ODS 13: Ação Contra a Mudança Global do Clima

Arquivo
375083por.pdf
Documento PDF (2.2MB)
                    Educação para o
Desenvolvimento Sustentável
na Escola
Ação contra a mudança global do clima

EDUCAÇÃO PARA
O DESENVOLVIMENTO
SUSTENTÁVEL NA ESCOLA

ODS 13
AÇÃO CONTRA A
MUDANÇA GLOBAL DO CLIMA

BRASÍLIA, 2020

Publicado em 2020 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e a
Representação da UNESCO no Brasil, em cooperação com o Ministério da Educação (MEC).
© UNESCO 2020

Esta publicação está disponível em acesso livre ao abrigo da licença Atribuição-Partilha 3.0 IGO (CC-BY-SA 3.0 IGO) (http://
creativecommons. org/licenses/by-sa/3.0/igo/). Ao utilizar o conteúdo da presente publicação, os usuários aceitam os
termos de uso do Repositório UNESCO de acesso livre (www.unesco.org/open-access/terms-use-ccbysa-port).
As indicações de nomes e a apresentação do material ao longo deste livro não implicam a manifestação de qualquer opinião
por parte da UNESCO a respeito da condição jurídica de qualquer país, território, cidade, região ou de suas autoridades,
tampouco da delimitação de suas fronteiras ou limites.
As ideias e opiniões expressas nesta publicação são as dos autores e não refletem obrigatoriamente as da UNESCO
nem comprometem a Organização.

Coordenação técnica da Representação da UNESCO no Brasil:
Marlova Jovchelovitch Noleto, Diretora e Representante
Maria Rebeca Otero Gomes, Coordenadora do Setor de Educação
Mariana Alcalay, Oficial do Setor de Educação
Edição e redação: Tereza Moreira e Rita Silvana Santana dos Santos
Pesquisa: Clara Miranda, Isabeli Cristini Santana Oliveira, Rita Silvana Santana dos Santos e Tereza Moreira
Revisão técnica: Setor de Educação da Representação da UNESCO no Brasil, Jane Fontana (Ministério da
Educação), Patricia Fernandes Barbosa (Ministério do Meio Ambiente) e Renata Maranhão (Agência Nacional
de Águas) e Maria Rehder (consultora da UNESCO)
Revisão gramatical e ortográfica: Lúcia Leiria
Revisão editorial: Unidade de Publicações da Representação da UNESCO no Brasil
Capa, Projeto gráfico e diagramação: Raruti Comunicação e Design
Ilustração: Marcela Weigert
Educação para o desenvolvimento sustentável na escola: ODS 13, ação contra a mudança global do clima
responsáveis / editado por Tereza Moreira e Rita Silvana Santana dos Santos. – Brasília : UNESCO, 2020.
72 p., il.
Incl. bibl.
ISBN: 978-85-7652-253-9
1. Educação para o desenvolvimento sustentável 2. Desenvolvimento sustentável 3. Mudança
climática 4. Desenvolvimento curricular 5. Guia pedagógico 6. Brasil I. Moreira, Teresa II. Santos, Rita
Silvana Santana dos III. UNESCO
CDD 373
Esclarecimento: a UNESCO mantém, no cerne de suas prioridades, a promoção da igualdade de gênero, em todas as
suas atividades e ações. Devido à especificidade da língua portuguesa, adotam-se, nesta publicação, os termos no gênero
masculino, para facilitar a leitura, considerando as inúmeras menções ao longo do texto. Assim, embora alguns termos sejam
escritos no masculino, eles referem-se igualmente ao gênero feminino.

Agradecimentos

A série “Cadernos de Educação para o Desenvolvimento Sustentável na Escola”
foi produzida pelo Setor de Educação da UNESCO no Brasil. O material é
resultado de uma parceria frutífera entre a UNESCO no Brasil e o Ministério da
Educação (MEC) que, no âmbito de seus mandatos, uniram esforços para produzir
um conteúdo de qualidade, fundamental para o nosso século, sobre Educação
Ambiental e Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS).
Gostaríamos de agradecer especialmente a Rita Silvana Santana dos Santos e
a Tereza Moreira, que desenvolveram a série, também enriquecida pelo apoio
técnico de Renata Maranhão, Patrícia Fernandes Barbosa, Jane Fontana e Maria
Rehder, cujas valiosas contribuições foram fundamentais para a preparação destes
cadernos.
Agradecimentos especiais a Thaís Pires e a Thaís Guerra pelo grande apoio e às
integrantes da equipe da Escola da Natureza de Brasília. Esse trabalho contou
também com a experiência e as contribuições de Mariana Braga, Massimiliano
Lombardo, Edneia Oliveira e Maria Clara Mendes.
Esse projeto não seria possível sem o apoio da equipe de publicação da UNESCO
no Brasil e o incansável trabalho gráfico de Edson Fogaça e Marcela Weigert.

Apresentação

Desafios globais, como erradicação da fome, agricultura sustentável, saúde e bemestar, educação de qualidade, acesso à agua potável e saneamento, cidades e
comunidades sustentáveis, consumo e produção responsáveis, mudança climática
global e preservação da vida na água e na terra, entre outros, exigem, mais do
que nunca, uma mudança urgente em nosso estilo de vida, bem como uma
transformação em nosso modo de pensar e agir.
Em 2015, os países das Nações Unidas adotaram a Agenda 2030 para o
Desenvolvimento Sustentável. Trata-se de um plano de ação previamente acordado
pelos Estados-membros, que convoca governos, a sociedade civil e o setor privado
a se comprometerem com a agenda proposta, protegendo e preparando as
gerações futuras, para alcançarmos o mundo que queremos em 2030.
A educação é explicitamente formulada como um objetivo independente, o Objetivo
de Desenvolvimento Sustentável 4 (ODS 4), que visa a “assegurar a educação inclusiva
e equitativa de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da
vida” , sendo, portanto, um fator essencial para atingir todos os demais ODS.
Para possibilitar essas mudanças e vencer esses desafios nos âmbitos local,
nacional, regional e global, precisamos de novas competências, habilidades,
valores e atitudes que assegurem sociedades mais sustentáveis. Nesse sentido,
os sistemas educacionais em geral, e as escolas em particular, como espaços de
socialização fundamental, devem responder a esses desafios prementes, definindo
objetivos e conteúdos de aprendizagem relevantes, introduzindo pedagogias
que inspirem e empoderem docentes e estudantes, e instando suas instituições a
incluir princípios de sustentabilidade em suas estruturas de gestão. A escola, sob
um ponto de vista mais abrangente, está diretamente ligada à sua comunidade, o

que aumenta sua importância e, consequentemente, sua responsabilidade, pois os
conhecimentos ali produzidos irão para além de seus muros, influenciando todo o
seu entorno.
A UNESCO Brasil e o Ministério da Educação (MEC) se uniram para produzir
uma série inédita de materiais pedagógicos, a fim de divulgar a Educação para
o Desenvolvimento Sustentável (EDS) e a Agenda 2030 para estudantes dos
anos iniciais do ensino fundamental, faixa etária para a qual há poucos materiais
educacionais sobre o tema. Além disso, é importante que crianças e jovens sejam
protagonistas da mudança de estilos de vida, contribuindo para criar uma cultura
mais responsável e sustentável. A primeira iniciativa foi produzir, em 2017, nove
vídeos educativos, a partir dos desafios descritos acima, que correspondem aos
ODS cuidadosamente selecionados, considerando sua relação mais direta com
a EDS e com a Educação Ambiental do Brasil: ODS 2 (Fome zero e agricultura
sustentável), ODS 3 (Saúde e bem-estar), ODS 4 (Educação de qualidade), ODS 6
(Água potável e saneamento), ODS 11 (Cidades e comunidades sustentáveis), ODS
12 (Consumo e produção responsáveis), ODS 13 (Ação contra a mudança global do
clima), ODS 14 (Vida na água) e ODS 15 (Vida terrestre).
A partir da produção dos vídeos, desenvolveu-se também esta série de cadernos
sobre a Agenda 2030. Em cada um deles, são sugeridas atividades lúdicas a serem
adaptadas conforme cada contexto escolar, atividades que podem ser utilizadas
tanto na educação formal como na não formal. Essa série é, assim, uma referência
para que profissionais da educação possam trabalhar com os ODS.
Os docentes são atores essenciais para a conscientização das gerações futuras e
da comunidade escolar como um todo, neste caso, com a utilização dos cadernos
que disponibilizamos. Vale lembrar que todos os 17 ODS estão interligados e
serão trabalhados ao longo desta série. Esta primeira edição será testada em
caráter piloto no Brasil, em suas cinco regiões, para, em seguida, ser validada e
amplamente divulgada no país e no mundo.
Dessa forma, os cadernos somam-se aos esforços que a UNESCO vem realizando,
desde 1992, com a instituição da Década das Nações Unidas para a Educação para

o Desenvolvimento Sustentável (2005-2014) e, atualmente, dando continuidade às
ações por meio do Programa de Ação Global para a EDS (2015-2030).
No Brasil, esse trabalho fortalece as ações que o MEC tem realizado para promover
a Educação Ambiental. Em sentido amplo, esse trabalho valoriza e reconhece a
importância do local para garantir a sobrevivência do global, contribuindo assim para
assegurarmos um mundo mais sustentável em 2030.

UNESCO no Brasil

Ministério da Educação (MEC)

Sumário
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM................................................................................10
UMA AGENDA GLOBAL................................................................................................. 11
Todos a bordo!....................................................................................................................... 11
É preciso educar-se para a sustentabilidade..................................................................18
Políticas de Educação Ambiental no Brasil................................................................................19
Motivos para abordar os ODS na escola.......................................................................20
PREPARAR PARA A PRÁTICA....................................................................................... 22
O clima da Terra requer medidas urgentes...................................................................23
O que é aquecimento global?.........................................................................................26
Um olhar sobre os dados..................................................................................................28
Uma questão de (in)justiça ambiental.............................................................................. 31
Fatores que mais contribuem para a mudança do clima............................................32
Consequências do aquecimento global........................................................................34
Cenários para o Brasil.........................................................................................................38
É possível mudar este quadro? ....................................................................................... 40
Iniciar o trabalho com o ODS 13 na escola ..................................................................44
IDEIAS PARA A AÇÃO...............................................................................................................49
AVALIAR O ALCANCE DO ODS 13............................................................................ 65
REFERÊNCIAS................................................................................................................... 66
ANEXO................................................................................................................................ 71

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

A educação para o enfrentamento e a adaptação à mudança
global do clima é o tema deste caderno e refere-se ao Objetivo do
Desenvolvimento Sustentável (ODS): “Tomar medidas urgentes para
combater a mudança do clima e seus impactos”.
Com as orientações e indicações aqui propostas, pretendemos
contribuir para realizar as seguintes ações:
• ampliar a compreensão de que a mudança do clima é um
fenômeno causado pela ação dos seres humanos e resulta do acúmulo
das emissões de Gases de Efeito Estufa na Atmosfera;
• identificar quais atividades humanas – em nível global, nacional, local e individual –
contribuem para a mudança do clima;
• compreender o impacto das escolhas individuais sobre o clima do mundo;
• promover a revisão de hábitos e práticas de vida pessoais e coletivas prejudiciais ao clima;
• ampliar a consciência pública sobre risco, vulnerabilidade e redução de desastres;
• conhecer estratégias para prevenir, mitigar e reduzir desastres causados pela
mudança do clima, contribuindo para que as comunidades adaptem-se à nova
realidade climática em âmbitos local, regional, nacional e mundial;
• utilizar o conhecimento e a educação para criar uma cultura de segurança e
resiliência em todos os níveis;
• oferecer subsídios a fim de apoiar e estimular a inserção das temáticas relacionadas
aos ODS, em especial do ODS 13, no Projeto Político Pedagógico (PPP) das escolas.

10

Crédito da arte: Ken Robinson/Global Goals

UMA AGENDA GLOBAL
Todos a bordo!
Qual educação precisamos oferecer hoje para garantir uma vida mais sustentável até 2030?
Desde setembro de 2015, o mundo está diante de um novo desafio: alcançar – até 2030 –
os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). Trata-se de um ambicioso conjunto
de 17 objetivos e 169 metas, que foi adotado por 193 países-membros das Nações Unidas.
Esses objetivos buscam “garantir uma vida sustentável, pacífica, próspera e equitativa na
Terra, para todos, agora e no futuro” (UNESCO, 2017a).
Os ODS foram definidos por meio de um amplo processo de negociações, que durou
três anos e envolveu a participação de governos e da sociedade civil dos diversos
países. Contou ainda com a contribuição de cidadãos de todo o planeta por meio de
consultas on-line. O resultado desse esforço mundial compõe a Agenda 2030 para o
Desenvolvimento Sustentável, que comporta os 17 ODS e suas respectivas metas.
Desde então, milhões de pessoas e instituições, em todo o mundo, têm-se mobilizado em
resposta ao chamado dos ODS. Elas estão buscando maneiras de transformar os desafios
globais em objeto de suas reflexões e práticas locais, visando contribuir para o alcance
de metas tão ambiciosas. Afinal, isso pressupõe mudanças de estilo de vida, aquisição
de valores, habilidades, atitudes e comportamento que conduzam à construção de
sociedades mais sustentáveis.
11

É nesse contexto que a Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS) faz-se
presente. Todas as pessoas que vivem o cotidiano escolar como você, profissionais da
educação, funcionários da escola, estudantes, famílias e comunidade, são agentes de
transformação fundamentais para que os ODS sejam alcançados até 2030.
A partir da realização de ações contextualizadas com a realidade das escolas, incluindo a
mobilização de mais pessoas, você pode fazer toda a diferença para a Agenda 2030 ‘sair
do papel’, ajudando a dar vida e significado às metas em seu dia a dia.
Crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos, sem exceção, são fundamentais para a
transformação local no âmbito desse movimento global. E o melhor lugar do mundo para
tudo isso começar é a escola.
Com o objetivo de incentivar a compreensão, o debate, o exercício e a criação de práticas
pedagógicas transformadoras inspiradas nos ODS, contextualizadas com os desafios de
cada comunidade e região onde as escolas estão inseridas, esta série chega até você.
Os vídeos e os cadernos que a compõem visam divulgar os ODS e fornecer subsídios para
o tratamento pedagógico de nove temas considerados mais relevantes para a EDS e o
atendimento dos estudantes na faixa etária entre seis e dez anos1.
A partir de explicação feita pelas próprias crianças, os vídeos, disponíveis em <bitly.com/
videos_eds> (UNESCO, 2017c), propiciam uma primeira aproximação com os temas.
Os cadernos, com conteúdos básicos e materiais de referência, apresentam os ODS e
suas metas aos docentes, subsidiando e estimulando o desenvolvimento e a criação de
diversas atividades pedagógicas, como pesquisas, jogos e brincadeiras, com os estudantes.
Lembrando que não existe receita pronta, quem vai trilhar o caminho para a materialização
disso tudo é você, em aliança com estudantes e comunidade escolar.
Vamos começar?

1. Para a elaboração desta série foram identificados 9 ODS que têm relação direta com a Educação Ambiental do Brasil e a
EDS da UNESCO para dos anos iniciais do ensino fundamental esta faixa etária (6 a 10 anos). Lembrando que todos os 17
ODS estão interligados e serão trabalhados ao longo desta série..

12

Estes são os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável

Fonte: ONUBR, s.d.

Objetivo 1: Erradicação da pobreza – Acabar com a pobreza em todas as suas formas,
em todos os lugares.
Objetivo 2: Fome zero e agricultura sustentável – Acabar com a fome, alcançar a
segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável.
Objetivo 3: Saúde e bem-estar – Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar
para todos, em todas as idades.
Objetivo 4: Educação de qualidade – Assegurar a educação inclusiva e equitativa de
qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos.
Objetivo 5: Igualdade de gênero – Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas
as mulheres e meninas.
Objetivo 6: Água potável e saneamento – Assegurar a disponibilidade e gestão
sustentável da água e saneamento para todos.
Objetivo 7: Energia limpa e acessível – Assegurar o acesso confiável, sustentável,
moderno e a preço acessível à energia para todos.
Objetivo 8: Trabalho decente e crescimento econômico – Promover o crescimento
econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho
decente para todos.
13

Objetivo 9: Indústria, inovação e infraestrutura – Construir infraestruturas resilientes,
promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação.
Objetivo 10: Redução das desigualdades – Reduzir a desigualdade dentro dos países e
entre eles.
Objetivo 11: Cidades e comunidades sustentáveis – Tornar as cidades e os
assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis.
Objetivo 12: Consumo e produção responsáveis – Assegurar padrões de produção e
de consumo sustentáveis.
Objetivo 13: Ação contra a mudança global do clima – Tomar medidas urgentes para
combater a mudança climática e seus impactos.
Objetivo 14: Vida na água – Promover a conservação e o uso sustentável dos oceanos,
dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável.
Objetivo 15: Vida terrestre – Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos
ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação,
deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade.
Objetivo 16: Paz, justiça e instituições eficazes – Promover sociedades pacíficas e
inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e
construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis.
Objetivo 17: Parcerias e meios de implementação – Fortalecer os meios de
implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável.

14

Princípios dos ODS
• Cada país e cada localidade tem seus próprios desafios e pode alcançar os
ODS com base em sua própria realidade.
• Ninguém deve ficar para trás. É fundamental que todos sejam incluídos nos
esforços e nos benefícios do desenvolvimento sustentável.
• Os objetivos devem ser vistos de forma integrada: o alcance de um ODS
relaciona-se com o alcance dos demais.

Direitos Humanos: a base dos ODS
Conforme o preâmbulo da Agenda 2030, em todos os ODS há temas
que dialogam com o cumprimento dos direitos humanos. Os ODS, assim
como os direitos humanos, são integrados e indivisíveis, por essa razão,
sua aplicação exige uma abordagem sistêmica, integrada e que envolve
esforços globais.
A abordagem pedagógica com os ODS é uma oportunidade para, a
partir da perspectiva da Educação para o Desenvolvimento Sustentável
(EDS), discutir os direitos humanos no ensino fundamental, contribuindo
para a implementação do Plano Nacional de Educação em Direitos
Humanos (PNEDH) e a promoção de uma cultura de paz e ambiente não
discriminatório, de valorização e respeito às diversidades na escola.
O caderno ODS 4: Educação de qualidade,
desta série, dispõe de informações sobre o tema da
Educação em Direitos Humanos (EDH). O caderno
Introdutório, desta série, traz uma tabela, produzida
pela ONU, com a relação de cada ODS com os
direitos humanos relacionados, com base nos
tratados e documentos internacionais.

15

Depende de nós
Os ODS constituem uma agenda de direitos e não possuem natureza
legalmente vinculante, ou seja, nenhum país sofrerá sanções por deixar de
cumpri-los. Quando os países comprometem-se com esses direitos, porém,
eles assumem o compromisso político de criar uma estrutura nacional para sua
implementação. Isso envolve o estabelecimento de leis, políticas, planos e programas,
medidas que permitem aos ODS serem tratados por meio de ações coletivas.
O Brasil foi um dos principais articuladores da formulação dos ODS. Por isso, o país tem
pela frente a responsabilidade de implementar essa agenda. Uma missão que é tanto
do governo quanto da população. Diversos segmentos sociais estão se organizando
para a implementação dos ODS: governos nas esferas federal, estadual e municipal,
meio empresarial e instituições filantrópicas, universidades e instituições de pesquisas,
organizações não governamentais e movimentos sociais que apostam no sucesso da
Agenda 2030.
No âmbito da sociedade civil, vale ressaltar a importância do envolvimento das escolas,
dos educadores, das comunidades, das famílias, das crianças e da juventude. Todos têm
um papel a desempenhar na realização dos ODS e, de maneira especial, no exercício do
direito à educação de qualidade.

Para saber mais
É interessante, ao iniciar o diálogo sobre os ODS, também explicar o que é a ONU, como
funciona, qual seu papel, suas principais temáticas e o contexto da criação dos ODS.
Informações em (ONUBR, s.d.): https://nacoesunidas.org/conheca/como-funciona/.
Acesse o site disponibilizados pela ONU Brasil também para conhecer o texto que
embasa cada ODS (ONUBR, s.d.):
<https://nacoesunidas.org/pos2015/agenda2030/2015/>

16

Selecionamos três vídeos da ONU Brasil sobre a Agenda 2030:
A ONU tem um plano: os Objetivos Globais (ONU BRASIL, 2017), que explica em
linguagem simples o que são os ODS: <http://bit.ly/2rqqxOe>
Transformando os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio rumo a 2030 (ONU
BRASIL, 2015)faz um balanço do alcance dos ODM e lança a plataforma 2030. Disponível
em: <http://bit.ly/2DfaZQf>
Há também o vídeo ODS: Não deixar ninguém para trás (ONU BRASIL, 2016), que
enfatiza o sentido do slogan da Agenda 2030, e está disponível em:
<http://bit.ly/2qN6Ccm>
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) acompanha a implementação
dos ODS. No portal, criado com essa finalidade, é possível encontrar vídeos, entrevistas
e diversos recursos para quem quiser saber mais sobre o tema. O vídeo IBGE Explica
– Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (Introdução) (IBGE, 2016) fornece
informações adicionais sobre os objetivos. Disponível em: <http://bit.ly/2pU0P4A>

O caderno Introdutório, desta série, traz mais subsídios sobre o
histórico das agendas internacionais para o século XXI e detalhes
sobre a Agenda 2030. É fortemente recomendada a leitura desse
caderno, que fornece a base para utilizar as demais publicações
desta série.

17

É preciso educar-se para a sustentabilidade
A busca do desenvolvimento sustentável exige um amplo movimento voltado à mudança de
mentalidades, atitudes e comportamentos. O trabalho pedagógico envolvendo os Objetivos
de Desenvolvimento Sustentável (ODS) tem sido realizado mundialmente na perspectiva da
Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS). Segundo a UNESCO (2017a), a EDS
pode ser conceituada como uma educação nos âmbitos formal, não formal e informal que
contribui para que as pessoas pensem criticamente, identificando elementos insustentáveis
em suas vidas e na sociedade, e ajam por mudanças sociais e ambientais positivas.
Segundo a Declaração de Incheon (UNESCO, 2015), por meio da EDS, desenvolvemse “habilidades, valores e atitudes que permitem aos cidadãos levar vidas saudáveis e
plenas, tomar decisões conscientes e responder a desafios locais e globais”. Por isso, a
EDS é entendida como parte da educação de qualidade e da aprendizagem ao longo da
vida. Relaciona-se diretamente com o ODS 4 e indiretamente com os demais ODS, pois
dá suporte aos indivíduos para que transformem seu próprio comportamento, aprendam
a participar de processos coletivos e engajem-se em mudanças sociais, econômicas e
políticas em direção à sustentabilidade.

O esquema a seguir sintetiza as habilidades a serem desenvolvidas ao trabalhar com EDS2.
Principais dimensões conceituais da EDS

Habilidades cognitivas

Os estudantes constroem conhecimentos,
compreensão e raciocínio crítico sobre
questões globais e sobre a interconectividade /
interdependência entre países e entre diferentes
populações.

2 Esquema desenvolvido pela UNESCO com base em contribuições de especialistas em Educação para a Cidadania
Global (ECG) e a Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS) de todo o mundo e na consultoria técnica sobre ECG,
realizada em Seul, Coreia do Sul, em 2013, e no Primeiro Fórum da UNESCO sobre a Educação para a Cidadania Global,
que ocorreu em Bangkok, Tailândia, em 2013.

18

Habilidades socioemocionais

Os estudantes desenvolvem o sentimento
de pertencer a uma humanidade comum, ao
compartilhar valores e responsabilidades e ao
perceberem-se possuidores de direitos.
Os estudantes demonstram empatia, solidariedade
e respeito por diferenças e diversidade.

Habilidades comportamentais

Os estudantes agem de forma efetiva e
responsável nos contextos local, nacional e global,
em prol de um mundo mais pacífico e sustentável.

Fonte: Adaptado de UNESCO (2015).

Políticas de Educação Ambiental no Brasil
No Brasil, desde a década de 1990, existem políticas públicas voltadas a estimular a busca
da sustentabilidade socioambiental, algumas das quais se baseiam na Lei nº 9795/993,
que instituiu a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA). Essa lei estabelece
que a Educação Ambiental constitui-se de processos que possibilitem a construção
de conhecimentos e valores, bem como de ações individuais e coletivas em prol da
sustentabilidade socioambiental.
No âmbito da educação formal, o Conselho Nacional de Educação (CNE), em 2012,
estabeleceu as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental (DCNEA)
(BRASIL, 2012). Tais diretrizes reconhecem o papel transformador da Educação Ambiental
e consideram estratégico seu desenvolvimento nas escolas, principalmente diante do atual
quadro de riscos socioambientais a que estamos expostos tanto em nível global quanto local.
As DCNEA também incentivam as escolas a constituírem-se como espaços educadores
sustentáveis, promovendo as temáticas relacionadas em seu Projeto Político Pedagógico (PPP),
o que tem reflexos no tratamento curricular, na gestão e no espaço físico escolar.
3 O texto completo dessa lei está disponível em:http://bit.ly/2rssBpi. BRASIL (1999).

19

Iniciativas de educação não formal, como a comunicação popular, também são reconhecidas
por sua extrema importância no contexto de implementação da PNEA. Uma das linhas de
ação do Programa Nacional de Educação Ambiental (ProNEA)4, que cuida da articulação
de ações de comunicação para a Educação Ambiental, é a Educomunicação. Essa linha
contempla metodologias de produção participativa de produtos e ações de comunicação
para a Educação Ambiental e a sustentabilidade, desenvolvidos pelas próprias comunidades,
contextualizados com suas realidades. Iniciativas inspiradoras têm sido realizadas, como Circuito
Tela Verde: Mostra Nacional de Produção Audiovisual Independente; Plataforma Educares:
Práticas de Educação Ambiental e Comunicação Social em Resíduos Sólidos; Projeto Nas
Ondas do São Francisco (veiculação de spots – peças radiofônicas, produzidos pelas próprias
comunidades da Bacia Hidrográfica do São Francisco); entre outras.

Motivos para abordar os ODS na escola

1

Promover aprendizagens é função social da escola. Isso se dá por meio da
construção e da partilha de conhecimentos, como também pela convivência entre
as pessoas e pela interação de seus diversos modos de ser e de viver, que são
particulares de cada tempo e lugar. Mobilizando-se em torno dos ODS, a escola

2

insere-se no movimento da sociedade para a realização da Agenda 2030.
O ambiente escolar possibilita à criança desenvolver novos valores,
habilidades, atitudes e comportamentos fundamentais para o alcance do
desenvolvimento sustentável. O que se aprende na escola influi na forma
como percebemos o mundo e atuamos sobre ele, exercitando uma cidadania,
que é, ao mesmo tempo, local e planetária.

3

O próprio espaço escolar pode ser um lugar onde as crianças vivenciam na prática mudanças culturais em direção à sustentabilidade. Além de serem incluídos
no currículo, os ODS podem-se tornar objeto das práticas de gestão e inspirar
alterações no espaço físico da escola.

20

4 Todas as informações sobre as diretrizes e ações de Educomuicação socioambiental desenvolvidas pelo Ministério do
Meio Ambiente estão disponíveis em: BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Educomunicação. Disponível em: <http://
www.mma.gov.br/educacao-ambiental/educomunicacao.html>.

Vale lembrar que tudo que ocorre na escola tem impacto na vida da comunidade mais
ampla. Afinal, a comunidade escolar é constituída por estudantes e seus familiares,
docentes, funcionários responsáveis pela gestão, limpeza, alimentação, segurança,
bem como pela população residente nas imediações. Se há esforços concretos pela
sustentabilidade, isso terá reflexos sobre todas essas pessoas. A escola, nesse sentido, é
uma irradiadora de influências positivas para o entorno.
Todos precisam ser envolvidos e ter oportunidade de trabalhar/conviver
pedagogicamente, aproveitando a diversidade geracional e as diferentes bagagens
pessoais para o alcance das metas previstas nos ODS. As organizações do entorno, a
exemplo de associações, comércio local, grupos esportivos e religiosos, também podem
contribuir para o processo que se dá na escola, expandindo-o para outros âmbitos.

Que tal conhecer como os ODS podem ser trabalhados nas
escolas? O caderno Introdutório, desta série, contém informações
complementares.

Para saber mais
Conheça a Lei nº 9.795/1999 (BRASIL, 1999), que estabelece a Política Nacional de
Educação Ambiental em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9795.htm>
As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental (BRASIL, 2012), que
podem ser úteis no tratamento dos ODS na escola, estão disponíveis em:
<http://bit.ly/2rssBpi>
Para inspirar-se nas metodologias e conhecer os projetos de Educomunicação em
Educação Ambiental (BRASIL, s.d.), acesse: <http://bit.ly/2OGj1rY>
21

PREPARAR PARA A PRÁTICA
“Alertar as pessoas para a gravidade e a urgência da situação,
ampliando sua compreensão sobre a questão climática e
suas implicações; habilitá-las para agirem proativamente em
resposta à mudança do clima por meio de mudanças de
atitude e comportamentos pessoais e coletivos voltados à
mitigação de seus efeitos; ensiná-las a se adaptarem à nova
realidade”.
Você já refletiu sobre o papel mobilizador e transformador da escola para esse chamado
feito no contexto do ODS 13 (Ação contra a mudança global do clima)?
Na condição de docentes, quando nos preparamos para ensinar, temos a possibilidade de
expandir nosso próprio saber. Desenvolvemos novas percepções não apenas a respeito do
tema tratado, mas também sobre como ensinar o conteúdo para as crianças, considerando
suas especificidades cognitivas, sociais, culturais, raciais, dentre outras.
De forma concomitante, ao interagirmos com as crianças e suas bagagens próprias,
aprendemos com os diversos saberes e experiências trazidos por elas acerca do conteúdo.
Agregam-se ainda os conhecimentos que vêm da comunidade do entorno e de parceiros,
quando estes são acolhidos pela escola. Esse diálogo de saberes propicia a formação de
uma genuína comunidade de aprendizagem.
A seguir, algumas informações que poderão subsidiar o trabalho pedagógico com o
ODS 13 na escola.

22

©Sakeeb Sabakka

O clima da Terra requer medidas urgentes
O alerta vem de todas as partes: já estamos
vivendo expressivas mudanças do clima, que
podem comprometer nossa sobrevivência
no Planeta. O que em décadas anteriores
era assunto exclusivo de especialistas e de
tomadores de decisão governamentais, nos
últimos anos, ganhou a mídia e tem gerado
diversas polêmicas. Afinal, como explicar o
que está acontecendo com o clima da Terra? O inegável, no entanto, é que somos
cotidianamente bombardeados com notícias de furacões, inundações, deslizamentos
de terra, nevascas, secas, incêndios florestais, numa escala nunca antes vista, que
geram milhares de vítimas e perdas materiais inestimáveis em todo o mundo. Enfim,
as mudanças do clima chegam a nosso cotidiano.Os estudiosos do clima informam
que, nas duas últimas décadas, as temperaturas anuais da Terra foram as mais altas
desde o início das medições, iniciadas no século XIX (NOAA, 2018). Essas variações
têm provocado estações úmidas mais curtas, com chuvas mais intensas, seguidas de
períodos de estiagem prolongados. Os impactos dessas mudanças estão afetando
pessoas em todos os lugares e comprometendo nossa subsistência. Influenciam também
no comportamento das demais espécies, podendo gerar colapso nos sistemas que
sustentam a vida na Terra.

Desafio global, local e individual
O chamado atinge a todos. É preciso tomar medidas urgentes para enfrentar as
mudanças do clima e seus impactos em nossas vidas. Trata-se de um desafio global
de grandes proporções, que compromete vidas humanas, economias e a integridade
ambiental de todos os países. Isso quer dizer que uma pessoa, uma localidade ou um
país, isoladamente, não poderão realizar as transformações necessárias. Apenas por
meio de uma ampla rede de cooperação, que se inicia nos âmbitos individual e local,
estendendo-se pelos países e entre países, poderemos dar uma resposta mundial e
apropriada às mudanças do clima.
23

A Agenda 2030 e a mudança do clima
O ODS 13, que trata especificamente da questão climática, possui interfaces com todos
os demais Objetivos e é considerado estratégico para o alcance da paz e da prosperidade
no século XXI. Dentre as metas deste ODS, a educação e a conscientização merecem
destaque e foram grifadas no quadro a seguir.
Metas do ODS 13
13.1 Reforçar a resiliência e a capacidade de adaptação a riscos
relacionados ao clima e às catástrofes naturais em todos os países.

13.2 Integrar medidas da mudança do clima nas políticas, estratégias e
planejamentos nacionais.

13.3 Melhorar a educação, aumentar a conscientização e a
capacidade humana e institucional sobre mitigação, adaptação,
redução de impacto e alerta precoce da mudança do clima.
13.a Implementar o compromisso assumido pelos países desenvolvidos
para mobilizar conjuntamente US$ 100 bilhões por ano a partir de 2020,
para atender às necessidades dos países em desenvolvimento, no contexto
das ações de mitigação significativas e transparência na implementação; e
operacionalizar plenamente o Fundo Verde para o Clima.
13.b Promover mecanismos para a criação de capacidades para o
planejamento relacionado à mudança do clima e à gestão eficaz, nos
países menos desenvolvidos, inclusive com foco em mulheres, jovens,
comunidades locais e marginalizadas.

24

© Gregory “Slobirdr” Smith

Uma breve história desta pauta
Desde a década de 1980, os cientistas começaram a
preocupar-se com as anomalias no clima da Terra, com a
escalada ascendente da temperatura média anual, que foram
associadas às emissões do gás carbônico (CO2) na atmosfera.
Posteriormente, o Painel Intergovernamental sobre Mudança
Climática da ONU (IPCC, em inglês), criado em 1988 e que reúne especialistas no tema,
definiu, com base nas evidências disponíveis naquele momento, que esse aumento de
temperatura tem relação direta com a ação humana, especialmente com a industrialização
e com a degradação dos ecossistemas terrestres e aquáticos.
Durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, ocorrida
no Rio de Janeiro em 1992, o tema começou a ser tratado pela comunidade internacional, que
passou a reconhecer a necessidade de um esforço global para o enfrentamento das questões
climáticas. Durante esse evento, 175 países firmaram a Convenção-Quadro das Nações Unidas
sobre a Mudança do Clima (UNFCCC, em inglês), um tratado destinado a estabilizar a
concentração dos GEE na atmosfera.
Até então, pensava-se que a mudança do clima seria um processo gradual e, portanto,
controlável, por meio da redução e da estabilização das emissões. Por isso, a UNFCCC
não estabeleceu limites obrigatórios para as emissões, tampouco punição para os países
que descumprissem a Convenção, principalmente os mais ricos, responsáveis históricos
pelo fenômeno. Mas o crescente número de desastres climáticos mostrou a urgência da
temática. O Protocolo de Quioto, assinado em 1997, entrou em vigor em 2005 e estipulou
metas de reduções obrigatórias de emissões dos principais gases de efeito estufa para o
período entre 2008 e 2012.
Apesar da resistência por parte de alguns países industrializados, o Protocolo de Quioto
definiu o princípio da responsabilidade comum, porém diferenciada, entre países. Isso
quer dizer que os países desenvolvidos, por serem historicamente os maiores responsáveis
pelo fenômeno e por terem mais condições econômicas de enfrentá-lo, deveriam arcar
com os custos e serem os primeiros a assumir as metas de redução até 2012. Diante da
constatação dos baixos resultados, o Protocolo de Quioto foi prorrogado até 2020.
25

Em 2015, o Acordo de Paris teve como um dos objetivos promover acordos para
“assegurar que o aumento da temperatura média global fique abaixo de 2°C acima dos
níveis pré-industriais e prosseguir os esforços para limitar o aumento da temperatura a até
1,5°C acima dos níveis pré-industriais”, reconhecendo que isso reduzirá significativamente
os riscos e os impactos das alterações climáticas. Cada país foi convidado a estabelecer
metas voluntárias para combater as mudanças do clima.

O que é o aquecimento global?
Historicamente, a Terra já passou por muitas mudanças do clima.
As observações de geleiras e de fósseis de troncos de árvores, por
exemplo, mostram padrões que revelam oscilações nas temperaturas
e nas estações por longos períodos de tempo. Trata-se de mudanças
que ocorrem devido a causas naturais, como as alterações na
radiação solar e nos movimentos orbitais da Terra.
O clima de uma localidade relaciona-se com as condições do tempo predominantes por
longos períodos. Reflete o cenário geral de temperaturas, nível das chuvas, ventos e outras
condições durante décadas. Sem esses padrões bem definidos, fica difícil planejar obras
de infraestrutura, plantar e realizar diversas atividades que garantem a subsistência das
populações.
É preocupante, na atual mudança, a rapidez com que os eventos climáticos estão
ocorrendo e as condições atuais da humanidade: uma população mundial crescente e
crescentes níveis de produção e consumo, bem como de degradação ambiental.
Os estudiosos do clima indicam o início da Revolução Industrial (em torno de 1760)
como um ponto de mutação. As nascentes indústrias, movidas a combustíveis fósseis, tais
como, carvão e gás natural, provocaram mudanças significativas na forma de produção
de bens e serviços. Isso fez com que quantidades cada vez maiores de GEE fossem
lançadas na atmosfera.

26

O efeito estufa
Para manter as condições ideais para a vida, a Terra atua como
uma estufa, ou seja, como uma casa dotada de um sistema de
isolamento térmico, que retém o calor do Sol. Esse fenômeno
natural é constituído pela camada de gases que recobre a
superfície do planeta. Os gases refletem parte das radiações
solares e retêm o calor, em vez de permitir que ele escape para
o espaço. Normalmente, a energia retida é absorvida pelos oceanos e pela superfície
terrestre e mantém a temperatura média da Terra em torno de 15° C, condição essencial
para o desenvolvimento das espécies aqui viventes.
O problema é que, com o aumento das concentrações de GEE, a Terra está vivendo o
chamado aquecimento global. A camada de gases tem ficado cada vez mais espessa,
retendo cada vez mais calor na Terra e, consequentemente, aumentando a temperatura da
atmosfera terrestre e dos oceanos.

Principais gases de efeito estufa (GEE)
• Dióxido de carbono (CO2) – maior responsável pelo aquecimento global,
este gás representa mais de 70% das emissões. Desde a Revolução Industrial, sua
concentração na atmosfera subiu de 280 ppm para os atuais 400 ppm. Além da
atividade industrial e das emissões de alguns meios de transportes, o CO2 é também
liberado na atmosfera devido às queimadas e ao desmatamento. Sua permanência
na atmosfera é de, no mínimo, 100 anos.
• Metano (CH4) – presente na atmosfera em quantidades bem menores, este gás
possui potencial de aquecimento vinte vezes superior ao do CO2. Cerca de 60%
das emissões provêm da pecuária, resultantes do processo digestivo dos ruminantes,
especialmente dos bois, e de lixões. Em 200 anos, sua concentração na atmosfera
subiu de 0,7ppm para 1,8 ppm.
• Clorofluorcarbono (CFC) – na década de 1970, tornou-se conhecido por ser o
responsável pela redução da camada de ozônio. Usado em sistemas de refrigeração,
o CFC permanece na atmosfera por cerca de 75 anos e seu poder de reter calor é
centenas de vezes superior ao do CO2.
27

• Óxido nitroso (N2O) – sua presença na atmosfera começou a crescer depois da
década de 1950, principalmente devido ao uso exagerado de fertilizantes sintéticos à
base de nitrogênio. A concentração de N2O na atmosfera cresce a uma taxa de 0,25%
ao ano. Este gás demora, em média, 125 anos para decompor-se. Fonte: Selby (2014).

Um olhar sobre os dados
O avanço do aquecimento da Terra entre 1880 e 2013
Global land and Ocean Temperature Anomalies, January-December
Temperatures Anomalies

Fonte: Considerando dados do National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), dos Estados Unidos, o período
entre 1880 e 2000 teve um aumento médio de 0,07 oC por década. Porém, entre 2000 e 2013, o aumento foi de 0,19 oC
por década. Ou seja, o ritmo de aquecimento nos 16 primeiros anos do século XXI quase dobrou em relação às médias do
século XX. Mantendo-se esse ritmo, o aquecimento global deverá ultrapassar 2,5 oC até 2100 (NOAA, 2018).

Concentração de CO2 na atmosfera
US$ 520 bilhões por ano
Este é o valor das perdas causadas por desastres naturais,
segundo relatório do Banco Mundial, de 2016, divulgado
durante a COP-22 em Marrakesh (ECODEBATE, 2017).
Fonte: WWF BRASIL (2016).

28

Um mundo de desigualdades

Ricos
1/5 da população; 45% da carne;
58% da energia; 84% do papel;
87% dos veículos.

Pobres
1/5 da população;
(1 bilhão) sem acesso a comida, água,
saneamento, moradia e eletrecidade.

Fonte: FAO (2016).

Produção de carne bovina
Em 2017, o rebanho mundial de bovinos foi estimado em 998 milhões
de cabeças (FORMIGONI, 2017). O Brasil detém 22,6% desse rebanho,
ou seja, 226 milhões de cabeças. No país, vivem mais bois do que gente,
e a pecuária contribui duplamente para o aquecimento global: pelo
desmatamento e pela emissão do gás metano.

Refugiados da desertificação
Até 2030, calcula-se que 135 milhões de pessoas estarão em risco de deslocamento por
causa da desertificação5. Estima-se também que 60 milhões migrem da África Subsaariana
para o Norte da África e para a Europa.

Os dez países que mais emitem GEE
Historicamente, os países mais industrializados têm sido responsáveis pela maior parte
das emissões de GEE. No entanto, nas últimas décadas, os países em desenvolvimento
vêm aumentando consideravelmente suas contribuições para isso. Em 2012, a China
encabeçava a lista, e o Brasil estava em 7º lugar nas emissões. Os valores per capita, no
entanto, revelam que, individualmente, uma pessoa no Japão (8º lugar) emite muito mais
CO2 (9.539 toneladas métricas) que no Brasil (2.594 toneladas métricas per capita)6.
5 Segundo a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação, este fenômeno consiste em “degradação da
terra nas regiões áridas, semiáridas e subúmidas secas, resultante de vários fatores, entre eles as variações climáticas e as
atividades humanas”.
6 Conforme dados do Banco Mundial de 2014 BANCO MUNDIAL, 2014).

29

Fonte: Friedrich; Ge; Pickens, 2017.

30

Uma questão de (in)justiça ambiental
O fenômeno das mudanças do clima afeta a todos
indistintamente, ou seja, independentemente de gênero, idade,

© Tim J Keegan

etnia ou mesmo classe social. Estamos todos igualmente
sujeitos a seus efeitos nocivos, mas os impactos ambientais que
propiciam não se distribuem democraticamente para toda a
população. Muitas vezes, as pessoas que menos contribuem
para as emissões de GEE são as mais afetadas. Isto ocorre
porque elas têm menos recursos para adaptarem-se ou porque vivem em condições de
maior dependência de ecossistemas saudáveis.
Nas periferias urbanas, por exemplo, quem vive nas proximidades de cursos d’água ou
nas encostas de morros está mais sujeito a ser atingido por chuvas fortes, enchentes e
deslizamentos de terra. Não por acaso, essas são áreas em que vivem, majoritariamente,
os mais pobres. A população rural dos países em desenvolvimento, que realiza agricultura,
extrativismo e pesca de subsistência, atividades fortemente dependentes da integridade
dos recursos naturais e das condições climáticas, também está mais vulnerável aos efeitos
da mudança do clima, embora contribua em menor proporção para criar esse problema.
As injustiças atingem as pessoas, mas também os países. Desde os anos 1980, por
exemplo, as Ilhas Carteret, localizadas no Pacífico Sul e integrantes do território de PapuaNova Guiné, estão progressivamente submergindo devido ao aumento do nível do mar.
Em 2007, sua população, composta de 2 mil pessoas, precisou evacuar essas ilhas e
migrar para outras localidades. Essas pessoas integram a lista dos deslocados por desastres
naturais produzidos diretamente pela mudança do clima (FAO, 2016).
Por isso, como medida de justiça ambiental, o Acordo de Paris estabelece como prioridade,
para os países desenvolvidos, encontrar soluções para que reduzam suas emissões de gases do
efeito estufa, enquanto que, para os países em desenvolvimento, a prioridade é elevar o nível
de vida de suas populações, considerando o respeito ao meio ambiente. Ao mesmo tempo,
recomenda atenção especial para os setores sociais mais vulneráveis, como populações
indígenas e tradicionais, mulheres, crianças, idosos e pessoas com deficiência, entre outros.
31

Acesse o documento final da Adoção do Acordo
de Paris, traduzido para o português pelo Centro de
Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC
Rio), em: <http://bit.ly/2QZtMqP>

Fatores que mais contribuem para a mudança do clima
Entre as principais atividades humanas que causam o aquecimento global e,
consequentemente, mudança do clima estão as seguintes.
Queima de combustíveis fósseis – os combustíveis fósseis formam-se devido à
decomposição de restos de plantas e animais que existiram há milhões de anos. As
principais formas dos combustíveis fósseis são carvão, petróleo, gás natural e xisto
betuminoso. Há dois séculos, esses combustíveis são usados em atividades industriais, para
gerar eletricidade, e nos transportes. Além de grande quantidade de energia, a queima
desses materiais libera gases do efeito estufa.
Conversão do uso do solo – os ecossistemas naturais são grandes reservatórios
e sumidouros de carbono por sua capacidade de absorver e estocar CO2, bem
como de fixar nitrogênio nos solos. A urbanização acelerada, com a consequente
impermeabilização dos solos, e as atividades econômicas de diversos tipos, mineração,
obras de infraestrutura, etc., comprometem a integridade desses ecossistemas e promovem
a liberação de gases na atmosfera.
Descarte de resíduos sólidos – a produção de resíduos sólidos, especialmente quando
não se utilizam sistemas de reciclagem e reutilização de materiais, gera diversos GEE,
especialmente o gás metano. Mesmo quando o descarte é feito por meio de aterros
sanitários, a emissão ainda é grande.
32

Desmatamento – as florestas desempenham um papel importante na estabilização do
clima, pois retêm grandes quantidades de carbono em seus troncos, galhos, folhas e raízes.
Por meio da fotossíntese, as plantas absorvem CO2 da atmosfera, contribuindo para a
purificação do ar. Quando ocorrem desmatamentos ou queimadas, o carbono volta para
a atmosfera em forma de CO2.
Agropecuária – a produção de alimentos é uma das principais causas da conversão
de uso dos solos. Seja pelos desmatamentos e queimadas, seja pelo uso excessivo de
adubação química com base em nitrogênio, essa atividade contribui significativamente
com a mudança do clima pela liberação de GEE. Isso é ainda mais grave quando se trata
da pecuária de corte, já que o sistema digestivo dos animais de corte, como bois e suínos,
libera o gás metano, altamente inflamável e intensificador do efeito estufa.
Diante das causas fica a pergunta: que comportamentos individuais e coletivos e estruturas
sociais e econômicas estão causando o problema? Os fatores acima citados revelam um
sistema de produção e consumo baseado no crescimento ilimitado e no uso intensivo
dos bens naturais. Esse sistema apoia-se também na desigualdade do acesso aos bens e
serviços socialmente produzidos, gerando desigualdades entre os seres humanos. A causa
última, portanto, é o atual modelo de desenvolvimento, que se relaciona diretamente com
a mudança do clima.

Para saber mais
A cartilha produzida pelo Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO),
intitulada A mudança climática: distintivo desafio (FAO, 2016), serve como um manual
para esclarecer a mudança do clima para docentes e estudantes. Disponível em:
<http://www.fao.org/3/I5216PT/i5216pt.pdf>
O vídeo NASA’s Earth Minute: Earth has a fever (NASA CLIMATE CHANGE), 2014
explica, com grande precisão, o tema das mudanças do clima. Você pode colocar
legendas automáticas. Disponível em: <http://bit.ly/34vvh3Y>
33

O vídeo Mudanças Climáticas (INPEVIDEOSEDUC 2011), do Instituto Nacional de
Pesquisas Espaciais (INPE), discute as causas e as consequências das mudanças do clima.
Disponível em: <http://bit.ly/2rD8tRq>

Consequências do aquecimento global
Os estudiosos do clima defendem que a Terra comporta-se como um superorganismo em
estado febril, em que o nível de variação da temperatura média definirá o grau de desequilíbrio
apresentado. Todos concordam também que as alterações são sistêmicas e, portanto,
podem gerar fenômenos em cadeia, de efeitos imprevisíveis, devido à interação sinérgica de
diversos fatores. O desmatamento da Amazônia, por exemplo, além de aumentar as emissões
globais de GEE, pode interferir no regime de chuvas de todo o Brasil e ainda causar o
desaparecimento de muitos cursos d’água em outras regiões.
As previsões indicam ainda que o grau de vulnerabilidade e a forma de enfrentamento
dessas mudanças dependerão do nível de informação, renda e desenvolvimento
tecnológico das populações. Mas, sobretudo, da mudança de mentalidades e práticas
cotidianas. Muitos países em desenvolvimento já são particularmente vulneráveis à
variabilidade climática atual. À medida que o processo evoluir, esses países ficarão
cada vez mais sujeitos a desastres e sem condições de responder a estes se não forem
adequadamente preparados para tal enfrentamento.
Em geral, estas consequências abaixo já estão se manifestando.
Aumento da temperatura dos oceanos – este fenômeno tem desencadeado
derretimento das geleiras e aumento no nível do mar. Conforme o oceano esquenta,
ele perde sua capacidade de absorver CO2 da atmosfera, o que agrava ainda mais o
efeito estufa. O aumento do nível do mar já está acarretando o desaparecimento de ilhas
e, no futuro, causará a inundação de pequenas e grandes cidades situadas nas zonas
costeiras, onde vive grande parte da população mundial. Os impactos atingem também os
manguezais e os recifes de corais, responsáveis pela reprodução de milhares de espécies,
afetando a cadeia alimentar da vida marinha.
34

O caderno ODS 14: Vida na água, desta série, contém informações
adicionais sobre este tema.

Degradação dos ecossistemas terrestres e aquáticos – os ecossistemas são
complexos e interdependentes. As mudanças mais rápidas no clima talvez não permitam
que as espécies adaptem-se com a mesma rapidez, podendo causar extinções em massa.
Dependendo de sua magnitude, a mudança do clima pode gerar rupturas irreversíveis no
delicado equilíbrio de biomas e ecossistemas. Os recifes de corais, por exemplo, estão
morrendo devido à acidificação dos oceanos. Em relação aos ecossistemas terrestres,
Nobre et al. (2007) apontam que a combinação sinérgica dos impactos decorrentes dos
desmatamentos com aqueles resultantes do aquecimento global implicará em climas mais
quentes e secos, forçando o desaparecimento de espécies, sobretudo nos complexos
ecossistemas das florestas tropicais úmidas.

O caderno ODS 15: Vida terrestre, desta série, contém informações
adicionais sobre o tema.

Intensificação de desastres – segundo Trajber, Olivato e Marchezini (2015), desastres
são “o resultado da combinação de ameaças/perigo, condições de vulnerabilidade
e da insuficiente capacidade ou medidas para reduzir as consequências negativas
e potenciais do risco”. Além das perdas e danos às pessoas e ao meio ambiente, os
desastres comprometem moradias, sistemas de transportes, hospitais, ultrapassando
a capacidade de resposta da sociedade. O despreparo para enfrentar os desastres
pode provocar colapso no tecido social, deteriorando as redes de relações existentes e
desencadeando violência.

35

O caderno ODS 11: Cidades e comunidades sustentáveis, desta
série, contém informações adicionais sobre o tema.

Crise hídrica e de energia – tanto o excesso quanto a falta de chuvas interferem nos
estoques de água em lagos e rios, o que compromete a pesca e a agricultura. Além disso,
pode provocar crises no abastecimento de água potável em regiões onde antes esse
problema não existia. Alguns sistemas usados para gerar eletricidade, como as hidrelétricas,
dependem de água para funcionar. A falta de regularidade e de intensidade das chuvas
pode, portanto, comprometer a geração e a oferta de eletricidade.

O caderno ODS 6: Água potável e saneamento, desta série,
contém informações adicionais sobre o tema.

Colapso na produção de alimentos – a falta e o excesso de chuvas também
comprometem a agricultura. Mas há ainda outros fatores de risco associados à mudança
do clima: a perda da fertilidade dos solos, a desertificação, bem como o aumento da
frequência do ataque de pragas e doenças devido ao aumento das temperaturas, incluindo
o aparecimento de espécies invasoras. Em um cenário em que cerca de 1 bilhão de
pessoas ainda passam fome, a intensificação das questões climáticas agravará ainda mais a
situação, comprometendo o alcance do desenvolvimento sustentável.

O caderno ODS 2: Fome zero e agricultura sustentável, desta
série, contém informações adicionais sobre o tema.

36

Aumento da pobreza – a mudança do clima gera grandes perdas sociais. Em primeiro
lugar, porque os países e as comunidades terão de enfrentar crescentes desastres,
assimilando as perdas econômicas decorrentes. Por outro lado, gera empobrecimento
de populações com maior grau de vulnerabilidade social e econômica, principalmente
daquelas que dependem diretamente dos bens naturais para sobreviver. Isso quer dizer
que famílias de pescadores, extrativistas e pequenos agricultores estão mais expostos aos
efeitos do clima, bem como as pessoas que moram em regiões sujeitas a desastres.
Intensificação dos problemas de saúde – as doenças relacionadas à poluição
atmosférica tendem a crescer, bem como os problemas provocados por deficiências no
acesso à água potável, como a desidratação e a desnutrição provocada pela escassez
de alimentos, entre outros aspectos. Temperaturas mais altas estimulam a proliferação
de mosquitos transmissores de doenças como malária, febre amarela e dengue,
desencadeando epidemias. Nos países de clima temperado, verões com picos de
temperatura poderão causar insolação e desidratação em crianças e pessoas idosas,
consideradas mais vulneráveis diante das mudanças do clima.

O caderno ODS 3: Saúde e bem-estar, desta série, contém
informações adicionais sobre o tema.

Deslocamentos populacionais em massa – as migrações já estão acontecendo,
mas prometem intensificar-se, seja devido aos problemas ambientais, seja por causa
dos conflitos sociais decorrentes da escassez de água e de alimentos. Episódios de
intolerância com os migrantes tendem também a alastrar-se. As pessoas provenientes de
zonas afetadas por problemas climáticos chegam em situação de grande vulnerabilidade
econômica, sem emprego e sem condições de morar adequadamente. Mesmo os países
considerados desenvolvidos têm dificuldade em acolher grande quantidade de migrantes.
Como resultado, muitas pessoas acabam abrigando-se em habitações precárias, situadas
em locais vulneráveis a novos desastres.

37

Aumento de conflitos e guerras – o quadro de escassez levantado nos tópicos anteriores
pode forçar situações de conflitos pelo acesso e controle de recursos, tanto no interior de cada
país quanto entre países. Com os sistemas de assistência social em colapso, muitos serviços
públicos poderão deixar de funcionar ou atender apenas parcialmente às necessidades da
população, como os sistemas de transportes, educação, saneamento, agravando ainda mais
a situação. Isso representará mais trabalho e maior vulnerabilidade para as mulheres, que
historicamente desempenham o papel de prover a subsistência para suas famílias.
Esse cenário, embora afete com maior intensidade a população mais pobre do planeta,
tende também a dificultar a vida dos mais ricos. A mudança do clima pode ter um
enorme impacto sobre a maneira como as pessoas viajam. Ondas de calor, fortes chuvas
e nevascas podem causar o deslocamento e ruptura de estradas, tornando também as
viagens por ar e mar perigosas, além de prejudicarem os sistemas de abastecimento. Da
mesma forma, as paisagens sofrerão alterações significativas, o que afetará o turismo, uma
atividade econômica expressiva para a economia mundial. Por causa do aquecimento
global, diversos símbolos do patrimônio histórico e cultural da humanidade estão sob
ameaça, bem como praias e balneários às margens de rios e lagos.

Cenários para o Brasil
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), organização científica
fundada pela Organização das Nações Unidas (ONU), traçou quatro cenários para o clima
do século XXI em todo o mundo. A opção mais otimista, já descartada, previa aumento
da temperatura média mundial variando entre 0,3 oC a 1,7 oC, no período entre 2010 e
2100, caso não houvesse mais nenhuma emissão de GEE na atmosfera. O cenário mais
pessimista prevê o aumento de emissões sem controle e a temperatura média da Terra
chegando aos 4,8 oC acima dos níveis pré-industriais. Isso inviabilizaria a sobrevivência da
civilização humana, tal como a conhecemos, no planeta.
Em busca de possíveis futuros para nosso país, a comunidade científica brasileira7
desenvolveu o Modelo Brasileiro do Sistema Terrestre, sob coordenação do Instituto
7 Esta comunidade conta com integrantes do Programa de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais da Fundação de
Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), da Rede Brasileira de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais (Rede
Clima) e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia sobre Mudanças Climáticas (INCT-MC).

38

Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Esse modelo permite que climatologistas realizem
previsões sobre os impactos da mudança do clima para o Brasil. De acordo com o relatório
“Brasil 2040 – Alternativas de Adaptação às Mudanças Climáticas”, encomendado pela
Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República e lançado em 2015, o
Brasil poderá viver situações críticas já em 2040.
Nessa, os eventos climáticos extremos, como tempestades, enchentes, secas prolongadas,
etc., serão mais intensos e frequentes, com temperaturas médias anuais variando de 2 oC a
8 oC acima das atuais, dependendo da região do país. A disponibilidade de água diminuirá
em todas as regiões, menos no Sul, que ficará mais chuvoso, e isso terá impactos diretos e
permanentes na atividade agropecuária, que atualmente constitui o principal motor para o
aumento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Haverá tendência à rápida desertificação
do Nordeste. A zona costeira sofrerá com marés e ressacas cada vez mais fortes, com
impactos na infraestrutura de portos, estradas e cidades. O quadro a seguir mostra as
principais implicações para cada região do país.
IMPACTO DO CLIMA NAS REGIÕES BRASILEIRAS
Região Norte – perdas de biodiversidade na Amazônia e da navegabilidade
dos rios poderão causar a substituição gradual da floresta amazônica por
vegetação de Cerrado, especialmente na parte oriental do bioma, com forte
impacto sobre o comércio e os meios de vida tradicionais. Os períodos
chuvosos e secos serão mais marcados. A queda na vazão dos rios poderá
dificultar a operação de hidrelétricas. Haverá aumento das queimadas, com
impactos na saúde humana.
Região Nordeste – há tendências de desertificação da Caatinga, com
aumento de temperaturas médias oscilando entre 0,5 oC e 1 oC até 2040. O
nível de rios e açudes poderá diminuir em até 35%, e a alta taxa de evaporação
pode afetar ainda mais a agricultura de subsistência. A escassez de água fará
aumentar a migração do campo para as cidades. É possível que a elevação
do nível do mar comprometa atividades, como a infraestrutura portuária e o
turismo na região costeira.
39

Região Centro-Oeste – esta região possivelmente sofrerá os maiores
aumentos de temperatura (de 5 oC a 5,5 oC até 2100) e a diminuição das
chuvas em cerca de 40%. Os impactos sobre a biodiversidade do Pantanal
e do Cerrado serão altos, bem como as taxas de evaporação e os veranicos,
com ondas de calor que podem afetar a saúde, a agricultura e a geração de
energia por meio de hidrelétricas.
Região Sudeste – as condições climáticas serão similares às do Centro-Oeste,
porém com menor intensidade na elevação das temperaturas. É possível
que haja elevação no nível do mar nas zonas costeiras e períodos de chuvas
intensas, com prejuízos para a agricultura e para as obras de infraestrutura, bem
como aumento de desastres nas regiões serranas.
Região Sul – é possível que aumente a ocorrência e a intensidade das chuvas,
com maior frequência de eventos, como tornados e furacões, ocasionando
enchentes, inundações e deslizamentos de terra. Haverá também aumento
no número de noites quentes, bem como impactos sobre a biodiversidade,
especialmente sobre a floresta de Araucária e o Pampa.
Fonte: Observatório do Clima, 2015 (ALISSON, 2013).

É possível mudar este quadro?
Os especialistas dizem que sim. Embora alertem que, mesmo
se parássemos hoje de emitir qualquer GEE, ainda assim
teríamos aumento de temperatura da Terra por algumas
décadas, antes que o clima volte a estabilizar-se. Em outras
palavras, não é mais possível interromper ou reverter a
mudança do clima, mas são necessárias medidas para minimizar os impactos que vêm por
aí. Por isso, as palavras mitigação e adaptação estão na ordem do dia para os estudiosos e
tomadores de decisão nas políticas públicas sobre mudança do clima.
Mitigação – segundo o Ministério do Meio Ambiente (MMA, 2016), mitigar significa
“limitar os efeitos e a gravidade de mudanças climáticas e tentar capturar o CO2 na
40

atmosfera para a vegetação ou, no futuro, em tecnologias de Captura e Reserva de
Carbono (CCS)”. Grande parte das medidas de mitigação visa a transferência de
tecnologia aos países em desenvolvimento, de forma que estes realizem suas políticas de
desenvolvimento sem poluição. Trata-se, portanto, de medidas de grande impacto, que se
dão no nível das relações internacionais, bem como no plano político dos entes federativos
(governo federal, estados e municípios) brasileiros.
Adaptação – consiste na preparação e na resposta a possíveis impactos da mudança do
clima, com o objetivo de minimizar danos e aproveitar as oportunidades potenciais. Os
benefícios resultantes dessa série de ajustes têm caráter local e horizonte temporal de
curto e médio prazos. Medidas de adaptação referem-se, por exemplo, a modificações
nas construções para armazenar água da chuva ou gerar energia de forma autônoma,
a criação de infraestruturas menos vulneráveis aos efeitos do aumento das marés, a
diminuição de áreas impermeabilizadas nas cidades por meio de telhados verdes ou do
plantio de árvores, entre outras.
O grau de adaptação pode ser medido pela relação entre vulnerabilidade e resiliência.
Vulnerabilidade significa a fragilidade para enfrentar efeitos adversos da mudança
do clima, seja em seus aspectos ecológicos, econômicos ou sociais. Resiliência é a
capacidade que os sistemas têm de absorver e recuperar-se de situações que causam
distúrbios em seu funcionamento. Quanto menor a vulnerabilidade de um sistema e maior
a resiliência, maior será seu potencial de adaptação.

Ações mitigadoras
O Brasil ratificou, em 2016, sua Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC na sigla
em inglês) ao Acordo de Paris. Esse documento governamental registrou os principais
compromissos e contribuições do Brasil para o acordo climático internacional. Até 2025, o
país comprometeu-se em reduzir as emissões de GEE em 37% abaixo dos níveis de 2005.
E, em 2030, pretende que essa redução alcance 43% abaixo dos níveis de 2005. Tratase de uma meta ambiciosa, já que o país tem pela frente o desafio de, ao mesmo tempo,
aumentar a renda per capita e o Produto Interno Bruto (PIB), considerando o aumento de sua
população no mesmo período. Para que essa meta seja alcançada, o Brasil comprometeu-se
a implementar as seguintes ações (BRASIL, s.d.):
41

• aumentar em 18% a participação de biocombustíveis na matriz energética
brasileira até 2030;
• fortalecer o cumprimento do Código Florestal8 em âmbitos federal, estadual e
municipal;
• fortalecer políticas e medidas para alcançar o fim do desmatamento ilegal na
Amazônia até 2030;
• restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares de florestas até 2030, para
múltiplos usos;
• restaurar 15 milhões de hectares de pastagens degradadas e aumentar em 5
milhões de hectares os sistemas de integração lavoura-pecuária-florestas (ILPF)
até 2030;
• ampliar a escala de sistemas de manejo sustentável de florestas nativas, por
meio de sistemas de georreferenciamento e rastreabilidade;
• alcançar uma participação estimada de 45% de energias renováveis na
composição da matriz energética em 2030;
• alcançar 10% de ganhos de eficiência no setor elétrico até 2030;
• promover novos padrões de tecnologias limpas no setor industrial e ampliar
medidas de eficiência energética e de infraestrutura de baixo carbono;
• promover medidas de eficiência, melhorias na infraestrutura de transportes e no
transporte público em áreas urbanas.

Ações de adaptação
O mesmo documento defende que “o Brasil é um país em desenvolvimento que passou
por uma rápida transição urbana. Nesse contexto, constituem itens fundamentais para
políticas de adaptação: áreas de risco, habitação, infraestrutura básica, especialmente nas
áreas de saúde, saneamento e transporte” (BRASIL, 2015, p. 3). Explica também que o país
monitora 888 municípios em situação de vulnerabilidade climática, e dispõe de um sistema
de alerta antecipado e de planos de ação para responder a desastres naturais.
8 O Código Florestal (Lei nº 12.651/2012) estabelece as regras gerais sobre onde e de que forma a vegetação nativa do
território brasileiro pode ser explorada e quais as áreas que devem ser preservadas (BRASIL, 2012)

42

Resiliência e resposta aos eventos
A redução do risco de desastres constitui tema com uma agenda cada vez mais relevante
no cenário das mudanças do clima. Em 2005, as Nações Unidas adotaram o Marco de
Ação de Hyogo, com linhas prioritárias de ação, destinadas a aumentar a resiliência das
nações e das comunidades diante da ocorrência de desastres. Nas ações de prevenção,
preparação, resposta e reconstrução após um desastre, a Defesa Civil detém papel
fundamental.
Os municípios precisam formular e executar sua política de defesa civil, de preferência
compartilhando-a com a sociedade, conforme estabelece a Lei nº 12.608/2012
(BRASIL, 2012), que trata da Política Nacional de Proteção e Defesa Civil. Além disso,
o conhecimento, a inovação e a educação são fundamentais para criar uma cultura de
segurança e resiliência em todos os níveis e para todos os segmentos da população,
fortalecendo a preparação em caso de desastre, a fim de assegurar uma resposta eficaz.

Para saber mais
Mudança climática na sala de aula (UNESCO, 2014), publicação da UNESCO, é um curso
destinado a orientar docentes de ensino fundamental e do ensino médio a tratarem do tema
da mudança do clima com seus estudantes. Disponível em: <http://bit.ly/37NuEoz>
Gratuito, o Curso Online Introdutório sobre Mudança Climática das Nações Unidas
está disponível na plataforma UN CC:Learn , que tem mais de 90 mil pessoas inscritas em
todos os continentes. Acesse em: <http://bit.ly/2KY932T>
O vídeo Mudanças Climáticas: seja parte da solução (WWF BRASIL, 2014), do
WWF Brasil, mostra como ações cotidianas favorecem as mudanças do clima ou podem
contribuir para mitigá-las. Veja em: <http://bit.ly/2DogNXx>
O vídeo A Terra em 100 Anos e o Simulador Terrestre HD (O PLANETA TERRA, 2015),
documentário do Discovery Chanel, revela os cenários para a Terra nos próximos cem
anos. Disponível em: <http://bit.ly/33A8GCc>

43

O site Iniciativa Verde (s.d.) mantém uma calculadora da pegada individual de carbono.
Pode ser um exercício interessante. Disponível em:
<http://www.iniciativaverde.org.br/calculadora/index.php>
O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden)
possui em seu site o portal Cemaden Educação (s.d.), cujo propósito é contribuir para
a “geração de uma cultura da percepção de riscos de desastres, no amplo contexto da
educação ambiental e da construção de sociedades sustentáveis e resilientes”. O acesso
pode ser feito em: <http://www.cemaden.gov.br/cemaden-educacao/>
A Revista Viração (ISSUU, 2015), uma publicação feita por adolescentes e jovens de todo
o Brasil a partir de processos de Educomunicação, produziu uma edição especial que
aborda o tema das mudanças climáticas com reportagens produzidas por adolescentes e
jovens, disponível em: <https://issuu.com/viracao/docs/edicao_109>

Iniciar o trabalho com o ODS 13 na escola
A ameaça da mudança do clima é enorme e está em
toda parte. Embora ninguém esteja imune, trata-se
de uma ameaça invisível, vinculada a nossas práticas
cotidianas e que tendemos a deixar de lado frente
a demandas que consideramos mais urgentes. No
entanto, está ficando cada vez mais claro que, para
além das declarações de intenção dos governantes,
a situação exige mudanças de comportamento individuais, coletivos e institucionais. Nessa
difícil tarefa, a educação desempenha um papel importante:
• alertar as pessoas para a gravidade e a urgência da situação, ampliando sua
compreensão sobre a questão climática e suas implicações;
• habilitá-las para agirem proativamente em resposta à mudança do clima por
meio de mudanças de atitude e comportamentos pessoais e coletivos, voltados à
mitigação de seus efeitos;
• ensiná-las a adaptarem-se à nova realidade.
44

As ações de educação, ao promoverem a sustentabilidade em suas múltiplas dimensões,
contribuem para fortalecer a capacidade de proteção das escolas e das comunidades. Mas
vale frisar que trabalhar sobre o tema com crianças requer um cuidado especial. Deve-se
sempre temperar a necessidade de alertá-las com o cuidado de não transmitir uma visão
alarmista da realidade. É importante que todos se preparem, porém sem gerar estresse e
ansiedade quanto ao futuro, que poderia causar o efeito inverso: a sensação imobilista de
que nada pode ser feito para reverter esse quadro.
O processo educativo permitirá uma aproximação com a temática, bem como o
envolvimento, a reflexão e a adoção de novas práticas, elementos fundamentais para a
transformação esperada. O reconhecimento das potencialidades, dos conhecimentos,
das experiências e dos valores presentes no contexto escolar, bem como as necessidades
para o alcance de uma educação de qualidade para todos, é fundamental para começar
o trabalho com o ODS 13. Nesse sentido, ao planejar a seleção e a abordagem dos
conteúdos a serem desenvolvidos, é preciso atentar para os seguintes pontos:
• características cognitivas, emocionais e socioculturais das crianças;
• objetivos previstos para o período escolar, considerando o Projeto Político
Pedagógico (PPP) da escola e os conteúdos previstos nele;
• condições da escola, como estrutura física e organizacional, aspectos pedagógicos
e de gestão, relação com as famílias e a comunidade;
• possíveis articulações com os colegas docentes, outros funcionários da escola,
movimentos sociais e instituições existentes no local;
• levantamento de ações já realizadas na escola e em outros espaços sociais
favoráveis ao trabalho com os ODS;
• leitura de materiais sobre o ODS 13 para aprofundamento de cada tema.
É importante também que sejam feitas as conexões entre o ODS 13 e os demais ODS,
mostrando como a temática das mudanças do clima dialoga com diversos fatores, em
torno dos quais a sociedade brasileira está buscando a sustentabilidade.

45

Fonte: Autores.

46

Temas que podem ser desenvolvidos na escola:
• efeito estufa;
• emissões de Gases do Efeito Estufa;
• ciclo da água e mudanças do clima;
• como ocorrem os desastres causados por excesso e pela falta de água e como
afetam as comunidades;
• aumento do nível do mar e suas consequências para os diversos países;
• aquecimento dos oceanos e suas consequências para a fauna aquática;
• furacões, tornados e outros fenômenos climáticos: o que são, como nos afetam e
como se relacionam com as mudanças do clima;
• migrações e mudança do clima;
• mudança do clima e biomas brasileiros;
• produção de alimentos e mudanças do clima;
• consequências das mudanças do clima para nossa saúde;
• tipos de consumo de energia;
• combustíveis fósseis e fontes renováveis de energia: impactos positivos e negativos
de cada fonte energética;
• conservação ambiental, restauração florestal e emissões de carbono;
• hábitos de consumo e mudança do clima;
• pegada ecológica: o que é e como calcular a pegada individual;
• identificação de riscos ambientais na comunidade;
• redução de riscos da mudança do clima na comunidade;
• medidas para evitar desastres;
• populações mais vulneráveis às mudanças do clima;
• atitudes individuais que contribuem para mitigar a mudança do clima;
• ações da escola para enfrentar a mudança do clima;
• parceria entre escola e comunidade para a criação de um mapa de risco;
• realização de exercícios de evacuação para tornar a comunidade mais resiliente
quando confrontada com eventos climáticos extremos.
47

AGORA É COM VOCÊ!
Todas essas temáticas relacionadas ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável - ODS 13,
quando abordadas de forma lúdica e criativa na escola, podem despertar a curiosidade e a
vontade de participação nas crianças de diferentes idades.
Compreender, a partir da vida prática, o efeito estufa, por exemplo, ou até mesmo discutir
sobre os desastres naturais que mais chocaram os estudantes, convidando-os a olhar para
a comunidade e analisar os riscos existentes e as práticas que podem ser transformadas em
ações sustentáveis, são sugestões de temas para serem abordados em sala de aula.
São muitas as ideias que podem gerar motivação nas crianças a exercer sua cidadania
na comunidade, assumindo o compromisso de fazer sua parte rumo ao alcance dos
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) no Brasil e no mundo.
Desenvolver atividades com as crianças dos anos iniciais do ensino fundamental, contudo,
requer cuidado e dedicação. É muito importante criar um ambiente solidário, livre de juízos
de valor, de forma que elas possam-se expressar com liberdade e por meio de diferentes
linguagens (oral, escrita, audiovisual, etc.).
Selecionamos algumas atividades a serem desenvolvidas, considerando a faixa etária
priorizada e as temáticas relacionadas. Lembrando que não há receita pronta! Esses
conteúdos foram produzidos a fim de inspirá-lo a criar suas abordagens contextualizadas
com a realidade de sua escola.
Há ainda sugestões de sites e outros recursos onde será possível inspirar-se e conseguir
mais indicações de atividades que trabalhem os temas do ODS 13.
Mãos à obra!

48

IDEIAS PARA A AÇÃO

Pode-se partir da exibição do vídeo da UNESCO referente
ao ODS 13 (disponível em: <bitly.com/videos_eds)>
(UNESCO, 2017a) e, com base nas reações demonstradas
pelas crianças, explorar com elas estes pontos:
(1) o que aprendemos com esse vídeo?
(2) o que já sabemos?
(3) o que queremos aprender?
As respostas a essas perguntas podem dar margem a diversas ações em sala de aula e/
ou na escola. É possível, por exemplo, desenvolver um projeto de pesquisa e, em seguida,
planejar e executar uma campanha de ação local contra as mudanças globais do clima. O
mais importante é que as iniciativas conquistem o interesse e o empenho das crianças.

1. Mudanças do clima: quais efeitos?
Objetivo: compreender o ODS 13 e sua relação com outros ODS.
Áreas de conhecimento: Linguagens, Ciências Humanas e Ciências da Natureza.
Conteúdo: Fome zero e agricultura sustentável (ODS 2); Saúde e bem-estar (ODS 3),
Educação de qualidade (ODS 4); Água potável e saneamento (ODS 6); Ação
contra a mudança global do clima (ODS 13); Vida na água (ODS 14) e Vida na
terra (ODS 15).
Material: TV ou computador para projetar o vídeo, dados ODS confeccionados.
Desenvolvimento:
Etapa 1 – Exiba o vídeo ODS 13 para crianças – Ação contra a mudança global do
clima (UNESCO TV PORTUGUESE, 2017). Em seguida dialogue, brevemente
49

com as crianças sobre as questões propostas no vídeo: como as mudanças
do clima estão afetando nossa região? O que podemos fazer? Aproveite para
relacionar com outras realidades brasileiras e estrangeiras.
Etapa 2 – Organize a turma em cinco equipes. Realize um sorteio para definir a ordem
das equipes. Na primeira rodada, todas as equipes utilizarão o dado 1, na
subsequente o dado 2, alternando a cada rodada. Cada equipe escolhe
um jogador para lançar o dado. Conforme o ODS sorteado no dado, o
jogador responderá, por escrito, uma questão em até 30 segundos (o tempo
dependerá da agilidade da turma para escrever). Esse jogador poderá
consultar sua equipe antes de responder. É importante alternar os jogadores,
de modo que todas as crianças possam participar.
Sugestão de questões
1. Como a mudança do clima está afetando nossa região em relação à água?
2. Como a mudança do clima está afetando nossa região em relação ao cultivo de
alimentos?
3. Como a mudança do clima está afetando nossa região em relação à alimentação
saudável e segura para todos?
4. Como a mudança do clima está afetando nossa região em relação à erradicação
da pobreza?
5. Como a mudança do clima está afetando nossa região em relação à saúde da
população?
6. Como a mudança do clima está afetando nossa região em relação ao bem-estar
de todos?
7. Como a mudança do clima está afetando nossa região em relação à alimentação
saudável e segura para todos?
8. Como a mudança do clima está afetando nossa região em relação às pessoas que
dependem diretamente da natureza para a sobrevivência econômica?
9. Como a mudança do clima está afetando nossa região em relação à vida das
plantas e dos animais aquáticos?
10. Como a mudança do clima está afetando nossa região em relação à vida das
plantas e dos animais terrestres?
50

11. O que podemos fazer em relação ao cuidado com a água para nos adaptarmos à
mudança do clima?
12. O que podemos fazer em relação ao que consumimos para nos adaptarmos à
mudança do clima?
13. O que podemos fazer em relação à saúde para nos adaptarmos à mudança do
clima?
14. O que podemos fazer em relação à educação para contribuirmos para minimizar
a mudança do clima e nos adaptarmos a elas?
15. O que podemos fazer junto às lideranças locais, regionais, estaduais e nacionais
para adotar mediadas preventivas e de adaptação à mudança do clima?
Modelo dos dados

FOME ZERO E
AGRICULTURA
SUSTENTÁVEL
EDUCAÇÃO DE
QUALIDADE

VIDA
TERRESTRE
AÇÃO CONTRA A
MUDANÇA GLOBAL
DO CLIMA

VIDA
NA ÁGUA

SAÚDE E
BEM-ESTAR

EDUCAÇÃO DE
QUALIDADE

CIDADES E
COMUNIDADES
SUSTENTÁVEIS

SAÚDE E
BEM-ESTAR

FOME ZERO E
AGRICULTURA
SUSTENTÁVEL

CONSUMO E
PRODUÇÃO
RESPONSÁVEIS

Baixe os dados dos ODS em:
https://pt.unesco.org/fieldoffice/brasilia/expertise/education-sustainable-development

51

Etapa 3 – A partir das respostas, reúna as crianças e, com elas, produza um mural com
os efeitos das mudanças climáticas na região. Peça que, nas aulas posteriores, as
crianças completem o mural com ações locais, regionais e mundiais que poderão
ser adotadas para prevenir, mitigar e/ou adaptar-se à mudança do clima.

2. Construindo um pluviômetro
Objetivo: compreender como se mede o nível de chuvas em cada região; reconhecer
a importância das unidades de medida no cotidiano; entender os fatores que
influenciam na frequência da chuva; compreender a relação entre a chuva e a
umidade do ar.
Áreas de conhecimento: Linguagens, Matemática e Ciências da Natureza.
Conteúdo: medidas de capacidades – litro, metro e seus múltiplos; índices
pluviométricos; adição e multiplicação com unidades de medidas; leitura
e interpretação de texto; fatores que influenciam na incidência de chuva;
vocabulário; conceitos de rios voadores, evapotranspiração, bacia hidrográfica,
umidade na atmosfera.
Material: uma garrafa PET de dois litros, dez pedrinhas ou bolas de gude (o suficiente
para preencher o fundo ondulado da garrafa), régua de 30 centímetros,
estilete, fita adesiva colorida, água, anilina ou corante.
Desenvolvimento:
Etapa 1 – Inicie uma breve conversa sobre a frequência de chuva na região, indagando
sobre o motivo pelo qual em algumas regiões chove mais que em outras. Em
seguida, trabalhe o texto Por que chove muito na Amazônia?9. Em seguida,
promova um diálogo sobre o entendimento das crianças de como é medida
a quantidade de chuva que cai por região. Se elas já ouviram em algum
noticiário que choveu tantos milímetros, como será que isso é medido?
Converse com elas sobre medidas de capacidade.
9 Pode ser utilizado o texto Por que chove muito na Amazônia?, escrito por Rodolfo Alves Pena, que consta como anexo
deste caderno, mas também disponível em PENA (s.d.).

52

Etapa 2 – Como construir um pluviômetro: esta atividade pode ser realizada na própria
sala de aula e em duplas. Peça aos estudantes que providenciem as garrafas
PET no dia anterior. É importante que sejam alertados para higienizá-las
previamente.
Etapa 3 – Com o estilete, corte a garrafa PET na altura em que ela deixa de ser curva e
começa a ficar reta, a uma distância aproximada de dez centímetros do bico.
• Preencha cerca de cinco centímetros da garrafa com as pedrinhas ou
bolinhas de gude. Complete com água até cobri-las e acrescente algumas
gotas de corante.
• Cole um pedaço de fita colorida na altura do nível da água fazendo uma marca.
• Com a fita adesiva, fixe a régua, na vertical, do lado de fora da garrafa,
fazendo com que o número zero da régua coincida com o nível da água.
Corte a parte que ficar além da garrafa.
• Encaixe o bico da garrafa de ponta-cabeça dentro na abertura do pluviômetro.

53

Etapa 4 – Coloque o pluviômetro em um lugar plano e aberto, sem que haja nada
acima dele ou dos lados, que impeça a chuva de atingi-lo. Após a chuva,
recolha o objeto e observe quantos milímetros o nível da água subiu na régua.
Essa será a medida da chuva para o período em que a medição foi realizada.
Se a escola e a residência dos estudantes estão situadas em região com incidência de
chuvas fortes, com ocorrências de alagamento e enchentes, incentive a utilização dos
pluviômetros como medida preventiva em situações de riscos socioambientais.

3. Ideias e ação: prevenção, mitigação, adaptação

Objetivo: identificar ações e hábitos que podem ser adotados para prevenir, mitigar
e adaptar-se aos efeitos das mudanças climáticas; distinguir prevenção,
mitigação e adaptação às mudanças climáticas.
Áreas de conhecimento: Ciências da Natureza e Ciências Humanas.
Conteúdo: prevenção, mitigação e adaptação às mudanças climáticas; ações
favoráveis à prevenção, mitigação e adaptação às mudanças climáticas.
Material: 15 cartões de papel.
Desenvolvimento:
Utilize um texto escrito ou um vídeo para iniciar a conversa sobre estes temas. Converse
com a turma sobre as alternativas individuais, coletivas, locais e globais para prevenir,
mitigar e adaptar-se aos efeitos da mudança do clima. Aproveite para trabalhar e/ou
reforçar a distinção entre prevenção, mitigação e adaptação.
54

Explique à turma como se dará o jogo: um estudante pega um cartão com o tema,
conforme exemplos abaixo. Ele faz a mímica do que está escrito no cartão para que os
outros descubram. Quem acertar será o próximo a fazer a mímica. Ao término do jogo,
converse com as crianças sobre o que elas já têm feito para contribuir para prevenir,
mitigar e adaptar-se à mudança do clima.
Sugestões para os cartões: ampliar as áreas verdes das ruas e bairros; reaproveitar
e reusar a água; participar de atividades na comunidade que colaborem com a
diminuição da emissão de gás carbônico; reaproveitar materiais e alimentos; articular
com a comunidade para praticar o descarte seletivo dos resíduos; priorizar transporte
coletivo; lutar pela implantação de ciclovias; utilizar bicicleta como meio de transporte;
aproveitar a iluminação natural; evitar queimadas; diminuir o consumo de energia
ao apagar a luz quando sair da sala; não jogar pilhas no lixo comum; comprar
equipamentos mais econômicos; propor melhoria na escola para economizar energia,
conhecer as orientações da Defesa Civil para casos de desastres socioambientais, etc.
Frente

Verso

IDEIAS E AÇÃO

PREVENÇÃO

Ampliar as áreas verdes
das ruas e bairros

MITIGAÇÃO

(Pode colocar uma imagem)

ADAPTAÇÃO

55

4. Experiência: sol e superfícies10
Objetivos: comparar a maneira pela qual diferentes superfícies absorvem e refletem a
luz do Sol; compreender as relações entre os diferentes tipos de superfícies e
o aumento da temperatura no planeta/mudança climática; compreender as
implicações da impermeabilização urbana.
Áreas de conhecimento: Ciências da Natureza e Ciências Humanas.
Conteúdo: fatores que interferem no aumento da temperatura do planeta, impactos da
impermeabilização urbana, sustentabilidade, conforto térmico, aquecimento
global, efeito estufa.
Material: um bloco de notas, um termômetro, uma caneta, uma cartolina branca, uma
cartolina preta, uma tesoura, uma fita adesiva transparente, dois copos de areia.
Desenvolvimento:
Etapa 1 – Comece indagando a turma em relação a hipóteses e conhecimentos prévios
sobre o tema da aula: por que é recomendável usar roupas claras no calor
e escuras no frio? Qual superfície reflete mais calor? Se a superfície reflete
calor, o que acontece com a temperatura do que está abaixo dela? E, no caso

56

10 Adaptação da atividade “O efeito do Alberto. Autoria: Giovanni Dolif Neto (Inpe), Lana Nárcia Leite da Silveira (EEB)
e Maria Emília Mello Gomes (AEB/Programa AEB Escola). In: OLIVEIRA, Gilvan Sampaio de; SILVA, Neilton Fidelis da;
HENRIQUES, Rachel. Mudanças climáticas: ensino fundamental e médio. Brasília: MEC, SEB; MCT; AEB, 2009. P. 151-55
(Coleção Explorando o ensino v. 13). Disponível: http://www.dsr.inpe.br/vcsr/files/24111-Colecao_Explorando_o_Ensino_
Mudancas_Climaticas.pdf

de superfícies que absorvem calor, o que acontece com o que está embaixo
dessa superfície? Convidar os estudantes a acompanharem o experimento.
Etapa 2 – Coloque os copos com a boca para baixo, um sobre a cartolina branca
e outro sobre a cartolina preta. Trace o contorno da boca dos copos sobre
as cartolinas, usando a caneta. Use a tesoura para cortar as cartolinas nos
contornos traçados.
Etapa 3 – Encha os dois copos até a boca com areia seca. Tampe-os com os círculos
feitos com as cartolinas branca e preta. Passe a fita adesiva nas bordas da
cartolina para fixar as cartolinas nas tampas.
Etapa 4 – Coloque os dois copos lado a lado no sol forte ou sob luz intensa e deixe-os
ali por cerca de meia hora. A seguir, meça a temperatura sobre cada uma das
tampas e anote.
Etapa 5 – Depois de mais 30 minutos, abra cada um dos copos e rapidamente meça a
temperatura na superfície da areia. Anote.
Etapa 6 – Converse com os estudantes: onde a temperatura do ar é mais alta? Em
qual pote a temperatura da areia é maior? Segundo o que foi exposto na
apresentação desta atividade, superfícies escuras absorvem mais a luz do Sol
e, portanto, absorvem também mais energia. Sendo assim, o copo com a
cartolina preta deverá apresentar a temperatura mais alta na areia e também
no ar, próximo a sua tampa. Comentar também sobre 1) a relação entre
os diferentes tipos de superfícies e o aumento da temperatura no planeta,
por exemplo, o asfalto que retêm o calor de dia e libera à noite, gerando
desconforto térmico; as superfícies com cobertura verde que retêm menos
calor; a areia e a terra que são maus condutores de calor, pois esquentam
rápido na superfície, mas não permitem que o calor chegue a camadas
inferiores; 2) o aumento da temperatura dos oceanos – a incidência do sol na
água espalha-se e também chega a camadas mais inferiores; 3) a relação entre
efeito estufa e aquecimento global e suas implicações na mudança do clima.

57

5. O efeito estufa diante de seus olhos! (CHC, 2010)
Objetivo: conhecer como o gás carbônico afeta a atmosfera terrestre e seu efeito no
clima; compreender o que é efeito estufa e sua relação com a existência e
a qualidade de vida no planeta; compreender a relação entre efeito estufa,
aquecimento global e mudanças climáticas.
Área de conhecimento: Ciências da Natureza.
Conteúdo: efeito estufa, condições de vida no planeta Terra, relação entre poluição e
efeito estufa, aquecimento global, mudanças climáticas.
Material: dois copos com água, uma caixa de sapatos, filme plástico, papel alumínio,
luz solar ou de uma luminária.
Desenvolvimento:
Forre o interior da caixa com o papel-alumínio, coloque um dos copos com água
dentro dela e tampe-a com o filme plástico. Depois, coloque a caixa e o segundo copo
58

com água na direção de uma luz forte. Um dia ensolarado é perfeito para realizar essa
experiência. Caso não seja possível fazer o experimento em um ambiente externo, você
pode usar uma luminária.
Depois de uns 15 minutos, abra a caixa e veja qual copo d’água está mais quente. Se você
tiver um termômetro pode conferir com ele, mas é possível sentir com o dedo mesmo.
O que aconteceu?
A água do copo da caixa esquentou mais. Isso ocorreu porque o ar do interior da caixa foi
aquecido pela luz que passou pelo filme plástico e não conseguiu sair, ficou preso lá dentro.
A mesma coisa acontece com nosso planeta. É o que chamamos de efeito estufa: a
luz do Sol atravessa a atmosfera e aquece a superfície do planeta, mas impede a saída
do calor para o espaço, porque os gases que causam efeito estufa, como dióxido de
carbono, gás metano são estanques, ou seja, envolvem a Terra e não a deixam. Esse
efeito é um evento natural que permite a vida em nosso planeta. Sem ele, a Terra ficaria
muito fria e não teria uma variedade de espécies tão grande. Mas a poluição tem
desregulado esse efeito. A queima de florestas e de combustível dos carros e a poluição
do ar provocada pelas indústrias têm aumentado a quantidade desses Gases de Efeito
Estufa. Por isso, o planeta está-se aquecendo mais do que deveria!

6. Use e reuse
Objetivo: refletir sobre as diversas formas de reuso de água em ambientes
domésticos e comercial.
Áreas de conhecimento: Linguagens, Ciências da Natureza e Ciências Humanas.
Conteúdo: leitura e escrita.
Material: papel e caneta ou lápis.
Desenvolvimento:
Dialogue com as crianças sobre a possibilidade de reutilizar a água da casa em outro
ambiente. Seria possível? E a água da chuva, seria possível reaproveitá-la em casa?
59

Se é possível, o que elas fariam para reutilizar? Comentar com as crianças que existem
diversos tipos de tecnologias tanto para reaproveitamento de água de chuva, quanto
para a reutilização água já utilizada na casa. Incentivar as crianças a conhecer projetos
de reuso e reaproveitamento da água.
Divida a turma em grupos e peça que pesquisem como podem ser feitas a reutilização e
o reaproveitamento da água.
Equipe 1 – Reutilização da água do banho
Equipe 2 – Reaproveitamento da água da chuva
Equipe 3 – Reutilização de água para donos de lava jatos
Equipe 4 – Reutilização de água de máquinas de lavar roupa
Equipe 5 – Cisternas de placas (uma alternativa para a seca)
Peça que as equipes façam a pesquisa e estimule uma apresentação bem criativa do trabalho.

7. Mapeando riscos
Objetivo: mapear áreas de risco na comunidade;
identificar os sinais de alerta em casos de risco
socioambiental; identificar instância de proteção e
apoio em caso de desastres; conhecer desastres
e estratégias de prevenção, adaptação e/ou
mitigação na região, no país e no mundo.
Áreas de conhecimento: Linguagens, Ciências da Natureza e Ciências
Humanas.
Conteúdo: desastres socioambientais, deslizamento de terra,
alagamento, vendavais, tornados, granizos, prevenção a desastres
socioambientais, resiliência, prevenção, adaptação, mitigação, justiça ambiental.
Material: mapa do município (o ideal é que o mapa seja impresso e haja um para cada
criança, além de um mapa único grande para ser fixado em sala de aula), mapa
do Brasil e/ou mapa-múndi, projetor de vídeo ou TV.
60

Desenvolvimento:
Etapa 1 – A partir do mapa do município, converse com as crianças sobre tamanho,
número de habitantes, quais áreas são urbanas e quais rurais, em qual área a casa
deles está situada. Pedir que cada estudante marque com canetinha colorida
no mapa o caminho que faz da escola até suas casas. Em seguida, pergunte a
eles se sabem ou não identificar, nesse trajeto, quais as áreas de risco, quais os
possíveis riscos e suas prováveis causas, bem como o que fazer em caso de um
desastre socioambiental. Crie uma legenda para sinalizar no mapa os diferentes
riscos socioambientais. Se as crianças moram no mesmo bairro da escola, é
importante identificar, com elas, os locais de riscos ambientais existentes nas
proximidades.
Com auxílio da família, peça que façam o levantamento de possíveis riscos, como
encostas íngremes, acúmulo de água nos vales, bueiros sujos, lixos urbanos, despejos de
esgotos nos rios ou canais, etc. E, em seguida, destaque o que pode ser feito em caso de
desastres nesses locais, para que número ligar pedindo ajuda? Qual órgão é responsável
pelo local? Como as pessoas devem-se portar em caso de desastres?
Etapa 2 – Divida a turma em grupos, considerando as regiões geográficas do país ou os
continentes, dependendo do ano escolar das crianças. Entregue-lhes o mapa
do Brasil ou mapa-múndi respectivamente. Peça que os estudantes marquem
locais em que tiveram notícias recentes a respeito de ocorrência de desastres
socioambientais (utilize a mesma legenda da Etapa 1 para identificar os tipos de
desastres).
Em seguida, identifique os locais onde houve maior incidência de desastres
socioambientais e projete o vídeo Como enfrentar os desastres naturais no Brasil?
(com quatro minutos de duração) (THE WORLD BANK, 2017). Durante a discussão,
aborde aspectos referentes à justiça ambiental.
Por fim, solicite que os grupos pesquisem, conforme a região brasileira ou continentes
trabalhados, o que são e como acontecem os desastres – deslizamento de terra,
alagamento, vendaval, tornado, granizo, seca, dentre outros –; causas e ações de
61

prevenção, mitigação e adaptação – realizadas e possíveis, naquele local. Após
levantamento, agrupe as ações da Etapa 1 – possíveis riscos e o que pode ser feito – e
elabore, com os estudantes, um material de divulgação e orientação, que pode ser um
cartaz, uma pequena cartilha ou um vídeo de celular.

8. Como agir em caso de desastres
Objetivo: saber agir em caso de desastres socioambientais.
Área de conhecimento: Ciências Humanas.
Conteúdo: informações sobre como agir em caso de desastres.
Desenvolvimento:
Etapa 1 – Levantamento de informações: em uma roda de conversa, dialogue com as
crianças sobre a questão dos diversos desastres naturais de que já ouviram
falar, seja em sua cidade, país ou mundo. Em seguida, converse sobre a
importância de saber agir corretamente caso haja algum acontecimento
desses em sua região. É possível levar para sala de aula recortes de jornais e
revistas que falem sobre como algumas pessoas conseguiram sobreviver em
caso de desastre ambiental. Poderá ser utilizado o conjunto de informações
obtidos na atividade ‘Mapeando riscos’.
Caso ainda não tenha sido realizada, será necessário pedir aos estudantes que realizem
estas etapas:
a) levantamento de riscos locais e respectivas características, áreas de maior risco, tipos
de riscos, fatores que geram esses riscos, perfil dos moradores – idosos, pessoas com
deficiência, crianças, mulheres;
b) levantamento de mecanismos e estratégias de enfrentamento já existentes na comunidade,
incluindo as organizações. Deve-se investigar, entre outros aspectos, estes abaixo:

• rotas de fuga utilizadas pela comunidade;
• tipos de alerta e comunicação entre si;
• formas de monitoramento dos riscos;
62

• procedimentos de atendimento de emergência;
• divisão de papéis e responsabilidades;
• abrigos locais;
• grupos de voluntários;
• Defesa Civil;
• Corpo de Bombeiros, Polícia Civil e Polícia Militar;
• Secretaria de Saúde, serviços de saúde, SAMU;
• Guardas Municipais;
• lideranças comunitárias locais (líderes de associações comunitárias, líderes religiosos,
entre outros);

• empresas, ONGs, instituições locais.
As informações poderão ser organizadas em uma tabela, como esta abaixo:
Pessoas /Organizações

Como pode ajudar

Contato

Etapa 2 – Organização do simulado: a) realize contato com a Defesa Civil local, o
Corpo de Bombeiro e outras instituições que possam orientar tecnicamente
os estudantes e a comunidade escolar como um todo, bem como participar
da simulação; convide os pais a participarem, atentando para sinalizações
(visual, sonora), espaços e equipamentos necessários e reforçando orientações
técnicas com a comunidade escolar; b) organize, em conjunto com os
profissionais envolvidos, a situação a ser simulada e o objetivo, considerando
os riscos da comunidade, a faixa etária das crianças e os profissionais
disponíveis para participar, avaliando, por exemplo, se as crianças sabem
como proceder, se os sinais de alerta são eficientes, se os sinais de perigo são
identificados, caso ainda não exista sinal oficial de alerta na comunidade; c)
após, elabore um roteiro contendo o passo a passo de como agir.
63

Etapa 3 – Realize a simulação na data agendada.
Etapa 4 – Avalie o simulado com a comunidade escolar.

Datas que podem inspirar ações nas escolas
22 de abril – Dia da Terra

17 de junho – Dia Mundial de Combate à Desertificação
04 de outubro – Dia da Natureza
13 de outubro – Dia Internacional da Redução de Desastres
5 de dezembro – Dia Internacional do Voluntário

64

AVALIAR O ALCANCE DO ODS 13
Vamos verificar?
Um dos grandes desafios dos processos de participação e mobilização é sua continuidade.
Por isso, convém que o trabalho com os ODS seja encarado como algo permanente e
torne-se parte das discussões pedagógicas de toda a comunidade escolar, principalmente
do corpo docente. Com a autoridade que lhes é conferida no ambiente escolar, docentes
podem atuar como facilitadores desse processo, construindo, com a comunidade escolar,
estratégias para que as ações sejam comunicadas o mais amplamente possível, gerando
mobilização para o alcance dos ODS.
Além de divulgar as ações do grupo no mural da escola, pode-se também criar jornais,
vídeos de celular, blogs e sites da escola, páginas em redes sociais. É possível também
realizar exposição de fotos ou produções que explicitem os principais avanços alcançados.
As crianças e adolescentes são incrivelmente criativos para encontrar meios de produzir
formas de tornar os conteúdos trabalhados mais atraentes e difundidos. Há também a
possibilidade de inscrever a escola em prêmios de educação, o que tornará o trabalho
realizado visível em outros espaços.
Para facilitar a identificação, a sistematização e a análise dos avanços e projeções, a turma
ou a escola poderá construir um painel nestes moldes:

?

Esse painel poderá ser preenchido periodicamente a cada 15 ou 30 dias ou conforme a
realidade de cada escola.
65

REFERÊNCIAS
ALISSON, Elton. Mudanças do clima do Brasil até 2100. 2013. Disponível em: <http://agencia.fapesp.br/
mudancas_no_clima_do_brasil_ate_2100/17840/>. Acesso em: 20 ago. 2018.
BANCO MUNDIAL. Emisiones de CO2 (toneladas métricas per capita). 2014. Disponível em: <https://

datos.bancomundial.org/indicador/EN.ATM.CO2E.PC?end=2014&start=1960&view=map&year_high_
desc=true>. Acesso em: 31 ago. 2018.
BRASIL. Lei n. 12.608, de 10 de abril de 2012. Institui a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil -

PNPDEC; dispõe sobre o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil - SINPDEC e o Conselho Nacional
de Proteção e Defesa Civil - CONPDEC; autoriza a criação de sistema de informações e monitoramento de
desastres; altera as Leis nºs 12.340, de 1º de dezembro de 2010, 10.257, de 10 de julho de 2001, 6.766, de
19 de dezembro de 1979, 8.239, de 4 de outubro de 1991, e 9.394, de 20 de dezembro de 1996; e dá outras
providências. Disponível em: <http://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/2012/lei-12608-10-abril-2012612681-norma-pl.html>. Acesso em: 20 ago. 2018.
BRASIL. Lei n. 12.651, de 25 de maio de 2012. Dispõe sobre a proteção da vegetação nativa; altera as Leis
nos 6.938, de 31 de agosto de 1981, 9.393, de 19 de dezembro de 1996, e 11.428, de 22 de dezembro de 2006;
revoga as Leis nos 4.771, de 15 de setembro de 1965, e 7.754, de 14 de abril de 1989, e a Medida Provisória
no 2.166-67, de 24 de agosto de 2001; e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12651.htm>. Acesso em: 12 ago. 2018.
BRASIL. Lei n. 9.795, de 27 de abril de 1999. Dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional
de Educação Ambiental e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/
L9795.htm>. Acesso em: 12 mar. 2018.
BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Conselho Pleno. Resolução n. 2, de 15
de junho de 2012. Estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental. Disponível
em: <http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=10988-rcp002-12pdf&category_slug=maio-2012-pdf&Itemid=30192>. Acesso em: 20 jul. 2017.
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Adaptação à mudança do clima. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/
informma/item/237-adapta%C3%A7%C3%A3o-%C3%A0-mudan%C3%A7a-do-clima>. Acesso em: 10 jan. 2018.
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Discussões para implementação da NDC do Brasil. Disponível em:
<http://www.mma.gov.br/clima/ndc-do-brasil>. Acesso em: 23 jul. 2018.
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Educomunicação. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/educacaoambiental/educomunicacao.html>.
BRASIL. Pretendida Contribuição Nacionalmente Determinada para Consecução do Objetivo da ConvençãoQuadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. 2015. Disponível em: <http://www.itamaraty.gov.br/
images/ed_desenvsust/BRASIL-iNDC-portugues.pdf>. Acesso em: 10 ago. 2018.

66

CEMADEN – Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais. Cemaden educação.
Disponível em: <http://www.cemaden.gov.br/cemaden-educacao/>. Acesso em: 25 jan. 2018.
CHC - Ciência Hoje das Crianças. O efeito estufa diante de seus olhos. 2010. Disponível em: <http://chc.
org.br/acervo/o-efeito-estufa-diante-de-seus-olhos-2/>. Acesso em: 20 ago. 2018.
COMISSÃO EUROPEIA. Orientações sobre as melhores práticas para limitar, atenuar ou compensar a
impermeabilização dos solos. 2012. Disponível em: <http://ec.europa.eu/environment/soil/pdf/guidelines/
pub/soil_pt.pdf>. Acesso em: 30 jan. 2018.
ECODEBATE. Aquecimento recorde em 2016 e os seis anos de contínuo aumento da temperatura,
artigo de José Eustáquio Diniz Alves. 2017. Disponível em: <https://www.ecodebate.com.br/2017/01/23/
aquecimento-recorde-em-2016-e-os-seis-anos-de-continuo-aumento-da-temperatura-artigo-de-joseeustaquio-diniz-alves/>. Acesso em: 8 fev. 2018.
ECODEBATE. UNESCO adverte para risco de aumento dos refugiados ambientais devido às mudanças
climáticas e à desertificação. 2017. Disponível em: <https://www.ecodebate.com.br/2017/06/21/
unesco-adverte-para-risco-de-aumento-dos-refugiados-ambientais-devido-as-mudancas-climaticas-edesertificacao/>. Acesso em: 5 fev. 2018.
FAO – Organização das Nações Unidas para Alimentação e a Agricultura. A mudança climática: distintivo
desafio. 2016. Disponível em: <http://www.fao.org/3/I5216PT/i5216pt.pdf>. Acesso em: 10 jan. 2018.
FGV - Fundação Getúlio Vargas. Objetivo 13. Ação Contra a Mudança Global do Clima. Disponível em: <http://
isaebrasil.com.br/sustentabilidade/ods-13/>. Acesso em: 5 fev. 2018.
FORMIGONI, Ivan. Rebanho mundial: confira evolução do estoque de gado no mundo. 2017. Disponível em:
<http://www.farmnews.com.br/gestao/rebanho-mundial/>. Acesso em: 21 jul. 2018.
FRIEDRICH, Johannes; GE, Mengpin; PICKENS, Andrew. This interactive chart explains world’s top 10
emitters, and how they’ve changed. 2017. Disponível em: <https://www.wri.org/blog/2017/04/interactivechart-explains-worlds-top-10-emitters-and-how-theyve-changed>. Acesso em: 10 ago. 2018.
FUNDAÇÃO GRUPO BOTICÁRIO DE PROTEÇÃO À NATUREZA. Mudanças climáticas. 2010. Disponível
em: <https://www.youtube.com/watch?v=51CDBeP0aP8>. Acesso em: 20 jan. 2018.
GIZ. Adaptação à mudança do clima: é hora de decidir! 2015. Disponível em: <https://www.youtube.com/
watch?v=VW5R_rpDjm0>. Acesso em: 15 jan. 2018.
IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. IBGE explica - Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
(introdução). 2016. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=Fev2MHAa-qo>. Acesso em: 20 jul. 2018.
INICIATIVA VERDE. Calcule sua pegada de carbono pessoal. Disponível em: <http://www.iniciativaverde.
org.br/calculadora/index.php>. Acesso em: 30 jul. 2018.
INPE – Portal de acesso à informação. Como posso ajudar a reduzir os efeitos das mudanças climáticas?
Disponível em: <http://www.inpe.br/acessoainformacao/node/488>. Acesso em: 30 jan. 2018.

67

INPEVIDEOSEDUC. Mudanças climáticas. 2011. Disponível em: <https://www.youtube.com/
watch?v=ssvFqYSlMho>. Acesso em: 4 fev. 2018.
IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Objetivos de Desenvolvimento do Milênio - relatório
nacional de acompanhamento. 2014. Disponível em: <http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/
PDFs/140523_relatorioodm.pdf>. Acesso em: 15 nov. 2017.
ISSUU. Revista Viração. 109. ed., jan./jul. 2015. Disponível em: <https://issuu.com/viracao/docs/edicao_109>.
JACOBI, Pedro Roberto; GRANDISOLI, Edson; COUTINHO, Sonia Maria Viggiani; MAIA, Roberta de Assis;
TOLEDO, Renata Ferraz de. (orgs.). Temas atuais em mudanças climáticas: para os ensinos fundamental e
médio. São Paulo: IEE- USP, 2015.
MMEIOAMBIENTE. Circuito Tela Verde. Disponível em: <https://www.youtube.com/user/mmeioambiente/
search?query=curtas+de+anima%C3%A7%C3%A3o>. Acesso em: 10 mai. 2018.
NASA CLIMATE CHANGE. NASA’s Earth minute: Earth has a fever. 2014. Disponível em: <https://www.
youtube.com/watch?v=nAuv1R34BHA>. Acesso em: 30 jan. 2018.
NOAA – National Centers for Environmental information. Climate at a Glance. Global time series. 2018.
Disponível em: <http://www.ncdc.noaa.gov/cag/>. Acesso em: 21 jan. 2018.
NOBRE, Carlos A.; SALAZAR, Luis, F.; OYAMA, Marcos; CARDOSO, Manoel; SAMPAIO, Gilvan; LAPOLA,
David. (orgs.). Mudanças climáticas e possíveis alterações nos biomas da América do Sul. Ministério do
Meio Ambiente. Relatório n. 6. 2007. Disponível em: <http://mudancasclimaticas.cptec.inpe.br/~rmclima/
pdfs/prod_probio/Relatorio_6.pdf>. Acesso em: 28 jan. 2018.
O PLANETA TERRA. A terra em 100 anos e o simulador terrestre HD. 2015. Disponível em: <https://www.
youtube.com/watch?v=lomRYeaOh1Y>. Acesso em: 16 ago. 2018.
ONU – Nações Unidas. Relatório sobre os objetivos de desenvolvimento do milênio, 2015. 2015. Disponível
em: <https://www.unric.org/pt/images/stories/2015/PDF/MDG2015_PT.pdf>. Acesso em: 10 nov. 2017.
ONU BRASIL. A ONU tem um plano: os objetivos globais. 2017. Disponível em: <https://www.youtube.com/
watch?v=ZSrhXP4-aec&list=PLUZOt6bFc2fghKopTJcswi3GSYntbRsY3&index=1>. Acesso em: 10 ago. 2017.
ONU BRASIL. Não deixar ninguém para trás. 2016. Disponível em: <https://www.youtube.com/
watch?v=HLG6RIprRzU>. Acesso em: 3 ago. 2017.
ONU BRASIL. Transformando os objetivos de desenvolvimento do milênio rumo a 2030. 2015.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=p1I_OiSO1DU&list=PLJQ2oyGVLQNdBfArMWj
5zLvbfS1yplil7&index=15>. Acesso em: 3 ago. 2017.
ONUBR – Nações Unidas do Brasil. 17 objetivos para transformar nosso mundo. Disponível em: <https://
nacoesunidas.org/pos2015/>. Acesso em: 12 ago. 2017.
ONUBR – Nações Unidas do Brasil. Guia da pessoa preguiçosa para salvar o mundo. Disponível em:
<http://www.onu.org.br/guiadopreguicoso/>. Acesso em: 3 fev. 2018.

68

ONUBR – Nações Unidas do Brasil. Mudanças climáticas provocarão gastos de até US$ 4 bilhões com
saúde, diz OMS. 2017. Disponível em: <https://nacoesunidas.org/mudancas-climaticas-provocarao-gastosde-ate-us-4-bilhoes-com-saude-diz-oms/>. Acesso em: 2 fev. 2018.
ONUBR – Nações Unidas do Brasil. Objetivos de desenvolvimento do milênio. Disponível em: <https://
nacoesunidas.org/tema/odm/>. Acesso em: 15 jul. 2017.
ONUBR – Nações Unidas do Brasil. ONU: já temos conhecimento e soluções técnicas contra a poluição.
2017. Disponível em: <https://nacoesunidas.org/onu-ja-temos-conhecimento-e-solucoes-tecnicas-contra-apoluicao/>. Acesso em: 2 fev. 2018.
ONUBR – Nações Unidas no Brasil. Como funciona. Disponível em: <https://nacoesunidas.org/conheca/
como-funciona/>.
PENA, Rodolfo F. Alves. Por que chove muito na Amazônia? Disponível em: <http://escolakids.uol.com.br/
por-que-chove-muito-na-amazonia.htm>. Acesso em: 10 nov. 2017.
PEREIRA, José Erik Brito. REDD + BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Glossário. 2016. Disponível em:
<http://redd.mma.gov.br/en/component/k2/item/66-glossario>. Acesso em: 4 fev. 2018.
PNUD DO BRASIL. Os objetivos de desenvolvimento sustentável: dos ODM aos ODS. Disponível em:
<http://www.br.undp.org/content/brazil/pt/home/post-2015.html>. Acesso em: 15 jul. 2017.
SELBY, D. Mudança climática em sala de aula: curso da UNESCO para professores secundários
(fundamental II e ensino médio) sobre educação em mudança climática e desenvolvimento sustentável
(EMCDS). Brasília: UNESCO, 2014.
SILVA, Carlos Henrique R. Tomé. Desastres naturais e desenvolvimento sustentável. Disponível em:
<https://www12.senado.leg.br/publicacoes/estudos-legislativos/tipos-de-estudos/outras-publicacoes/temase-agendas-para-o-desenvolvimento-sustentavel/desastres-naturais-e-desenvolvimento-sustentavel>. Acesso
em: 15 jan. 2018.
THE WORLD BANK. Como enfrentar os desastres naturais no Brasil? 2017. Disponível em: <http://www.
worldbank.org/pt/news/video/2017/06/01/video-brazil-works-disaster-risk-management>. Acesso em: 15 ago. 2018.
TRAJBER, Rachel; OLIVATO, Débora. A escola e a comunidade: ciência cidadã e tecnologias digitais na
prevenção de desastres. In: MARCHEZINI, V.; WISNER, B.; SAITO, S. M.; LONDE, L. R. (orgs.). Reduction of
vulnerability to disasters: from knowledge to action. São Carlos: Rima, 2017.
UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Objetivos de
desenvolvimento sustentável para crianças. 2017a. Disponível em: <bitly.com/vídeos_eds>.
UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Declaração de
Incheon. 2015. p. 8. Disponível em: <http://unesdoc.unesco.org/images/0023/002331/233137POR.pdf>.
Acesso em: 20 jul. 2017.
UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Educação para os
objetivos de desenvolvimento sustentável: objetivos de aprendizagem. 2017b. Disponível em: <http://
unesdoc.unesco.org/images/0025/002521/252197POR.pdf>. Acesso em: 13 ago. 2017.

69

UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Mudança climática na
sala de aula. 2014. Disponível em: <http://unesdoc.unesco.org/images/0022/002297/229737por.pdf>.
UNESCO PORTUGUESE. ODS 13 para crianças – Ação contra a mudança global do clima. 2017. Disponível
em: <https://www.youtube.com/watch?v=lylvsYMpx4M>. Acesso em: 20 ago. 2017.
UNICEF BRASIL. Bem-estar das crianças nos países ricos: uma visão comparativa. 2013. Disponível em:
<https://www.unicef.org/brazil/pt/media_25299.html>. Acesso em: 20 out. 2017.
UNICEF BRASIL. Declaração Universal dos Direitos Humanos. 1948. Disponível em: <https://www.unicef.
org/brazil/pt/resources_10133.htm>. Acesso em: 20 out. 2017.
UNICEF. Guia de Mudança Climática - Selo UNICEF 2013-2016. Fundo das Nações Unidas para a Infância.
Brasília: UNICEF, 2014.
WRI BRASIL. 95% das cidades brasileiras não estão preparadas para desastres ambientais. 2017.
Disponível em: <http://wribrasil.org.br/pt/blog/2017/01/95-das-cidades-brasileiras-nao-estao-preparadaspara-desastres-ambientais>. Acesso em: 5 fev. 2018.
WWF BRASIL. Adaptação às mudanças climáticas. Mudanças climáticas exigem adaptação já. Disponível
em: <https://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/especiais/dia_do_meio_ambiente/mudancas_climaticas_
adaptacao/>. Acesso em: 15 jan. 2018.
WWF BRASIL. As mudanças climáticas. 2016. Disponível em: <https://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/
reducao_de_impactos2/clima/mudancas_climaticas2/>. Acesso em: 13 jan. 2018.
WWF BRASIL. Mudanças climáticas: seja parte da solução. 2014. Disponível em: <https://www.youtube.com/
watch?v=juvlWJ7v3_A>. Acesso em: 20 jan. 2018.

ANEXOS

70

ANEXO – Texto de apoio para a Atividade 1:
			

construindo um pluviômetro

POR QUE CHOVE MUITO NA AMAZÔNIA?
Rodolfo F. Alves Pena (s.d.)
A região amazônica estende-se pela região Norte do país e por vários países circundantes,
Peru, Venezuela, Colômbia, Guiana, Guiana Francesa, Equador, Suriname e Bolívia. Na
região onde se encontra essa floresta, as chuvas são muito constantes, atingindo uma média
de 3000m a 6000m por ano!
Mas por que chove muito na Amazônia?
A explicação para a alta incidência de chuvas na Amazônia está em uma combinação de
fatores, mas principalmente na existência da própria floresta, pois esta é responsável pela
geração de uma grande quantidade de umidade na atmosfera.
O tipo de chuva que ocorre na Amazônia é a de convecção. Ela ocorre pela elevação do ar
quente (que é mais leve) e pela descida do ar frio (que é mais pesado), havendo a interação
entre eles, a condensação do ar úmido gerado e a consequente formação das chuvas.
O processo em que a floresta amazônica gera uma grande quantidade de umidade para
o ar é chamado de evapotranspiração. Muitas árvores da região absorvem uma grande
quantidade de água dos solos e emitem boa parte disso para o ar, como se fosse uma
bomba d’água. Assim, quanto maior a quantidade de gotículas de água em forma de vapor
que estiverem na atmosfera, maiores são as chances de chover. É por isso que lá as chuvas
são mais do que frequentes.
É bom lembrar que não é apenas a floresta que gera esse ar úmido para a região da
Amazônia. Esse papel também é realizado por massas de ar advindas do oceano Atlântico
que se deslocam em direção à floresta por algumas correntes atmosféricas que chamamos
de ventos alísios, do leste para o oeste.

71

Recentes estudos comprovaram que a floresta é importante não apenas para a manutenção
das chuvas na região Norte e o abastecimento da bacia hidrográfica da região. Graças
ao fenômeno dos rios voadores, boa parte dessa umidade gerada é transportada por massas
de ar para outras regiões do Brasil e do restante do continente sul-americano, provocando
chuvas também nesses lugares. Portanto, a destruição dessa floresta poderia gerar sérios
prejuízos climáticos nessa região e, provavelmente, em outras áreas do planeta.

72
                

Realização

Patrocínio

Organização

Apoio

Realização

Patrocínio

Organização

Apoio