ODS 14: Vida na Água
375084por.pdf
Documento PDF (4.1MB)
Documento PDF (4.1MB)
Educação para o
Desenvolvimento Sustentável
na Escola
Vida na água
EDUCAÇÃO PARA
O DESENVOLVIMENTO
SUSTENTÁVEL NA ESCOLA
ODS 14
VIDA NA ÁGUA
BRASÍLIA, 2020
Publicado em 2020 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e a
Representação da UNESCO no Brasil, em cooperação com o Ministério da Educação (MEC).
© UNESCO 2020
Esta publicação está disponível em acesso livre ao abrigo da licença Atribuição-Partilha 3.0 IGO (CC-BY-SA 3.0 IGO) (http://
creativecommons. org/licenses/by-sa/3.0/igo/). Ao utilizar o conteúdo da presente publicação, os usuários aceitam os
termos de uso do Repositório UNESCO de acesso livre (www.unesco.org/open-access/terms-use-ccbysa-port).
As indicações de nomes e a apresentação do material ao longo deste livro não implicam a manifestação de qualquer opinião
por parte da UNESCO a respeito da condição jurídica de qualquer país, território, cidade, região ou de suas autoridades,
tampouco da delimitação de suas fronteiras ou limites.
As ideias e opiniões expressas nesta publicação são as dos autores e não refletem obrigatoriamente as da UNESCO
nem comprometem a Organização.
Coordenação técnica da Representação da UNESCO no Brasil:
Marlova Jovchelovitch Noleto, Diretora e Representante
Maria Rebeca Otero Gomes, Coordenadora do Setor de Educação
Mariana Alcalay, Oficial do Setor de Educação
Edição e redação: Tereza Moreira e Rita Silvana Santana dos Santos
Pesquisa: Clara Miranda, Isabeli Cristini Santana Oliveira, Rita Silvana Santana dos Santos e Tereza Moreira
Revisão técnica: Setor de Educação da Representação da UNESCO no Brasil, Jane Fontana (Ministério da
Educação), Patricia Fernandes Barbosa (Ministério do Meio Ambiente) e Renata Maranhão (Agência Nacional
de Águas) e Maria Rehder (consultora da UNESCO)
Revisão gramatical e ortográfica: Lúcia Leiria
Revisão editorial: Unidade de Publicações da Representação da UNESCO no Brasil
Capa, Projeto gráfico e diagramação: Raruti Comunicação e Design
Ilustração: Marcela Weigert
Educação para o desenvolvimento sustentável na escola: ODS 14, vida na água / editado por Tereza
Moreira e Rita Silvana Santana dos Santos. – Brasília : UNESCO, 2020.
64 p., il.
Incl. bibl.
ISBN: 978-85-7652-252-2
1. Educação para o desenvolvimento sustentável 2. Desenvolvimento sustentável 3. Biodiversidade
4. Meio ambiente aquático 5. Ecossistema aquático 6. Animais aquáticos 7. Plantas aquáticas 8.
Desenvolvimento curricular 9. Guia pedagógico 10. Brasil Brasil I. Moreira, Teresa II. Santos, Rita Silvana
Santana dos III. UNESCO
CDD 373
Esclarecimento: a UNESCO mantém, no cerne de suas prioridades, a promoção da igualdade de gênero, em todas as
suas atividades e ações. Devido à especificidade da língua portuguesa, adotam-se, nesta publicação, os termos no gênero
masculino, para facilitar a leitura, considerando as inúmeras menções ao longo do texto. Assim, embora alguns termos sejam
escritos no masculino, eles referem-se igualmente ao gênero feminino.
Agradecimentos
A série “Cadernos de Educação para o Desenvolvimento Sustentável na Escola”
foi produzida pelo Setor de Educação da UNESCO no Brasil. O material é
resultado de uma parceria frutífera entre a UNESCO no Brasil e o Ministério da
Educação (MEC) que, no âmbito de seus mandatos, uniram esforços para produzir
um conteúdo de qualidade, fundamental para o nosso século, sobre Educação
Ambiental e Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS).
Gostaríamos de agradecer especialmente a Rita Silvana Santana dos Santos e
a Tereza Moreira, que desenvolveram a série, também enriquecida pelo apoio
técnico de Renata Maranhão, Patrícia Fernandes Barbosa, Jane Fontana e Maria
Rehder, cujas valiosas contribuições foram fundamentais para a preparação destes
cadernos.
Agradecimentos especiais a Thaís Pires e a Thaís Guerra pelo grande apoio e às
integrantes da equipe da Escola da Natureza de Brasília. Esse trabalho contou
também com a experiência e as contribuições de Mariana Braga, Massimiliano
Lombardo, Edneia Oliveira e Maria Clara Mendes.
Esse projeto não seria possível sem o apoio da equipe de publicação da UNESCO
no Brasil e o incansável trabalho gráfico de Edson Fogaça e Marcela Weigert.
Apresentação
Desafios globais, como erradicação da fome, agricultura sustentável, saúde e bemestar, educação de qualidade, acesso à agua potável e saneamento, cidades e
comunidades sustentáveis, consumo e produção responsáveis, mudança climática
global e preservação da vida na água e na terra, entre outros, exigem, mais do
que nunca, uma mudança urgente em nosso estilo de vida, bem como uma
transformação em nosso modo de pensar e agir.
Em 2015, os países das Nações Unidas adotaram a Agenda 2030 para o
Desenvolvimento Sustentável. Trata-se de um plano de ação previamente acordado
pelos Estados-membros, que convoca governos, a sociedade civil e o setor privado
a se comprometerem com a agenda proposta, protegendo e preparando as
gerações futuras, para alcançarmos o mundo que queremos em 2030.
A educação é explicitamente formulada como um objetivo independente, o Objetivo
de Desenvolvimento Sustentável 4 (ODS 4), que visa a “assegurar a educação inclusiva
e equitativa de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da
vida” , sendo, portanto, um fator essencial para atingir todos os demais ODS.
Para possibilitar essas mudanças e vencer esses desafios nos âmbitos local,
nacional, regional e global, precisamos de novas competências, habilidades,
valores e atitudes que assegurem sociedades mais sustentáveis. Nesse sentido,
os sistemas educacionais em geral, e as escolas em particular, como espaços de
socialização fundamental, devem responder a esses desafios prementes, definindo
objetivos e conteúdos de aprendizagem relevantes, introduzindo pedagogias
que inspirem e empoderem docentes e estudantes, e instando suas instituições a
incluir princípios de sustentabilidade em suas estruturas de gestão. A escola, sob
um ponto de vista mais abrangente, está diretamente ligada à sua comunidade, o
que aumenta sua importância e, consequentemente, sua responsabilidade, pois os
conhecimentos ali produzidos irão para além de seus muros, influenciando todo o
seu entorno.
A UNESCO Brasil e o Ministério da Educação (MEC) se uniram para produzir
uma série inédita de materiais pedagógicos, a fim de divulgar a Educação para
o Desenvolvimento Sustentável (EDS) e a Agenda 2030 para estudantes dos
anos iniciais do ensino fundamental, faixa etária para a qual há poucos materiais
educacionais sobre o tema. Além disso, é importante que crianças e jovens sejam
protagonistas da mudança de estilos de vida, contribuindo para criar uma cultura
mais responsável e sustentável. A primeira iniciativa foi produzir, em 2017, nove
vídeos educativos, a partir dos desafios descritos acima, que correspondem aos
ODS cuidadosamente selecionados, considerando sua relação mais direta com
a EDS e com a Educação Ambiental do Brasil: ODS 2 (Fome zero e agricultura
sustentável), ODS 3 (Saúde e bem-estar), ODS 4 (Educação de qualidade), ODS 6
(Água potável e saneamento), ODS 11 (Cidades e comunidades sustentáveis), ODS
12 (Consumo e produção responsáveis), ODS 13 (Ação contra a mudança global do
clima), ODS 14 (Vida na água) e ODS 15 (Vida terrestre).
A partir da produção dos vídeos, desenvolveu-se também esta série de cadernos
sobre a Agenda 2030. Em cada um deles, são sugeridas atividades lúdicas a serem
adaptadas conforme cada contexto escolar, atividades que podem ser utilizadas
tanto na educação formal como na não formal. Essa série é, assim, uma referência
para que profissionais da educação possam trabalhar com os ODS.
Os docentes são atores essenciais para a conscientização das gerações futuras e
da comunidade escolar como um todo, neste caso, com a utilização dos cadernos
que disponibilizamos. Vale lembrar que todos os 17 ODS estão interligados e
serão trabalhados ao longo desta série. Esta primeira edição será testada em
caráter piloto no Brasil, em suas cinco regiões, para, em seguida, ser validada e
amplamente divulgada no país e no mundo.
Dessa forma, os cadernos somam-se aos esforços que a UNESCO vem realizando,
desde 1992, com a instituição da Década das Nações Unidas para a Educação para
o Desenvolvimento Sustentável (2005-2014) e, atualmente, dando continuidade às
ações por meio do Programa de Ação Global para a EDS (2015-2030).
No Brasil, esse trabalho fortalece as ações que o MEC tem realizado para promover
a Educação Ambiental. Em sentido amplo, esse trabalho valoriza e reconhece a
importância do local para garantir a sobrevivência do global, contribuindo assim para
assegurarmos um mundo mais sustentável em 2030.
UNESCO no Brasil
Ministério da Educação (MEC)
Sumário
OBJETIVOS DA APRENDIZAGEM...............................................................................10
UMA AGENDA GLOBAL................................................................................................. 11
Todos a bordo!....................................................................................................................... 11
É preciso educar-se para a sustentabilidade.................................................................. 17
Políticas de Educação Ambiental no Brasil................................................................................19
Motivos para abordar os ODS na escola.......................................................................20
PREPARAR PARA A PRÁTICA....................................................................................... 22
Oceanos: fonte de vida na Terra .....................................................................................23
A proteção entra na pauta mundial ................................................................................ 27
A influência dos mares e oceanos em nossas vidas....................................................28
Principais ameaças à saúde dos mares e oceanos......................................................32
Medidas pela sustentabilidade dos mares e oceanos................................................38
Início do trabalho com o ODS 14 na escola.................................................................42
IDEIAS PARA A AÇÃO...............................................................................................................46
AVALIAR O ALCANCE DO ODS 14.............................................................................57
REFERÊNCIAS................................................................................................................... 58
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A educação para o cuidado com os ecossistemas marinhos é o tema
deste caderno e refere-se ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável
14: “Conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos
marinhos para o desenvolvimento sustentável”.
Com as orientações e indicações aqui propostas, pretendemos
contribuir para:
• Ampliar a compreensão dos estudantes sobre a complexidade da
vida marinha e a teia de vida que esta sustenta;
• Esclarecer as relações que os seres humanos estabelecem com os mares como
fornecedores de alimentos, transportes, empregos, atrativos turísticos, paisagísticos,
entre outros;
• Definir as inter-relações entre saúde dos mares, hábitos de produção e consumo e
estabilização do clima da Terra;
• Promover práticas pessoais e coletivas que contribuam com a saúde dos mares.
• Estimular as reflexões na escola (em todas, mesmo as que não estão localizadas em
zonas costeiras) sobre como as nossas ações podem impactar, positivamente ou
negativamente, para a preservação da vida na água.
10
Crédito da arte: Ken Robinson/Global Goals
UMA AGENDA GLOBAL
Todos a bordo!
Qual educação precisamos oferecer hoje para garantir uma vida mais sustentável até 2030?
Desde setembro de 2015, o mundo está diante de um novo desafio: alcançar – até 2030 –
os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). Trata-se de um ambicioso conjunto
de 17 objetivos e 169 metas, que foi adotado por 193 países-membros das Nações Unidas.
Esses objetivos buscam “garantir uma vida sustentável, pacífica, próspera e equitativa na
Terra, para todos, agora e no futuro” (UNESCO, 2017a).
Os ODS foram definidos por meio de um amplo processo de negociações, que durou
três anos e envolveu a participação de governos e da sociedade civil dos diversos
países. Contou ainda com a contribuição de cidadãos de todo o planeta por meio de
consultas on-line. O resultado desse esforço mundial compõe a Agenda 2030 para o
Desenvolvimento Sustentável, que comporta os 17 ODS e suas respectivas metas.
Desde então, milhões de pessoas e instituições, em todo o mundo, têm-se mobilizado em
resposta ao chamado dos ODS. Elas estão buscando maneiras de transformar os desafios
globais em objeto de suas reflexões e práticas locais, visando contribuir para o alcance
de metas tão ambiciosas. Afinal, isso pressupõe mudanças de estilo de vida, aquisição
de valores, habilidades, atitudes e comportamento que conduzam à construção de
sociedades mais sustentáveis.
11
É nesse contexto que a Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS) faz-se
presente. Todas as pessoas que vivem o cotidiano escolar como você, profissionais da
educação, funcionários da escola, estudantes, famílias e comunidade, são agentes de
transformação fundamentais para que os ODS sejam alcançados até 2030.
A partir da realização de ações contextualizadas com a realidade das escolas, incluindo a
mobilização de mais pessoas, você pode fazer toda a diferença para a Agenda 2030 ‘sair
do papel’, ajudando a dar vida e significado às metas em seu dia a dia.
Crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos, sem exceção, são fundamentais para a
transformação local no âmbito desse movimento global. E o melhor lugar do mundo para
tudo isso começar é a escola.
Com o objetivo de incentivar a compreensão, o debate, o exercício e a criação de práticas
pedagógicas transformadoras inspiradas nos ODS, contextualizadas com os desafios de
cada comunidade e região onde as escolas estão inseridas, esta série chega até você.
Os vídeos e os cadernos que a compõem visam divulgar os ODS e fornecer subsídios para
o tratamento pedagógico de nove temas considerados mais relevantes para a EDS e o
atendimento dos estudantes na faixa etária entre seis e dez anos1.
A partir de explicação feita pelas próprias crianças, os vídeos, disponíveis em <bitly.com/
videos_eds> (UNESCO, 2017c), propiciam uma primeira aproximação com os temas.
Os cadernos, com conteúdos básicos e materiais de referência, apresentam os ODS e
suas metas aos docentes, subsidiando e estimulando o desenvolvimento e a criação de
diversas atividades pedagógicas, como pesquisas, jogos e brincadeiras, com os estudantes.
Lembrando que não existe receita pronta, quem vai trilhar o caminho para a materialização
disso tudo é você, em aliança com estudantes e comunidade escolar.
Vamos começar?
1. Para a elaboração desta série foram identificados 9 ODS que têm relação direta com a Educação Ambiental do Brasil e a
EDS da UNESCO para dos anos iniciais do ensino fundamental esta faixa etária (6 a 10 anos). Lembrando que todos os 17
ODS estão interligados e serão trabalhados ao longo desta série.
12
Estes são os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável
Fonte: ONUBR, s.d.
Objetivo 1: Erradicação da pobreza – Acabar com a pobreza em todas as suas formas,
em todos os lugares.
Objetivo 2: Fome zero e agricultura sustentável – Acabar com a fome, alcançar a
segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável.
Objetivo 3: Saúde e bem-estar – Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar
para todos, em todas as idades.
Objetivo 4: Educação de qualidade – Assegurar a educação inclusiva e equitativa de
qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos.
Objetivo 5: Igualdade de gênero – Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas
as mulheres e meninas.
Objetivo 6: Água potável e saneamento – Assegurar a disponibilidade e gestão
sustentável da água e saneamento para todos.
Objetivo 7: Energia limpa e acessível – Assegurar o acesso confiável, sustentável,
moderno e a preço acessível à energia para todos.
Objetivo 8: Trabalho decente e crescimento econômico – Promover o crescimento
econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho
decente para todos.
13
Objetivo 9: Indústria, inovação e infraestrutura – Construir infraestruturas resilientes,
promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação.
Objetivo 10: Redução das desigualdades – Reduzir a desigualdade dentro dos países e
entre eles.
Objetivo 11: Cidades e comunidades sustentáveis – Tornar as cidades e os
assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis.
Objetivo 12: Consumo e produção responsáveis – Assegurar padrões de produção e
de consumo sustentáveis.
Objetivo 13: Ação contra a mudança global do clima – Tomar medidas urgentes para
combater a mudança climática e seus impactos.
Objetivo 14: Vida na água – Promover a conservação e o uso sustentável dos oceanos,
dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável.
Objetivo 15: Vida terrestre – Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos
ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação,
deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade.
Objetivo 16: Paz, justiça e instituições eficazes – Promover sociedades pacíficas e
inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e
construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis.
Objetivo 17: Parcerias e meios de implementação – Fortalecer os meios de
implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável.
14
Princípios dos ODS
• Cada país e cada localidade tem seus próprios desafios e pode alcançar os
ODS com base em sua própria realidade.
• Ninguém deve ficar para trás. É fundamental que todos sejam incluídos nos
esforços e nos benefícios do desenvolvimento sustentável.
• Os objetivos devem ser vistos de forma integrada: o alcance de um ODS
relaciona-se com o alcance dos demais.
Direitos Humanos: a base dos ODS
Conforme o preâmbulo da Agenda 2030, em todos os ODS há temas
que dialogam com o cumprimento dos direitos humanos. Os ODS,
assim como os direitos humanos, são integrados e indivisíveis, por essa
razão, sua aplicação exige uma abordagem sistêmica, integrada e que
envolve esforços globais.
A abordagem pedagógica com os ODS é uma oportunidade para, a
partir da perspectiva da Educação para o Desenvolvimento Sustentável
(EDS), discutir os direitos humanos no ensino fundamental, contribuindo
para a implementação do Plano Nacional de Educação em Direitos
Humanos (PNEDH) e a promoção de uma cultura de paz e ambiente não
discriminatório, de valorização e respeito às diversidades na escola.
O caderno ODS 4: Educação de qualidade,
desta série, dispõe de informações sobre o tema
da Educação em Direitos Humanos (EDH). O
caderno Introdutório, desta série, traz uma tabela,
produzida pela ONU, com a relação de cada ODS
com os direitos humanos relacionados, com base
nos tratados e documentos internacionais.
15
Depende de nós
Os ODS constituem uma agenda de direitos e não possuem natureza
legalmente vinculante, ou seja, nenhum país sofrerá sanções por deixar de
cumpri-los. Quando os países comprometem-se com esses direitos, porém,
eles assumem o compromisso político de criar uma estrutura nacional para sua
implementação. Isso envolve o estabelecimento de leis, políticas, planos e programas,
medidas que permitem aos ODS serem tratados por meio de ações coletivas.
O Brasil foi um dos principais articuladores da formulação dos ODS. Por isso, o país tem
pela frente a responsabilidade de implementar essa agenda. Uma missão que é tanto
do governo quanto da população. Diversos segmentos sociais estão se organizando
para a implementação dos ODS: governos nas esferas federal, estadual e municipal,
meio empresarial e instituições filantrópicas, universidades e instituições de pesquisas,
organizações não governamentais e movimentos sociais que apostam no sucesso da
Agenda 2030.
No âmbito da sociedade civil, vale ressaltar a importância do envolvimento das escolas,
dos educadores, das comunidades, das famílias, das crianças e da juventude. Todos têm
um papel a desempenhar na realização dos ODS e, de maneira especial, no exercício do
direito à educação de qualidade.
Para saber mais
É interessante, ao iniciar o diálogo sobre os ODS, também explicar o que é a ONU, como
funciona, qual seu papel, suas principais temáticas e o contexto da criação dos ODS.
Informações em (ONUBR, s.d.): https://nacoesunidas.org/conheca/como-funciona/.
Acesse o site da ONU Brasil também para conhecer o texto que embasa cada ODS
(ONUBR, s.d.): <https://nacoesunidas.org/conheca/como-funciona/>
Selecionamos três vídeos disponibilizados pela ONU Brasil sobre a Agenda 2030:
16
A ONU tem um plano: os Objetivos Globais (ONU BRASIL, 2017), que explica em
linguagem simples o que são os ODS: <http://bit.ly/2rqqxOe>
Transformando os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio rumo a 2030 (ONU
BRASIL, 2015)faz um balanço do alcance dos ODM e lança a plataforma 2030. Disponível
em: <http://bit.ly/2DfaZQf>dBfArMWj5zLvbfS1yplil7&index=15>
Há também o vídeo ODS: Não deixar ninguém para trás (ONU BRASIL, 2016), que enfatiza
o sentido do slogan da Agenda 2030, e está disponível em: <http://bit.ly/2qN6Ccm>
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) acompanha a implementação
dos ODS. No portal, criado com essa finalidade, é possível encontrar vídeos, entrevistas
e diversos recursos para quem quiser saber mais sobre o tema. O vídeo IBGE Explica
– Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (Introdução) (IBGE, 2016) fornece
informações adicionais sobre os objetivos. Disponível em: <http://bit.ly/2pU0P4A>
O caderno Introdutório, desta série, traz mais subsídios sobre o
histórico das agendas internacionais para o século XXI e detalhes sobre a
Agenda 2030. É fortemente recomendada a leitura desse caderno, que
fornece a base para utilizar as demais publicações desta série desta série.
É preciso educar-se para a sustentabilidade
A busca do desenvolvimento sustentável exige um amplo movimento voltado à mudança de
mentalidades, atitudes e comportamentos. O trabalho pedagógico envolvendo os Objetivos
de Desenvolvimento Sustentável (ODS) tem sido realizado mundialmente na perspectiva da
Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS). Segundo a UNESCO (2017a), a EDS
pode ser conceituada como uma educação nos âmbitos formal, não formal e informal que
contribui para que as pessoas pensem criticamente, identificando elementos insustentáveis
em suas vidas e na sociedade, e ajam por mudanças sociais e ambientais positivas.
17
Segundo a Declaração de Incheon (UNESCO, 2015), por meio da EDS, desenvolvemse “habilidades, valores e atitudes que permitem aos cidadãos levar vidas saudáveis e
plenas, tomar decisões conscientes e responder a desafios locais e globais”. Por isso, a
EDS é entendida como parte da educação de qualidade e da aprendizagem ao longo da
vida. Relaciona-se diretamente com o ODS 4 e indiretamente com os demais ODS, pois
dá suporte aos indivíduos para que transformem seu próprio comportamento, aprendam
a participar de processos coletivos e engajem-se em mudanças sociais, econômicas e
políticas em direção à sustentabilidade.
O esquema a seguir sintetiza as habilidades a serem desenvolvidas ao trabalhar com EDS2.
Principais dimensões conceituais da EDS
Habilidades cognitivas
Habilidades socioemocionais
Os estudantes constroem conhecimentos,
compreensão e raciocínio crítico sobre
questões globais e sobre a interconectividade /
interdependência entre países e entre diferentes
populações.
Os estudantes desenvolvem o sentimento
de pertencer a uma humanidade comum, ao
compartilhar valores e responsabilidades e ao
perceberem-se possuidores de direitos.
Os estudantes demonstram empatia, solidariedade
e respeito por diferenças e diversidade.
Habilidades comportamentais
Os estudantes agem de forma efetiva e
responsável nos contextos local, nacional e global,
em prol de um mundo mais pacífico e sustentável.
Fonte: Adaptado de UNESCO (2015).
18
2 Esquema desenvolvido pela UNESCO com base em contribuições de especialistas em Educação para a Cidadania
Global (ECG) e a Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS) de todo o mundo e na consultoria técnica sobre ECG,
realizada em Seul, Coreia do Sul, em 2013, e no Primeiro Fórum da UNESCO sobre a Educação para a Cidadania Global,
que ocorreu em Bangkok, Tailândia, em 2013.
Políticas de Educação Ambiental no Brasil
No Brasil, desde a década de 1990, existem políticas públicas voltadas a estimular a busca
da sustentabilidade socioambiental, algumas das quais se baseiam na Lei nº 9795/993, que
instituiu a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA). Essa lei estabelece que a Educação
Ambiental constitui-se de processos que possibilitem a construção de conhecimentos e valores,
bem como de ações individuais e coletivas em prol da sustentabilidade socioambiental.
No âmbito da educação formal, o Conselho Nacional de Educação (CNE), em 2012,
estabeleceu as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental (DCNEA)
(BRASIL, 2012). Tais diretrizes reconhecem o papel transformador da Educação Ambiental
e consideram estratégico seu desenvolvimento nas escolas, principalmente diante do atual
quadro de riscos socioambientais a que estamos expostos tanto em nível global quanto local.
As DCNEA também incentivam as escolas a constituírem-se como espaços educadores
sustentáveis, promovendo as temáticas relacionadas em seu Projeto Político Pedagógico
(PPP), o que tem reflexos no tratamento curricular, na gestão e no espaço físico escolar.
Iniciativas de educação não formal, como a comunicação popular, também são reconhecidas
por sua extrema importância no contexto de implementação da PNEA. Uma das linhas de
ação do Programa Nacional de Educação Ambiental (ProNEA)4, que cuida da articulação
de ações de comunicação para a educação ambiental, é a Educomunicação. Essa linha
contempla metodologias de produção participativa de produtos e ações de comunicação
para a Educação Ambiental e a sustentabilidade, desenvolvidos pelas próprias comunidades,
contextualizados com suas realidades. Iniciativas inspiradoras têm sido realizadas, como Circuito
Tela Verde: Mostra Nacional de Produção Audiovisual Independente; Plataforma Educares:
Práticas de Educação Ambiental e Comunicação Social em Resíduos Sólidos; Projeto Nas
Ondas do São Francisco (veiculação de spots – peças radiofônicas, produzidos pelas próprias
comunidades da Bacia Hidrográfica do São Francisco); entre outras.
3 O texto completo dessa lei está disponível em: BRASIL (1999).
4 Todas as informações sobre as diretrizes e ações de Educomuicação socioambiental desenvolvidas pelo Ministério do
Meio Ambiente estão disponíveis em: BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Educomunicação. Disponível em:
http://bit.ly/2On9fed.l/educomunicacao.html>.
19
Motivos para abordar os ODS na escola
1
Promover aprendizagens é função social da escola. Isso se dá por meio da
construção e da partilha de conhecimentos, como também pela convivência
entre as pessoas e pela interação de seus diversos modos de ser e de viver,
que são particulares de cada tempo e lugar. Mobilizando-se em torno dos
ODS, a escola insere-se no movimento da sociedade para a realização da
Agenda 2030.
2
O ambiente escolar possibilita à criança desenvolver novos valores,
habilidades, atitudes e comportamentos fundamentais para o alcance do
desenvolvimento sustentável. O que se aprende na escola influi na forma
como percebemos o mundo e atuamos sobre ele, exercitando uma cidadania,
que é, ao mesmo tempo, local e planetária.
3
O próprio espaço escolar pode ser um lugar onde as crianças vivenciam na
prática mudanças culturais em direção à sustentabilidade. Além de serem incluídos no currículo, os ODS podem-se tornar objeto das práticas de gestão e
inspirar alterações no espaço físico da escola.
Vale lembrar que tudo que ocorre na escola tem impacto na vida da comunidade mais
ampla. Afinal, a comunidade escolar é constituída por estudantes e seus familiares,
docentes, funcionários responsáveis pela gestão, limpeza, alimentação, segurança,
bem como pela população residente nas imediações. Se há esforços concretos pela
sustentabilidade, isso terá reflexos sobre todas essas pessoas. A escola, nesse sentido, é
uma irradiadora de influências positivas para o entorno.
Todos precisam ser envolvidos e ter oportunidade de trabalhar/conviver
pedagogicamente, aproveitando a diversidade geracional e as diferentes bagagens
pessoais para o alcance das metas previstas nos ODS. As organizações do entorno, a
20
exemplo de associações, comércio local, grupos esportivos e religiosos, também podem
contribuir para o processo que se dá na escola, expandindo-o para outros âmbitos.
Que tal conhecer como os ODS podem ser desenvolvidos nas
escolas? O caderno Introdutório desta série, contém informações
complementares.
Para saber mais
Conheça a Lei nº 9.795/1999 (BRASIL, 1999), que estabelece a Política Nacional de
Educação Ambiental em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9795.htm>
As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental (BRASIL, 2012), que
podem ser úteis no tratamento dos ODS na escola, estão disponíveis em:
<http://bit.ly/2rssBpi>
Para inspirar-se nas metodologias e conhecer os projetos de Educomunicação em
Educação Ambiental (BRASIL, s.d.), acesse: <http://bit.ly/2KSBGyy>
21
PREPARAR PARA A PRÁTICA
A imensidão dos oceanos e mares é proporcional à quantidade
de possibilidades de abordagens pedagógicas que você pode
trabalhar com o ODS 14 – Vida na água.
As temáticas relacionadas com as diversidades de espécies,
habitat, quando apresentadas de forma lúdica para as crianças,
despertam a curiosidade e o interesse.
As escolas, e principalmente, os docentes, são peças-chave para a realização de atividades
que conscientizem as crianças e suas famílias sobre os impactos que a vida marinha tem no
seu dia a dia.
Um mar poluído coloca em xeque a sobrevivência da humanidade. Os nossos hábitos
individuais, como a redução do uso de plástico em canudos e garrafas, ou até mesmo
coletivos, como a realização de mutirões de limpeza na praia, são decisivos para o alcance
do ODS 14.
Na condição de docentes, quando nos preparamos para ensinar, temos a possibilidade de
expandir o nosso próprio saber. Desenvolvemos novas percepções não apenas a respeito do
tema tratado, mas também sobre como ensinar o conteúdo para as crianças, considerando
suas especificidades cognitivas, sociais, culturais, raciais, de gênero, dentre outras.
De forma concomitante, ao interagirmos com as crianças e suas bagagens próprias,
aprendemos com os diversos saberes e experiências trazidos por elas acerca do conteúdo.
Agregam-se ainda os conhecimentos que vêm da comunidade do entorno e de parcerias,
quando estas são acolhidas pela escola. Esse diálogo de saberes propicia a formação de
uma genuína comunidade de aprendizagem.
A seguir, informações que poderão subsidiar o trabalho pedagógico com o ODS 14.
22
Oceanos: fonte de vida na Terra
Os cientistas afirmam que a vida teve início nos oceanos. Isso talvez explique o fascínio
que eles exercem sobre a humanidade há milênios. É inegável, enfim, sua importância
na vida de todos nós, mesmo que não moremos em suas proximidades. Vencer essas
imensas massas de água para realizar intercâmbios com outros povos, extrair alimentos
e diversos recursos que nelas existem, utilizar suas águas para o lazer, o esporte e o
transporte de mercadorias tem sido parte da história humana há milhares de gerações.
Objetivamente, os oceanos, os mares e os ecossistemas costeiros desempenham
papel vital para a nossa sobrevivência, pois vinculam-se ao equilíbrio climático do
planeta. Isso se deve ao fato de distribuírem o calor do Sol por toda a superfície da
Terra, devido à circulação das águas, além de absorverem grande quantidade de gás
carbônico (CO2) da atmosfera, um dos gases responsáveis pelo aquecimento global.
Outro aspecto importante é o papel dos oceanos na produção de oxigênio, que
ocorre devido à presença de microrganismos, como os plânctons e as algas.
Talvez o conhecimento de sua importância para nossas vidas tenha associado as águas
profundas ao psiquismo e à espiritualidade, inspirando práticas ritualísticas nas mais
diversas culturas. É inegável que existe ainda grande mistério sobre essas vastas extensões
de água, mas o fato é que elas estão passando por rápidas transformações.
Elos de uma grande teia
Um ecossistema é definido como um conjunto de comunidades que convivem em
determinada região. Tais comunidades adaptam-se àquele ambiente de acordo com
fatores, como clima, solo, incidência de chuva, luminosidade, pressão atmosférica e
ventos. Nos ecossistemas, milhões de espécies de animais, vegetais e microrganismos
interagem e mantêm entre si relações de interdependência. Seres dos mais complexos
aos mais simples tecem uma intrincada teia de relações, que garantem a vida do todo.
Os ecossistemas aquáticos são formados pelos oceanos, mares, rios, lagos, lagoas,
geleiras e águas subterrâneas. Embora sejam classificados como marinhos e de água
doce, essa separação é meramente didática. A conectividade da água faz com que esses
23
ecossistemas sejam interligados, alimentando-se mutuamente. Conforme os tipos de
corpos d’água, porém, os padrões variam enormemente, dependendo da composição e
do fluxo das águas.
As principais características dos ecossistemas marinhos são o alto teor salino das águas e
a grande diversidade de paisagens em que se manifestam: manguezais, estuários, costões
rochosos, restingas, praias arenosas, recifes de corais, mares profundos, regiões abissais e
polares, entre outras. As comunidades de vida existentes nos ecossistemas marinhos assim
se agrupam:
• plânctons – trata-se de organismos minúsculos, com baixa capacidade de
locomoção e que são carregados pelas correntezas, servindo como alimentos
para diversos animais, como as baleias, que se alimentam de krill, um zooplâncton.
Os fitoplânctons, também presentes em grande quantidade e diversidade nos
ecossistemas marinhos, são os responsáveis, junto com as florestas de macroalgas,
pela produção de oxigênio, o que garante a qualidade do ar em todo o planeta;
• bentos – são seres que se mantêm fixos ou que possuem limitada capacidade
de locomoção, permanecendo agarrados em substratos no fundo do mar. As algas
(fitobentos) e as esponjas, os moluscos e os crustáceos (zoobentos) estão entre eles;
• néctons – animais que nadam livremente, em cuja categoria encaixam-se peixes,
como os tubarões; mamíferos, como os golfinhos; e répteis, como as tartarugas.
Mares e oceanos: por que a distinção?
Embora os oceanos sejam uma massa de água contínua que circunda o planeta, os
especialistas apontam que existem dois critérios para diferenciar mares de oceanos:
a profundidade e a localização geográfica. Os mares são locais delimitados total
ou parcialmente pelos continentes e com profundidades que variam até mil metros.
Embora quase sempre façam parte dos oceanos, alguns apresentam uma relação
restrita com aqueles, como o Mar Mediterrâneo, por exemplo, que separa a Europa
da África e liga-se ao oceano Atlântico por meio do Estreito de Gibraltar. Há casos
também em que são totalmente isolados, como o Mar Morto, situado no Oriente
Médio, ou o Mar Cáspio, na Ásia Ocidental. Os mares também ligam-se aos
24
continentes por meio dos rios e dos ecossistemas costeiros. Os oceanos, além de
possuírem uma profundidade média maior (3.300 metros), podendo chegar a 11
mil metros, como ocorre nas Fossas Marianas do Oceano Pacífico, são muito mais
extensos e permitem a livre circulação das águas.
Indicadores da qualidade das águas
Vale lembrar também que a saúde dos oceanos depende muito do que acontece em terra
firme. Ou seja, há uma íntima interdependência entre a manutenção da biodiversidade
marinha, a conservação dos solos e os ecossistemas terrestres. Dentre os ecossistemas que
mais refletem a qualidade dessa interação estão os manguezais e os recifes de corais.
Manguezais – fazem a transição entre os rios e os mares e são fundamentais para
indicar a qualidade das águas. Quando em estado de integridade, os manguezais
funcionam como verdadeiros filtros, capturando sedimentos e resíduos orgânicos em
trânsito entre o continente e o mar. São também berçários da vida marinha, locais
aonde milhares de espécies vêm procriar. Pelo desconhecimento quase generalizado
do papel que desempenham, muitas áreas de manguezais tornam-se locais de
moradias para populações de baixa renda, são usadas como criatórios de peixes e
frutos do mar em cativeiro (aquicultura) ou convertidos em salinas. Quando recebem
cargas de poluição acima de sua capacidade de suporte, desencadeia-se não apenas
sua própria degradação, mas também fenômenos como erosão, poluição das águas e
destruição de corais em outros trechos do mar. Em alguns casos, o nível de oxigênio da
água chega a zero, o que compromete toda a cadeia alimentar. Na figura a seguir, os
locais mais escuros indicam a localização dos manguezais em todo o mundo.
Recifes de coral – são formações calcárias criadas pela deposição de espongiários.
Esses ecossistemas fornecem habitat para inúmeras espécies de peixes e outras
criaturas, como as lagostas. Sua rica biodiversidade, além de servir como alimento, tem
sido fonte de pesquisas de substâncias de uso industrial. As colas de alta resistência,
por exemplo, são produzidas a partir de substâncias que garantem adesão dos
crustáceos às rochas. Além disso, alguns recifes constituem atrativo para o turismo e o
lazer, além de servirem como verdadeiras barreiras naturais contra a ação destrutiva das
ondas, protegendo a zona costeira da erosão. Os recifes, no entanto, são altamente
25
Fonte: Portal Infoescola
sensíveis à acidificação dos oceanos, ocasionada pela crescente captação de CO2 da
atmosfera pelos mares. Quanto mais ácida a água, menor a capacidade de sobrevivência
dos recifes de corais. A figura a seguir mostra sua distribuição em todo o mundo.
Fonte: Jennerjahn (2012).
26
A proteção entra na pauta mundial
A importância dos ecossistemas marinhos e o grau de ameaça que paira sobre mares e
oceanos levaram as Nações Unidas a incluírem a sua proteção entre os 17 Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável, além de decretarem, em 2017, a Década Internacional da
Oceanografia para o Desenvolvimento Sustentável (ONU BRASIL, 2017). Uma das metas
do ODS 14, grifada a seguir, enfatiza a necessidade de aumento do conhecimento sobre
esses ecossistemas.
As metas do ODS 14
14.1 Até 2025, prevenir e reduzir significativamente a poluição marinha de
todos os tipos, especialmente a advinda de atividades terrestres, incluindo
detritos marinhos e a poluição por nutrientes.
14.2 Até 2020, gerir de forma sustentável e proteger os ecossistemas
marinhos e costeiros para evitar impactos adversos significativos, inclusive por
meio do reforço da sua capacidade de resiliência, e tomar medidas para a sua
restauração, a fim de assegurar oceanos saudáveis e produtivos.
14.3 Minimizar e enfrentar os impactos da acidificação dos oceanos, inclusive
por meio do reforço da cooperação científica em todos os níveis.
14.4 Até 2020, efetivamente regular a coleta, e acabar com a sobrepesca
ilegal e as práticas de pesca destrutivas, e implementar planos de gestão com
base científica, para restaurar populações de peixes no menor tempo possível,
pelo menos em níveis que possam produzir rendimento máximo sustentável.
14.5 Até 2020, conservar pelo menos 10% das zonas costeiras e marinhas,
de acordo com a legislação nacional e internacional, e com base na melhor
informação científica disponível.
14.6 Até 2020, proibir subsídios que contribuem para a pesca acima da
capacidade de restauração das espécies, bem como aqueles que favorecem a
pesca ilegal, não reportada e não regulamentada.
27
14.7 Até 2030, aumentar os benefícios econômicos para os pequenos
Estados insulares em desenvolvimento e os países menos desenvolvidos,
a partir do uso sustentável dos recursos marinhos, inclusive por meio da
gestão sustentável da pesca, da aquicultura e do turismo.
14.a Aumentar o conhecimento científico, desenvolver capacidades
de pesquisa e transferir tecnologia marinha, a fim de melhorar
a saúde dos oceanos, bem como aumentar a contribuição da
biodiversidade marinha no desenvolvimento dos países mais pobres.
14.b Proporcionar o acesso dos pescadores artesanais de pequena
escala aos recursos marinhos e mercados.
14.c Assegurar a conservação e o uso sustentável dos oceanos e seus
recursos pela implementação do direito internacional, como refletido na
Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (UNCLOS).
A influência dos mares e oceanos em nossas vidas
Mares e oceanos prestam importantes serviços ambientais, dos quais a humanidade
beneficia-se há milênios. Serviços ambientais ou ecossistêmicos são todos aqueles
benefícios diretos e indiretos que os seres humanos obtêm com a existência dos
ecossistemas. De acordo com Gerling et al. (2016), eles podem ser classificados em
quatro categorias:
1. regulação – os mares e oceanos são responsáveis pelo equilíbrio climático do
planeta. Dentre as interações entre oceano e atmosfera, a mais importante é o
movimento gerado pelas correntes oceânicas. Transportando calor das regiões
tropicais para os polos, essas correntes amenizam o clima global. Os oceanos
produzem cerca de metade do oxigênio que compõe o ar da Terra e absorvem mais
de 25% das emissões de dióxido de carbono geradas pelas atividades humanas.
Sem eles, as mudanças climáticas seriam ainda mais drásticas;
28
2. suporte – nestes ecossistemas, os fitoplânctons, as algas e outros vegetais
realizam importantes trocas alimentares, que facilitam a nutrição de inúmeras outras
espécies marinhas. Isso ocorre nos manguezais, recifes e bancos de macroalgas,
conhecidos como berçários da vida marinha, o que permite a reposição dos
estoques pesqueiros. Os oceanos são ainda os grandes responsáveis pelas chuvas
que avançam sobre os continentes. Ou seja, dependemos dos oceanos para nos
abastecermos com água potável;
3. provisão – o fornecimento de alimentos e de outros bens, pelos mares e
oceanos, garante a subsistência direta de populações tradicionais ao longo das
zonas costeiras e também das que vivem em pequenas ilhas oceânicas. Por outro
lado, a biotecnologia tem propiciado a descoberta de inúmeras aplicações para
organismos marinhos nas indústrias química, alimentícia, farmacêutica e cosmética.
Os organismos marinhos já resultaram em cerca de 6.500 produtos. As algas são as
campeãs de utilização e estão presentes em uma enorme variedade de alimentos
processados (pudins, gomas de mascar, geleias, salsichas, cervejas etc.) (CSANYI,
2017). Os oceanos também são responsáveis pelo trânsito de quase 90% das cargas
que circulam pelo mundo, a um custo muito mais baixo que das demais modalidades
de transporte. Sem o enorme trânsito dos navios, seria difícil – e muito mais caro –
consumirmos bens de outras partes do planeta, como alguns produtos eletrônicos
ou mesmo trigo;
4. cultural – o mar possui uma relação direta com a inspiração artística e a formação
da identidade cultural dos povos. A zona costeira é reconhecidamente utilizada para
diversão, lazer, práticas esportivas, turismo, educação e práticas espirituais. Todas
as sociedades humanas possuem reverência pelo mar e estabelecem com ele uma
relação de intimidade e de contato com o meio natural, em busca de bem-estar e
fruição estética.
O esquema ,na página ao lado, mostra os serviços ambientais prestados por mares e
oceanos, bem como as principais fontes de degradação que a humanidade está infligindo
a esses ecossistemas.
29
SER HUMANO
E NATUREZA
Fonte: FUNDAÇÃO HEINRICH BOELL SCHLESWIG-HOLSTEIN, 2017.
Para saber mais
‘UNESCO: os oceanos pedem socorro!’ é uma animação feita para sensibilizar as
pessoas sobre a situação dos oceanos e a necessidade de sua preservação. Acesse em:
<http://bit.ly/34uMCKn>
O Manual de ecossistemas marinhos e costeiros para educadores, produzido pela Rede
Biomar, apresenta conteúdos e metodologias para educadores/as ambientais tratarem da
conservação ambiental de ambientes marinhos (GERLIN et al., 2016). Disponível em:
<http://bit.ly/2Duti45>
30
O vídeo intitulado Embaixador do PNUD Nikolaj Coster-Waldau chama atenção
para impactos das mudanças climáticas revela o drama das populações que vivem
em ilhas oceânicas diante dos impactos das mudanças do clima (ONU BRASIL, 2018).
Disponível em: <http://bit.ly/35GopRt>
Fundamentais e pouco conhecidos
No mundo...
• Os oceanos e mares cobrem 71% do nosso planeta. Não há consenso na
comunidade científica sobre o número de espécies que os habitam. Alguns falam em
800 mil, outros em mais de 2 milhões. Porém apenas cerca de 30 mil delas já foram
estudadas por laboratórios de pesquisa (VISBEK, 2018).
• Mais de 40% da população mundial vivem em áreas situadas a menos de 200 km
do mar. Doze das 15 mais importantes metrópoles mundiais, como Nova York, Xangai
e Rio de Janeiro, situam-se em zonas costeiras (VISBEK, 2018) .
• Atualmente, cerca de 40% dos oceanos são considerados, pela comunidade
científica mundial, como muito afetados pelas ações humanas, como a pesca
excessiva, a prospecção de petróleo, gás e minérios, os derramamentos de óleo,
o lançamento de esgotos e resíduos sólidos e a falta de planejamento urbano
(VISBEK, 2018) .
• Em 2015, 56,5 milhões de pessoas praticaram a pesca e a aquicultura (criação de
peixes e outros animais marinhos), de acordo com dados do Fundo das Nações
Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) (WIN, 2018). Isso representou boa
parte da proteína animal consumida por mais de 3 bilhões de pessoas.
• Cerca de 90% de todo o lixo flutuando nos oceanos é constituído por plástico. Em
novembro de 2014, a ONU Meio Ambiente divulgou que os prejuízos econômicos,
sociais e ambientais causados por plásticos no mar chegaram a 13 bilhões de dólares
naquele ano (KALID, 2018).
31
• Enquanto mais de 10% dos ecossistemas terrestres do planeta estão protegidos
por unidades de conservação, menos de 1% do ambiente marinho conta com essa
proteção. Das mais de 5 mil áreas de proteção existentes em todo o mundo, apenas
1,3 mil incluem trechos costeiros ou marinhos (GERLIN et al., 2016).
No Brasil...
• Com mais de 8.500 km de zona costeira, o Brasil possui 395 municípios que fazem
fronteira com o mar. Neles vivem aproximadamente 25% dos habitantes do país.
Cerca de 80% da população brasileira mora a menos de 200 km de distância5.
• O Brasil situa-se entre os 15 maiores produtores de petróleo do mundo, grande
parte dele extraído de bacias situadas na zona costeira (CEMBRA, 2012). Com a
descoberta do Pré-Sal, essa extração pode-se intensificar, gerando riscos maiores
para os ecossistemas marinhos.
• Em 2018, o Brasil deu um salto na proteção do bioma marinho. Segundo o
Painel Dinâmico de Informações do Instituto Chico Mendes de Conservação da
Biodiversidade (ICMBio), há 25,4%, ou seja, um quarto do mar territorial do Brasil sobre
proteção de Unidades de Conservação (UC) (ICMBIO, 2017). Exemplos de UC são o
Parque Nacional Fernando de Noronha e a Reserva Biológica do Atol das Rocas.
• O Diagnóstico do Risco de Extinção de Espécies da Fauna 2012-2014, elaborado
pelo ICMBio, identificou que 1.475 (19%) das 7.814 espécies avaliadas vivem em
ambientes marinhos ou em ilhas oceânicas. Dentre as 1.062 espécies ameaçadas
de extinção ou já extintas, 164 (15%) ocorrem em ambientes marinhos e em ilhas
oceânicas (GERLIN et al., 2016).
Principais ameaças à saúde dos mares e oceanos
A quantidade e os tipos de serviços ecossistêmicos prestados por mares e oceanos
revelam os usos múltiplos que a humanidade tem feito desses ambientes. Tais usos muitas
vezes conflitam-se, por exemplo, o turismo e a prospecção de petróleo, ou a pesca e a
poluição causada pelo lançamento de fertilizantes nos mares. A seguir, são apresentadas
algumas das principais ameaças que pairam sobre os oceanos.
32
5 BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Temas - indicadores da zona costeira e marinha. Disponível em: <http://www.mma.
gov.br/estruturas/219/_arquivos/populao_zona_costeira.pdf>. Acesso em: 28 jul. 2018.
© Simone Lovati
Mudanças do clima
Resultado do modelo de produção e consumo de bens e
serviços adotado globalmente nas últimas décadas, este
fenômeno tem profundo impacto sobre mares e oceanos.
E possui um efeito bumerangue, tornando-se, ao mesmo
tempo, causa e efeito das mudanças do clima. Dois fatores contribuem para isso: o
aquecimento da água do mar, devido à intensificação do efeito estufa, e a absorção de
CO2, que se dissolve na água do mar, tornando-o mais ácido. Isso já tem prejudicado a
vida marinha e impacta também a atividade pesqueira, o turismo e até mesmo a segurança
de cidades. Dentre os efeitos das mudanças climáticas estão os seguintes:
• migração de espécies – com o aquecimento das águas oceânicas, as espécies
que formam a base da cadeia alimentar (plânctons e bentos) tendem a migrar para
os polos para sobreviver. Isso obriga o deslocamento dos predadores também,
causando migrações em massa nas populações marinhas. As espécies que não se
adaptam tornam-se mais vulneráveis à extinção;
• branqueamento dos recifes de corais – o aumento de temperatura dos mares
faz com que eles absorvam quantidades crescentes de CO2, tornando-se cada vez
mais ácidos. O aquecimento das águas associado à acidez faz com que os corais
percam gradualmente as microalgas, que crescem neles, lhes dão aquele colorido
característico e das quais dependem para sobreviver. O branqueamento dos corais
indica que seus duros exoesqueletos estão-se desintegrando, acarretando o fim dos
recifes, que são importantes nichos da vida marinha;
• diminuição dos estoques pesqueiros – com menos alimento no mar, reduz-se
a disponibilidade de peixes e de outros produtos, o que afeta consideravelmente o
abastecimento alimentar e os meios de subsistência de milhões de pessoas em todo
o mundo que dependem economicamente do mar;
• aumento do nível do mar – temperaturas mais altas provocam o degelo das
calotas polares e das altas montanhas, resultando em mais água que flui para o
oceano. A água, além de chegar em maior quantidade, está também mais aquecida,
33
estado em que ocupa mais espaço que a água fria, aumentando o volume de água
nos oceanos e ocasionando inundações costeiras e desaparecimento de ilhas;
• intensificação de furacões e outros fenômenos climáticos – águas mais
quentes também intensificam fenômenos como El Niño e La Niña, que interferem
no clima global. Como resultado, ocorrem alterações nos regimes de chuva e seca,
tempestades mais poderosas, furacões e outros eventos extremos, com perdas de
vidas humanas, aumento no número de refugiados do clima com prejuízos sociais,
econômicos e ambientais.
O caderno ODS 13: Ação global contra a mudança do clima,
desta série, contém informações complementares que podem
aprofundar a abordagem desse tema.
Outros fatores impactantes
As mudanças climáticas tendem a combinar-se com outros fatores que estão comprometendo
a saúde e a produtividade dos ecossistemas marinhos, dentre os quais vale citar estes a seguir:
pesca excessiva – a sobrepesca
pode esgotar os recursos marinhos.
A exploração ilegal, o uso de
tecnologias altamente predatórias,
sem considerar as épocas de
reprodução das espécies, e a
destruição de habitats contribuem
para a perda de volume e qualidade dos produtos pesqueiros. Com a demanda global
por peixe crescendo a cada ano, locais de pesca, em todo o mundo, estão entrando em
colapso por causa de práticas pesqueiras insustentáveis;
34
O caderno ODS 2: Fome zero e agricultura sustentável, desta
série, contém informações complementares que podem aprofundar a
abordagem desse tema.
extração de petróleo, gás e outros recursos minerais – os mares também são locais
de exploração de petróleo e gás. Constituem também estoques de metais (ouro, níquel,
cobre, cobalto), diamante, manganês e fosfatos. O aumento no número de plataformas
para exploração de tais recursos gera riscos de derramamento de óleo, explosões,
contaminações por metais pesados, entre outros impactos que colocam em risco a vida
marinha. Os tubarões, por exemplo, que se encontram no topo da cadeia alimentar,
ao alimentarem-se de organismos menores e contaminados por mercúrio e arsênio,
concentram em seu corpo quantidades expressivas dessas substâncias, podendo causar
sérios danos ao sistema nervoso central dos seres humanos que consomem carne de
cação, por exemplo (MANIR, 2017).
atividade portuária – o trânsito de quantidades crescentes de navios faz surgir problemas,
como a emissão de CO2 tanto por navios quanto pelos caminhões e trens encarregados
de abastecê-los. Além disso, a atividade portuária é responsável pela geração de resíduos
e pela poluição atmosférica, devido a embarques de mercadorias, como os grãos. Há
também as contaminações causadas pela lavagem dos cascos dos navios, os acidentes com
derramamento de substâncias tóxicas e contaminantes e outros problemas relacionados;
espécies invasoras – trata-se da proliferação descontrolada de espécies marinhas
de diferentes regiões do planeta em locais que não possuem predadores naturais para
elas. Segundo o Ministério do Meio Ambiente (FEITOSA, 2009), as espécies invasoras
são a segunda maior causa de perda de biodiversidade no Brasil, ficando atrás apenas
da perda de habitats. As espécies não nativas, introduzidas devido ao intenso tráfego
de embarcações por diferentes locais do planeta, podem, por vezes, competir com os
organismos nativos na busca de alimentos, prejudicando os novos ecossistemas dos quais
passam a fazer parte. No caso brasileiro, a maioria das espécies é composta por zoobentos
e zooplânctons e chega ao país incrustada nos cascos dos navios;
35
falta de zoneamento costeiro – a ocupação desordenada da orla marítima, sem um
estudo aprofundado sobre quais são as atividades mais adequadas para cada ecossistema,
tem causado o desaparecimento da vegetação de restinga, dos manguezais e o avanço
do mar sobre a zona costeira. Soluções tecnológicas, como a construção de diques,
conseguem resolver apenas em parte o problema. Os especialistas apontam, porém,
abordagens mais condizentes com a manutenção dos ecossistemas, como o respeito às
áreas de restinga, evitando-se obras muito próximas das praias, bem como a restauração
de manguezais e de recifes, que proporcionam proteção natural, aumentando a resiliência
a desastres;
O caderno ODS 11: Cidades e comunidades sustentáveis, desta
série, contém informações complementares que podem aprofundar a
abordagem desse tema.
atividade turística – o turismo de massa tem enfraquecido as ligações culturais entre os
seres humanos e os ecossistemas em seu estado natural. A construção de resorts e parques
temáticos mundo afora cria ambientes controlados, que descaracterizam as belezas
naturais e a relação das pessoas com a fauna aquática. Tais projetos costumam desalojar
as populações tradicionais (caiçaras) das praias, provocando êxodos de comunidades de
pescadores, marisqueiros, entre outras. A ocupação desordenada das praias pelos turistas
gera grande poluição, principalmente com plásticos (garrafas, canudos etc.), produzindo
sérios danos às espécies marinhas;
O caderno ODS 12: Consumo e produção responsáveis, desta
série, contém informações complementares que podem aprofundar a
abordagem desse tema.
lançamento de esgotos nos corpos d’água – paralelamente ao aquecimento dos
oceanos, esta é uma das atividades que mais contribuem para a diminuição do nível
de oxigênio das águas marítimas. Dados produzidos pela Comissão Oceanográfica
36
Intergovernamental da UNESCO revelam que a quantidade de água no oceano com
zero oxigênio aumentou mais que o quádruplo nos últimos cinquenta anos (ONU
BRASIL, 2018). Nos corpos d’água costeiros, incluindo estuários e mares, os locais com
baixo oxigênio subiram mais de dez vezes desde 1950. Os principais poluentes são o
plástico, especialmente os microplásticos, poluentes orgânicos persistentes (POP), metais
pesados, como o mercúrio, e compostos de nitrogênio de fertilizantes agrícolas. Os
microplásticos estão presentes em diversos produtos de higiene e cosméticos. Como
são minúsculos, é praticamente impossível retirá-los do mar. Além de colocar em risco
os animais que os ingerem, grande parte desses poluentes compromete também a saúde
humana, pelo consumo de frutos do mar contaminados.
O caderno ODS 6: Água potável e saneamento, desta série,
contém informações complementares que podem aprofundar a
abordagem desse tema.
Consequência inevitável: extinção de espécies
Todos os fatores citados anteriormente degradam mares e oceanos e contribuem para a
extinção das espécies marinhas. Segundo o ICMBio, animais e plantas entram nas Listas
de Espécies Ameaçadas de Extinção quando suas populações diminuem drasticamente e
os fatores que levaram à diminuição populacional não se alteram (ICMBIO, 2017). Alguns
agravantes para a possibilidade de extinção incluem ocorrência da espécie em área
restrita (as chamadas espécies endêmicas), forte crescimento populacional humano na
área e baixas taxas de reprodução.
No Brasil, há oito espécies de mamíferos aquáticos em risco de extinção por problemas
decorrentes da pesca. Os tubarões e as raias têm o maior número de espécies em risco
de extinção, sendo ameaçados pela atividade pesqueira, principalmente as pescarias de
arrasto, emalhe e espinhel. Acompanham a lista outras nove espécies de aves marinhas
(albatrozes e petréis) e cinco espécies de tartarugas marinhas.
37
O caderno ODS 15: Vida terrestre, desta série, contém informações
complementares que podem aprofundar a abordagem desse tema.
Medidas pela sustentabilidade dos mares e oceanos
Considerando esses riscos, o documento
final da Cúpula da Terra Rio+20, intitulado
O Futuro que Queremos, faz ampla
referência aos mares e oceanos. O
documento enfatiza o compromisso
de “proteger e restaurar a saúde, a
produtividade e a resiliência dos oceanos
e dos ecossistemas marinhos, e a manter
sua biodiversidade, permitindo sua conservação e uso sustentável para as gerações
presentes e futuras” (NAÇÕES UNIDAS, 2012, p. 31).
Do global ao local, o que podemos fazer?
Muita gente pergunta-se o que fazer para evitar a degradação dos mares e oceanos,
mesmo morando a centenas ou milhares de quilômetros da zona costeira. Grande
parte das medidas voltadas a essa imensa extensão do planeta depende de acordos
internacionais, já que os oceanos são bens comuns da humanidade. Obviamente, as
políticas públicas de cada país, alinhadas a diretrizes definidas nos acordos internacionais,
podem fazer muito para salvar os oceanos e mares. Essas políticas, porém, de nada valem
se não se converterem em prática de cada cidadã e cidadão.
Veja algumas medidas que podem contribuir para a conservação desses ecossistemas vitais
para a saúde humana e de toda a teia de vida do planeta. Algumas delas incluem ações
individuais, que podemos realizar para cuidar melhor da vida aquática:
parcerias globais – no fim de 2017, a Assembleia Geral das Nações Unidas
adotou uma resolução para convocar a formulação do Tratado Internacional de
38
Proteção de Ambientes Marinhos. O objetivo é criar uma força-tarefa internacional
que irá assessorar os países sobre formas de combater a poluição marinha. Com a
criação da Década da Oceanografia para o Desenvolvimento Sustentável (2021 –
2030), pretende-se estimular ações para um sistema de observação oceânica mais
integrado e sustentável, além da realização de parcerias entre países e comunidades
científicas em todo o mundo, voltadas ao mapeamento e à utilização sustentável dos
recursos provenientes de mares e oceanos;
combate à poluição – melhores sistemas de saneamento podem proteger a
saúde humana e diminuir a poluição na água, tanto em terra quanto no mar. Isso
vale especialmente para os municípios costeiros que, além do esgoto não tratado
produzido em seu próprio território, também recebem as cargas de esgotos e
resíduos sólidos que chegam por meio dos rios. A redução das emissões de
combustíveis fósseis não só diminui os gases de efeito estufa e combate as
mudanças climáticas, como reduz os poluentes perigosos, como o mercúrio,
também lançados ao mar. Isso depende, obviamente, de políticas públicas de
saneamento ambiental. A iniciativa Mares Limpos, da ONU Meio Ambiente,
lançada em junho de 2017, faz um apelo mundial contra a poluição dos oceanos,
principalmente pelo plástico;
pesca sustentável – além de fomentar o conhecimento relativo ao ordenamento e à
recuperação de estoques pesqueiros, é necessário também investir na minimização de
perdas e no desperdício dos recursos marinhos. Governos e instituições de pesquisas
podem estabelecer convênios para pesquisar a biologia das principais espécies, definir
o volume de captura de acordo com padrões de sustentabilidade, elaborar sistemas
mais eficientes para conservar espécies com maior potencial pesqueiro e desenvolver
novas tecnologias de captura. Isso vale tanto para os grandes conglomerados
pesqueiros quanto para as comunidades cuja subsistência depende da integridade dos
ecossistemas marinhos e costeiros. Para isso, é fundamental investir na ampliação de
conhecimento e na assistência técnica para a pesca artesanal;
turismo ecológico – o turismo ecológico marinho corresponde a uma das
principais fontes de renda para comunidades costeiras que ainda possuem grande
39
parte de seus ecossistemas conservada. Para que o turismo seja sustentável, é
importante que as comunidades não sejam apenas parte dos atrativos de um
lugar, tampouco mão de obra barata para empreendimentos de grupos alheios
àquele território. Um turismo para as regiões marinhas e costeiras que busca a
sustentabilidade deve contribuir para preservar o meio ambiente e as culturas locais,
garantindo a permanência das comunidades que ali vivem há gerações, ao mesmo
tempo em que possibilita retorno econômico para os empreendedores. É importante
que esse turismo esteja vinculado a ações permanentes de Educação Ambiental dos
turistas e de constante monitoramento dos ambientes que são objeto de visitação, de
forma a manter a integridade dos ecossistemas e a perenidade da própria atividade;
proteção da vida marinha vulnerável – a criação, a implantação e a fiscalização
de áreas protegidas é um dos caminhos apontados para a preservação de extensas
áreas costeiras e marinhas. A Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB),
principal acordo internacional para diminuição da perda da biodiversidade global,
estabelece que pelo menos 10% de cada região ecológica do mundo devem ser
efetivamente conservados. Segundo o ICMBio (2017), as áreas aquáticas protegidas
podem ser Áreas de Exclusão de Pesca, Áreas Marinhas Não Aptas à Exploração
e Produção de Petróleo ou Unidades de Conservação (UCs). Essas áreas aquáticas
protegidas colaboram muito com a manutenção dos estoques pesqueiros;
conservar espécies em extinção – no Brasil, o Programa Nacional de
Conservação das Espécies Ameaçadas de Extinção, criado em 2014, tem como
objetivo adotar ações de prevenção, conservação, manejo e gestão, com vistas a
minimizar as ameaças e o risco de extinção de espécies. O principal instrumento
desse programa é a Lista Nacional Oficial de Espécies Ameaçadas de Extinção,
produzida e divulgada pelo ICMBio;
mudanças de hábitos individuais e coletivas – nossos hábitos de consumo
podem contribuir, mesmo que indiretamente, para a saúde dos ambientes marinhos.
Deixar de consumir produtos nocivos ao ambiente, alguns deles supérfluos, como os
canudos. A escolha dos peixes e frutos do mar que estão fora das listas de espécies
ameaçadas também contribui para evitar a pressão sobre os estoques pesqueiros.
40
As listas de períodos de defeso (proibição de pesca) de algumas espécies, emitidas
por autoridades pesqueiras, indicam quais animais podem ou não ser consumidos. É
importante verificar também a procedência do peixe capturado, certificando-se de que
foi manejado de maneira ambientalmente responsável.
Para saber mais
Conheça as publicações do projeto PeSCA, uma cooperação entre a UNESCO no Brasil
e o Fundo Vale, com apoio da Fundação Mitsui Bussan do Brasil:
1) Diagnóstico do Pará: O Caranguejo-uçá e o camarão regional-da-amazônia no
Estado do Pará: as cadeias de valor da pesca artesanal de camarão e caranguejo na Costa
Amazônica do Brasil Disponível em:
<https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000265183>
2) Diagnóstico do Maranhão: Camarão piticaia e camarão-branco no Estado do Maranhão:
as cadeias de valor da pesca artesanal de camarão e caranguejo na Costa Amazônica do Brasil.
Disponível em: <https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000264536>
3) Diagnóstico do Amapá: O Camarão regional-da-amazônia no Estado do Amapá: as
cadeias de valor da pesca artesanal de camarão e caranguejo na Costa Amazônica do
Brasil. Disponível em: <https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000264537>
O vídeo Santuário de Baleias do Atlântico Sul mostra como a conservação de
ecossistemas marinhos pode contribuir para a preservação das baleias por meio da
cooperação internacional (MMEIOAMBIENTE, 2016). Disponível em:
<http://bit.ly/2OuD9gC>
O Painel Dinâmico de Informações, do ICMBio (2017), contém informações que podem
subsidiar o trabalho em sala de aula. Disponível em: <http://bit.ly/2Y5zglu>
A cartilha Uma Lei para o Mar: uso e conservação para o benefício de todos, da
SOS Mata Atlântica, traça um panorama dos ecossistemas costeiros e marítimos brasileiros
e propõe o Projeto de Lei 6969/2013 (SOS MATA ATLÂNTICA, 2014). Disponível em:
<http://bit.ly/2Oxd5Bo>
41
O vídeo O que você faz com o seu lixo?, da ONU Brasil, trata dos problemas dos
resíduos deixados em praias (ONU BRASIL, 2017b). Confira em:
<http://bit.ly/35JmUBT>
O vídeo Você se preocupa em consumir de forma sustentável e consciente?, da
ONU Brasil, trata do consumo sustentável de pescado (ONU BRASIL, 2017c).. Disponível
em: <http://bit.ly/2L6ff8V>
Início do trabalho com o ODS 14 na escola
O estudo e o cuidado com os ecossistemas marinhos e costeiros encerram grande
complexidade e nem sempre parecem assuntos próximos para escolas que se situam fora
desses ecossistemas. Mas é importante que as crianças ampliem seu universo, percebendo
a necessidade de cuidados voltados à preservação ambiental e identificando como suas
escolhas pessoais têm reflexos no estado dos mares e oceanos.
Para isso, é importante reconhecer as potencialidades, os conhecimentos, as experiências
e os valores presentes no contexto escolar. Nesse sentido, ao planejar a seleção e a
abordagem dos conteúdos a serem desenvolvidos precisamos atentar para os seguintes
aspectos:
• características cognitivas, emocionais e socioculturais das crianças;
• objetivos previstos para aquele período escolar, considerando o Projeto Político
Pedagógico das escolas e os conteúdos previstos nele;
• condições da escola (estrutura física e organizacional, aspectos pedagógicos e de
gestão, relação com as famílias e a comunidade);
• possíveis articulações com colegas docentes, outros funcionários da escola,
movimentos sociais e instituições existentes no local;
• levantamento de ações já realizadas na escola e em outros espaços sociais
favoráveis ao trabalho com os ODS;
• leitura de materiais sobre o ODS para aprofundamento de cada tema.
42
É importante também que sejam feitas conexões entre o ODS 14 e os demais ODS,
mostrando como a temática dos ecossistemas marinhos dialoga com diversos fatores em
torno dos quais a sociedade brasileira está buscando a sustentabilidade.
Temas que podem ser desenvolvidos em sala de aula
Biodiversidade costeira e marinha –
benefícios dos mares para nossas
vidas, animais ameaçados de
extinção, áreas marinhas
protegidas.
Mudanças climáticas
e meteorologia – o
papel dos mares e
dos oceanos no
ciclo da água, os
mares e o clima
da Terra.
Estilos de vida
sustentáveis e
saúde do mar
– saneamento,
emissão de gases do
efeito estufa, poluição
dos mares.
Turismo e recreação – atitudes
individuais recomendáveis para evitar
a poluição dos ambientes marinhos.
Fonte: ONU BRASIL, 2015.
Comércio e indústria – a relação do mar com a navegação
e com os nossos hábitos de consumo.
43
AGORA É COM VOCÊ!
Desenvolver atividades com as crianças dos anos iniciais do ensino fundamental requer
cuidado e dedicação. É muito importante criar um ambiente solidário, livre de juízos de
valor, de forma que elas possam-se expressar com liberdade e por meio de diferentes
linguagens (oral, escrita, audiovisual etc.).
Selecionamos algumas possíveis atividades a serem desenvolvidas, considerando a
faixa etária priorizada e as temáticas relacionadas à vida na água. Vale lembrar que não
há receita pronta. Os conteúdos são aqui sugeridos com o objetivo de estimulá-lo a criar
suas abordagens pedagógicas contextualizadas com sua realidade. Há ainda diversas
indicações de sites e outros recursos onde será possível conseguir mais informações para
trabalhar os temas do ODS 14.
Mãos à obra!
44
Dez atitudes para salvar os oceanos
Em defesa dos ambientes marinhos, a ONU lançou uma lista de atitudes que podemos
adotar para fazer nossa contribuição individual (ONU BRASIL, 2018). Essa lista pode inspirar
campanhas educativas para mobilizar a escola e a comunidade em defesa dos mares e
oceanos. Veja quais são as dez atitudes que podem contribuir para salvar o planeta.
1. Pare de beber água em garrafas de plástico, pois cerca de ¼ dos resíduos
plásticos reciclados, um volume enorme de lixo plástico vai parar nos oceanos.
Muitos desses resíduos são garrafas descartáveis de água.
2. Não jogue bitucas de cigarro na rua, pois elas vão parar no esgoto e grande parte
delas chega ao mar, onde causam sérios problemas à fauna.
3. Faça escolhas mais conscientes quando for comer frutos do mar, certificandose de que o produto venha de capturas e criatórios ambientalmente responsáveis.
4. Diminua a sua pegada de carbono e ajude a combater a acidificação das águas
marinhas. Isso significa repensar a sua mobilidade (transportes públicos, redução do
consumo de energia, consumo sustentável).
5. Não use copos, talheres e canudos descartáveis feitos de plástico.
6. Seja um consumidor informado, e ao comprar produtos de cuidado pessoal, evite
os que contêm micropartículas. Você pode fazer isso olhando a lista de ingredientes.
Se contiver polipropileno, polietileno, tereftalato de polietileno ou metacrilato de
polimetilo, não compre.
7. Organize um mutirão de limpeza de praia.
8. Evite embalagens e sacos plásticos.
9. Cuide do seu animal doméstico com responsabilidade e evite comprar peixes
de água salgada capturados do meio silvestre. Nem solte peixes de aquário que não
sejam nativos da região no mar. Use rações produzidas de forma ambientalmente
sustentável e evite jogar resíduos de gatos da caixa de areia na privada.
10. Apoie uma organização que proteja a vida marinha e doe tempo e dinheiro
para uma organização que se dedica a cuidar dos ambientes marinhos.
45
IDEIAS PARA A AÇÃO
Pode-se partir da exibição do vídeo da UNESCO
referente ao ODS 14, disponível em: <bitly.com/
videos_eds> (UNESCO, 2017b), e, com base nas
reações demonstradas pelas crianças, explorar com elas
estes pontos: (1) o que aprendemos com esse vídeo? (2)
o que já sabemos? (3) o que queremos aprender?
As respostas a essas perguntas podem dar margem a diversas ações em sala de aula e/ou na
escola. É possível, por exemplo, desenvolver um projeto de pesquisa e, em seguida, planejar
e executar uma campanha sobre a importância da vida na água. O mais importante é que as
iniciativas conquistem o interesse e o empenho das crianças.
Boa aula!
1. Jogo da memória
Objetivo: reconhecer os símbolos dos ODS; identificar os conhecimentos prévios
acerca de cada ODS; conhecer o principal propósito de cada ODS.
Área de conhecimento: Linguagens, Ciências da Natureza e Ciências Humanas.
Conteúdo: Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Material: Cartões com símbolos dos ODS (Ver modelo na próxima página).
Desenvolvimento:
Ação prévia – recorte os cartões ODS, embaralhe e organize-os em uma superfície
plana, de forma que sejam facilmente visualizados por todas as crianças.
Entregue um conjunto de 17 pares de cartões para cada grupo de crianças. Os cartões
devem ser arrumados de forma que fiquem com a frente virada para baixo. Cada
46
Cartão frente
Baixe os cartões dos ODS em:
https://pt.unesco.org/fieldoffice/brasilia/expertise/education-sustainable-development
Cartão verso
47
participante escolhe duas cartas para desvirar. Se as cartas formarem par, o jogador ficará
com as cartas e completará a frase “Para mim este ODS pode contribuir com...”.
Caso as cartas viradas não formarem pares, o jogador vira as cartas novamente e passa
a vez para outra criança. O jogo termina quando todos os pares são encontrados. É
recomendável registrar as ideias das crianças e posteriormente comentar sobre o principal
propósito de cada ODS.
2. Varal do tempo nos mares6/ecossistemas marinhos
Objetivo: conhecer a diversidade de animais
que poderão ser encontrados nos mares
e oceanos; caracterizar animais aquáticos;
identificar como a mudança do clima pode
interferir na vida dos animais marinhos.
Área de conhecimento: Linguagens,
Ciências da Natureza e Ciências Humanas.
Conteúdo: impacto das mudanças
climáticas; animais aquáticos.
Material: papel, barbante, lápis, prendedor.
Desenvolvimento:
Apresente papéis recortados para as crianças, contendo o nome de um animal aquático
que está sendo afetado pela mudança do clima. Peça que escolham o animal de
sua preferência e pesquisem sobre sua vida, habitat, comportamento (curiosidades,
alimentação) e como a mudança do clima pode afetar seu tempo de vida, bem como
o que pode ser feito para evitar que isso aconteça. Solicite que registrem no papel as
informações e façam um desenho, ou tragam uma imagem do animal.
Fixe um barbante em forma de varal na sala ou no pátio da escola, de acordo com o
6 Adaptação do Proponente: Projeto Golfinho Rotador. Autores: Fabiane Torres Vilela; Marcos Aurélio da Silva; Karina Passini
Tarozzi. In: GERLING, Cynthia. et al. (orgs.). Manual de ecossistemas: marinhos e costeiros para educadores. 2016. Disponível em:
<http://www.icmbio.gov.br/portal/images/stories/ManualEcossistemasMarinhoseCosteiros3.pdf>. Acesso em: 22 fev. 2018.
48
espaço disponível. Pendure esses papéis no varal, presos com prendedor, contendo
também o tempo de vida de cada animal em forma crescente e proporcional (exemplo:
1 mês, 4 meses, 8 meses, 1 ano, 10 anos, 30 anos, 50 anos, 100 anos e 200 anos).
Nas aulas seguintes, peça para cada criança falar sobre um acontecimento ou uma
curiosidade relativa ao animal marinho pesquisado e a escreva no papel. Durante
a apresentação, faça intervenções, inserindo curiosidades sobre aqueles animais
marinhos, a origem e a evolução das baleias, o tempo de gestação dos golfinhos,
os animais que vivem nos mangues etc. No fim da apresentação, peça que o aluno
pendure o no-me ou foto do animal e sua característica no varal, de acordo com
tempo de vida, para que se vá delineando a linha do tempo da vida marinha.
3. Oceano de plásticos
Objetivo: refletir sobre o excesso de uso
do plástico e seu impacto na vida
marinha; identificar os efeitos do
plástico nos animais marinhos;
propor ações para diminuição do
uso de plástico e do seu descarte
em locais impróprios.
Área de conhecimento: Linguagens, Matemática e Ciências da Natureza.
Conteúdo: impacto do plástico na vida marinha, consumo sustentável, vida marinha.
Material: computador, projetor multimídia e caixa de som.
Desenvolvimento:
Algumas perguntas iniciais podem estimular as crianças a refletirem a respeito do consumo de plástico no dia a dia: será que é realmente impossível viver sem plástico? Que
materiais consumimos no dia a dia que possuem como matéria-prima o plástico? O que
podemos fazer para evitar o uso do plástico? Para vocês o plástico que utilizamos pode
comprometer a vida marinha? Como? Por quê?
49
Em seguida, assistam à reportagem. Veja como o plástico do lixo ameaça a vida dos
animais marinhos (JORNAL DA RECORD, 2017). Logo após, junto com os alunos, faça
um levantamento de propostas contendo ações (individuais e coletivas) para diminuição
do impacto ambiental do plástico na vida marinha.
4. Protegendo mares e oceanos
Objetivo: identificar ações para diminuir a poluição no ambiente aquático; relacionar as
implicações dos hábitos de produção e consumo à saúde dos mares e oceanos.
Área de conhecimento: Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza e
Ciências Humanas.
Conteúdo: atitudes sustentáveis para proteção da vida na água; poluição dos mares
e oceanos; resíduos sólidos e líquidos; reuso, reciclagem e reaproveitamento
dos resíduos; leitura e produção textual.
Material: recortes com imagens; papel, lápis, texto escrito ou reportagem sobre
resíduos sólidos e líquidos lançados na natureza.
50
Desenvolvimento:
Cada estudante recebe uma imagem com resíduos comumente lançados ao mar,
rios, mangues, lagos ou lagoas. Solicite que pesquisem a respeito dos possíveis danos
daqueles resíduos ao ecossistema aquático. No segundo momento, solicite que escrevam
uma história contando o destino final daquele resíduo para que não gere poluição no
ambiente aquático. A intenção é perceber o que pode ser feito para não poluir os mares
e os rios. Antes dessa etapa, é importante trabalhar um texto ou vídeo comentando sobre
como os resíduos do dia a dia chegam aos mares e oceanos, caso ainda não tenha
trabalhado a Atividade: Como o lixo chega ao oceano ou Oceano de plásticos.
5. Procurando um lar no ecossistema marinho
Objetivo: reconhecer a importância dos diferentes habitats para continuidade das
espécies marinhas; compreender os impactos do desmatamento na vida
marinha e terrestre; identificar os impactos da poluição nos ecossistemas
marinhos e/ou terrestres; identificar ações individuais e coletivas necessá-rias à
manutenção da vida marinha.
Área de conhecimento: Linguagens e Ciências da Natureza.
Conteúdo: solidariedade, degradação ambiental, ecossistemas aquáticos e/ou
terrestres, mudanças climáticas.
Material: papel cartão contendo imagens de diferentes habitats.
Desenvolvimento:
Espalhe cartazes pela sala/pátio com o nome e/ou representação de diferentes
habitats. Cada aluno representará um animal e/ou uma espécie vegetal. Peça que as
crianças posicionem-se aleatoriamente ao lado de um dos cartazes que representam
habi-tat. Ao tocar a música/sinal, as crianças deverão circular e identificar o habitat
referente à espécie que representa. Ao parar a música, cada criança deverá procurar a
casa/ habitat ao qual pertencem.
51
Saliente que ninguém poderá ficar fora de uma casa/habitat. Nas rodadas
subsequentes, enquanto a música toca e as crianças circulam, retire uma ou duas casas
e acrescente uma imagem/palavra que indique impactos gerados pelas mudanças
do clima (degelo, secas extremas, chuvas e enchentes, fortes tempestades, doenças,
calor extremo, frio extremo, aumento das emissões de dióxido de carbono (CO2),
desmatamento da mata ciliar, outros) .
Ao parar a música, novamente as crianças terão que buscar a casa/habitat mais
pertinente. (Deverão ser feitas várias rodadas e, em cada uma delas, deverá ser retirada
uma ou duas folhas do papel onde está fixado o nome do habitat dos animais e/
ou espécies vegetais, com o objetivo de que, as crianças criem estratégias para
compartilhar ou não os ambientes existentes).
Por fim, converse com a turma sobre as estratégias utilizadas e faça um paralelo
com o desmatamento e a mudança do clima para a vida das espécies aquáticas e
terrestres. Dialoguem sobre os problemas gerados pelas mudanças climáticas e suas
consequências para a vida aquática, bem como sobre as ações individuais e coletivas
necessárias à manutenção da vida marinha.
6. Teatro da água
Objetivo: refletir sobre a escassez de água no planeta e
seu impacto na vida dos que dependem diretamente ou
indiretamente dela; criar estratégias para solucionar a escassez
da água; identificar os efeitos da mudança do clima nos
ambientes aquáticos.
Área de conhecimento: Linguagens, Ciências da Natureza e
Ciências Humanas.
Conteúdo: produção textual, leitura, escassez da água e
impactos socioambientais, ações sustentáveis, mudança do
clima, resiliência, gênero literário.
Material: papel, caneta, lápis e roupas.
52
Desenvolvimento:
Pergunte às crianças se elas já foram ao teatro ou se viram pela televisão alguma
apresentação teatral, seja de bonecos, fantoches ou com atores. Divida os alunos em
pequenos grupos, e os oriente para que escrevam um pequeno roteiro de uma peça
sobre uma comunidade cujos membros dependam fortemente de água para sua
subsistência, mas, de uma hora para outra, percam o acesso a ela.
Caso as crianças não conheçam essa realidade, conduza-as a imaginar que são pescadores
ou piscicultores, ou catadores de camarão ou que tenham algum tipo de plantação:
talvez alguns de vocês criem aves, enquanto outros plantam legumes. Ultimamente, sua
comunidade vem enfrentando escassez de água devido à mudança climática. Como isso
está afetando sua vida? O que vocês fariam para solucionar o problema?”.
Converse com elas sobre como fazer um pequeno teatro, a importância de trabalhar
juntos para que a peça seja um sucesso: criar e desenvolver a história, escrever um
pequeno roteiro (definir se haverá um narrador e os personagens só atuarão ou se os
personagens falarão em algum momento, ou se será um teatro de bonecos; escolher o
papel de cada um, as roupas, os adereços etc.). Oriente sobre a importância do cenário,
da entonação de voz, da linguagem corporal, da sonoplastia. Auxilie os estudantes na
realização/organização de cada tarefa, no ensaio, na montagem do cenário. Vale a
pena convidar a comunidade escolar e as famílias para a apresentação do grupo.
7. Colheita7
Objetivo: Compreender as implicações no longo prazo
do uso indevido dos elementos constitutivos
da natureza; ressaltar a importância da
relação sustentável e do compromisso das
gerações atuais com as gerações futuras;
reconhecer os limites/capacidade de suporte
dos ecossistemas aquáticos; analisar as
7 Adaptação HARVEST. PROGRESS NAMIBIA; HANNS SEIDEL FOUNDATION; NATIONAL YOUTH COUNCIL OF
NAMIBIA; NAMIBIAN YOUTH COALITION ON CLIMATE CHANGE. Games for the SDGs. Disponível em: <https://cms.my.na/
assets/documents/p1c1cv42qm1va1v5pnpte09b9t4.pdf>. Acesso em: 10 ago. 2018.
53
implicações dos diferentes usos econômicos dos rios, mares e oceanos para a
sustentabilidade socioambiental.
Área de conhecimento: Linguagens, Ciências da Natureza e Ciências Humanas.
Conteúdo: capacidade de suporte, sustentabilidade da vida aquática, tipos de
atividades humanas nos mares e suas implicações socioambientais.
Material: um recipiente grande para representar o oceano; um recipiente pequeno por
equipe para representar o navio de pesca, objetos para representar peixes ou
animais a serem pescados, pedaços de paus e peneiras.
Desenvolvimento:
Organize a turma em equipes com quatro a cinco componentes. Cada equipe
representará um grupo/comunidade que utiliza rios e mares para fins econômicos
(exemplo: comunidade de pescadores, empresas de pesca, marisqueiros, comunidade
ribeirinha, piscicultor ou carcinicultor). Selecione um recipiente ou utilize um espaço da
sala para representar o oceano, mar ou rio e coloque dentro dele tampinhas de garrafa
PET, garrafas plásticas, além de outros objetos para representar os peixes.
Informe à turma que cada equipe deverá obter o máximo de peixes possível, mas o
oceano só suporta a pesca de até 50 peixes. Os dois primeiros grupos poderão utilizar
peneiras e paus para pescar; dois outros grupos poderão pescar a quatro mãos, ou seja,
apenas dois participantes poderão pegar os peixes; os grupos restantes só poderão
pescar a duas mãos, ou seja, só um participante poderá pegar os peixes.
Disponibilize um tempo para que as crianças discutam e decidam como farão a pesca
considerando as características do grupo que representam (instrumentos utilizados
para pesca, necessidade de peixes, local para armazenar). Um sinal sonoro indicará o
momento em que as crianças poderão iniciar a pesca e quando deverão terminar. Após
a atividade, dialogue em grupo sobre as estratégias utilizadas, os limites dos recursos
naturais, a capacidade de suporte, a diferença entre os grupos que utilizam as pescas
para fins comerciais etc.
54
Variação da atividade
Desenvolvimento:
Organize a turma em equipes com quatro a cinco componentes. Cada equipe
representará um grupo/comunidade que utiliza rios e mares para diferentes fins (exemplo:
comunidade de pescadores, empresas de pesca, lazer/turismo, transporte). Selecione um
espaço da sala para representar o oceano, mar ou rio e colocar dentro dele outros objetos
para representar espécies animais e vegetais, áreas mais profundas, áreas costeiras etc.
Informe à turma que cada equipe deverá usufruir o máximo possível do oceano, mar ou
rio, mas que o oceano só suporta uma determinada quantidade de pesca e atividades.
Disponibilize um tempo para que as crianças discutam e decidam como farão para
usufruir do oceano considerando as características do grupo que representa (tipo de
atividade, instrumentos disponíveis, necessidade). Um sinal sonoro indicará o momento
em que as crianças poderão iniciar as atividades pertinentes ao seu grupo e o momento
em que deverão terminar. Após a atividade, dialogue sobre as estratégias utili-zadas, os
limites dos recursos naturais, capacidade de suporte, a diferença entre os grupos que
utilizam os mares e oceanos etc.
8. Quem sou eu?
Objetivo: caracterizar animais e outras espécies aquáticas; conhecer características
de espécies ameaçadas de extinção e as principais causas desse processo;
diferenciar as comunidades de vida existentes nos ecossistemas marinhos e
seus agrupamentos; ampliar vocabulário referente à vida marinha.
Área de conhecimento: Linguagens, Ciências da Natureza e Ciências Humanas.
Conteúdo: vocabulário, ecossistema aquático, animais em extinção, leitura e produção
escrita, gêneros textuais, ecossistemas marinhos e seus agrupamentos.
Material: 15 cartões (tamanho A4 ou metade) com informações e 15 cartões (tamanho
A4 ou metade) com imagens.
55
Desenvolvimento:
Fixe nas costas de cada estudante um cartão (tamanho A4 ou metade) contendo
informações ou imagens sobre a vida marinha (ex. imagem de recife de corais e
informações básicas sobre recifes de corais, imagem de baleia e outro contendo
características da baleia). Esse estudante não saberá o que carrega consigo.
Ao dar o sinal, as crianças caminham na sala tentando encontrar seu par, de modo a
formar duplas (imagem + informação correspondente). Essa etapa só termina quando
todos os pares estiverem formados.
Após esse momento, em conjunto com a turma, verificar se os pares foram formados
corretamente. Durante essa etapa, é importante reforçar conceitos, informações a respeito
da vida marinha e fazer as ponderações necessárias para que as crianças compreendam
a coerência das respostas, tirem dúvidas e expandam seus conhecimentos a respeito do
tema. Por fim, cada dupla ou quarteto cria uma música, poema ou história em quadrinho
sobre o conteúdo dos cartões.
Datas que podem inspirar ações nas escolas
14 de março – Dia Nacional dos Animais
22 de março – Dia Mundial da Água
22 de maio – Dia Internacional da Biodiversidade
8 de junho – Dia Mundial dos Oceanos
16 de junho – Dia da Tartaruga Marinha
29 de junho – Dia do Pescador
04 de outubro – Dia da Natureza
12 de outubro – Dia do Mar
56
AVALIAÇÃO DO ALCANCE DO ODS 14
Vamos verificar?
Um dos grandes desafios dos processos de participação e mobilização é sua continuidade.
Por isso, convém que o trabalho com os ODS seja encarado como algo permanente e
torne-se parte das discussões pedagógicas de toda a comunidade escolar, principalmente
do corpo docente. Com a autoridade que lhes é conferida no ambiente escolar, docentes
podem atuar como facilitadores desse processo, construindo, com a comunidade escolar,
estratégias para que as ações sejam comunicadas o mais ampla-mente possível, gerando
mobilização para o alcance dos ODS.
Além de divulgar as ações do grupo no mural da escola, pode-se também criar jornais,
vídeos de celular, blogs e sites da escola, páginas em redes sociais. É possível também
realizar exposição de fotos ou produções que explicitem os principais avanços alcançados.
As crianças e adolescentes são incrivelmente criativos para encontrar meios de produzir
formas de tornar os conteúdos trabalhados mais atraentes e difundidos. Há também a
possibilidade de inscrever a escola em prêmios de educação, o que tornará o trabalho
realizado visível em outros espaços.
Para facilitar a identificação, a sistematização e a análise de avanços e projeções, a turma
ou a escola poderá construir um painel nestes moldes:
?
Esse painel poderá ser preenchido periodicamente a cada 15 ou 30 dias ou conforme a
realidade de cada escola.
57
REFERÊNCIAS
BLAUTH, Guilherme. Jardim das brincadeiras: uma estratégia lúdica para a educação ecológica. 2013.
Disponível em: <https://jardimdasbrincadeiras.files.wordpress.com/2013/09/jardim-das-brincadeiras.pdf>.
Acesso em: 23 nov. 2017.
BRASIL. Lei n. 9.795, de 27 de abril de 1999. Dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de
Educação Ambiental e dá outras providências. Diário Oficial da União, 28 abr. 1999. Disponível em: <http://
www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9795.htm>. Acesso em: 12 ago. 2017.
BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Conselho Pleno. Resolução n. 2, de
15 de junho de 2012. Estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental. Diário
Oficial da União, 16 jun. 2012. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_
docman&view=download&alias=10988-rcp002-12-pdf&category_slug=maio-2012-pdf&Itemid=30192>.
Acesso em: 20 jul. 2017.
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Educomunicação. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/educacaoambiental/educomunicacao.html>.
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Temas: indicadores da zona costeira e marinha. Disponível em: <http://
www.mma.gov.br/estruturas/219/_arquivos/populao_zona_costeira.pdf>. Acesso em: 28 jul. 2018.
BRASIL. ODM Brasil: o Brasil e os ODM. Disponível em: <http://www.odmbrasil.gov.br/o-brasil-e-os-odm>.
Acesso em: 20 jul. 2017.
CEMBRA. O Brasil e o mar no século XXI: relatório aos tomadores de decisão do país. 2. ed. rev. e ampl.
Centro de Excelência para o Mar Brasileiro, 2012. Disponível em: <https://www.marinha.mil.br/secirm/sites/
www.marinha.mil.br.secirm/files/cembra-2a_ed.pdf>. Acesso em: 22 fev. 2018.
CSANYI, Carolyn. Quais produtos são feitos com algas marinhas? 2017. Disponível em: <http://www.ehow.
com.br/quais-produtos-feitos-algas-marinhas-lista_258523/>. Acesso em: 20 fev. 2018.
EEA. O mar e as alterações climáticas. Agência Europeia do Ambiente, 2015. Disponível em: <https://www.
eea.europa.eu/pt/sinais-da-aea/sinais-2015/artigos/o-mar-e-as-alteracoes-climaticas>. Acesso em: 4 mai. 2018.
EURONEWS. Quais as consequências da exploração de minerais em alto mar? 2016. Disponível em:
<http://pt.euronews.com/2016/09/05/quais-as-consequencias-da-exploracao-de-minerais-em-alto-mar>.
Acesso em: 22 fev. 2018.
FEITOSA, Aida. Publicação do MMA lista espécies exóticas invasoras marinhas. Brasília: Ministério do
Meio Ambiente, 2009. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/informma/item/6029-publicacao-do-mmalista-especies-exoticas-invasoras-marinhas>. Acesso em: 22 fev. 2018.
FRAGMAQ. Conheça os tipos de ecossistemas aquáticos e sua importância para o planeta. 2016.
Disponível em: <http://www.fragmaq.com.br/blog/conheca-tipos-ecossistemas-aquaticos-importanciaplaneta/>. Acesso em: 22 fev. 2018.
58
FUNDAÇÃO HEINRICH BOELL SCHLESWIG-HOLSTEIN. The ocean atlas. 2017. Disponível em: <http://
us.boell.org/2017/06/07/ocean-atlas>.
GERLING, Cynthia. et al. (Orgs.). Manual de ecossistemas: marinhos e costeiros para educadores. 2016.
Disponível em: <http://www.icmbio.gov.br/portal/images/stories/ManualEcossistemasMarinhoseCosteiros3.
pdf>. Acesso em: 22 fev. 2018.
IBGE. IBGE explica: objetivos de desenvolvimento sustentável (introdução). Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística, 2016. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=Fev2MHAa-qo>. Acesso
em: 20 jul. 2018.
ICMBIO. Ministério do Meio Ambiente. Painel dinâmico de informações. Brasília: Instituto Chico Mendes
de Conservação da Biodiversidade, 2017. Disponível em: <http://qv.icmbio.gov.br/QvAJAXZfc/opendoc2.
htm?document=painel_corporativo_6476.qvw&host=Local&anonymous=true>. Acesso em: 3 set. 2018.
JENNERJAHN, T. C. Earth-Science Review, n. 114, p. 19-41, 2012.
JORNAL DA RECORD. Série JR: veja como o plástico do lixo ameaça a vida dos animais marinhos. 2017.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=RjLEK-kg24U>. Acesso em: 4 mai. 2018.
KALID, Guilherme. Ecossistemas aquáticos. Disponível em: <https://www.infoescola.com/biologia/
ecossistemas-aquaticos/>. Acesso em: 22 fev. 2018.
MANIR, Mônica. O que faz do Brasil uma ameaça ao futuro dos tubarões: que muita gente come sem
saber. 2017. Disponível em: <https://www.bbc.com/portuguese/brasil-41356540>. Acesso em: 4 set. 2018.
MENDONÇA, Rita. Atividades em áreas naturais. 2. ed. 2017. Disponível em: <http://www.ecofuturo.org.br/
wp-content/uploads/2015/11/2017_Atividades-em-%C3%81reas-Naturais.pdf>. Acesso em: 3 nov. 2017.
MESQUITA, João Lara. Zonas Mortas no mar quadruplicaram desde 1950. 2018. Disponível em: <https://
marsemfim.com.br/zonas-mortas-no-mar/>. Acesso em: 20 fev. 2018.
MMEIOAMBIENTE. Santuário de baleias do Atlântico Sul. 2016. Disponível em: <https://www.youtube.
com/watch?v=_yftuyoQpcQ>. Acesso em: 23 fev. 2018.
NSC SANTA. Interação humana causa estresse alarmante em ‘unicórnios do mar’. Jornal de Santa Catarina,
2017. Disponível em: <http://jornaldesantacatarina.clicrbs.com.br/sc/mundo/noticia/2017/12/interacao-humanacausa-estresse-alarmante-em-unicornios-do-mar-10056723.html>. Acesso em: 14 fev. 2018.
NAÇÕES UNIDAS. Declaração final da Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento
Sustentável (Rio + 20): o futuro que queremos. Rio de Janeiro, 2012. Disponível em: <http://www.mma.gov.
br/port/conama/processos/61AA3835/O-Futuro-que-queremos1.pdf>. Acesso em: 15 fev. 2018.
NAÇÕES UNIDAS. Declaração Universal dos Direitos Humanos. Brasília, 1948. Disponível em: <https://
www.unicef.org/brazil/pt/resources_10133.htm>. Acesso em: 20 out. 2017.
NAÇÕES UNIDAS. Relatório sobre os objetivos de desenvolvimento do milénio 2015. Rio de Janeiro,
2015. Disponível em: <http://bit.ly/2QP4887>. Acesso em: 10 nov. 2017.
59
ONU BRASIL. 17 objetivos para transformar nosso mundo. Disponível em: <https://nacoesunidas.org/
pos2015/>. Acesso em: 12 ago. 2017.
ONU BRASIL. Como funciona. Disponível em: <https://nacoesunidas.org/conheca/como-funciona/>.
ONU BRASIL. Embaixador do PNUD Nikolaj Coster-Waldau chama atenção para impactos das
mudanças climáticas. 2018. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=K-1VD8ID6j0&index=8&list
=PLUZOt6bFc2fh-7Gs1tdPdAoZUTPIvh1HO>. Acesso em: 20 jul. 2018.
ONU BRASIL. Não deixar ninguém para trás. 2016. Disponível em: <https://www.youtube.com/
watch?v=HLG6RIprRzU>. Acesso em: 3 ago. 2017.
ONU BRASIL. O que você faz com seu lixo? 2017b. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=-fR
qAkS83SI&index=23&list=PLUZOt6bFc2fh-7Gs1tdPdAoZUTPIvh1HO>. Acesso em: 22 fev. 2018.
ONU BRASIL. Objetivos de desenvolvimento do milénio. Disponível em: <https://nacoesunidas.org/tema/
odm/>. Acesso em: 15 jul. 2017.
ONU BRASIL. Os objetivos de desenvolvimento sustentável: dos ODM aos ODS. 2015. Disponível em:
<http://www.br.undp.org/content/brazil/pt/home/post-2015.html>. Acesso em: 15 jul. 2017.
ONU BRASIL. ONU: 10 atitudes que você pode tomar para salvar os oceanos. 2018. Disponível em: <https://
nacoesunidas.org/onu-10-atitudes-que-voce-pode-tomar-salvar-oceanos/>. Acesso em: 22 fev. 2018.
ONU BRASIL. ONU declara Década da Oceanografia em 2021-2030. 2017. Disponível em: <https://
nacoesunidas.org/onu-declara-decada-da-oceanografia-em-2021-2030/>. Acesso em: 3 set. 2018.
ONU BRASIL. A ONU tem um plano: os objetivos globais. 2017a. Disponível em: <https://www.youtube.
com/watch?v=ZSrhXP4-aec&list=PLUZOt6bFc2fghKopTJcswi3GSYntbRsY3&index=1>. Acesso em: 10 ago.
2017.
ONU BRASIL. Redução do nível de oxigênio nos oceanos ameaça vida marinha, alerta estudo. 2018.
Disponível em: <https://nacoesunidas.org/reducao-do-nivel-de-oxigenio-nos-oceanos-ameaca-vida-marinhaalerta-estudo/>. Acesso em: 27 fev. 2018.
ONU BRASIL. Transformando os objetivos de desenvolvimento do milênio rumo a 2030. 2015.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=p1I_OiSO1DU&list=PLJQ2oyGVLQNdBfArMWj
5zLvbfS1yplil7&index=15>. Acesso em: 3 ago. 2017.
ONU BRASIL. Você se preocupa em consumir de forma sustentável e consciente? 2017c.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=rqYlBqR-zXI&index=24&list=PLUZOt6bFc2fh7Gs1tdPdAoZUTPIvh1HO>. Acesso em: 3 set. 2018.
OPA. Produtos naturais extraídos do mar são destaques na reunião anual da SBPC. Organização para a
Proteção Ambiental. Disponível em: <http://www.opa.org.br/>. Acesso em: 9 fev. 2018.
PEA. Objetivos de desenvolvimento do milênio: relatório nacional de acompanhamento. Instituto
de Pesquisa Econômica Aplicada, 2014. Disponível em: <http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/
PDFs/140523_relatorioodm.pdf>. Acesso em: 15 nov. 2017.
60
PROGRESS NAMIBIA; HANNS SEIDEL FOUNDATION; NATIONAL YOUTH COUNCIL OF NAMIB-IA;
NAMIBIAN YOUTH COALITION ON CLIMATE CHANGE. Games for the SDGs. Disponível em: <https://
cms.my.na/assets/documents/p1c1cv42qm1va1v5pnpte09b9t4.pdf>. Acesso em: 10 ago. 2018.
PROJETO DESCOBRINDO O MAR. A cadeia alimentar marinha. 2010. Disponível em: <https://
descobrindoomar.wordpress.com/2010/05/27/a-cadeia-alimentar-marinha/>. Acesso em: 15 fev. 2018.
SOS MATA ATLÂNTICA. Uma lei para o mar: uso e conservação para o benefício de todos. 2014. Disponível
em: <https://www.sosma.org.br/wp-content/uploads/2014/06/Cart-MAR-Online.pdf>. Acesso em: 15 fev. 2018.
SUSTENTÁCULOS. Oceanos: conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos
para o desenvolvimento sustentável. Disponível em: <http://www.sustentaculos.pro.br/ods.html#oceanos>.
Acesso em: 22 fev. 2018.
TV NBR. Ecossistemas costeiros e marinhos do Brasil. 2011. Disponível em: <https://www.youtube.com/
watch?v=kWHG3ho3m4U>. Acesso em: 15 mai. 2018.
UNESCO. Comissão oceanográfica Intergovernamental. Disponível em: <http://www.ioc-unesco.org/>.
Acesso em: 27 fev. 2018.
UNESCO. Objetivos de desenvolvimento sustentável para crianças. Brasília, 2017b. Disponível em: <bitly.
com/videos_eds>.
UNESCO. Declaração de Incheon. Brasília,2015. Disponível em: <http://unesdoc.unesco.org/
images/0023/002331/233137POR.pdf>. Acesso em: 20 jul. 2017.
UNESCO. Educação para os objetivos de desenvolvimento sustentável. Brasília, 2017a. Disponível em:
<http://unesdoc.unesco.org/images/0025/002521/252197POR.pdf>. Acesso em: 13 ago. 2017.
UNICEF. Bem-estar das crianças nos países ricos: uma visão comparativa. Brasília, 2013. Disponível em:
<https://www.unicef.org/brazil/pt/media_25299.html>. Acesso em: 20 out. 2017.
VISBEK, Martin. Ocean science research is key for a sustainable future. 2018. Disponível em: <https://www.
nature.com/articles/s41467-018-03158-3>. Acesso em: 22 fev. 2018.
WIN, Thin Lei. Aumento da temperatura dos oceanos pode arruinar cadeia alimentar marinha, dizem
cientistas. 2018. Disponível em: <https://br.reuters.com/article/worldNews/idBRKBN1EY2O6-OBRWD>.
Acesso em: 22 fev. 2018.
WORLD ANIMAL PRTECTION. 7 impactos da mudança climática nos animais. 2017. Disponível em:
<https://www.worldanimalprotection.org.br/not%C3%ADcia/7-impactos-da-mudanca-climatica-nos-animais>.
Acesso em: 11 ago. 8 2018.
61