Pedagógico (PPP),
o que tem reflexos no tratamento curricular, na gestão e no espaço físico escolar.
Iniciativas de educação não formal, como a comunicação popular, também são reconhecidas
por sua extrema importância no contexto de implementação da PNEA. Uma das linhas de
ação do Programa Nacional de Educação Ambiental (ProNEA)3, que cuida da articulação
de ações de comunicação para a educação ambiental, é a Educomunicação. Essa linha
contempla metodologias de produção participativa de produtos e ações de comunicação
para a educação ambiental e a sustentabilidade, desenvolvidos pelas próprias comunidades,
contextualizados com suas realidades. Iniciativas inspiradoras têm sido realizadas, como Circuito
Tela Verde: Mostra Nacional de Produção Audiovisual Independente; Plataforma Educares:
Práticas de Educação Ambiental e Comunicação Social em Resíduos Sólidos; Projeto Nas
Ondas do São Francisco (veiculação de spots – peças radiofônicas, produzidos pelas próprias
comunidades da Bacia Hidrográfica do São Francisco); entre outras.
3 Todas as informações sobre as diretrizes e ações de Educomuicação socioambiental desenvolvidas pelo Ministério do Meio
Ambiente estão disponíveis em: BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Educomunicação. Disponível em: <http://www.mma.
gov.br/educacao-ambiental/educomunicacao.html>.
19
Motivos para abordar os ODS na escola
1
Promover aprendizagens é função social da escola. Isso se dá por meio da
construção e da partilha de conhecimentos, como também pela convivência entre
as pessoas e pela interação de seus diversos modos de ser e de viver, que são
particulares de cada tempo e lugar. Mobilizando-se em torno dos ODS, a escola
insere-se no movimento da sociedade para a realização da Agenda 2030.
2
O ambiente escolar possibilita à criança desenvolver novos valores, habilidades,
atitudes e comportamentos fundamentais para o alcance do desenvolvimento
sustentável. O que se aprende na escola influi na forma como percebemos
o mundo e atuamos sobre ele, exercitando uma cidadania, que é, ao mesmo
tempo, local e planetária.
3
O próprio espaço escolar pode ser um lugar onde as crianças vivenciam na
prática mudanças culturais em direção à sustentabilidade. Além de serem
incluídos no currículo, os ODS podem-se tornar objeto das práticas de gestão e
inspirar alterações no espaço físico da escola.
Vale lembrar que tudo que ocorre na escola tem impacto na vida da comunidade mais
ampla. Afinal, a comunidade escolar é constituída por estudantes e seus familiares,
docentes, funcionários responsáveis pela gestão, limpeza, alimentação, segurança,
bem como pela população residente nas imediações. Se há esforços concretos pela
sustentabilidade, isso terá reflexos sobre todas essas pessoas. A escola, nesse sentido, é
uma irradiadora de influências positivas para o entorno.
Todos precisam ser envolvidos e ter oportunidade de trabalhar/conviver
pedagogicamente, aproveitando a diversidade geracional e as diferentes bagagens
pessoais para o alcance das metas previstas nos ODS. As organizações do entorno, a
20
exemplo de associações, comércio local, grupos esportivos e religiosos, também podem
contribuir para o processo que se dá na escola, expandindo-o para outros âmbitos.
Que tal conhecer como os ODS podem ser desenvolvidos nas
escolas? O caderno Introdutório, desta série, contém informações
complementares.
Para saber mais
Conheça a Lei nº 9.795/1999 (BRASIL, 1999), que estabelece a Política Nacional de
Educação Ambiental em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9795.htm>
As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental (BRASIL, 2012), que
podem ser úteis no tratamento dos ODS na escola, estão disponíveis em:
<http://bit.ly/2rssBpi>
Para inspirar-se nas metodologias e conhecer os projetos de Educomunicação em
Educação Ambiental (BRASIL, s.d.), acesse: <http://bit.ly/2OGj1rY>
21
PREPARAR PARA A PRÁTICA
A educação para o cuidado com os ecossistemas terrestres
é o tema deste caderno e refere-se ao Objetivo do
Desenvolvimento Sustentável 15: “Proteger, recuperar e
promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir
de forma sustentável as florestas, combater a desertificação,
deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de
biodiversidade”. (ONU BRASIL, s.d.).
Com as orientações e indicações aqui propostas, pretendemos contribuir para realizar as
seguintes ações:
• facilitar a compreensão da ecologia básica relacionada aos ecossistemas e biomas
brasileiros;
• identificar as ameaças múltiplas à biodiversidade, incluindo a perda de habitat, o
desmatamento, a fragmentação, a exploração excessiva e as espécies invasoras;
• ampliar a compreensão dos estudantes sobre a lenta regeneração dos solos e a
importância de práticas agropecuárias sustentáveis para a conservação da biodiversidade;
• sensibilizar os estudantes para que sejam capazes de conectar-se com as áreas naturais
locais e sentir empatia com a vida em todas suas dimensões, humanas e não humanas;
• inspirar campanhas de conscientização sobre a exploração de espécies e trabalhar contra o comércio ilegal de plantas e animais, bem como sobre a caça e o
atropelamento de animais nas rodovias.
A seguir, são apresentadas algumas informações que poderão subsidiar o trabalho
pedagógico com ODS 15 na escola.
22
Uma questão de sobrevivência
A Terra oferece-nos tudo de que precisamos para
viver, as plantas, os animais e os microrganismos, a
atmosfera, os minerais, incluindo a água. Combinados
em diversas paisagens, esses elementos constituem
os ecossistemas, base de toda a vida planetária. Cada
elemento natural desempenha um papel, na busca
permanente de manter em equilíbrio o sistema ao qual
está vinculado. Esse equilíbrio constrói-se em meio à
diversidade biológica. Uma crise de biodiversidade pode colocar em risco não apenas os
ecossistemas, mas também nossa saúde, nossos meios de subsistência e nossa cultura.
A biodiversidade possui imenso valor e presta importantes serviços para nossa vida.
Alguns deles são facilmente reconhecíveis, os alimentos e os materiais que nos propiciam
abrigo, por exemplo. Outros contribuem indiretamente para nossa sobrevivência, como
a regulação do clima, a polinização das plantações, a fertilidade dos solos e a qualidade
das águas. São os chamados serviços ambientais. Outros ainda são intangíveis, como
os mecanismos de reprodução das plantas e dos animais, que garantem a perenidade
dos recursos naturais para o futuro, ou os diversos usos sem consumo que fazemos da
natureza, como o lazer, a recreação, o uso educacional ou científico. Os ecossistemas e
a biodiversidade também estão associados a nosso imaginário coletivo, com seus mitos,
lendas, contemplação e criação estética.
A evolução humana é repleta de sagas pela conquista da natureza. Historicamente, a
ascensão e a queda das diversas civilizações sempre tiveram relação direta com o cuidado
– ou o descuido – com os ecossistemas e com o usufruto do que eles podem oferecer a
nosso bem-estar.
Cuidado como valor essencial
Nos últimos séculos, no entanto, muitas áreas naturais têm sido descaracterizadas para dar
lugar a cidades, atividades agropecuárias, obras de infraestrutura e diversas outras atividades
econômicas. Realizados em ma escala global jamais vista na história, tais empreendimentos
23
ocorrem muitas vezes sem o devido cuidado com a biosfera. Por isso, há uma crescente e
mundial preocupação não apenas com a preservação e a conservação dos ecossistemas,
mas também com a reversão de danos já causados pela humanidade ao ambiente global.
Tal preocupação insere a preservação dos ecossistemas terrestres, das florestas e da
biodiversidade como tema dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. Por ser um
país considerado megadiverso, ou seja, detentor de enormes taxas de espécies em seu
território, o Brasil possui grande responsabilidade pelo cumprimento deste ODS, cujo
alcance inclui as seguintes metas:
Metas do ODS 15
15.1 Até 2020, assegurar a conservação, recuperação e uso sustentável de
ecossistemas terrestres e de água doce interiores e seus serviços, em especial
florestas, zonas úmidas, montanhas e terras áridas, em conformidade com as
obrigações decorrentes dos acordos internacionais.
15.2 Até 2020, promover a implementação da gestão sustentável de todos
os tipos de florestas, deter o desmatamento, restaurar florestas degradadas e
aumentar substancialmente o florestamento e o reflorestamento globalmente.
15.3 Até 2030, combater a desertificação, restaurar a terra e o solo degradado,
incluindo terrenos afetados pela desertificação, secas e inundações, e lutar para
alcançar um mundo neutro em termos de degradação do solo.
15.4 Até 2030, assegurar a conservação dos ecossistemas de montanha,
incluindo a sua biodiversidade, para melhorar a sua capacidade de
proporcionar benefícios que são essenciais para o desenvolvimento
sustentável.
15.5 Tomar medidas urgentes e significativas para reduzir a degradação de
habitat naturais, deter a perda de biodiversidade e, até 2020, proteger e evitar
a extinção de espécies ameaçadas.
24
15.6 Garantir uma repartição justa e equitativa dos benefícios
derivados da utilização dos recursos genéticos e promover o acesso
adequado aos recursos genéticos.
15.7 Tomar medidas urgentes para acabar com a caça ilegal e o
tráfico de espécies da flora e fauna protegidas e abordar tanto a
demanda quanto a oferta de produtos ilegais da vida selvagem.
15.8 Até 2020, implementar medidas para evitar a introdução
e reduzir significativamente o impacto de espécies exóticas
invasoras em ecossistemas terrestres e aquáticos, e controlar ou
erradicar as espécies prioritárias.
15.9 Até 2020, integrar os valores dos ecossistemas e da
biodiversidade ao planejamento nacional e local, nos processos
de desenvolvimento, nas estratégias de redução da pobreza e
nos sistemas de contas.
15.a Mobilizar e aumentar significativamente, a partir de todas
as fontes, os recursos financeiros para a conservação e o uso
sustentável da biodiversidade e dos ecossistemas.
15.b Mobilizar recursos significativos de todas as fontes e em
todos os níveis para financiar o manejo florestal sustentável
e proporcionar incentivos adequados aos países em
desenvolvimento para promover o manejo florestal sustentável,
inclusive para a conservação e o reflorestamento.
15.c Reforçar o apoio global para os esforços de combate à
caça ilegal e ao tráfico de espécies protegidas, inclusive por
meio do aumento da capacidade das comunidades locais para
buscar oportunidades de subsistência sustentável.
25
Dados que reforçam a necessidade de cuidado
Dados Mundiais
Valoração da natureza – a União Mundial para a Natureza (IUCN)
estima que os bens e serviços prestados pelos ecossistemas, se
fossem convertidos em dinheiro, corresponderiam a 55 trilhões de
reais por ano (WWF BRASIL, s.d.). Isso equivale a 34 vezes o valor
do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2017, que foi de 1,6 trilhão de reais, segundo o
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (AGÊNCIA IBGE NOTÍCIAS , 2017).
Benefícios para a saúde – estima-se que colhemos entre 50 e 70 mil espécies vegetais
para uso na medicina tradicional e moderna em todo o mundo (WWF BRASIL, s.d.).
Áreas verdes urbanas – as Nações
Unidas recomendam que as cidades
tenham, pelo menos, 12 m2 de áreas verdes
por habitante, utilizando espécies nativas,
principalmente para proteger os cursos
d’água e os mananciais.
Espécies em risco – estudo apresentado no
Fórum Urbano Mundial, realizado em 2018,
estima que, em menos de 20 anos, a expansão
de 422 cidades com mais de 300 mil habitantes
localizadas em pontos-chave de biodiversidade no mundo pode destruir o habitat de 90% das
espécies já ameaçadas de extinção (LIMA, 2018).
Dados do Brasil
Números da megadiversidade – o país detém entre 10% e 15% de todas as espécies
da fauna e da flora conhecidas no planeta. Segundo o MMA, são em torno de 117 mil
espécies de animais vertebrados e invertebrados e 46 mil espécies de vegetais, incluindo
fungos, já catalogadas pela ciência4.
26
4 Dados do Ministério do Meio Ambiente, acessíveis em https://www.mma.gov.br/biodiversidade/biodiversidade-brasileira
(BRASIL. MMA, s.d.)
Cobertura vegetal – segundo
dados da Secretaria de Assuntos
Estratégicos da Presidência da
República (2013), a vegetação
nativa recobre 62% do território
brasileiro, totalizando cerca de
530 milhões de hectares. Desse
total, 40% situam-se em áreas
de conservação de domínio
público ou em terras indígenas,
majoritariamente na Amazônia
(BRASIL, 2013).
Áreas protegidas –
existem 335 Unidades de
Conservação (UCs), ou
seja, áreas especialmente
protegidas pelo poder
Fonte: MMA.
público, que estão distribuídas
por todos os biomas do país. Somando-se as UCs terrestres e marinhas, chega-se a cerca
de 170 milhões de hectares, algo em torno de 15% do território nacional (ICMBIO, s.d.).
Hotspots da biodiversidade – a Mata Atlântica e o Cerrado são considerados hotspots,
ou seja, áreas com alto grau de diversidade biológica e que sofrem grandes ameaças.
Segundo dados da Fundação SOS Mata Atlântica e do INPE de 2017, o desmatamento
da Mata Atlântica cresceu 57,7% entre 2015 e 2016, com perda equivalente a 29 mil
campos de futebol (SOS MATA ATLÂNTICA, 2017). Em 2017, a revista Nature Ecology
and Evolution publicou um comunicado de pesquisadores brasileiros (CROUZEILLES
et al., 2017) alertando para o aumento significativo do desmatamento do Cerrado. Até
2050, se o ritmo de derrubada da vegetação continuar, o bioma perderá 480 espécies
endêmicas, ou seja, aquelas que ocorrem apenas em determinado local.
27
Ecossistemas terrestres
Considerados a base da Ecologia, os ecossistemas constituem sistemas que integram
organismos vivos que interagem entre si e com os meios físico, ambiental e social em que
estão inseridos. Nesses sistemas ecológicos, ocorre permanente troca de energia (Sol) e
matéria (água, ar e minerais), que produz calor, oxigênio, dióxido de carbono, húmus, entre
outros elementos que mantêm as condições adequadas para a vida das espécies.
Um ecossistema em equilíbrio contém as substâncias orgânicas e inorgânicas capazes de
garantir uma extensa cadeia de vida, formada por estes organismos:
• produtores: aqueles capazes de sintetizar seu próprio alimento, seja utilizando a
luz solar, como ocorre com as plantas e as algas, seja por meio da energia gerada
por reações químicas, como ocorre com algumas bactérias;
• consumidores: aqueles que dependem de organismos produtores para alimentarse, como os animais;
• decompositores: os que transformam matéria orgânica em inorgânica,
favorecendo a reciclagem e a manutenção do fluxo da vida no sistema, como
bactérias e fungos.
Teia alimentar como dinamizadora dos ecossistemas
Podemos ver a cadeia alimentar como uma estrutura linear, na qual produtores,
consumidores e decompositores inter-relacionam-se, de maneira cíclica, sempre
retroalimentando a vida, tal como no esquema a seguir.
Uma teia alimentar é a união de diversas cadeias, o que garante a autorregulação das
espécies, permitindo-lhes obter os nutrientes necessários para seu desenvolvimento e
sobrevivência, mantendo a estabilidade do ecossistema. Esse equilíbrio é dinâmico e
resulta de um longo processo de adaptação entre as espécies e o meio em que vivem.
Existem mecanismos de regulação que permitem variações do meio ambiente e do
aumento das populações de diferentes espécies até determinado limite. Quando esse
limite é ultrapassado, inicia-se um processo de degradação do ecossistema. Vale salientar
que a espécie humana é parte – e extremamente importante – dos ecossistemas, com
capacidade para alterar significativamente sua estabilidade.
28
ÁGUA
SOL
PRODUTORES
NUTRIENTES
MINERAIS
DECOMPOSITORES
CONSUMIDORES
Fonte: Autores
Biomas brasileiros
Um conjunto de ecossistemas com características homogêneas compõem os chamados
biomas. Segundo o IBGE, bioma é o “conjunto de vida (vegetal e animal) definida pelo
agrupamento de tipos de vegetação contíguos e identificáveis em escala regional, com
condições geoclimáticas similares e história compartilhada de mudanças, resultando em
uma diversidade biológica própria” (IBGE, 2004). O Brasil, com grande extensão territorial,
climas e relevos distintos, expressa sua significativa biodiversidade por meio de diferentes
biomas. Além do bioma costeiro marinho, já abordado no caderno ODS 14, o Brasil possui
outros seis: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal.
Amazônia.....................................
O maior bioma da América do Sul, a Amazônia estende-se por
©European Space Agency
Localização dos biomas brasileiros
6,9 milhões de km2, abrangendo nove países situados ao norte
de nosso continente. Cientistas calculam que ali vivem cerca
de 40 mil espécies de plantas (dentre as quais 2.500 espécies
29
Amazônia
Cerrado
Caatinga
Mata Atlântica
Pampa
Pantanal
Fonte: IBGE.
30
de árvores), mais de 400 mamíferos, 3.000 espécies de peixes, quase 1.300 pássaros e
uma infinidade de insetos e microrganismos. A todo momento, ocorrem novas descobertas
sobre esse bioma, com aplicações em diversos campos – da economia à climatologia, do
turismo à valorização da sabedoria ancestral indígena e dos povos tradicionais etc.
Estudos mostram, por exemplo, que a Amazônia influencia diretamente no regime de
chuvas do Brasil e da América Latina. Calcula-se que sua vegetação seja responsável pela
estocagem de cerca de 120 bilhões de toneladas de carbono, desempenhando papel
fundamental no equilíbrio climático global.
O Brasil detém 60% desse bioma em seu território, no qual se situam nove estados da
Federação. Seus recursos naturais – que, além da madeira, incluem enormes estoques de
resinas, frutos, peixes, fibras e minérios, por exemplo – representam uma abundante fonte
de riquezas. Pelos 25 mil km de rios da bacia Amazônica, fluem 20% da água doce do
planeta. Nesse território, também vivem 24 milhões de pessoas, entre as quais se incluem
ribeirinhos, extrativistas, quilombolas e povos indígenas de 180 etnias, grupos sociais que
detêm importantes conhecimentos sobre a biodiversidade local.
Os danos causados pela ação humana na Amazônia, porém, têm-se mostrado preocupantes.
As taxas anuais de desmatamento, que haviam caído no início da década de2000, voltaram
a subir a partir de 2012. Os principais vetores da destruição da floresta são o desmatamento
para a produção agropecuária em larga escala, a extração ilegal de madeira, a instalação de
grandes obras de infraestrutura, como estradas, hidrelétricas, e a extração mineral, atividades
que promovem ocupação humana desordenada. A área coberta pelas 125 Unidades de
Conservação existentes na Amazônia é de 63,5 milhões de hectares.
Caatinga..........................................................
tupi-guarani e refere-se à cor característica da
vegetação desse bioma durante as estiagens.
© Otávio Nogueira
O nome Caatinga significa “mata branca” em
A Caatinga possui árvores de pequeno porte,
cactáceas e arbustos espinhentos, e está sujeita a
chuvas escassas e concentradas durante parte do
ano. Esse bioma ocupa 11% do território nacional
31
(844.453 km2), englobando trechos expressivos de nove estados da região Nordeste e do
norte de Minas Gerais.
Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), ali
vivem 178 espécies de mamíferos, 591 de aves, 177 de répteis, 79 espécies de anfíbios,
241 de peixes e 221 de abelhas. A biodiversidade da Caatinga ampara diversas atividades
econômicas voltadas para fins agrossilvopastoris e industriais, especialmente nos ramos
farmacêutico, químico, de cosméticos e de alimentos. A área coberta pelas 28 Unidades
de Conservação existentes na Caatinga é de 5,5 milhões de hectares.
Cerca de 27 milhões de pessoas vivem nesse trecho do território nacional, a maioria das
quais depende dos recursos ecossistêmicos para sobreviver. Apesar de sua importância,
o bioma tem sido desmatado de forma acelerada, principalmente nos últimos anos,
devido principalmente ao consumo de lenha nativa e à produção de carvão (para fins
domésticos e industriais), ao tráfico de animais silvestres, ao sobrepastoreio e à conversão
dos solos para pastagens e agricultura. Segundo o Ministério do Meio Ambiente (MMA),
o desmatamento já fez com que a Caatinga perdesse cerca de um terço de sua vegetação
nativa. Tais atividades têm intensificado o processo de desertificação de algumas áreas.
Cerrado..........................................................
O Cerrado é o segundo maior bioma da
América do Sul (ficando atrás somente da
Amazônia) e ocupa uma área de 2 milhões
de km2. Essa extensão corresponde a cerca
de 20% do território nacional. Localizado
© DenisGouvêaLadeira
na porção central do Brasil, esse bioma
influencia, segundo a Agência Nacional de
Águas (ANA), o regime de vazão de oito
das 12 regiões hídricas do país. Por isso, é
conhecido como o “berço das águas” do Brasil. Esse elevado potencial aquífero também
favorece sua biodiversidade.
Considerado a savana mais rica do mundo, o Cerrado abriga 11.627 espécies de plantas nativas
já catalogadas. Cerca de 199 espécies de mamíferos são conhecidas, além de 837 espécies
32
de aves, 1.200 espécies de peixes, 180 de répteis e 150 de anfíbios. Grande parte dos peixes,
anfíbios e répteis constituem espécies endêmicas, ou seja, que ocorrem apenas nesse bioma.
Por isso, é considerado como um hotspot mundial de biodiversidade, pois, paralelamente à
abundância de espécies endêmicas, tem sofrido rápida perda de habitat. A área coberta pelas
44 Unidades de Conservação existentes no Cerrado é de 5,5 milhões de hectares.
Por não ser tão protegido quanto a Amazônia e possuir terras planas, que favorecem a
agricultura altamente mecanizada, o Cerrado tem sido convertido rapidamente para a
atividade agropecuária, especialmente para a monocultura de grãos e a criação extensiva
de gado. Tais modificações na vegetação nativa podem ter graves consequências para
a economia e para o meio ambiente, especialmente no que se refere à crise hídrica, já
vivenciada por boa parte do país, pois, além de influenciar os ciclos de águas superficiais, o
Cerrado também pode alterar as reservas hídricas subterrâneas.
Além dos aspectos ambientais, o Cerrado tem grande importância social. Muitas
populações sobrevivem de seus recursos naturais, incluindo etnias indígenas, quilombolas
e outras comunidades tradicionais, que, juntas, fazem expressiva contribuição ao
patrimônio histórico e cultural brasileiro e detêm um conhecimento tradicional sobre o uso
de sua biodiversidade.
Mata Atlântica..............................................
A Mata Atlântica é um conjunto de formações
florestais e de ecossistemas associados, como
as restingas, os manguezais e os campos de
© Glauco Umbelino
altitude, que se estendiam originalmente por
aproximadamente um milhão e 300 mil km2
da zona costeira de 17 estados do território
brasileiro. Como se trata de território com
ocupação humana mais antiga, a cobertura
desse bioma foi reduzida a cerca de um quinto do que era antes do descobrimento do Brasil,
com trechos que se encontram em diferentes estágios de regeneração. Apenas 7% estão
conservados por meio de fragmentos acima de 100 hectares.
33
Mesmo reduzida e muito fragmentada, estima-se a Mata Atlântica ainda contém cerca de
20 mil espécies vegetais, incluindo diversas espécies endêmicas e ameaçadas de extinção.
Por isso, esse bioma é considerado prioritário para a conservação da biodiversidade
mundial, por sua condição de hotspot de biodiversidade. Em relação à fauna, os
levantamentos já realizados indicam que a Mata Atlântica abriga 849 espécies de aves,
370 espécies de anfíbios, 200 espécies de répteis, 270 de mamíferos e cerca de 350
espécies de peixes.
Aproximadamente 120 milhões de pessoas vivem em municípios responsáveis por 70%
do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro nos domínios da Mata Atlântica. Por isso, seus
ecossistemas prestam inúmeros serviços ambientais, como a regulação do fluxo dos
mananciais hídricos, a fertilidade do solo, o controle climático, a proteção de encostas das
serras. Suas paisagens oferecem belezas cênicas, além de representarem um patrimônio
histórico e cultural inestimável. Nesse contexto, as áreas protegidas, como as Unidades
de Conservação e as Terras Indígenas, são fundamentais para a manutenção de amostras
representativas e viáveis da diversidade biológica e cultural da Mata Atlântica. Apesar do
expressivo número de Unidades de Conservação (92), apenas 3,8 milhões de hectares do
bioma estão sob algum tipo de proteção.
Pampa......................................................
O Pampa está restrito ao estado do Rio Grande
do Sul, onde ocupa uma área de cerca de 200
mil km². Isso corresponde a mais da metade do
© Eduardo Aigner
território daquele estado. Caracteriza-se pelo
predomínio dos campos nativos, em paisagens
que vão de serras a planícies, de morros rupestres
a coxilhas. Registram-se também ocorrências
de matas ciliares, matas de encosta, formações
arbustivas, banhados e afloramentos rochosos. O bioma exibe um imenso patrimônio
cultural associado à biodiversidade, que firmou a identidade cultural do povo gaúcho.
Estimativas indicam em torno de 3.000 espécies de plantas, com notável diversidade de
gramíneas (mais de 450 espécies) e de leguminosas (150 espécies) vivendo no Pampa.
34
Nas áreas de afloramentos rochosos, podem ser encontradas muitas espécies de
cactáceas. A fauna é expressiva, com quase 500 espécies de aves, 100 espécies de
mamíferos terrestres, dentre as quais muitas são espécies endêmicas. Esse rico patrimônio
natural e genético também abriga a maior parte do aquífero Guarani. Apenas três
Unidades de Conservação protegem cerca de 386 mil hectares desse bioma.
A pecuária extensiva tem sido a principal atividade econômica da região desde o
período colonial. Essa atividade permite a conservação do Pampa e, ao longo da história,
desenvolveu uma cultura mestiça, representada pela figura do gaúcho. No entanto, a
progressiva introdução e expansão das monoculturas e das pastagens com espécies
exóticas tem levado a uma rápida degradação e descaracterização das paisagens
naturais do Pampa.
Pantanal............................................................
Considerado uma das maiores extensões
terras úmidas do planeta, esse bioma ocupa
trechos do Brasil, do Paraguai e da Bolívia,
© Marinelson Almeida
onde é conhecido como Chaco. No Brasil,
estende-se por uma área de cerca de 150
mil km². Trata-se de uma planície aluvial
com dinâmica sazonal de cheias e vazantes,
fortemente influenciada pelos rios que
drenam a bacia do Alto Paraguai.
Uma característica desse bioma é o fato de possuir, em sua extensão territorial, grande
número de espécies ameaçadas em outras regiões do Brasil. Existem no Pantanal, pelo
menos, 3.500 espécies de plantas. Segundo a Embrapa Pantanal, quase 2.000 delas já
foram classificadas de acordo com seu potencial, com ênfase nos usos medicinais. Dentre
os animais catalogados, há 263 espécies de peixes, 41 espécies de anfíbios, 113 espécies
de répteis, 463 espécies de aves e 132 espécies de mamíferos.
Esse é o bioma mais preservado do país; mantém 87% de cobertura vegetal nativa, que
é bastante variada e inclui de Cerrado à transição ecológica com a Amazônia. A maior
35
parte dos 13% do bioma alterados por ação humana são utilizados para a criação extensiva
de gado e para a lavoura. Apenas duas Unidades de Conservação protegem menos de
150 mil hectares desse bioma. Importante lembrar que o Pantanal é reconhecido pela
UNESCO como Patrimônio Natural da Humanidade e Reserva da Biosfera.
Apesar de sua exuberância, o bioma vem sendo impactado pela ação humana,
principalmente pela atividade agropecuária. Nesse exuberante ambiente natural, floresce
uma forte cultura de comunidades tradicionais, como indígenas, quilombolas, coletores de
iscas ao longo do Rio Paraguai, dentre outras. No decorrer dos anos, essas comunidades
influenciaram diretamente na formação cultural da população pantaneira.
Para saber mais
A série Biomas brasileiros, da TV Escola, traz cinco vídeos sobre os biomas brasileiros:
Cerrado (TV BRASIL, 2014a): <http://bit.ly/33Dh8k8>
Caatinga (TV BRASIL, 2014b): <http://bit.ly/387RCGR>
Pantanal (TV BRASIL, 2014c): <http://bit.ly/2L5MkSu>
Mata Atlântica (TV BRASIL, 2014d): <http://bit.ly/2Oy7ue1>
Amazônia (TV BRASIL, 2014e): <http://bit.ly/2Y0iWT5>
O vídeo Você conhece o Cerrado? (WWF BRASIL, 2014), do WWF Brasil, faz uma
interessante abordagem desse bioma. Disponível em: <http://bit.ly/37RJrhJ>
O vídeo As belezas naturais do bioma Pampa – Rio Grande Rural (RIO GRANDE
RURAL, 2016), realizado pela Emater/RS, traz informações sobre esse bioma brasileiro.
Disponível em: <http://bit.ly/2OymWXE>
O portal Animais em Extinção (EBC, s.d.), da Empresa Brasileira de Comunicação
(EBC), possui a lista geral e atualizada de animais criticamente ameaçados, em perigo e
vulneráveis à extinção no Brasil. Eles podem ser acessados também por bioma. Acessível
em: <http://www.ebc.com.br/animaisemextincao>
36
O Projeto Nas Ondas do São Francisco (s.d.) é uma ação do MMA que consiste na
veiculação de spots (peças radiofônicas), produzidos pelas próprias comunidades, nas
rádios da região. Conheça o blog do projeto e ouças os spots em:
<http://nasondasdosaofrancisco.blogspot.com/>
Contribuições da integridade dos ecossistemas
As plantas e os animais estão na base da maioria dos produtos que usamos: roupas,
calçados, remédios, móveis. E, cada vez mais, são procuradas na natureza substâncias que
possam suprir nossas necessidades cotidianas, principalmente em substituição a derivados
de petróleo, um bem cada vez mais escasso. Veja alguns exemplos.
Medicamentos – tanto a indústria farmacêutica quanto a medicina tradicional dependem
de plantas e animais para a preparação de remédios usados no tratamento de doenças.
Cada vez mais, a indústria farmacêutica tem isolado princípios ativos a partir de substâncias
inesperadas, por exemplo, o veneno de cobra cascavel para o controle de hipertensão.
O caderno ODS 3: Saúde e bem-estar, desta série, contém informações
complementares que podem aprofundar a abordagem dessa temática.
Alimentos – a história humana representa uma sucessão de descobertas sobre o uso
alimentício e nutricional de plantas e animais. Com a crescente globalização dos mercados,
chegam até nós diversos alimentos, produzidos há milhares de quilômetros de distância,
cujas especificidades de seus habitat pouco sabemos. Com os avanços da biotecnologia
e do melhoramento genético, milhares de espécies são adaptadas para cultivo em nossos
climas e territórios, de tal forma que não temos ideia de qual seja a origem dos alimentos
que estão em nossos pratos. Da mesma forma, em seus processos produtivos, a indústria
alimentícia dispõe de diversos recursos da biodiversidade para dar cor, aroma, textura e
realçar o sabor dos alimentos processados.
37
O caderno ODS 2: Fome zero e agricultura sustentável, desta
série, contém informações complementares, que podem aprofundar
a abordagem desta temática.
Tecidos – diversos tecidos são produzidos a partir de plantas e de animais, bem como da
interação entre ambos. O exemplo mais emblemático é a seda, produzida pela relação
simbiótica entre o bicho-da-seda (Bombix mori) e a folha da amoreira. O tecido de
algodão é resultado do tratamento da fibra extraída do fruto do algodoeiro. As folhas de
sisal servem para a fabricação de tapetes, tecidos e cordas.
O caderno ODS 12: Consumo e produção responsáveis, desta
série, contém informações complementares, que podem aprofundar
a abordagem desta temática.
Moradia – a madeira é um dos materiais mais antigos na produção de casas e móveis.
Além disso, as árvores são importantes fornecedoras de fibras, como a cortiça, e de resinas,
que servem para impermeabilizar e pintar.
Serviços ambientais – e não são apenas produtos que os ecossistemas nos oferecem. Ar
puro, água limpa, solos férteis, estabilidade climática, alimentos abundantes são exemplos
de outras contribuições. Não nos damos conta, mas todas essas comodidades que
garantem nosso bem-estar são providas pela natureza diariamente e sem custo financeiro
para todos os seres vivos. Ao funcionarem adequadamente, os ecossistemas nos proveem
dos chamados serviços ambientais. São milhares de espécies – das mais simples às mais
complexas – atuando sinergicamente para propiciar tais serviços.
38
O caderno ODS 13: Ação contra a mudança global do clima,
desta série, contém informações complementares, que podem
aprofundar a abordagem desta temática.
Polinizadores – abelhas, borboletas, beija-flores, saguis, morcegos transportam o pólen
de flor em flor de plantas da mesma espécie, fertilizando-as e propiciando a frutificação.
Sem esse processo, que liga plantas e animais, a reprodução das plantas dependeria
apenas do vento, o que poderia inviabilizar a vida de inúmeras espécies e causar um
colapso na produtividade agrícola, que é altamente dependente da polinização. Das 250
mil espécies de plantas com flores, estima-se que 90% sejam polinizadas por animais,
especialmente por insetos. Fenômenos como o Distúrbio de Colapso das Colônias, de
desaparecimento repentino de comunidades de abelhas, têm-se tornado cada vez mais
frequentes e representam importantes indicadores da saúde dos ecossistemas.
O caderno ODS 2: Fome zero e agricultura sustentável, desta
série, contém informações complementares, que podem aprofundar
a abordagem desta temática.
Água no solo e no ar – mais e mais estudos apontam para a relação entre a floresta
e o regime de chuvas. A presença das árvores permite a infiltração da água no solo,
proporcionando a recarga dos mananciais subterrâneos. Por outro lado, a transpiração
dessas plantas impulsiona a água para a atmosfera, formando nuvens que podem cair em
forma de chuva a uma distância de centenas ou milhares de quilômetros. Segundo dados
do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA), a Floresta Amazônica transpira,
diariamente, 20 bilhões de toneladas de vapor de água para a atmosfera – volume
superior à vazão do próprio Rio Amazonas. Toda essa umidade forma os chamados rios
voadores, que são levados, com o vento, para outras regiões do país, irrigando plantações
e abastecendo reservatórios de água.
39
O caderno ODS 6: Água potável e saneamento, desta série,
contém informações complementares, que podem aprofundar a
abordagem desta temática.
Causas da degradação
O que acontece quando os ecossistemas não conseguem mais se recuperar dos diversos
fatores de degradação? Sem conseguir manter o bom funcionamento de seus ciclos
naturais, eles entram em colapso. A destruição das matas ciliares, por exemplo, causa
assoreamento dos rios, dificultando o escoamento da água. Quando chove em excesso,
os mesmos rios enchem repentinamente, provocando inundações. Da mesma forma, o
desaparecimento de abelhas, causado pela destruição de seus habitat ou pelo excessivo
uso de agrotóxicos, compromete a produtividade agrícola.
A Avaliação Ecossistêmica do Milênio, inventário mundial encomendado pela ONU
como base para a elaboração dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM),
mostra o alcance da perda de serviços ambientais. O estudo, lançado em 2005 e do
qual participaram 1.360 especialistas de 95 países, trouxe resultados surpreendentes.
Os cientistas chegaram à conclusão de que, dentre os 24 serviços ambientais
considerados essenciais à vida, 15 estavam altamente degradados.
Estes são os principais fatores que contribuem para a degradação dos ecossistemas:
Aumento populacional – em menos de 50 anos, a população mundial mais do que
duplicou, passando de 3 bilhões de pessoas, na década de 1960, para mais de 7 bilhões,
em 2017 (COUNTRY METERS, 2018). O aumento da população foi acompanhado
do aumento de desigualdade social entre ricos e pobres, gerando, de um lado, o
hiperconsumo e, de outro, a escassez de recursos para a sobrevivência. Isso tem impacto
sobre a vida dos ecossistemas.
Crescimento das cidades – a crescente urbanização verificada nas últimas décadas
tornou a população mais dependente de recursos, como água, alimentos e energia em
40
sistemas de distribuição centralizados e que demandam grandes obras de infraestrutura.
Isso também impacta os ecossistemas, especialmente devido à maior demanda por bens
e serviços, que exige superexploração dos recursos naturais locais, e também à poluição,
causada pelos resíduos sólidos e efluentes e pela emissão de Gases do Efeito Estufa. Além
disso, a excessiva urbanização dificulta o contato das pessoas com o ambiente natural e a
biodiversidade local e facilita a proliferação de espécies invasoras, como ratos e pombos,
que ameaçam espécies locais.
O caderno ODS 11: Cidades e comunidades sustentáveis, desta
série, contém informações complementares, que podem aprofundar
a abordagem desta temática.
Fonte: Autores
41
Atividades produtivas insustentáveis e consumismo – essas são as duas faces da
mesma moeda. A crescente produção de bens e serviços, sem considerar os limites da
natureza, tem esgotado recursos vitais, como água, solos, florestas. Por outro lado, a
lógica de fomentar as compras por impulso e a qualquer custo tem levado as pessoas
a consumirem de forma irracional, com alto nível de descarte de materiais, em geral,
realizado sem critérios adequados.
O caderno ODS 12: Consumo e produção responsáveis, desta
série, contém informações complementares, que podem aprofundar
a abordagem desta temática.
Poluição – trata-se de um subproduto de processos produtivos insustentáveis, que, de
um lado, promovem o descarte na natureza de diversas substâncias tóxicas e, de outro,
favorecem o consumo de bens e serviços sem uma política adequada de tratamento de
resíduos sólidos. Como consequência, tem-se a poluição do ar, da água e dos solos, o
que compromete a integridade dos ecossistemas, além de gerar outros tipos de poluição,
como a sonora e a visual, que também causam impactos no meio natural.
Desmatamento – decorrência de atividades produtivas insustentáveis e da ocupação
desordenada do solo, é um dos maiores responsáveis pela perda de habitat e pelo
desaparecimento de espécies. A conversão de florestas em cultivos e pastos, assim como
em assentamentos rurais e urbanos, causa degradação dos ecossistemas, desencadeando
crise da biodiversidade.
Os cadernos ODS 2: Fome zero e agricultura sustentável
e ODS 11: Cidades e comunidades sustentáveis, desta série,
contêm informações complementares, que podem aprofundar a
abordagem desta temática.
42
Caça, pesca e mineração ilegais – embora existam leis que coíbam tais práticas, elas
persistem. Atividades realizadas sem licenciamento ambiental, como garimpo ilegal,
exploração predatória de madeira ou captura e venda de animais silvestres, são atividades
ainda bastante comuns no Brasil. Elas se tornam mais graves quando ocorrem no interior
das Unidades de Conservação e das Terras Indígenas.
Espécies invasoras – a globalização tem facilitado a introdução de novas espécies,
seja de forma intencional ou acidental. A agropecuária intercambia diversas plantas
e animais de um ecossistema para outro, adaptando-as às novas condições por meio
da biotecnologia. Isso aumenta a concorrência com as espécies locais, provocando a
extinção das espécies nativas. A introdução da braquiária no Cerrado, por exemplo, está
dizimando dezenas de capins nativos, considerados menos produtivos pelos pecuaristas.
As espécies vegetais para consumo humano seguem a mesma lógica. No mundo, nós
consumimos apenas 200 espécies de plantas, que são transportadas para diferentes
países para continuarem sendo cultivadas. Outras vezes, de forma não intencional, alguma
espécie com alto grau de resiliência ocupa determinado espaço onde não existe predador
para ela, tornando-se praga de difícil controle.
Os cadernos ODS 2: Fome zero e agricultura sustentável
e ODS 14: Vida na água, desta série, contêm informações
complementares, que podem aprofundar a abordagem desta
temática.
Grandes obras de infraestrutura – a construção de hidrelétricas, portos, ferrovias
e rodovias provoca desmatamento e alteração da dinâmica populacional em diversos
locais do país. Tais obras favorecem ondas migratórias desordenadas, que impactam
negativamente no funcionamento dos ecossistemas locais. Às vezes, chegam a causar até
mesmo acidentes de grandes proporções, como aquele ocorrido, em 2015, no distrito
de Bento Rodrigues, em Mariana/MG, com o rompimento da barragem do Fundão, que
armazenava rejeitos de mineração. Esse acidente, um dos maiores já registrados no país,
provocou impactos em toda a bacia do Rio Doce. Há também situações cotidianas, que
43
se tornam naturalizadas pela sociedade, por exemplo, a grande malha viária que corta o
país de Norte a Sul é a responsável pela morte acidental de cerca 475 milhões de animais
(a maioria silvestres) a cada ano, segundo estimativas do Centro Brasileiro de Estudos em
Ecologia de Estradas (CBEEE), da Universidade Federal de Lavras (UFLA). Isso significa o
alarmante número de 15 mortes de animais a cada segundo.
Mudança do clima – as emissões de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera têm, como
um dos impactos, mudanças no regime de chuvas, com a intensificação de desastres
(enchentes, deslizamentos de terra, secas extremas), e no perfil da vegetação nos diversos
biomas. As espécies com maiores dificuldades de adaptação tendem a desaparecer,
acarretando fragilização dos ecossistemas e perdas significativas de biodiversidade.
O caderno ODS 13: Ação contra a mudança global do clima,
desta série, contém informações complementares, que podem
aprofundar a abordagem desta temática.
Vale salientar que esse encadeamento de fatores, ao degradar a biodiversidade, também
reduz o bem-estar das pessoas, comprometendo suas fontes de alimentação/nutrição,
água limpa e ar puro. Em suma, colocar em risco os ecossistemas compromete também
nossa qualidade de vida e põe em risco nossa capacidade de sobrevivência no planeta.
Soluções existem
Diversas estratégias são usadas para impedir a perda de biodiversidade e a degradação
dos ecossistemas. Algumas demandam iniciativas do poder público ou decorrentes de seu
incentivo direto. Outras dependem da mobilização de cidadãos e cidadãs. Dentre estas,
vale destacar as seguintes.
Unidades de Conservação – a criação e a manutenção de UCs é uma das estratégias
mais eficazes para a conservação de ecossistemas e para a manutenção dos recursos
naturais em longo prazo. Essas áreas protegidas são criadas pelo poder público ou por
particulares (no caso das Reservas Particulares do Patrimônio Natural). Podem ser áreas
44
com restrição de acesso e uso, como os Parques Nacionais e as Reservas Biológicas, ou de
uso sustentável, como as Reservas Extrativistas, que permitem a presença humana e o uso
dos recursos naturais em suas dependências. A União Internacional para a Conservação
da Natureza (IUCN) recomenda que cada país tenha pelo menos 10% de seu território
composto por unidades de conservação. O Brasil já superou essa marca, principalmente
com o acréscimo das recém-criadas Unidades de Conservação marinhas, que aumentam
em mais de 90 milhões de hectares a área protegida nesse bioma.
O caderno ODS 14: Vida na água, desta série, contém informações
complementares, que podem aprofundar a abordagem desta
temática.
Reserva Legal e Área de Preservação Permanente – essas duas modalidades de áreas
protegidas estão previstas no Código Florestal brasileiro (Lei nº 12.651/2012) (BRASIL,
2012) e preveem a conservação de trechos das propriedades rurais. A primeira categoria
visa a conservação da fauna e da flora originais do terreno onde se situa a propriedade,
e sua extensão varia de acordo com o bioma. No Cerrado, por exemplo, 35% da área
devem ser considerados como Reserva Legal. Já a Área de Preservação Permanente
visa a conservação de nascentes e cursos d’água existentes no terreno, e o trecho a ser
preservado depende da extensão do corpo d’água.
Corredores ecológicos – conectam um conjunto de áreas protegidas, como Unidades
de Conservação, Reservas Legais e APP de propriedades particulares, bem como terras
indígenas e outras modalidades de terras coletivas. Dessa forma, permitem a conservação
de maiores extensões do território, promovendo maiores trocas genéticas entre as espécies
– especialmente animais, pois funcionam como refúgio de fauna – e prestação de serviços
ambientais, como a produção de água e a polinização.
Jardins botânicos e parques lineares – essas são duas estratégias voltadas à conservação
dos ecossistemas e da biodiversidade em ambiente urbano. Os jardins botânicos possuem
também função educativa e recreativa, permitindo, aos moradores das cidades, o contato com
45
a vegetação e a fauna originais, bem como com espécies introduzidas. Os parques lineares
têm a intencionalidade de proteger rios, riachos e nascentes e de promover arborização
urbana nas faixas centrais ou laterais de vias públicas. São importantes também para melhorar a
qualidade do ar, diminuir o calor gerado pelas áreas construídas e barrar a propagação do som,
favorecendo, portanto, o conforto térmico e acústico dos habitantes das cidades.
Jardins zoológicos – essas instituições, criadas no século XVIII, para mostrar à
população urbana animais de espécies exóticas de outros continentes, têm sido cada
vez mais questionadas. Seus críticos dizem que os animais são comercializados, vivem
em espaços pequenos, longe da vegetação e do clima nativos, sem contato com outras
espécies e, muitas vezes, sem qualquer companhia. Por outro lado, há quem defenda
que os zoológicos desempenham um papel educativo, inclusive possibilitando pesquisas
científicas, e estimulam as pessoas, especialmente as crianças, a apreciarem os animais
silvestres. Além disso, alguns funcionam como destino para animais resgatados de maus
tratos ou do tráfico. Muitos jardins zoológicos também têm programas de reprodução de
espécies ameaçadas de extinção, trazendo os animais para um ambiente seguro, onde são
protegidos de caçadores, perda de habitat, fome e predadores. É o caso do mico-leãodourado (Leontopithecus rosalia), espécie símbolo da Mata Atlântica, que foi reintroduzido
na natureza devido aos esforços de diversos zoológicos, que mantêm programas de
reprodução em cativeiro e servem como banco genético para a espécie.
Santuários de vida silvestre – o conceito de santuário da fauna silvestre é pouco
conhecido no Brasil, mas bastante difundido na Tailândia, nos Estados Unidos e mais
recentemente na Argentina. O santuário funciona como centro de resgate de animais
exóticos, vindos de circos, zoológicos ou apreendidos do tráfico de animais. O principal
diferencial em relação ao zoológico é a extensão da área de inserção dos animais,
abolindo-se jaulas e gaiolas. O santuário também não realiza compra e venda de animais,
como fazem os zoológicos. Segundo especialistas, trata-se de uma opção para a criação
de fauna ameaçada de extinção, porém ainda não existe uma legislação específica para
esse tipo de ambiente no Brasil.
Zoneamento ecológico-econômico (ZEE) – esse instrumento da Política Nacional
do Meio Ambiente (Decreto nº 4.297/2002) (BRASIL, 2002) tem por objetivo viabilizar
46
o desenvolvimento sustentável, por meio da compatibilização do desenvolvimento
socioeconômico com a proteção ambiental. Por meio do ZEE, os diversos setores atuantes
no território buscam acordo sobre a utilização dos recursos naturais, conforme vocação
ecológica, econômica e social de cada espaço. Outra modalidade de zoneamento, o
chamado Plano Diretor, é um instrumento para a expansão e o planejamento das cidades.
O caderno ODS 11: cidades e comunidades sustentáveis, desta
série, contém informações complementares, que podem aprofundar
a abordagem desta temática.
Monitoramento e fiscalização de desmatamento – no Brasil há diversos mecanismos
para evitar o desmatamento. Desde o monitoramento do território por meio de satélites,
que identificam a destruição de áreas com grande precisão, até o emprego de forçastarefas, que integram diversos tipos de forças policiais, para impedir o desmatamento ilegal.
Governança e participação – para que todas essas medidas tornem-se efetivas, o
governo precisa estar presente, com recursos e infraestrutura, para fazer valer as leis da
conservação. Mas é necessário também que sejam criados mecanismos de participação
popular nas decisões e na implementação das ações de conservação, o que demanda
a Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS). Isso é essencial para o sucesso
das iniciativas de proteção dos ecossistemas. Vale lembrar que a criação de um modelo
de desenvolvimento socioambiental e economicamente sustentável e justo pode gerar
oportunidades para o país, especialmente para aqueles povos que se dedicam a cuidar
desse patrimônio nacional que é a biodiversidade.
O caderno Introdutório, desta série, contém informações
complementares, que podem aprofundar a abordagem da Educação
para o Desenvolvimento Sustentável (EDS).
47
Boicote a produtos que contribuem para a destruição dos ecossistemas – dentre
as ações que podem ser realizadas individualmente, cresce a consciência de que o
consumidor tem poder de promover ou desencorajar determinadas práticas. A pressão
organizada por meio de boicotes contra alimentos cultivados sem os cuidados com a
preservação dos ecossistemas nativos tem conseguido reverter situações de insustentabilidade
nos processos produtivos. De olho nas preferências dos consumidores, diversas empresas – de
grande e pequeno portes – têm recusado a compra de produtos, como a soja, provenientes
de biomas que estão sob forte impacto, como o Cerrado. Há alguns aplicativos de internet,
como o Good Guide, por exemplo, que se especializaram em verificar a procedência de
determinados produtos e os impactos que causam no meio ambiente.
O caderno ODS 12: Consumo e produção sustentáveis, desta
série, contém informações complementares, que podem aprofundar
a abordagem deste tema.
Turismo sustentável – a destinação dos atrativos naturais para o turismo sustentável,
gerido pelas comunidades locais pertencentes à região, constitui também uma
iniciativa voltada à preservação da biodiversidade e de paisagens naturais relevantes, e
principalmente à geração de trabalho e renda para as populações locais que contribuem
para preservar tais recursos. É importante estar atento para participar de atividades que, de
fato, tenham baixo impacto ambiental e não se deixar levar apenas por atividades que se
intitulem sustentáveis, sem embasamento.
O caderno ODS 14: Vida na água, desta série, contém informações
complementares, que podem aprofundar a abordagem deste tema.
48
Assegurar os direitos dos povos indígenas e de comunidades tradicionais –
historicamente, esses povos têm preservado o meio ambiente, usando seus recursos e
serviços de forma sustentável. Ao permitir que o ambiente mantenha suas características
naturais e originárias, esses povos e comunidades garantem o fornecimento dos serviços
ambientais que são usados por todos nós: água de qualidade, polinização, estoque de
carbono nas árvores, entre outros. Esses povos detêm conhecimentos importantes para
a conservação da biodiversidade. Assegurar seus direitos de permanência na terra e
valorizar sua língua e cultura são fundamentais como estratégias para a conservação da
biodiversidade.
Para saber mais
O vídeo O desmatamento (AFPBR, 2015)trata deste tema, mostrando o impacto sobre a
biodiversidade global. Disponível em: <http://bit.ly/34Iej2B>
A importância do cuidado com os solos é o tema do vídeo Vamos Falar Sobre Solos –
Let’s Talk About Soil (Portuguese) (IASS POTSDAM, 2014), que pode ser acessado em:
<http://bit.ly/37REANw>
O vídeo WWF-Brasil – Uma segunda chance (WWF BRASIL, 2016) trata da importância
de recuperação de áreas de reserva legal e APP em propriedades rurais. O vídeo pode ser
acessado em: <http://bit.ly/2OB3wl7>
Revista Viração (ISSUU, 2015), publicação feita por adolescentes e jovens de todo o
Brasil a partir de processos de educomunicação, produziu uma edição especial sobre
meio ambiente com reportagens produzidas por adolescentes e jovens, disponível em:
<https://issuu.com/viracao/docs/edicao_109>
A Rádio Yandê (s.d.), webrádio educativa e cultural que traz notícias produzidas por indígenas,
é uma ótima fonte para notícias sobre os povos indígenas: <http://radioyande.com/>
49
Iniciar o trabalho com o ODS 15 na escola
O reconhecimento das potencialidades, dos conhecimentos, das experiências e dos
valores presentes no contexto escolar, bem como das necessidades para o alcance de
uma educação de qualidade para todos, é fundamental para começar o trabalho com
este ODS. Nesse sentido, ao planejar a seleção e a abordagem dos conteúdos a serem
desenvolvidos precisamos atentar para os seguintes pontos:
• características cognitivas, emocionais e socioculturais das crianças;
• objetivos previstos para o período escolar, considerando o Projeto Político
Pedagógico (PPP) da escola e os conteúdos previstos nele;
condições da escola (estrutura física e organizacional, aspectos pedagógicos e de
gestão, relação com as famílias e a comunidade);
• possíveis articulações com os colegas docentes, outros funcionários da escola,
movimentos sociais e instituições existentes no local; • levantamento de ações já
realizadas na escola e em outros espaços sociais favoráveis ao trabalho com os ODS;
• leitura de materiais sobre o ODS para aprofundamento de cada tema e exibição do
vídeo da UNESCO sobre a temática dos ecossistemas terrestres.
É importante também que sejam feitas as conexões entre o ODS 15 e os demais ODS,
mostrando como essa temática dialoga com diversos fatores em torno dos quais a
sociedade brasileira está buscando a sustentabilidade. É importante explorar toda
a potencialidade da identificação das crianças com os animais e sua facilidade em
relacionar-se com o ambiente natural, incentivando jogos e brincadeiras que estimulem a
convivência com os ecossistemas.
50
Conexões entre a
‘Vida na terra’ e
outros ODS
Fonte: Autores
Temas que podem ser desenvolvidos na escola:
• teia alimentar e funcionamento dos ecossistemas;
• estudo dos biomas brasileiros e, especificamente, do bioma no qual se situam o
município e a escola;
• importância da biodiversidade e por que preservá-la: tem valor moral, cultural
e estético; é provedora de insumos para a produção; é prestadora de serviços
ecossistêmicos; é ambiente de pesquisa, de beleza cênica etc.;
51
• principais ameaças à biodiversidade;
• importância do reconhecimento e da valorização das espécies nativas;
• espécies invasoras mais comuns no Brasil e no ecossistema em que se situa a
escola e como prejudicam a biodiversidade nativa;
• relação entre a biodiversidade e as mudanças climáticas;
• espécies ameaçadas de extinção no Brasil e no bioma em que se situa a escola/
comunidade;
• iniciativas voltadas a combater o tráfico de animais silvestres e a caça ilegal;
• desmatamento e perda de habitat: como prejudicam as espécies e como combatê-los;
• relação entre defesa da biodiversidade e consumo de frutas silvestres e outros
alimentos tradicionais da região;
• importância das florestas, das matas ciliares e dos biomas para a produção de água;
• impactos da poluição sobre a biodiversidade e como isso ocorre no entorno da
escola e da comunidade em questão;
• exploração do território da comunidade/cidade para identificar quais são as áreas
protegidas, abordando o que são essas áreas e como auxiliam na conservação dos
ecossistemas;
• campanhas para a arborização urbana e rural, com enfoque em espécies nativas da
região do município ou escola;
• campanhas para adoção de animais domésticos abandonados, abordando a
importância para a fauna nativa de retirar esses animais da rua;
• estudo da decomposição e sua importância por meio da construção de um minhocário;
• plantio de horta ou horto escolar, especialmente com espécies nativas da região,
para abrigar espécies da fauna silvestre, por exemplo, canteiros para atrair borboletas
e beija-flores nativos;
• desenvolvimento dos conceitos de pegada ecológica e de sustentabilidade,
identificando como podemos levar uma vida mais sustentável;
• discussão sobre o papel de zoológicos e dos santuários da vida silvestre na
conservação da biodiversidade.
52
AGORA É COM VOCÊ!
Ninguém melhor do que as crianças para serem agentes de transformação e proteção da
vida terrestre. A realização de abordagens pedagógicas lúdicas e participativas na escola
são fundamentais para o alcance do ODS 15 no Brasil e no mundo.
Converse com as crianças sobre o meio ambiente onde a escola está inserida. Em qual
bioma está localizada? Se há parques ou corredores ecológicos na comunidade ou
próximos? Que diferença podemos fazer na preservação da vida terrestre?
Desenvolver atividades com as crianças dos anos iniciais do ensino fundamental, contudo,
requer cuidado e dedicação. É muito importante criar um ambiente solidário, livre de juízos
de valor, de forma que elas possam-se expressar com liberdade e por meio de diferentes
linguagens (oral, escrita, desenhos etc.).
Selecionamos algumas atividades a serem desenvolvidas, considerando a faixa etária
priorizada e as temáticas relacionadas aos ecossistemas terrestres. Lembrando que não se
tratam de receitas prontas, mas são aqui apresentadas para estimular a criação de ações
contextualizadas com sua realidade. Há ainda indicações de sites e outros recursos onde
será possível conseguir mais subsídios para trabalhar o ODS 15.
Mãos à obra!
53
IDEIAS PARA A AÇÃO
Pode-se partir da exibição do vídeo da UNESCO
referente ao ODS 15 (disponível em: <bitly.com/
videos_eds> (UNESCO, 2017b) e, com base nas
reações demonstradas pelas crianças, explorar com elas
estes pontos: (1) o que aprendemos com esse vídeo? (2)
o que já sabemos? (3) o que queremos aprender?
As respostas a essas perguntas podem dar margem a diversas ações em sala de aula e/
ou na escola. É possível, por exemplo, desenvolver um projeto de pesquisa e, em seguida,
planejar e executar campanhas sobre o tema na escola. O mais importante é que as
iniciativas conquistem o interesse e o empenho das crianças.
1. Desvendando e criando
Objetivo: reconhecer as relações entre o ODS 15 e demais ODS.
Áreas de conhecimento: Linguagens, Ciências da Natureza e Ciências Humanas.
Conteúdo: ODS 15 (Vida na terra) em relação com Saúde e bem-estar (ODS 3), Educação de
qualidade (ODS 4), Água potável e saneamento (ODS 6), Cidades e comunidades
sustentáveis (ODS 11), Consumo e produção responsáveis (ODS 12), Ação para
a mudança global do clima (ODS 13), Vida na água (ODS 14).
Material: dados ODS confeccionados.
Desenvolvimento:
Exiba o vídeo ODS 14 e 15 para crianças – Vida na Água e Vida Terrestre
(UNESCO, 2017)5 para crianças e, em seguida, organize as crianças em grupos, solicite
que socializem as palavras, verificando se há alguma repetida ou semelhante. Neste caso,
peça que mantenham apenas uma delas. Avise que precisam manter segredo em relação
54
5 UNESCO TV PORTUGUESE. ODS 14 e 15 para crianças – Vida na Água e Vida Terrestre. 2017. Disponível em:
< https://www.youtube.com/watch?v=aw6di8n3A10>. Acesso em: 4 mai. 2018.
às palavras para que os outros grupos inicialmente não saibam. Oriente a turma em
relação ao jogo: defina com as crianças a ordem de cada grupo. O grupo 1 escolhe um
dos dados ODS, e o grupo 2 escolhe uma palavra relacionada ao vídeo e apresenta
para toda a turma. O grupo 1 lança o dado e elabora uma frase relacionando a palavra
ao ODS sorteado no dado com a palavra apresentada pelo grupo 2.
É recomendável registrar as respostas das crianças para facilitar comentários que sejam
favoráveis à expansão de informações acerca dos ODS.
Modelo dos dados
Figura 1 - Dado ODS 1
Figura 2 - Dado ODS
FOME ZERO E
AGRICULTURA
SUSTENTÁVEL
EDUCAÇÃO DE
QUALIDADE
VIDA
TERRESTRE
AÇÃO CONTRA A
MUDANÇA GLOBAL
DO CLIMA
VIDA
NA ÁGUA
SAÚDE E
BEM-ESTAR
EDUCAÇÃO DE
QUALIDADE
CIDADES E
COMUNIDADES
SUSTENTÁVEIS
SAÚDE E
BEM-ESTAR
FOME ZERO E
AGRICULTURA
SUSTENTÁVEL
CONSUMO E
PRODUÇÃO
RESPONSÁVEIS
Baixe os dados ODS em: https://pt.unesco.org/fieldoffice/brasilia/expertise/education-sustainable-development
55
2. Jornal mural ODS 15
Objetivo: conhecer a diversidade dos
ecossistemas e biomas brasileiros; identificar os
animais em seus respectivos biomas bem como,
os desafios para sobrevivência deles frente às
intervenções humanas.
Áreas de conhecimento: Linguagens, Ciências
da Natureza e Ciências Humanas.
Conteúdo: biomas brasileiros e seus animais.
Material: jornal, lápis, pincéis atômicos, giz de cera, tesoura, cola, revistas para recorte.
Desenvolvimento:
Converse com os alunos sobre os biomas brasileiros, procurando identificar o que eles
já sabem sobre esse assunto. Leve um jornal (impresso ou digital) para a escola e permita
que os alunos conheçam suas diversas seções, os tipos de matérias que são colocadas e a
maneira pela qual são distribuídas ao longo do jornal. Peça que identifiquem as manchetes,
as notícias nacionais, as notícias locais, as entrevistas, a parte de entretenimento, a coluna
social etc. Incentive os alunos a produzirem um jornal mural da turma:
1) divida a turma em seis grupos e distribua (da forma que for mais conveniente) um
bioma para cada grupo;
2) faça uma votação entre os alunos para a escolha do nome do jornal;
3) peça que cada grupo faça uma pesquisa sobre seu bioma e depois selecione as
notícias para fixar no jornal mural, de acordo com o que foi visto anteriormente,
a saber, manchete – notícia, fato ou acontecimento do mês ou meses próximos
relacionado àquele bioma (por exemplo uma queimada, um animal que está
entrando em extinção, uma área que passou a ser de preservação etc.); entrevista
– entrevistar alguém que já morou em área daquele bioma que possa descrever
sobre os principais desafios de sua preservação, caso isso não seja possível, podese transcrever também, de forma breve, uma entrevista da internet; notícias diversas
56
– pequenas informações sobre os animais em extinção do bioma, a importância do
bioma, quais espécies são endêmicas; notícia local – identificar, com um pequeno
mapa, o bioma e mostrar os esforços de grupos locais para preservar aquele
ambiente; entretenimento – mostrar curiosidades da região e como os recursos da
biodiversidade são usados (plantas medicinais, turismo ecológico etc);
4) cada semana um grupo ficará encarregado de colocar as notícias no jornal,
fazendo antes uma pequena apresentação;
5) depois de pronta a edição semanal, é importante que o grupo avalie
coletivamente o processo de participação e produção e também o resultado
final. Podem ser feitas perguntas como estas: o que você gostou mais de fazer?
Todo mundo vai entender a mensagem escrita no jornal? O formato está criativo?
O que foi legal? O que poderia melhorar?;
6) se possível, coloque o jornal mural em áreas onde outros alunos e colaboradores
da escola possam ver.
3. Mapa dos Biomas
Objetivo: identificar espécies e/ou animais de cada bioma brasileiro; criar um quebra-cabeça com imagens de espécies representativas dos biomas.
Área de conhecimento: Ciências da Natureza.
Conteúdo: biomas brasileiros, espécies da fauna e da flora mais comuns por bioma,
espécies endêmicas e suas implicações no ecossistema local.
Material: cartolina ou papel cartão, cola, tesoura.
Desenvolvimento:
Converse com as crianças sobre as características de cada bioma e as espécies endêmicas
da região. Explique o significado da palavra endêmica, se possível pedindo que as crianças
procurem o significado da palavra no dicionário. Explique também a importância de
espécies endêmicas. Em seguida, fale sobre as principais espécies de cada região.
57
Peça aos estudantes que tragam de casa
recortes de jornais e revistas contendo
imagens de cada bioma e de quatro ou
mais espécies endêmicas de cada um
deles (você pode dividir a sala em grupos
para esta atividade). Faça o contorno do
mapa do Brasil em uma folha de papel
cartão ou equivalente, mostrando os seis
principais biomas, conforme exemplo.
Disponível em: <http://siscom.ibama.gov.
Amazônia
Cerrado
Caatinga
Mata Atlântica
Pampa
Pantanal
br/monitora_biomas/>
No dia seguinte:
1. Chame um ou dois estudantes para que recortem
o mapa de acordo com o bioma, sempre buscando
relacionar com os estados brasileiros que estão no
Fonte: Autores
território;
2. Distribua os biomas entre as equipes;
3. Oriente os estudantes a colar na cartolina os animais endêmicos do bioma;
4. Peça que cada equipe apresente seu bioma e os principais animais;
5. Monte com os alunos o mapa do Brasil, salientando a relação de
interdependência entre os diversos biomas.
4. Animal radical ou bichos estranhos
Objetivo: desmistificar a lógica dos animais nocivos; mostrar a importância da
biodiversidade para o planeta terra.
Áreas de conhecimento: Linguagens, Ciências da Natureza e Ciências Humanas.
Conteúdo: biodiversidade, animais detritívoros (que se alimentam de detritos) e sua
importância para a biodiversidade.
Material: papel, lápis ou caneta colorida.
58
Desenvolvimento:
Escreva em pequenos pedaços de papel o nome de vários animais considerados nocivos
ou sem utilidade pelo senso comum (procure selecionar quatro animais de cada bioma).
1) Faça um sorteio entre os estudantes, de forma que cada dupla fique com
um animal (ex.: minhoca, roedores, crustáceos, insetos, aves). Solicite que os
estudantes pesquisem sobre o animal e façam uma ficha com os seguintes dados:
nome, nome científico, bioma onde vive, como nasce, como se locomove,
principais características, do que se alimenta, quem é seu predador, sua
importância na teia alimentar daquele bioma, curiosidades acerca do animal.
2) No dia combinado para a entrega das fichas, divida a turma por biomas e peça
que os estudantes troquem experiências acerca de suas descobertas. Em seguida,
solicite que eles preparem uma apresentação de forma criativa sobre os animais
pesquisados e sua importância para a manutenção do ecossistema.
3) Procure reunir outras turmas da escola para assistir à apresentação.
5. Encontre seu bioma
Objetivo: identificar as principais espécies animais e vegetais de cada bioma brasileiro;
caracterizar os biomas brasileiros.
Áreas de conhecimento: Ciências da Natureza e Linguagens.
Conteúdo: diversidade biológica, biomas brasileiros, expressão corporal, cooperação,
leitura.
Material: papel contendo nomes dos biomas e espécies da fauna e da flora, fita
adesiva para fixar os nomes.
Desenvolvimento:
Faça pequenas placas em folha de papel com o nome dos seis principais biomas
brasileiros e espécies da fauna e da flora. A quantidade de placas dependerá da
quantidade de crianças da turma. Escolha seis estudantes, e cada um receberá uma
etiqueta contendo um dos seis principais biomas brasileiros.
59
Com os demais estudantes, fixe etiquetas nas costas ou na testa, com nome de
espécies da fauna e da flora dos seis biomas. Ao sinal, cada participante deverá
procurar seu bioma correspondente. Durante a procura, as crianças não poderão
falar, mas poderão emitir sons, fazer mímicas ou utilizar outras estratégias para
achar seu bioma. O jogo termina quando todas as crianças encontrarem seu
bioma correspondente. Se possível, realize a atividade fora da sala de aula,
preferencialmente ao ar livre.
6. O que encontramos na trilha?
Objetivo: reconhecer a influência da ação humana
na preservação da natureza; evidenciar práticas
sustentáveis favoráveis à conservação dos biomas
brasileiros; distinguir características dos principais
biomas brasileiros; identificar ações e atitudes que
comprometem a sustentabilidade do planeta.
Áreas de conhecimento: Linguagens, Ciências da
Natureza e Ciências Humanas.
Conteúdo: leitura, mudança do clima, práticas sustentáveis, degradação ambiental,
espécies em extinção, biomas terrestres, biodiversidade.
Material: seis tabuleiros; seis dados; 35 sementes ou piões.
Desenvolvimento:
Organize a turma em seis grupos, cada um com cinco ou seis crianças. Entregue um tabuleiro
para cada grupo. Oriente em relação às regras e acompanhe os grupos para dirimir possíveis
dúvidas. Todos os participantes jogam o dado, o jogador que tirar o maior número será
o primeiro e, em ordem decrescente, define-se a ordem de todos os participantes.
O primeiro jogador lança os dados e, de acordo com o número de pontos que tirar,
avança seu pião/semente na trilha. Em um único espaço, poderá haver vários piões/
sementes ao mesmo tempo. Conforme as indicações constantes nos lugares de parada,
o jogador agirá.
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Exemplos de informações para compor o tabuleiro com a trilha:
Você participou do plantio de mudas
nativas. Isso favoreceu a diminuição
da temperatura da terra e a
proteção das nascentes.
Você levou espécies invasoras
para o parque, contribuindo com
a extinção das espécies nativas.
Esse bioma é considerado o berço
das águas. Nele nascem importantes
rios brasileiros, além de abastecer
várias bacias hidrográficas.
Avance 4 casas.
Volte para o
início do jogo.
É o bioma mais
preservado do país.
Quem sou eu? A qual/
quais biomas pertenço?
Quem sou eu?
A qual bioma pertenço?
Se acertar, avance
3 casas; caso contrário,
retorne 1 casa.
Se acertar, avance 2 casas;
caso contrário, permaneça
na casa atual.
Se acertar, avance 2 casas;
caso contrário, permaneça
na casa atual.
Quem sou eu?
A qual bioma pertenço?
Esse bioma é um conjunto
de formações florestais e
ecossistemas associados, como
as restingas, os manguezais e os
campos de altitude, abrangendo
17 estados do território brasileiro.
Você aprendeu que “nove em
cada dez brasileiros consomem
eletricidade gerada por águas
do Cerrado, ressaltando que até a
hidrelétrica de Itaipu não existiria
sem as nascentes existentes na
região do Planalto Central.”
Se acertar, avance
2 casas;
caso contrário,
retorne 1 casa.
Se acertar, avance 2 casas; caso
contrário, permaneça na casa atual.
Se acertar, avance 4 casas;
caso contrário, retorne 1 casa.
Avance 4 casas.
7. Plantando árvore, plantando água
Objetivo: reconhecer a importância das
árvores para as águas e a diminuição
dos impactos gerados pela mudança
do clima; mapear as principais
espécies vegetais da região (árvores)
e suas características; contribuir com
o plantio de árvores; identificar áreas
protegidas e sua relevância para a
sustentabilidade socioambiental.
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Áreas de conhecimento: Linguagens, Ciências da Natureza e Ciências Humanas.
Conteúdo: áreas protegidas, árvores e plantas características da região, mudança do
clima, nascentes e mata ciliar.
Material: mudas ou sementes.
Desenvolvimento:
Etapa 1 – Converse com as crianças sobre o ambiente escolar. Em qual bioma está
localizado, quais as principais características desse bioma (fauna, flora,
paisagem). Pergunte se as crianças já perceberam algumas dessas espécies
nativas nos lugares onde vivem. Oriente-as a observarem/identificarem,
durante uma semana, locais onde é possível encontrar essas espécies e como
elas estão. Solicite que anotem, fotografem, filmem ou desenhem para registrar
o que observaram.
Etapa 2 – Peça que socializem o que observaram e registrem, em um quadro-síntese,
espécies encontradas, locais e aspectos que mais lhe chamaram atenção.
Nesse momento, é interessante destacar se algum desses locais é uma área
protegida e indicar suas características e sua relevância, bem como a relação
entre árvores, mudança climática e águas do planeta.
Etapa 3 – Convide uma pessoa da comunidade e/ou de instituição que tenha domínio
sobre vegetação e processos de plantio/restauração florestal, para conversar
com a turma sobre a importância das árvores para nascentes e rios da região.
Em seguida, convide a turma a plantar árvores nativas.
Etapa 4 – Mapeie instituições que atuem com restauração florestal e/ou possam doar
mudas ou sementes; convide um especialista para conversar com a turma
sobre a importância do plantio, os cuidados antes, durante e após; defina
tipo de árvore a ser plantada e o local mais adequado para cada espécie. Se
possível, dê preferência às espécies mais resistentes e fáceis de cuidar. Prepare
o local e realize o plantio com o maior número possível de pessoas, numa
espécie de celebração da biodiversidade.
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8. Visita a uma unidade de conservação
Objetivo: reconhecer a importância das unidades de conservação para a
sustentabilidade socioambiental; comprometer/envolver as crianças no
processo de proteção e conservação da biodiversidade local; reconhecer as
espécies locais e sua relevância para a biodiversidade.
Áreas de conhecimento: Ciências da Natureza, Ciências Humanas, Linguagens e
Matemática.
Conteúdo: áreas protegidas, biodiversidade, qualidade da água, importância da
unidade de conservação para a sustentabilidade socioambiental.
Material: transporte escolar.
Desenvolvimento:
Identifique previamente a Unidade de Conservação existente em seu município e
que seja aberta à visitação. Agende dia e horário, e organize a visita ao local de forma
conjunta com a gestão escolar e os familiares das crianças.
Comece perguntando à turma se alguém já visitou a UC escolhida. Em caso afirmativo,
instigue a dizerem o que perceberam e, aos que não conhecem, peça que mencionem
o que acham que poderão encontrar lá. Em seguida, informe que será realizada uma
visita e oriente quanto ao que observar, por exemplo, espécies animais e vegetais;
comparação entre temperatura fora e dentro da UC (levar termômetro). Verificar a
qualidade da água, os sons que são produzidos fora e dentro da UC. Na volta, peça aos
estudantes que façam algum trabalho artístico para representar o que viram – pode ser
desenho, pintura, poesia ou relato oral. E conclua com uma roda de conversa sobre as
principais impressões que ficaram referentes aos benefícios da UC na vida das pessoas.
9. Construção de nosso minhocário (Araguaia, s.d.)
Objetivo: compreender o processo de reciclagem da matéria orgânica e sua importância
para adubar o solo; compreender a importância da minhoca e de outros
animais detritívoros para enriquecem o solo e para a biodiversidade; construir
um minhocário; incentivar a coleta seletiva dos resíduos sólidos; identificar
características do habitat das minhocas e sua relevância para a horta escolar.
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Áreas de conhecimento: Linguagens, Ciências da
Natureza e Ciências Humanas.
Conteúdo: reciclagem, habitat das minhocas,
importância dos animais detritívoros para o solo e a
biodiversidade.
Material: garrafa PET de dois litros* ou um vidro de
conserva grande e de boca larga; terra escura; areia;
esterco; pó de giz; folhas secas; água; cinco minhocas; um
pedaço de tule ou tela de náilon; saco de lixo preto, tecido
escuro ou cartolina preta.
Desenvolvimento:
Monte, junto com as crianças, o minhocário:
1 – Coloque, no fundo do recipiente, uma camada de
aproximadamente 2 cm de terra escura. Em seguida,
acrescente, com a mesma espessura, uma camada dos
outros materiais na seguinte ordem: pó de giz, areia e
esterco;
2 – Repita essas camadas até encher o vidro ou a garrafa
PET;
3 – Acrescente folhas secas;
4 – Coloque, cuidadosamente, meio copo de água pelo centro da garrafa – para
não desmanchar as camadas;
5 – Deposite as minhocas;
6 – Feche o vidro ou garrafa com tela de náilon ou tule;
7 – Oubra ao redor com o material escuro;
8 – Deixe o recipiente em local onde não receba luz direta do Sol, como um canto
da sala de aula.
Peça para que seus alunos façam um relatório contendo as etapas e desenhem como
o minhocário ficou nos primeiros momentos, após ficar pronto. Semanalmente, retire
a proteção escura e solicite que os estudantes anotem e desenhem o que ocorreu em
cada intervalo de tempo, tomando o cuidado para cobrir novamente o minhocário.
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Durante esse processo, converse com as crianças sobre as mudanças ocorridas,
provocando-as a perceberem o seguinte:
• as minhocas fogem quando se retira a proteção escura;
• após algum tempo, as camadas estarão misturadas;
• aparecerão certos grânulos escuros (húmus), primeiramente na parte superficial do
sistema;
• o húmus pode ser utilizado em hortas, jardins, vasos de flores etc.;
• o número de minhocas, ao fim do experimento, estará bem maior;
• importância da coleta seletiva para reciclagem da matéria orgânica.
Datas que podem inspirar debates sobre o tema na escola:
03 de março – Dia Mundial da Vida Selvagem
14 de março – Dia Nacional dos Animais
21 de março – Dia Internacional das Florestas e da Árvore
22 de março –Dia Mundial da Água
15 de abril – Dia Nacional da Conservação do Solo
22 de abril – Dia da Terra
28 de abril – Dia Nacional da Caatinga
03 de maio – Dia do Pau-Brasil
22 de maio – Dia Internacional da Biodiversidade
27 de maio – Dia Nacional da Mata Atlântica
17 de junho – Dia Mundial de Combate à Desertificação
17 de julho – Dia Nacional de Proteção às Florestas
05 de setembro – Dia da Amazônia
11 de setembro – Dia Nacional do Cerrado
21 de setembro – Dia da Árvore
04 de outubro – Dia da Natureza
12 de novembro – Dia Nacional do Pantanal
17 de dezembro – Dia Nacional do Bioma Pampa
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AVALIAR O ALCANCE DO ODS 15
Vamos avaliar?
Um dos grandes desafios dos processos de participação e mobilização é sua continuidade.
Por isso, convém que o trabalho com os ODS seja encarado como algo permanente e
torne-se parte das discussões pedagógicas de toda a comunidade escolar, principalmente
do corpo docente. Com a autoridade que lhes é conferida no ambiente escolar, docentes
podem atuar como facilitadores desse processo, construindo, com a comunidade escolar,
estratégias para que as ações sejam comunicadas o mais amplamente possível, gerando
mobilização para o alcance dos ODS.
Além de divulgar as ações do grupo no mural da escola, pode-se também criar jornais,
vídeos de celular, blogs e sites da escola, páginas em redes sociais. É possível também
realizar exposição de fotos ou produções que explicitem os principais avanços alcançados.
As crianças e adolescentes são incrivelmente criativos para encontrar meios de produzir
formas de tornar os conteúdos trabalhados mais atraentes e difundidos. Há também a
possibilidade de inscrever a escola em prêmios de educação, o que tornará o trabalho
realizado visível em outros espaços.
Para facilitar a identificação, a sistematização e a análise de avanços e projeções, a turma
ou a escola poderá construir um painel nestes moldes:
?
Esse painel poderá ser preenchido periodicamente a cada 15 ou 30 dias ou conforme a
realidade de cada escola.
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REFERÊNCIAS
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agosto de 1981, estabelecendo critérios para o Zoneamento Ecológico-Econômico do Brasil - ZEE, e dá outras
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6.938, de 31 de agosto de 1981, 9.393, de 19 de dezembro de 1996, e 11.428, de 22 de dezembro de 2006;
revoga as Leis nos 4.771, de 15 de setembro de 1965, e 7.754, de 14 de abril de 1989, e a Medida Provisória no
2.166-67, de 24 de agosto de 2001; e dá outras providências. Diário Oficial da União, 26 maios 2012. Disponível
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