ODS 12: Consumo e Produções Responsáveis
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Educação para o
Desenvolvimento Sustentável
na Escola
Consumo e produção responsáveis
EDUCAÇÃO PARA
O DESENVOLVIMENTO
SUSTENTÁVEL NA ESCOLA
ODS 12
CONSUMO E PRODUÇÃO RESPONSÁVEIS
BRASÍLIA, 2020
Publicado em 2020 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e a
Representação da UNESCO no Brasil, em cooperação com o Ministério da Educação (MEC).
© UNESCO 2020
Esta publicação está disponível em acesso livre ao abrigo da licença Atribuição-Partilha 3.0 IGO (CC-BY-SA 3.0 IGO) (http://
creativecommons. org/licenses/by-sa/3.0/igo/). Ao utilizar o conteúdo da presente publicação, os usuários aceitam os
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As indicações de nomes e a apresentação do material ao longo deste livro não implicam a manifestação de qualquer opinião
por parte da UNESCO a respeito da condição jurídica de qualquer país, território, cidade, região ou de suas autoridades,
tampouco da delimitação de suas fronteiras ou limites.
As ideias e opiniões expressas nesta publicação são as dos autores e não refletem obrigatoriamente as da UNESCO
nem comprometem a Organização.
Coordenação técnica da Representação da UNESCO no Brasil:
Marlova Jovchelovitch Noleto, Diretora e Representante
Maria Rebeca Otero Gomes, Coordenadora do Setor de Educação
Mariana Alcalay, Oficial do Setor de Educação
Edição e redação: Tereza Moreira e Rita Silvana Santana dos Santos
Pesquisa: Clara Miranda, Isabeli Cristini Santana Oliveira, Rita Silvana Santana dos Santos e Tereza Moreira
Revisão técnica: Setor de Educação da Representação da UNESCO no Brasil, Jane Fontana (Ministério da
Educação), Patricia Fernandes Barbosa (Ministério do Meio Ambiente) e Renata Maranhão (Agência Nacional
de Águas) e Maria Rehder (consultora da UNESCO)
Revisão gramatical e ortográfica: Lúcia Leiria
Revisão editorial: Unidade de Publicações da Representação da UNESCO no Brasil
Capa, Projeto gráfico e diagramação: Raruti Comunicação e Design
Ilustração: Marcela Weigert
Educação para o desenvolvimento sustentável na escola: ODS 12, consumo e produção responsáveis /
editado por Tereza Moreira e Rita Silvana Santana dos Santos. – Brasília : UNESCO, 2020.
64 p., il.
Incl. bibl.
ISBN: 978-85-7652-254-6
1. Educação para o desenvolvimento sustentável 2. Desenvolvimento sustentável 3. Consumo
4. Responsabilização 5. Desenvolvimento curricular 6. Guia pedagógico 7. Brasil I. Moreira, Teresa II.
Santos, Rita Silvana Santana dos III. UNESCO
CDD 373
Esclarecimento: a UNESCO mantém, no cerne de suas prioridades, a promoção da igualdade de gênero, em todas as
suas atividades e ações. Devido à especificidade da língua portuguesa, adotam-se, nesta publicação, os termos no gênero
masculino, para facilitar a leitura, considerando as inúmeras menções ao longo do texto. Assim, embora alguns termos sejam
escritos no masculino, eles referem-se igualmente ao gênero feminino.
Agradecimentos
A série “Cadernos de Educação para o Desenvolvimento Sustentável na Escola”
foi produzida pelo Setor de Educação da UNESCO no Brasil. O material é
resultado de uma parceria frutífera entre a UNESCO no Brasil e o Ministério da
Educação (MEC) que, no âmbito de seus mandatos, uniram esforços para produzir
um conteúdo de qualidade, fundamental para o nosso século, sobre Educação
Ambiental e Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS).
Gostaríamos de agradecer especialmente a Rita Silvana Santana dos Santos e
a Tereza Moreira, que desenvolveram a série, também enriquecida pelo apoio
técnico de Renata Maranhão, Patrícia Fernandes Barbosa, Jane Fontana e Maria
Rehder, cujas valiosas contribuições foram fundamentais para a preparação destes
cadernos.
Agradecimentos especiais a Thaís Pires e a Thaís Guerra pelo grande apoio e às
integrantes da equipe da Escola da Natureza de Brasília. Esse trabalho contou
também com a experiência e as contribuições de Mariana Braga, Massimiliano
Lombardo, Edneia Oliveira e Maria Clara Mendes.
Esse projeto não seria possível sem o apoio da equipe de publicação da UNESCO
no Brasil e o incansável trabalho gráfico de Edson Fogaça e Marcela Weigert.
Apresentação
Desafios globais, como erradicação da fome, agricultura sustentável, saúde e bemestar, educação de qualidade, acesso à agua potável e saneamento, cidades e
comunidades sustentáveis, consumo e produção responsáveis, mudança climática
global e preservação da vida na água e na terra, entre outros, exigem, mais do
que nunca, uma mudança urgente em nosso estilo de vida, bem como uma
transformação em nosso modo de pensar e agir.
Em 2015, os países das Nações Unidas adotaram a Agenda 2030 para o
Desenvolvimento Sustentável. Trata-se de um plano de ação previamente acordado
pelos Estados-membros, que convoca governos, a sociedade civil e o setor privado
a se comprometerem com a agenda proposta, protegendo e preparando as
gerações futuras, para alcançarmos o mundo que queremos em 2030.
A educação é explicitamente formulada como um objetivo independente, o Objetivo
de Desenvolvimento Sustentável 4 (ODS 4), que visa a “assegurar a educação inclusiva
e equitativa de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da
vida” , sendo, portanto, um fator essencial para atingir todos os demais ODS.
Para possibilitar essas mudanças e vencer esses desafios nos âmbitos local,
nacional, regional e global, precisamos de novas competências, habilidades,
valores e atitudes que assegurem sociedades mais sustentáveis. Nesse sentido,
os sistemas educacionais em geral, e as escolas em particular, como espaços de
socialização fundamental, devem responder a esses desafios prementes, definindo
objetivos e conteúdos de aprendizagem relevantes, introduzindo pedagogias
que inspirem e empoderem docentes e estudantes, e instando suas instituições a
incluir princípios de sustentabilidade em suas estruturas de gestão. A escola, sob
um ponto de vista mais abrangente, está diretamente ligada à sua comunidade, o
que aumenta sua importância e, consequentemente, sua responsabilidade, pois os
conhecimentos ali produzidos irão para além de seus muros, influenciando todo o
seu entorno.
A UNESCO Brasil e o Ministério da Educação (MEC) se uniram para produzir
uma série inédita de materiais pedagógicos, a fim de divulgar a Educação para
o Desenvolvimento Sustentável (EDS) e a Agenda 2030 para estudantes dos
anos iniciais do ensino fundamental, faixa etária para a qual há poucos materiais
educacionais sobre o tema. Além disso, é importante que crianças e jovens sejam
protagonistas da mudança de estilos de vida, contribuindo para criar uma cultura
mais responsável e sustentável. A primeira iniciativa foi produzir, em 2017, nove
vídeos educativos, a partir dos desafios descritos acima, que correspondem aos
ODS cuidadosamente selecionados, considerando sua relação mais direta com
a EDS e com a Educação Ambiental do Brasil: ODS 2 (Fome zero e agricultura
sustentável), ODS 3 (Saúde e bem-estar), ODS 4 (Educação de qualidade), ODS 6
(Água potável e saneamento), ODS 11 (Cidades e comunidades sustentáveis), ODS
12 (Consumo e produção responsáveis), ODS 13 (Ação contra a mudança global do
clima), ODS 14 (Vida na água) e ODS 15 (Vida terrestre).
A partir da produção dos vídeos, desenvolveu-se também esta série de cadernos
sobre a Agenda 2030. Em cada um deles, são sugeridas atividades lúdicas a serem
adaptadas conforme cada contexto escolar, atividades que podem ser utilizadas
tanto na educação formal como na não formal. Essa série é, assim, uma referência
para que profissionais da educação possam trabalhar com os ODS.
Os docentes são atores essenciais para a conscientização das gerações futuras e
da comunidade escolar como um todo, neste caso, com a utilização dos cadernos
que disponibilizamos. Vale lembrar que todos os 17 ODS estão interligados e
serão trabalhados ao longo desta série. Esta primeira edição será testada em
caráter piloto no Brasil, em suas cinco regiões, para, em seguida, ser validada e
amplamente divulgada no país e no mundo.
Dessa forma, os cadernos somam-se aos esforços que a UNESCO vem realizando,
desde 1992, com a instituição da Década das Nações Unidas para a Educação para
o Desenvolvimento Sustentável (2005-2014) e, atualmente, dando continuidade às
ações por meio do Programa de Ação Global para a EDS (2015-2030).
No Brasil, esse trabalho fortalece as ações que o MEC tem realizado para promover
a Educação Ambiental. Em sentido amplo, esse trabalho valoriza e reconhece a
importância do local para garantir a sobrevivência do global, contribuindo assim para
assegurarmos um mundo mais sustentável em 2030.
UNESCO no Brasil
Ministério da Educação (MEC)
Sumário
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM................................................................................10
UMA AGENDA GLOBAL................................................................................................. 11
Todos a bordo!....................................................................................................................... 11
É preciso educar-se para a sustentabilidade.................................................................. 17
Políticas de Educação Ambiental no Brasil................................................................................19
Motivos para abordar os ODS na escola.......................................................................20
PREPARAR PARA A PRÁTICA ...................................................................................... 22
Na raiz do atual modelo de desenvolvimento..............................................................23
O ODS 12 e suas metas.....................................................................................................23
O conceito de produção e consumo sustentáveis .....................................................25
Como promover estilos de vida sustentáveis? .............................................................28
Uma pauta para a agenda escolar ................................................................................... 31
Início do trabalho com o ODS 12 na escola ................................................................ 33
IDEIAS PARA A AÇÃO...............................................................................................................42
AVALIAR O ALCANCE DO ODS 12............................................................................ 56
REFERÊNCIAS....................................................................................................................57
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A educação para o consumo e a produção responsáveis constitui
o tema deste caderno e refere-se ao Objetivo do Desenvolvimento
Sustentável (ODS 12): “Assegurar padrões de produção e de consumo
sustentáveis”1.
Com as orientações e indicações aqui propostas, pretendemos
contribuir para realizar as seguintes ações:
•
promover a reflexão sobre o papel do indivíduo como participante
ativo no mercado, questionando as orientações culturais e sociais em termos
de consumo e produção;
• contribuir para que os estudantes avaliem seu próprio comportamento como
consumidores à luz das necessidades do mundo natural, das outras pessoas,
culturas e países, e das gerações futuras;
• incentivar a comunidade escolar a envolver-se em práticas de consumo e de
produção responsáveis;
• estimular a adoção de estilos de vida sustentáveis, capazes de influenciar no
desenvolvimento social, econômico e ambiental.
1. ONU BRASIL, 2015.
10
Crédito da arte: Ken Robinson/Global Goals
UMA AGENDA GLOBAL
Todos a bordo!
Qual educação precisamos oferecer hoje para garantir uma vida mais sustentável até 2030?
Desde setembro de 2015, o mundo está diante de um novo desafio: alcançar – até 2030 –
os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). Trata-se de um ambicioso conjunto
de 17 objetivos e 169 metas, que foi adotado por 193 países-membros das Nações Unidas.
Esses objetivos buscam “garantir uma vida sustentável, pacífica, próspera e equitativa na
Terra, para todos, agora e no futuro” (UNESCO, 2017a. p. 6).
Os ODS foram definidos por meio de um amplo processo de negociações, que durou
três anos e envolveu a participação de governos e da sociedade civil dos diversos
países. Contou ainda com a contribuição de cidadãos de todo o planeta por meio de
consultas on-line. O resultado desse esforço mundial compõe a Agenda 2030 para o
Desenvolvimento Sustentável, que comporta os 17 ODS e suas respectivas metas.
Desde então, milhões de pessoas e instituições, em todo o mundo, têm-se mobilizado em
resposta ao chamado dos ODS. Elas estão buscando maneiras de transformar os desafios
globais em objeto de suas reflexões e práticas locais, visando contribuir para o alcance
de metas tão ambiciosas. Afinal, isso pressupõe mudanças de estilo de vida, aquisição
de valores, habilidades, atitudes e comportamento que conduzam à construção de
sociedades mais sustentáveis.
11
É nesse contexto que a Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS) faz-se
presente. Todas as pessoas que vivem o cotidiano escolar como você, profissionais da
educação, funcionários da escola, estudantes, famílias e comunidade, são agentes de
transformação fundamentais para que os ODS sejam alcançados até 2030.
A partir da realização de ações contextualizadas com a realidade das escolas, incluindo a
mobilização de mais pessoas, você pode fazer toda a diferença para a Agenda 2030 ‘sair
do papel’, ajudando a dar vida e significado às metas em seu dia a dia.
Crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos, sem exceção, são fundamentais para a
transformação local no âmbito desse movimento global. E o melhor lugar do mundo para
tudo isso começar é a escola.
Com o objetivo de incentivar a compreensão, o debate, o exercício e a criação de práticas
pedagógicas transformadoras inspiradas nos ODS, contextualizadas com os desafios de
cada comunidade e região onde as escolas estão inseridas, esta série chega até você.
Os vídeos e os cadernos que a compõem visam divulgar os ODS e fornecer subsídios para
o tratamento pedagógico de nove temas considerados mais relevantes para a EDS e o
atendimento dos estudantes na faixa etária entre seis e dez anos1.
A partir de explicação feita pelas próprias crianças, os vídeos, disponíveis em <bitly.com/
videos_eds> (UNESCO, 2017b), propiciam uma primeira aproximação com os temas.
Os cadernos, com conteúdos básicos e materiais de referência, apresentam os ODS e
suas metas aos docentes, subsidiando e estimulando o desenvolvimento e a criação de
diversas atividades pedagógicas, como pesquisas, jogos e brincadeiras, com os estudantes.
Lembrando que não existe receita pronta, quem vai trilhar o caminho para a materialização
disso tudo é você, em aliança com estudantes e comunidade escolar.
Vamos começar?
1. Para a elaboração desta série foram identificados 9 ODS que têm relação direta com a Educação Ambiental do Brasil e a
EDS da UNESCO para dos anos iniciais do ensino fundamental esta faixa etária (6 a 10 anos). Lembrando que todos os 17
ODS estão interligados e serão trabalhados ao longo desta série.
12
Estes são os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável
Fonte: ONUBR, s.d.
Objetivo 1: Erradicação da pobreza – Acabar com a pobreza em todas as suas formas,
em todos os lugares.
Objetivo 2: Fome zero e agricultura sustentável – Acabar com a fome, alcançar a
segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável.
Objetivo 3: Saúde e bem-estar – Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar
para todos, em todas as idades.
Objetivo 4: Educação de qualidade – Assegurar a educação inclusiva e equitativa de
qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos.
Objetivo 5: Igualdade de gênero – Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas
as mulheres e meninas.
Objetivo 6: Água potável e saneamento – Assegurar a disponibilidade e gestão
sustentável da água e saneamento para todos.
Objetivo 7: Energia limpa e acessível – Assegurar o acesso confiável, sustentável,
moderno e a preço acessível à energia para todos.
Objetivo 8: Trabalho decente e crescimento econômico – Promover o crescimento
econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho
decente para todos.
13
Objetivo 9: Indústria, inovação e infraestrutura – Construir infraestruturas resilientes,
promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação.
Objetivo 10: Redução das desigualdades – Reduzir a desigualdade dentro dos países e
entre eles.
Objetivo 11: Cidades e comunidades sustentáveis – Tornar as cidades e os
assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis.
Objetivo 12: Consumo e produção responsáveis – Assegurar padrões de produção e
de consumo sustentáveis.
Objetivo 13: Ação contra a mudança global do clima – Tomar medidas urgentes para
combater a mudança climática e seus impactos.
Objetivo 14: Vida na água – Promover a conservação e o uso sustentável dos oceanos,
dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável.
Objetivo 15: Vida terrestre – Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos
ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação,
deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade.
Objetivo 16: Paz, justiça e instituições eficazes – Promover sociedades pacíficas e
inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e
construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis.
Objetivo 17: Parcerias e meios de implementação – Fortalecer os meios de
implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável.
14
Princípios dos ODS
• Cada país e cada localidade tem seus próprios desafios e pode alcançar os
ODS com base em sua própria realidade.
• Ninguém deve ficar para trás. É fundamental que todos sejam incluídos nos
esforços e nos benefícios do desenvolvimento sustentável.
• Os objetivos devem ser vistos de forma integrada: o alcance de um ODS
relaciona-se com o alcance dos demais.
Direitos Humanos: a base dos ODS
Conforme o preâmbulo da Agenda 2030, em todos os ODS há
temas que dialogam com o cumprimento dos direitos humanos. Os
ODS, assim como os direitos humanos, são integrados e indivisíveis,
por essa razão, sua aplicação exige uma abordagem sistêmica,
integrada e que envolve esforços globais.
A abordagem pedagógica com os ODS é uma oportunidade para, a
partir da perspectiva da Educação para o Desenvolvimento Sustentável
(EDS), discutir os direitos humanos no ensino fundamental, contribuindo
para a implementação do Plano Nacional de Educação em Direitos
Humanos (PNEDH) e a promoção de uma cultura de paz e ambiente
não discriminatório, de valorização e respeito às diversidades na escola.
O caderno ODS 4: Educação de qualidade,
desta série, dispõe de informações sobre o tema
da Educação em Direitos Humanos (EDH). O
caderno Introdutório, desta série, traz uma
tabela, produzida pela ONU, com a relação de
cada ODS com os direitos humanos relacionados,
com base nos tratados e documentos internacionais.
15
Depende de nós
Os ODS constituem uma agenda de direitos e não possuem natureza
legalmente vinculante, ou seja, nenhum país sofrerá sanções por deixar de
cumpri-los. Quando os países comprometem-se com esses direitos, porém,
eles assumem o compromisso político de criar uma estrutura nacional para sua
implementação. Isso envolve o estabelecimento de leis, políticas, planos e programas,
medidas que permitem aos ODS serem tratados por meio de ações coletivas.
O Brasil foi um dos principais articuladores da formulação dos ODS. Por isso, o país tem
pela frente a responsabilidade de implementar essa agenda. Uma missão que é tanto
do governo quanto da população. Diversos segmentos sociais estão se organizando
para a implementação dos ODS: governos nas esferas federal, estadual e municipal,
meio empresarial e instituições filantrópicas, universidades e instituições de pesquisas,
organizações não governamentais e movimentos sociais que apostam no sucesso da
Agenda 2030.
No âmbito da sociedade civil, vale ressaltar a importância do envolvimento das escolas,
dos educadores, das comunidades, das famílias, das crianças e da juventude. Todos têm
um papel a desempenhar na realização dos ODS e, de maneira especial, no exercício do
direito à educação de qualidade.
Para saber mais
É interessante, ao iniciar o diálogo sobre os ODS, também explicar o que é a ONU, como
funciona, qual seu papel, suas principais temáticas e o contexto da criação dos ODS. Informações
em (ONU BRASIL, s.d.): <https://nacoesunidas.org/conheca/como-funciona/>.
Selecionamos três vídeos disponibilizados pela ONU Brasil sobre a Agenda 2030:
A ONU tem um plano: os Objetivos Globais (ONU BRASIL, 2017), que explica em
linguagem simples o que são os ODS: <http://bit.ly/2rqqxOe>
16
Transformando os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio rumo a 2030 (ONU
BRASIL,2015) faz um balanço do alcance dos ODM e lança a plataforma 2030. Disponível
em: <http://bit.ly/2DfaZQf>
Há também o vídeo ODS: não deixar ninguém para trás (ONU BRASIL, 2016), que
enfatiza o sentido do slogan da Agenda 2030, e está disponível em:
<http://bit.ly/2qN6Ccm>
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) acompanha a implementação
dos ODS. No portal, criado com essa finalidade, é possível encontrar vídeos, entrevistas
e diversos recursos para quem quiser saber mais sobre o tema. O vídeo IBGE Explica
– Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (Introdução) (IBGE, 2016) fornece
informações adicionais sobre os objetivos. Disponível em: <http://bit.ly/2pU0P4A>
O caderno Introdutório, desta série, traz mais subsídios sobre o
histórico das agendas internacionais para o século XXI e detalhes sobre
a Agenda 2030. É fortemente recomendada a leitura desse caderno,que
fornece a base para utilizar as demais publicações desta série.
É preciso educar para a sustentabilidade
A busca do desenvolvimento sustentável exige um amplo movimento voltado à mudança
de mentalidades, atitudes e comportamentos. O trabalho pedagógico envolvendo os ODS
tem sido realizado mundialmente na perspectiva da Educação para o Desenvolvimento
Sustentável (EDS). Segundo a UNESCO (2017a), a EDS pode ser conceituada como uma
educação nos âmbitos formal, não formal e informal que contribui para que as pessoas
pensem criticamente, identificando elementos insustentáveis em suas vidas e na sociedade,
e ajam por mudanças sociais e ambientais positivas.
17
Segundo a Declaração de Incheon, por meio da EDS, desenvolvem-se “habilidades,
valores e atitudes que permitem aos cidadãos levar vidas saudáveis e plenas, tomar
decisões conscientes e responder a desafios locais e globais”. (UNESCO, 2015b, p. 8). Por
isso, a EDS é entendida como parte da educação de qualidade e da aprendizagem ao
longo da vida. Relaciona-se diretamente com o ODS 4 e indiretamente com os demais
ODS, pois dá suporte aos indivíduos para que transformem seu próprio comportamento,
aprendam a participar de processos coletivos e engajem-se em mudanças sociais,
econômicas e políticas em direção à sustentabilidade.
O esquema a seguir sintetiza as habilidades a serem desenvolvidas ao trabalhar com EDS2.
Principais dimensões conceituais da EDS
Habilidades cognitivas
Habilidades socioemocionais
Os estudantes constroem conhecimentos,
compreensão e raciocínio crítico sobre
questões globais e sobre a interconectividade /
interdependência entre países e entre diferentes
populações.
Os estudantes desenvolvem o sentimento
de pertencer a uma humanidade comum, ao
compartilhar valores e responsabilidades e ao
perceberem-se possuidores de direitos.
Os estudantes demonstram empatia, solidariedade
e respeito por diferenças e diversidade.
Habilidades comportamentais
Os estudantes agem de forma efetiva e
responsável nos contextos local, nacional e global,
em prol de um mundo mais pacífico e sustentável.
Fonte: Adaptado de UNESCO, 2013.
2 Esquema desenvolvido pela UNESCO com base em contribuições de especialistas em Educação para a Cidadania
Global (ECG) e a Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS) de todo o mundo e na consultoria técnica sobre ECG,
realizada em Seul, Coreia do Sul, em 2013, e no Primeiro Fórum da UNESCO sobre a Educação para a Cidadania Global,
que ocorreu em Bangkok, Tailândia, em 2013.
18
Políticas de Educação Ambiental no Brasil
No Brasil, desde a década de 1990, existem políticas públicas voltadas a estimular a busca da
sustentabilidade socioambiental, algumas das quais se baseiam na Lei nº 9795/99, que instituiu
a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA). Essa lei estabelece que a Educação
Ambiental constitui-se de processos que possibilitem a construção de conhecimentos e valores,
bem como de ações individuais e coletivas em prol da sustentabilidade socioambiental.
No âmbito da educação formal, o Conselho Nacional de Educação (CNE), em 2012,
estabeleceu as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental (DCNEA)
(BRASIL, 2012). Tais diretrizes reconhecem o papel transformador da Educação Ambiental
e consideram estratégico seu desenvolvimento nas escolas, principalmente diante do atual
quadro de riscos socioambientais a que estamos expostos tanto em nível global quanto local.
As DCNEA também incentivam as escolas a constituírem-se como espaços educadores
sustentáveis, promovendo as temáticas relacionadas em seu Projeto Político Pedagógico
(PPP), o que tem reflexos no tratamento curricular, na gestão e no espaço físico escolar.
Iniciativas de educação não formal, como a comunicação popular, também são reconhecidas
por sua extrema importância no contexto de implementação da PNEA. Uma das linhas de
ação do Programa Nacional de Educação Ambiental (ProNEA)3, que cuida da articulação
de ações de comunicação para a Educação Ambiental, é a Educomunicação. Essa linha
contempla metodologias de produção participativa de produtos e ações de comunicação
para a educação ambiental e a sustentabilidade, desenvolvidos pelas próprias comunidades,
contextualizados com suas realidades. Iniciativas inspiradoras têm sido realizadas, como Circuito
Tela Verde: Mostra Nacional de Produção Audiovisual Independente; Plataforma Educares:
Práticas de Educação Ambiental e Comunicação Social em Resíduos Sólidos; Projeto
Nas Ondas do São Francisco (veiculação de spots – peças radiofônicas, produzidos pelas
próprias comunidades da Bacia Hidrográfica do São Francisco); entre outras.
3 Todas as informações sobre as diretrizes e ações de Educomuicação socioambiental desenvolvidas pelo Ministério
do Meio Ambiente estão disponíveis em: BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Educomunicação. Disponível em:
<http://www.mma.gov.br/educacao-ambiental/educomunicacao.html>.
19
Motivos para abordar os ODS na escola
1
Promover aprendizagens é função social da escola. Isso se dá por meio da
construção e da partilha de conhecimentos, como também pela convivência entre
as pessoas e pela interação de seus diversos modos de ser e de viver, que são
particulares de cada tempo e lugar. Mobilizando-se em torno dos ODS, a escola
insere-se no movimento da sociedade para a realização da Agenda 2030.
2
O ambiente escolar possibilita à criança desenvolver novos valores, habilidades,
atitudes e comportamentos fundamentais para o alcance do desenvolvimento
sustentável. O que se aprende na escola influi na forma como percebemos
o mundo e atuamos sobre ele, exercitando uma cidadania, que é, ao mesmo
tempo, local e planetária.
3
O próprio espaço escolar pode ser um lugar onde as crianças vivenciam na
prática mudanças culturais em direção à sustentabilidade. Além de serem
incluídos no currículo, os ODS podem-se tornar objeto das práticas de gestão e
inspirar alterações no espaço físico da escola.
Vale lembrar que tudo que ocorre na escola tem impacto na vida da comunidade mais
ampla. Afinal, a comunidade escolar é constituída por estudantes e seus familiares,
docentes, funcionários responsáveis pela gestão, limpeza, alimentação, segurança,
bem como pela população residente nas imediações. Se há esforços concretos pela
sustentabilidade, isso terá reflexos sobre todas essas pessoas. A escola, nesse sentido, é
uma irradiadora de influências positivas para o entorno.
Todos precisam ser envolvidos e ter oportunidade de trabalhar/conviver
pedagogicamente, aproveitando a diversidade geracional e as diferentes bagagens
pessoais para o alcance das metas previstas nos ODS. As organizações do entorno, a
exemplo de associações, comércio local, grupos esportivos e religiosos, também podem
contribuir para o processo que se dá na escola, expandindo-o para outros âmbitos.
20
Que tal conhecer como os ODS podem ser trabalhados nas
escolas? O caderno Introdutório, desta série, contém informações
complementares.
Para saber mais
Conheça a Lei nº 9.795/1999 (BRASIL, 1999), que estabelece a Política Nacional de
Educação Ambiental em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9795.htm>
As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental (BRASIL, 2012), que
podem ser úteis no tratamento dos ODS na escola, estão disponíveis em:
<http://bit.ly/2rssBpi>
Para inspirar-se nas metodologias e conhecer os projetos de Educomunicação em
Educação Ambiental (BRASIL, s.d.), acesse: <http://bit.ly/2OGj1rY>
21
PREPARAR PARA A PRÁTICA
Como estão seus hábitos de consumo? Você tem pesquisado
a procedência do que compra? Quais são os modelos de
produção sustentável que você tem a seu alcance em sua
comunidade ou cidade?
Reflexões como essas podem servir como ponto de partida
para seu planejamento e criação de abordagens pedagógicas
para o ODS 12 na escola.
Na condição de docentes, quando nos preparamos para ensinar, temos a possibilidade
de expandir o nosso próprio saber. Desenvolvemos novas percepções não apenas a
respeito do tema tratado, mas também sobre como ensinar o conteúdo para as crianças,
considerando suas especificidades cognitivas, sociais, culturais, raciais, dentre outras.
De forma concomitante, ao interagirmos com as crianças e suas bagagens próprias,
aprendemos com os diversos saberes e experiências trazidos por elas acerca do
conteúdo. Agregam-se ainda os conhecimentos que vêm da comunidade do entorno e
de parcerias, quando estas são acolhidas pela escola. Esse diálogo de saberes propicia a
formação de uma genuína comunidade de aprendizagem.
A seguir, algumas informações que poderão subsidiar o trabalho pedagógico com o
ODS 12 na escola.
22
Na raiz do atual modelo de desenvolvimento
Desde a I Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e
Desenvolvimento, ocorrida em 1972 em Estocolmo, na Suécia, especialistas
fazem o alerta. Os padrões insustentáveis de produção e consumo são
apontados como a principal causa da deterioração das condições de vida no
planeta. Embora o crescimento econômico mundial das últimas décadas seja
considerado sem precedentes em toda a história da humanidade, se quisermos
qualidade de vida, teremos de repensar a forma como produzimos e consumimos.
Os sintomas da insustentabilidade estão por toda parte. Alguns deles são a excessiva
exploração de recursos naturais, que modifica rapidamente as paisagens, compromete os
ecossistemas e extermina a biodiversidade, além de gerar diversos tipos de poluição, que
degradam os solos, as águas e o ar. Enquanto isso, os insistentes apelos da mídia fazem
com que as novas gerações estejam muito vulneráveis ao consumismo desenfreado de
produtos facilmente descartáveis e não sustentáveis.
Uma maneira de nos relacionarmos com o mundo
A crise atual relacionada à produção e ao consumo vai além do aspecto meramente
econômico ou ambiental. Trata-se de um fenômeno que se conecta a outras características
das sociedades contemporâneas, constituindo-se como elemento formador da identidade
individual e dos padrões de sociabilidade. Esse tema influencia a forma como as atuais e as
futuras gerações estão sendo educadas para conviver entre si e com o ambiente.
O ODS 12 e suas metas
Este ODS toca no cerne e na complexidade da sociedade do hiperconsumo, de um lado, e da
escassez, de outro. Por ser muito abrangente, aborda tanto ações globais quanto locais e traça
metas ambiciosas. Dentre elas, há algumas, que receberam destaque, voltadas à mudança de
valores e de mentalidades por meio da educação e da comunicação, juntamente com outras
metas relacionadas a práticas que podem ser adotadas no espaço escolar.
23
Metas a serem alcançadas até 2030
12.1 Implementar o Plano Decenal de Programas Sobre Produção e
Consumo Sustentáveis, com todos os países tomando medidas, e os países
desenvolvidos assumindo a liderança, tendo em conta o desenvolvimento
e as capacidades dos países em desenvolvimento.
12.2 Até 2030, alcançar gestão sustentável e uso eficiente dos
recursos naturais.
12.3 Até 2030, reduzir pela metade o desperdício de alimentos
per capita mundial, em nível de varejo e do consumidor, e reduzir
as perdas de alimentos ao longo das cadeias de produção e
abastecimento, incluindo as perdas pós-colheita.
12.4 Até 2020, alcançar o manejo ambientalmente adequado dos
produtos químicos e de todos os resíduos, ao longo de todo o ciclo de
vida destes, de acordo com os marcos internacionalmente acordados,
e reduzir significativamente a liberação destes para o ar, água e solo,
para minimizar seus impactos negativos sobre a saúde humana e o meio
ambiente.
12.5 Até 2030, reduzir substancialmente a geração de resíduos por
meio da prevenção, redução, reciclagem e reuso.
12.6 Incentivar as empresas, especialmente as empresas grandes e
transnacionais, a adotar práticas sustentáveis e a integrar informações sobre
sustentabilidade em seu ciclo de relatórios.
24
12.7 Promover práticas de compras públicas sustentáveis, de acordo com
as políticas e prioridades nacionais.
12.8 Até 2030, garantir que as pessoas, em todos os lugares, tenham
informação relevante e conscientização sobre o desenvolvimento
sustentável e estilos de vida em harmonia com a natureza.
12.a Apoiar países em desenvolvimento para que fortaleçam suas capacidades
científicas e tecnológicas em rumo a padrões mais sustentáveis de
produção e consumo.
12.b Desenvolver e implementar ferramentas para monitorar os impactos do
desenvolvimento sustentável para o turismo sustentável que gera empregos,
promove a cultura e os produtos locais.
12.c Racionalizar subsídios ineficientes aos combustíveis fósseis, que encorajam
o consumo exagerado, eliminando as distorções de mercado, de acordo com as
circunstâncias nacionais, inclusive por meio da reestruturação fiscal e a eliminação
gradual desses subsídios prejudiciais, caso existam, para refletir os seus impactos
ambientais, tendo plenamente em conta as necessidades específicas e condições dos
países em desenvolvimento e minimizando os possíveis impactos adversos sobre o
seu desenvolvimento de maneira que proteja os pobres e as comunidades afetadas.
Fonte: BRASIL. MRE, s.d.
O conceito de produção e
consumo sustentáveis
Cada vez mais estamos sendo chamados a consumir e
produzir de acordo com critérios de sustentabilidade, levando
em conta o impacto que nossas escolhas e nossas ações provocam no meio ambiente e
também na qualidade de vida das pessoas envolvidas nos modos de produção.
25
Essa preocupação mobilizou as Nações Unidas no chamado Processo de Marrakesh4,
que teve início em 2003, com o propósito de apoiar a elaboração de planos regionais e
nacionais capazes de promover mudanças nos padrões de consumo e produção. Segundo
os especialistas reunidos nesse evento, consumo e produção sustentáveis possuem as
seguintes definições:
Consumo Sustentável é o uso de bens e serviços que atendam às necessidades básicas,
proporcionando uma melhor qualidade de vida, enquanto minimizam o uso dos recursos
naturais e materiais tóxicos, a geração de resíduos e a emissão de poluentes durante
todo ciclo de vida do produto ou do serviço, de modo que não se coloque em risco as
necessidades das futuras gerações.
Produção Sustentável é a incorporação, ao longo de todo o ciclo de vida de bens e
serviços, das melhores alternativas possíveis para minimizar custos ambientais e sociais.
Acredita-se que esta abordagem preventiva melhore a competitividade das empresas
e reduza o risco para a saúde humana e o meio ambiente. Vista numa perspectiva
planetária, a produção sustentável deve incorporar a noção de limites na oferta de
recursos naturais e na capacidade do meio ambiente para absorver os impactos da
ação humana (BRASIL, 2011,p, 6).
A produção e o consumo sustentáveis mantêm entre si relações de interdependência,
conforme ilustra o esquema a seguir.
4 O Processo de Marrakesh foi organizado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (ONU Meio
Ambiente, antigo PNUMA) e pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas (UNDESA).
26
A forma como produzimos e consumimos pode gerar profundos impactos na promoção
da eficiência energética e no uso de água e outros recursos minerais. Influencia também
na definição de infraestruturas e no acesso a serviços básicos, no tipo de empregos
disponíveis e, consequentemente, na qualidade de vida para todos. Nesse sentido, a
realização deste ODS impacta diretamente diversos outros, por exemplo, o ODS 6, que
trata da água e do saneamento, e o ODS 15, que cuida dos ecossistemas terrestres.
O que estamos fazendo para isso no Brasil?
Desde 2010, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) atua na implementação do Plano
de Ação para Produção e Consumo Sustentáveis (PPCS), na busca de integrar diversas
iniciativas que tratam de temas, como educação para o consumo sustentável, varejo e
consumo sustentável, aumento da reciclagem, compras públicas sustentáveis, construções
sustentáveis, entre outras. Como trata-se de um tema muito vinculado aos setores
produtivos, de um lado, e dos consumidores, de outro, as iniciativas possuem grande
interface com os diversos setores sociais diretamente envolvido.
Dentre essas iniciativas, vale destacar as listadas a seguir:
1
Política Nacional sobre Mudança do Clima (Lei nº 12.187, de 2009) – com
base nesta lei, o Brasil assumiu o compromisso nacional voluntário de reduzir
a emissão de gases do efeito estufa. A lei estabelece diretrizes, objetivos e
instrumentos, cujo teor tem profundos impactos na nossa forma de produzir e
consumir. Um dos pontos importantes da lei é a ênfase nas ações de educação
e conscientização para novas formas de nos relacionarmos com a produção e o
consumo (BRASIL, 2009).
2
Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305, de 2010) – é uma
das principais iniciativas para solucionar o problema crônico e emergencial
da destinação dos resíduos no país. Tem como princípios a prevenção e a
precaução, o desenvolvimento sustentável e uma visão sistêmica, que considere
a esfera ambiental, mas também a social, a cultural, a econômica, a tecnológica,
entre outras, que estão relacionadas com a produção, o descarte e a destinação
adequada de resíduos sólidos (BRASIL, 2010).
27
3
Agenda Ambiental na Administração Pública (A3P) – trata-se de uma série
de medidas voltadas a orientar os gastos da administração pública – em todos
os níveis federativos – no sentido de estimular práticas de sustentabilidade nas
compras públicas, além de redução de desperdício. A adoção de compras locais,
especialmente de alimentos, e da racionalização do consumo de água, energia e
outros recursos pode ser uma estratégia para as escolas alinharem-se ao consumo
sustentável.
4
Educação para o Consumo Sustentável – o Ministério do Meio Ambiente (MMA)
desenvolve diversas iniciativas em parceria com instituições da sociedade civil
para tratar desse tema, por meio de cursos a distância e materiais educativos,
voltados aos públicos da educação não formal e formal.
Tais iniciativas confluem para a implementação da Agenda 2030, sobretudo do ODS
12. A participação da sociedade civil e o envolvimento do setor de negócios em busca
de inovações podem influir na mudança de comportamentos individuais em busca de
estilos de vida mais sustentáveis. No mundo empresarial, a preocupação com a produção
sustentável, considerando todos os elos da cadeia produtiva, tem crescido e faz parte da
responsabilidade socioambiental corporativa. No âmbito da sociedade civil, a produção
e o consumo sustentáveis são temas a que se dedicam diversas instituições, redes e
plataformas virtuais.
Como promover estilos de vida sustentáveis?
As políticas públicas possuem papel decisivo para direcionar o movimento da sociedade
rumo à sustentabilidade. Afinal, são elas que podem criar leis e procedimentos para
otimizar o uso dos recursos naturais e minimizar a geração de emissões, resíduos e
poluição, além de prover infraestruturas e serviços públicos eficientes. Por meio das
políticas públicas, por exemplo, torna-se possível termos acesso à coleta seletiva de
resíduos em nossas cidades. Fica mais fácil também priorizarmos o transporte coletivo
(ônibus, metrô, trem) em detrimento do individual (carros), bem como adotarmos
meios menos poluentes de locomoção, como as bicicletas. É preciso, porém, que haja
incentivos para isso.
28
Vale lembrar que as políticas não existem sem que as pessoas se mobilizem para criá-las.
A promoção de estilos de vida sustentáveis implica, necessariamente, um movimento
coletivo, mas também individual para repensar nossas formas de viver. Isso tem reflexo nas
escolhas que fazemos para organizar o nosso cotidiano. Como cidadãos e cidadãs, em
casa e no trabalho, muitas de nossas decisões referentes ao uso de energia, transporte,
alimentos, descarte de resíduos e comunicações contribuem para a construção de estilos
de vida mais sustentáveis. Está cada vez mais claro que podemos usar nosso poder de
compra para estimular outras formas de viver e produzir.
Das políticas aos indivíduos
A forma como nos relacionamos com o consumo
tem a ver com a maneira como, por meio da
socialização, nos educamos e construímos nossas
identidades. É inegável que o consumo possui
importante lugar como instrumento de bem-estar,
especialmente em sociedades complexas como
as atuais, fortemente urbanizadas e dependentes
de uma rede de fornecedores de bens e serviços.
E o acesso a esses bens e serviços continua a ser
uma aspiração para as camadas mais vulneráveis da população. Mas é importante frisar
que a busca de estilos de vida sustentáveis passa por uma reflexão sobre o que realmente
importa, o que é essencial para a vida além de consumir.
A Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS) e a Educação Ambiental possuem
papel de destaque na mudança dos hábitos individuais e nas práticas das comunidades.
Por meio de ambas, é possível exercitar o senso crítico sobre nossas escolhas e identificar
como afetam as condições socioambientais. O cultivo de valores como responsabilidade,
autonomia para fazer escolhas livres das imposições do mercado, respeito ao meio
ambiente, cooperação e simplicidade podem ser incentivados em processos educativos.
Cultivar esses valores faz com que o consumo material deixe de ser o centro da vida e dê
lugar a uma existência mais plena de sentido na autoexpressão individual e em nossos
relacionamentos sociais.
29
O caderno Introdutório desta série, contém informações
complementares sobre EDS e as políticas brasileiras de Educação
Ambiental. Vale conferir!
Para saber mais
O Plano de Ação para Produção e Consumo Sustentáveis (BRASIL, 2012) pode
ser acessado em: <https://www.mma.gov.br/responsabilidade-socioambiental/
producao-e-consumo-sustentavel/plano-nacional.html>
O Circuito Tela Verde, criado pelo Ministério do Meio Ambiente, dispõe de uma série de
curtas de animação sobre produção e consumo sustentável. Veja em:
<http://bit.ly/2L1koPN>
A publicação Consumo responsável e opções de estilos de vida, do Programa Cidade
Sustentável, aborda a temática na perspectiva das mudanças pessoais e coletivas. O texto está
disponível em: <http://bit.ly/2OO9nSU>
O Instituto Akatu produziu a série de vídeos Consciente Coletivo, composta por dez
episódios, sobre produção e consumo sustentável. Vale a pena ver:
<http://bit.ly/2QZ4ER1>
O clássico vídeo A história das coisas (CUNHA, 2011), de Annie Leonard, dá uma
verdadeira aula sobre a origem dos produtos e das implicações do consumismo
desenfreado. Disponível em: <http://bit.ly/2QZ4ER1>
A publicação Consumismo infantil: na contramão da sustentabilidade (BRASIL.
MMA, 2014), do Instituto Alana, reflete sobre o consumo na perspectiva da exposição das
crianças à publicidade. Acesso em: <http://criancaeconsumo.org.br/wp-content/
uploads/2014/05/Consumismo-Infantil.pdf>
30
A Plataforma Virtual EducaRES, do Ministério do Meio Ambiente, armazena
experiências de referência em educação ambiental e comunicação social sobre o tema
dos resíduos sólidos. Vale a pena conhecer, acessando:
<http://educares.mma.gov.br/index.php/main>
O portal da Rede Asta traz boas práticas “da economia do feito à mão, desenvolvendo
artesãs em empreendedoras que transformam resíduos em produtos bons, bonitos e do
bem”. Disponível em: <http://redeasta.com.br>
A biblioteca virtual do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil
(FNPETI) traz uma série de documentos e publicações sobre trabalho infantil no Brasil, além
de boas práticas para sua erradicação. Disponível em: <https://fnpeti.org.br/>
Uma pauta para a agenda escolar
Desde o início da infância, antes mesmo de nos formarmos para o exercício da
cidadania, somos treinados a consumir de maneira desenfreada. Nas últimas décadas,
as crianças tornaram-se alvos preferenciais de poderosas estratégias de marketing. O
apelo ao consumismo chega por meio das propagandas de TV, da internet, do cinema,
do licenciamento de seus personagens favoritos, que estão presentes em roupas,
calçados, alimentos, materiais escolares, brinquedos e até em cosméticos.
As estratégias de marketing disponibilizam essa infinidade de produtos na altura dos
olhos e ao alcance das mãos das crianças nas prateleiras de lojas e supermercados.
Esses apelos irresistíveis começam a formar, desde muito cedo, seus hábitos de
consumo, mesmo antes de estarem preparadas para lidar com as complexas relações
de consumo.
A situação torna-se ainda mais grave quando dados do Instituto Brasileiro de Opinião
Pública e Estatística (IBOPE) de 2014 indicam que, todos os dias, as crianças e os
adolescentes brasileiros passam, em média, 5h35 diante da TV (IBOPE, 2014). E são
também os maiores consumidores de internet em todo o mundo (17h mensais), muito
acima das crianças e jovens dos Estados Unidos e da França, por exemplo.
31
Conversar sobre produção e consumo sresponsáveis é fundamental para o desenvolvimento
de seu senso crítico. É preciso que, desde cedo, comecem a refletir sobre as raízes de seus
desejos de consumo e as implicações de suas escolhas sobre as condições do ambiente e da
sociedade em que vivem. Obviamente, o nível de complexidade desse debate dependerá da
faixa etária e das condições sociais dos estudantes.
Um bom caminho para iniciar essa reflexão desde cedo é a realização de práticas
de Alfabetização Midiática e Educomunicação na escola, a partir de atividades que
estimulem a participação das crianças nas produções de comunicação escolares, bem
como no exercício da leitura crítica da mídia como um todo.
Na prática, produzir um programa de rádio feito por crianças na escola, por exemplo, ou
até mesmo exibir comerciais em sala de aula, abrindo para a discussão coletiva e crítica
sobre os produtos, são atividades fundamentais para promover a conscientização para o
consumo e a sustentabilidade. O envolvimento das famílias e da comunidade escolar é
importante nesse processo.
Educação como indutora de novos hábitos
“A palavra convence, mas o exemplo arrasta!”. Este dito popular aplica-se perfeitamente ao
ambiente escolar quando o assunto é produção e consumo sustentáveis. Algumas práticas
podem contribuir para que o discurso em sala de aula aplique-se também ao cotidiano
escolar, especialmente na gestão escolar e na condição de suas edificações e áreas livres
(jardins, hortas etc.).
Uma escola que incentiva hábitos de sustentabilidade, como a separação e o
reaproveitamento de resíduos, a eficiência no uso de água e energia, a economia de
papel e de outros materiais, reforça – na prática – o que as crianças aprendem nas aulas.
Se a escola ainda agregar ações que contribuam diretamente com saúde e bem-estar,
por exemplo, alimentação orgânica, adquirida de produtores locais, produzirá mudanças
profundas em suas vidas e na de suas famílias.
32
Início do trabalho com o ODS 12 na escola
Educar-se para assuntos relativos à produção e ao consumo sustentável oferece às crianças
lições importantes para a formação de cidadania, especialmente no que se refere aos
impactos ambientais e sociais de suas escolhas. Uma importante área a ser trabalhada é
a dos direitos dos consumidores para que, desde cedo, elas possam participar do espaço
público e da economia de forma esclarecida e ética.
O reconhecimento das potencialidades, dos conhecimentos, das experiências e dos
valores presentes no contexto escolar, bem como das necessidades para o alcance de uma
educação de qualidade para todos, é fundamental para começar o trabalho com os ODS.
Nesse sentido, ao planejar a seleção e a abordagem dos conteúdos a serem desenvolvidos
precisamos atentar para os seguintes aspectos:
• características cognitivas, emocionais e socioculturais das crianças;
• objetivos previstos para aquele período escolar, considerando o Projeto Político
Pedagógico das escolas e os conteúdos previstos nele;
• condições da escola (estrutura física e organizacional, aspectos pedagógicos e de
gestão, relação com as famílias e a comunidade);
• possíveis articulações com colegas docentes, outros funcionários da escola,
movimentos sociais e instituições existentes no local;
• levantamento de ações já realizadas na escola e em outros espaços sociais
relacionados ao ODS 12;
• leitura de materiais de referência sobre o ODS 12 para aprofundamento da
abordagem do tema.
É importante também que sejam feitas as conexões entre esse tema e os demais ODS,
mostrando como a temática do consumo e da produção responsáveis dialoga com
outros fatores em torno dos quais a sociedade brasileira está buscando a sustentabilidade.
O esquema na página seguinte indica algumas possibilidades de conexões temáticas.
33
Fonte: ONU BRASIL, 2015.
Temas que podem ser desenvolvidos na escola
Atitudes frente ao consumo – os principais parâmetros para promover o consumo e
a produção sustentáveis, segundo o Instituto Akatu (INSTITUTO AKATU , 2014), podem
render reflexões em sala de aula, campanhas envolvendo a comunidade escolar e práticas
de gestão. As recomendações incluem os pontos a seguir:
34
1. utilização de produtos com maior durabilidade, no lugar dos descartáveis ou que
envelheçam/quebrem muito rápido. Exemplo: decretar o fim dos copos descartáveis
na escola, incentivando a adoção de canecas e garrafinhas de água;
2. preferência pela produção e pelo desenvolvimento locais, em vez da produção
global. Exemplo: consumir produtos locais na alimentação escolar e realizar
campanhas para incentivar a criação de hortas individuais e comunitárias pelas
famílias dos estudantes;
3. uso compartilhado dos produtos, em substituição à posse e ao uso individual.
Exemplo: solicitar às prefeituras a adoção de transporte escolar para todas as crianças;
4. adoção de modos de produção, de produtos e serviços que sejam
socioambientalmente sustentáveis. Exemplo: valorizar o trabalho das pessoas
da comunidade que se dedicam a práticas sustentáveis, como agroecologia e
tecnologias que poupam recursos como água e energia;
5. redução do desperdício de alimentos e produtos, por meio do aproveitamento
integral desses itens e do prolongamento de sua vida útil. Exemplo: realizar
campanhas contra o desperdício de alimentos na escola;
6. satisfação pelo uso dos produtos e não pelo ato de comprá-los em excesso.
Exemplo: promover feiras de trocas para que as crianças percebam que o que não
lhes serve pode ser útil a outras pessoas;
7. priorização de emoções, ideias e experiências em relação a produtos materiais.
Exemplo: incentivar a contação de estórias, as experiências imaginativas, os jogos e
as brincadeiras no ambiente escolar;
8. valorização da cooperação acima da competição. Exemplo: promoção de
gincanas envolvendo toda a comunidade para a conquista de objetivos comuns.
Outra linha de pensamento é o tratamento do consumo a partir da prática dos Rs.
Originalmente falava-se em 3 Rs: Reduzir, Reutilizar e Reciclar. Com o tempo, outros Rs foram
agregados a esta reflexão, incluindo fatores que são anteriores ao ato de consumir. O WWF
Brasil (WWF BRASIL, 2104), por exemplo, trabalha suas ações de educação ambiental para o
consumo sustentável a partir de 7 Rs:
35
Repensar: analisar calmamente a necessidade do bem ou serviço a ser consumido.
Recusar: dizer não à compra compulsiva, caso a análise indique que o produto ou
serviço é desnecessário.
Reduzir: quando o consumo for inevitável, reduzi-lo ao máximo, minimizando a
quantidade de resíduos gerados.
Reparar: aprender a consertar o produto danificado para ampliar o seu tempo de
vida útil.
Reutilizar: quando não é possível consertar, talvez exista a possibilidade de
reutilizar o produto. Um objeto pode ser reaproveitado de outras formas e ainda
continuar eficiente.
Reciclar: se não der para reutilizar, talvez seja possível reciclar. Em quase todas as
cidades, existem centros de triagem de materiais e cooperativas de catadores.
Reintegrar: restos de alimentos e outros materiais orgânicos podem ser
reintegrados à natureza.
Vamos refletir:
que ações são promovidas em sua escola para estimular atitudes mais
sustentáveis frente ao consumo?
–
Origem e forma de produção de produtos que consumimos – faz parte da
educação dos consumidores a pesquisa sobre a origem dos produtos que estão
comprando, bem como a forma como foram produzidos. Tais informações nem sempre
se encontram nos rótulos e nas embalagens. Com auxílio do corpo docente da escola, as
crianças poderão explorar as possibilidades de pesquisa. Começam a surgir em diversos
países aplicativos de internet (ECYCLE , 2013) que podem ser baixados pelo celular
(como o Buycott, dos Estados Unidos), que apontam se determinadas empresas realizam
testes em animais, por exemplo.
36
No Brasil, uma iniciativa chamada Moda Livre (REPORTER BRASIL , 2016) faz parte da
campanha global Fashion Revolution, voltada a conscientizar o público sobre os impactos
da indústria da moda. Esse aplicativo informa sobre as medidas que as empresas do setor
realizam para valorizar o trabalho justo e denuncia as marcas envolvidas em trabalho
análogo ao da escravidão.
Vamos refletir:
que tipos de pesquisas sua escola pode realizar para identificar de onde vêm os
produtos que consome e quais foram os critérios adotados para sua aquisição?
Consumismo – a distinção entre o consumo e o consumismo constitui assunto
importantíssimo para ser tratado na escola. Muitos dos hábitos de consumo de
supérfluos são forjados no ambiente escolar, especialmente quando a escola congrega
estudantes de diferentes condições sociais e econômicas. A pressão de pertencimento
ao grupo leva muitas crianças a viverem situações de conflito com seus familiares e a
desenvolverem desvios de comportamentos pela necessidade de autoafirmação por meio
do consumismo. Fazer as conexões entre consumismo, competição e violência pode
contribuir para definir estratégias conjuntas de construção de uma cultura de paz na escola
e na comunidade.
Vamos refletir:
que atitudes a escola adota para enfrentar atitudes de bullying5 devido às
diferenças de poder de consumo entre os estudantes?
Alimentos mais saudáveis – a preocupação com a qualidade dos alimentos que
ingerimos pode ser fomentada tanto em discussões de sala de aula, quanto na própria
alimentação fornecida pela escola. Atualmente existem diversas iniciativas de certificação
de produtos, que abrem possibilidades para que a produção local de alimentos receba
incentivos, seja por meio de compras do próprio governo, seja por meio de acesso a
5 Bullying - Este termo é derivado de bully (“valentão”, em inglês). Caracteriza-se por insultos intencionais e constantes feitos
por um ou mais estudantes contra seus colegas, de forma verbal ou por meio de agressões físicas.
37
mercados responsáveis. A certificação possibilita maior transparência e segurança
quanto ao sistema de gestão dos fabricantes de alimentos, bebidas e embalagens,
visando proteger os negócios e as marcas, além de minimizar impactos à saúde dos
consumidores (VIANNA, 2014).
Por meio da alimentação escolar, a escola pode contribuir para rever hábitos que
favorecem a obesidade infantil e os decorrentes problemas de saúde. Além disso, pode
favorecer a geração de emprego e renda para as famílias e empresas produtoras de
alimentos locais, dinamizando a economia municipal. Ao mesmo tempo, evita emissões
de gases do efeito estufa causadas pelo transporte de produtos por longas distâncias,
contribuindo, dessa forma, para diminuir os efeitos das mudanças do clima.
Vamos refletir:
quais ações podem contribuir para mostrar a importância do poder de compra
da escola no sentido de impulsionar a economia local?
Os cadernos ODS 2: Fome zero e agricultura sustentável e ODS
3: Saúde e bem-estar, desta série, tratam dos diversos aspectos que
enfatizam a importância da alimentação escolar para a nutrição e a
saúde na infância e na adolescência.
Destino e gestão dos resíduos que produzimos – há pouco tempo, começamos a
perceber que as montanhas de resíduos que descartamos cotidianamente possuem valor.
Eles podem ser reutilizados, reciclados e até mesmo aproveitados para gerar energia. Hoje
também já percebemos que resíduo fora de seu devido lugar acarreta muitos problemas.
Por meio da discussão sobre os resíduos, é possível tratar de diversos assuntos relevantes:
os perigos dos lixões para a saúde humana e os ecossistemas; a identificação e o
tratamento adequado dos resíduos tóxicos e perigosos, evitando contaminações dos solos,
da água e do ar; as histórias de vida das pessoas que vivem dos resíduos e o serviço que
prestam à sociedade; entre outras abordagens.
38
Vamos refletir:
que ações sua escola pode desenvolver para tratar da geração e tratamento
de resíduos dentro e fora dela?
Como trata de um tema multidimensional, o ODS 12 pode render inúmeras discussões,
estudos e iniciativas voltadas tanto à escola quanto à comunidade em que esta inserida.
Tudo vai depender do interesse, da faixa etária dos estudantes e das possibilidades de
buscar informações e conexões entre as temáticas, articulando-as com as necessidades do
grupo de estudantes.
Para saber mais
Edukatu é uma rede de aprendizagens online que desenvolve conceitos e práticas sobre
consumo sustentável. Essa plataforma possui diversos circuitos de aprendizagem com
recursos educacionais abertos para serem explorados por professores e estudantes. Para
mais informações, acesse: <https://www.akatu.org.br/edukatu/>
O portal Ecoativos, do Instituto Alana, possui diversos recursos para docentes e escolas
interessadas em desenvolver atividades voltadas ao consumo sustentável. Disponível em:
<https://ecoativos.org.br/ecoativos/>
O vídeo Repensar, reduzir, reaproveitar, reciclar, do Instituto Akatu aborda 4 Rs
vinculados à relação do ser humano com os resíduos. Vale a pena ver:
<http://bit.ly/2R1cn0Q>
A Cartilha para o consumidor consciente: dicas práticas para você colaborar com o
meio ambiente no seu dia a dia (WWF BRASIL, 2014) é uma publicação do WWF Brasil
que discute a pegada ecológica e as ações que podem ser realizadas pelos cidadãos e
cidadãs em relação a mobilidade, eletroeletrônicos, alimentos, água, energia, produtos
madeireiros e lazer. Essa publicação está disponível em: <http://bit.ly/2sqFTmB>
39
O Código de defesa do consumidor trata dos recursos existentes na legislação brasileira
para coibir práticas lesivas aos consumidores. Trata-se de uma importante ferramenta para
trabalhar em sala de aula. Vale a pena acessar em:
<https://www.idec.org.br/codigo-de-defesa-do-consumidor>
A Revista Viração (ISSUU, 2015), publicação feita por adolescentes e jovens de todo o
Brasil a partir de processos de educomunicação, produziu uma edição especial sobre
sustentabilidade com reportagens produzidas por adolescentes e jovens, disponível em:
<https://issuu.com/viracao/docs/edicao_109>
Um olhar diferente sobre a população em situação de rua é apresentado no curtametragem Boca de rua, vozes de uma gente invisível (BOCA DE RUA, 2013). Com 10
minutos de duração, a produção foi escrita e dirigida por Marcelo Andrighetti. Disponível
em: <http://bit.ly/2XSqVl0>
A publicação Alfabetização midiática e informacional: currículo para formação de
professores (WILSON et al., 2013) da UNESCO, é uma ótima referência para a realização
do trabalho de leitura crítica ou produção midiática na escola, disponível em:
<http://bit.ly/2Dqe00b>
Use a publicidade em classe (USP, 2006) é uma sugestão de abordagem pedagógica
sobre consumo, publicidade e leitura crítica da mídia no ensino fundamental, produzida
pelo Núcleo de Comunicação e Educação da Universidade de São Paulo (NCE-USP).
Disponível em: <http://www.usp.br/nce/educomjt/paginas/publicidade.pdf>
FLUXO DA INFORMAÇÃO NO RASTREAMENTO
PRODUTOR
(origem)
40
PACKING E
LOGÍSTICA
CANAL DE
DISTRIBUIÇÃO
FLUXO DO PRODUTO NA CADEIA PRODUTIVA
CONSUMIDOR
(destino)
AGORA É COM VOCÊ!
Conscientizar as crianças sobre os impactos de seus hábitos de consumo, tanto
negativos quanto positivos, para a sobrevivência da humanidade e sustentabilidade
do planeta Terra, é um passo fundamental rumo ao alcance do ODS 12 no Brasil e
no mundo.
São inúmeras as possibilidades de trabalho com o ODS 12 na escola. Feira de
trocas de brinquedos e itens usados, partilha dos hábitos de consumo, ou uma
discussão sobre os rótulos dos produtos podem gerar um rico processo de reflexão
e até mudança de comportamento, envolvendo as famílias.
Desenvolver atividades com as crianças dos anos iniciais do ensino fundamental,
contudo, requer cuidado e dedicação. É muito importante criar um ambiente
solidário, livre de juízos de valor, de forma que elas possam se expressar com
liberdade e por meio de diferentes linguagens (oral, escrita, audiovisual etc.).
Selecionamos algumas atividades a serem desenvolvidas, considerando a faixa
etária de 6 a 10 anos e as temáticas relacionadas ao consumo sustentável. Elas
podem ser adaptadas de acordo com os conteúdos curriculares desenvolvidos
no ano escolar e conforme a conveniência de distribuição da carga horária. Vale
lembrar que não há receita pronta. Esses são conteúdos indicados para inspirá-lo
na criação de suas abordagens pedagógicas contextualizadas com sua realidade.
Há ainda indicações de sites e outros recursos onde será possível conseguir mais
informações para trabalhar os temas do ODS 12.
Mãos à obra!
41
IDEIAS PARA A AÇÃO
Pode-se partir da exibição do vídeo da UNESCO referente
ao ODS 12 (UNESCO, 2017b) e, com base nas reações
demonstradas pelas crianças, explorar com elas estes
pontos: (1) o que aprendemos com esse vídeo? (2) o que já
sabemos? (3) o que queremos aprender?
As respostas a estas perguntas podem dar margem a diversas ações em sala de aula e/ou na
escola. É possível, por exemplo, desenvolver um projeto de pesquisa e, em seguida, planejar
e executar campanhas educativas sobre diversos temas relacionadas a este ODS. O mais
importante é que as iniciativas conquistem o interesse e o empenho das crianças.
1. Saltando obstáculos
Objetivo: compreender o ODS 12 e suas
relações com outros ODS; identificar os
principais aspectos relacionados ao consumo
e à produção sustentáveis; instigar estudantes a
pensarem em práticas de consumo sustentáveis.
Áreas de conhecimento: Linguagens, Ciências
Humanas e Ciências da Natureza.
Conteúdo: consumo e produção sustentáveis,
relação entre ODS12 e outros ODS.
Material: dez latas do mesmo tamanho, garrafas
plásticas, tijolo ou outros objetos para sinalizar o
caminho e que se mantenham firmes na posição
vertical, rótulo para os objetos e giz colorido para
marcar o trajeto.
42
Desenvolvimento:
Etapa 1 – Vídeo ODS12: inicie uma breve conversa perguntando às crianças se
sabem o que é consumo sustentável e produção sustentável. Após pergunte
o que acham que é. Durante a fala, registre as respostas, visando identificar
os conhecimentos prévios sobre o tema. Em seguida, projete o vídeo ODS
12 – consumo e produção sustentáveis, da UNESCO (UNESCO TV
PORTUGUESE, 2017).
Etapa 2 – Roda de conversa: a partir das ideias apresentadas no vídeo, realize uma
roda de conversa com perguntas provocativas: o que significa consumo
e produção sustentável? Como podemos consumir de forma sustentável?
Vocês conhecem práticas de produção sustentável? Por que são sustentáveis?
Explique o que são os ODS e relacione as ideias surgidas sobre o ODS 12 com
os demais ODS, trabalhados ou não com a turma.
Etapa 3 – Saltando obstáculos:
Dicas: a) a realização dessa atividade é mais indicada para espaços amplos,
como o pátio da escola e outras áreas abertas que tenham terreno plano.
Caso não seja possível, podem-se afastar as cadeiras para o canto da sala de
aula, deixando o centro livre; b) as palavras para os rótulos dos objetos podem
ser água, transporte, saúde, alimento, energia, embalagem, agricultura, vida
aquática, mudanças climáticas etc.
Comece perguntando quem gosta de desafios e quem já participou de
corrida de obstáculos. Faça um pequeno circuito com giz, de forma que
os participantes saibam por onde seguir. Posicione as dez latas, garrafas ou
outro objeto escolhido, já rotuladas, com alguma distância umas das outras
(o circuito não precisa ser feito necessariamente em linha reta). Escolha, com
a turma, dez participantes para o circuito, posicionando-os em frente a cada
garrafa, com os olhos vendados. A turma deve ser orientada quanto a sua
participação no desafio: o obstáculo só será transposto com a ajuda de todos.
• Ao sinal, o jogador posicionado no início do circuito (garrafa 1), pega a
43
garrafa e mostra para a turma a palavra-chave que está escrita em seu rótulo.
Então, a turma deverá dar dicas de consumo sustentável relacionadas à palavra
para que o jogador adivinhe a palavra (por exemplo: água, transporte, saúde,
alimento, energia, embalagem, agricultura etc.).
• Após o estudante adivinhar a palavra, ele deverá caminhar até a próxima
garrafa e, junto com o colega que está posicionado no local da garrafa 2, mostra
para turma o que está escrito no rótulo para que os colegas deem dicas, e os
dois jogadores tentem adivinhar a resposta. Após responderem corretamente, os
dois jogadores seguem de mãos dadas até a garrafa 3 para encontrar o terceiro
colega e assim sucessivamente. Isso se repete até o último participante.
• Quando os dez estudantes que participaram do percurso chegarem à última
garrafa, onde está escrito consumo e produção sustentável, forma-se uma nova
roda de conversa. O grupo deverá compartilhar suas ideias sobre como, através
de ações comuns, é possível adotar práticas de consumo e produção sustentáveis.
2. De onde vem? Para onde vai?
Objetivo: identificar a origem e o destino do que
consumimos e seu impacto na natureza, caso não seja
utilizado de forma responsável.
Área de conhecimento: Ciências da Natureza.
Conteúdo: origem e produção do que consumimos;
impacto ambiental dos resíduos.
Material: 12 cartões de papel.
Desenvolvimento:
Converse com a turma sobre a importância de conhecer a
origem do que consumimos, sua forma de produção e o
que é feito com os resíduos desses materiais.
Etapa 1 – Divida a turma em dois grupos. Apresente de forma rápida os cartões à turma
(sem deixar que as crianças vejam seu conteúdo), explicando que cada um deles
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contém nomes de materiais que utilizamos, sua origem e seu impacto na natureza.
Etapa 2 – Depois de definir qual grupo iniciará o jogo, forneça as seguintes informações:
(1) cada equipe poderá fazer quatro perguntas sobre o material cuja carta está com
a outra equipe; (2) as perguntas podem abordar origem, matéria-prima, do que é
feito ou o tempo de degradação; (3) se a equipe acertar, ela ganha cinco pontos;
(4) em seguida, a equipe que respondeu passa a perguntar; e segue assim até o
término do jogo.
Etapa 3 – Converse com os estudantes sobre o que foi novidade para eles no que diz
respeito à origem e ao destino do que consumimos. Peça que proponham
mudanças referentes ao uso desses materiais.
Etapa 4 – Apresente ações de reciclagem ou reuso que já são feitas com esses
materiais. Incentive os/as estudantes a conhecerem o processo de
fabricação dos materiais vistos nos cartões, assim como pesquisarem
sobre a origem das coisas que consumimos.
Modelo:
EMBALAGEM DE BISCOITO
ORIGEM: MINERAL
FEITO: A PARTIR DE PLÁSTICO
MATÉRIA-PRIMA: PETRÓLEO
TEMPO DE DEGRADAÇÃO: 450 ANOS
3. Para onde vão os resíduos sólidos que geramos?
Objetivo: conhecer o processo de reciclagem e reaproveitamento; compreender como
ocorre a separação dos materiais; identificar o valor monetário dos resíduos
sólidos; compreender a relevância socioambiental das cooperativas de catadores e
as responsabilidades de todos para seu funcionamento.
Áreas de conhecimento: Matemática, Linguagens e Ciências Humanas.
Conteúdo: unidades de medida; trabalho e consumo; saúde humana e da natureza.
Material: papel, lápis ou caneta, transporte.
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Padrão de cores para coletores de resíduos (Resolução do CONAMA nº 275/01)
AZUL
papel
papelão
VERMELHO
plástico
isopor
VERDE
vidro
AMARELO
metal
PRETO
madeira
LARANJA
perigosos ou
contaminados
BRANCO
ambulatórios
ou de serviço
de saúde
ROXO
radioativos
MARROM
orgânicos,
como restos
de alimento
CINZA
resíduo geral
não reciclável
ou misturado
Fonte: http://www.reciclaambientalsc.com.br/a-importancia-da-reciclagem/
Desenvolvimento:
Etapa 1 – Inicie com a leitura e a discussão de um texto6 sobre produção e destino dos
resíduos sólidos no país e/ou na cidade em que mora. Nesse momento, é
importante ressaltar a quantidade e o perfil dos materiais que geramos e os impactos
na vida humana e na natureza. Em seguida, faça estas perguntas às crianças: quais
resíduos são mais gerados em casa? Como são descartados esses resíduos? Para
onde vão os resíduos sólidos que sua família gera todos os dias? A partir das
respostas, comente sobre a nossa responsabilidade com os resíduos que geramos;
como deve ocorrer a coleta e a destinação final de resíduos sólidos no município.
Finalizar perguntando se alguém conhece alguma cooperativa de catadores.
Etapa 2 – Visita a uma cooperativa de catadores: identifique uma cooperativa de
catadores que receba visita técnica de crianças na faixa etária da turma. Em seguida,
organize a logística necessária para visitação: autorização dos responsáveis pelas
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6 Indicamos a adaptação dos textos considerando a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Textos: Conhecer os resíduos
urbanos (p. 22-25 ou p. 30-31) ou Coleta seletiva e reciclagem qual a diferença? (p. 38-39). (BORBA; OTERO, 2009).
crianças, orientação das vestimentas adequadas, transporte, dentre outros. Logo
após, elabore com a turma perguntas a serem realizadas junto aos catadores e
aspectos a serem observados, tais como, etapas da separação de resíduos, tipo
de materiais, valor econômico, condições de trabalho, como podemos colaborar,
o que os catadores gostam de fazer quando não estão trabalhando etc.
Etapa 3 – O que percebi na visita: solicite que as crianças escrevam um texto
expressando o que aprenderam com a visita e o que podem fazer (individual
e coletivamente) para ter um consumo sustentável. Caso a escola ainda não
realize coleta seletiva e destinação adequada à cooperativa, crie com a turma
uma campanha para que isso ocorra.
OBS.: caso não seja possível realizar a visita, convide um ou mais catadores para uma
roda de conversa com as crianças.
4. 7Rs
Objetivo: refletir sobre os padrões
de consumo e seus impactos
socioambientais; incentivar
adoção de práticas sustentáveis.
Áreas de conhecimento: Linguagens e
Ciências Humanas.
Conteúdo: leitura e escrita, formas de
consumo, resíduos sólidos,
consumo sustentável, modos de
produção, ética e consumo.
Material: computador e projetor multimídia ou TV, papel, lápis.
Desenvolvimento:
Etapa 1 – Peça às crianças escreverem individualmente uma lista com cinco produtos
que consomem e com qual frequência. Lembre que devem incluir objetos, mas
também elementos naturais (ex. água, energia etc.). A partir das respostas das
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crianças, pergunte se esses elementos são muito importantes, importantes ou
pouco importantes para elas e por quê. Por fim, peça que digam qual é o destino
final dos produtos ou elementos consumidos quando não são mais utilizados.
Logo após, pergunte se elas sabem o que são os 5Rs, crie um clima de mistério,
dando pistas e aguçando a curiosidade delas. Em seguida, projete o vídeo Fique
Sabendo - 5Rs da Educação Ambiental - TV Escola (BRANDT, 2013). Logo
após, dialogue com as crianças para saber se há alguma dúvida e aproveite para
comentar que é possível acrescentar mais 2Rs: Reparar e Reintegrar.
A partir das respostas das crianças, organize a turma em grupos e peça
que façam uma única lista com os elementos citados – começando pelos
considerados mais importantes – e discutam o que elas podem fazer para ter
práticas de consumo mais sustentáveis.
Exemplo:
Elementos
Repensar
Recusar
Reduzir
Reparar
Reutilizar
Reciclar
Reintegrar
Solicite que as crianças façam essa última fase com seus familiares e colegas da escola,
de modo a identificar e adotar práticas sustentáveis em casa e na escola.
Etapa 2 – Peça que pesquisem a origem/modo de produção, o tempo de
decomposição e os possíveis impactos socioambientais que os cinco produtos/
elementos podem gerar. Em seguida, dê exemplos de práticas sustentáveis que
poderão ser adotadas considerando o consumo e a produção sustentáveis.
5. Detetives do consumo
Objetivo: sensibilizar para o uso da água como direito fundamental, bem comum de todos
os seres do planeta; identificar as situações do dia a dia em que esse bem tem sido
utilizado com desperdício; propor ações sustentáveis para o uso da água.
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Áreas de conhecimento: Matemática e Ciências da Natureza.
Conteúdo: eficiência no uso da água e desperdício.
Material: caderno, caneta ou lápis, caneca.
Desenvolvimento:
Etapa 1 – Em uma roda de conversa, sensibilize os estudantes quanto a este bem comum,
que é a água, e sua finitude. Em seguida, dialoguem sobre em que situações
utilizam água no dia a dia.
Etapa 2 – Converse com os estudantes sobre o tempo que gastam no banho, se têm
noção de quanto tempo levam, em média, com o chuveiro aberto e peça que
anotem esse dado em um papel, sem identificar o nome. Recolha os papéis.
Informe que um banho de cinco minutos equivale a 75 litros de água. Convideos a calcular: quantos litros de água são gastos por minuto? Sorteie a resposta de
algumas crianças e peça que a turma calcule: de acordo com o tempo de banho
indicado no papel sorteado, quantos litros de água essa pessoa gasta por banho?
Em seguida, proponha que somem a quantidade total de consumo de água de
toda a turma com base nos números colocados nos papéis.
Dica: se, na comunidade escolar, há dificuldade de acesso à água encanada e/
ou banho de chuveiro, poderá utilizar outra medida para consumo de água, por
exemplo, quantos baldes de água utilizam por dia X quantidade de água do balde.
Etapa 3 – Peça aos estudantes que escolham três pessoas para participar de um
experimento. Em seguida, as crianças selecionadas devem-se dirigir ao
bebedouro da escola e beber água até a saciedade. Alguns estudantes
acompanham e cronometram o tempo usado para isso. Peça que calculem o
tempo médio utilizado no bebedouro considerando o tempo gasto pelas três
crianças escolhidas. No segundo momento, coloquem um copo ou caneca no
bebedouro durante o mesmo tempo que, em média, as três crianças utilizaram
para beber água. As crianças vão observar que dá para encher vários copos de
água com o tempo em que se passa no bebedouro.
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Etapa 4 – Converse com os estudantes sobre quais medidas poderiam ser tomadas para usar
de forma responsável a água e diminuir seu consumo. Apresente algumas propostas,
como o uso de canecas na escola, a diminuição do tempo do banho etc. Motive
os estudantes a conversar com a família sobre as descobertas realizadas.
6. Construindo nossos jogos de tabuleiro
Objetivo: construir jogos matemáticos a partir da reutilização e/ou reciclagem de
materiais; compreender a diferença entre reciclar e reutilizar; compreender
a importância das regras, dos direitos e dos deveres para a boa convivência;
trabalhar ética e valores voltados à cooperação; identificar possibilidades de
reutilização e reciclagem de materiais
Áreas de conhecimento: Matemática, Linguagens e Ciências Humanas.
Conteúdo: espaço, forma, unidade de medida, raciocínio lógico matemático, ética,
valores, direitos e deveres, consumo sustentável, reutilização e reciclagem,
produção textual, leitura.
Material: tesoura, cola, materiais diversos passíveis de reutilização e reciclagem.
Desenvolvimento:
Pergunte às crianças de quais jogos e brincadeiras elas gostam e por quê. A partir das
falas, proponha à turma construir jogos (existentes ou não), considerando os que mais
gostam e a reutilização e/ou reciclagem de materiais. Organizados em grupos, os
estudantes irão inicialmente definir o jogo, os materiais necessários e como obtê-los.
Peça que tragam de casa tudo que eles acreditam que pode ser reutilizado, de forma a
contribuírem também com os jogos dos demais grupos. Oriente quanto à importância da
higienização dos materiais a serem reutilizados e/ou reciclados e dialogue com a turma
sobre os resíduos gerados a partir do que consumimos e a importância da reutilização e da
reciclagem, além da distinção entre esses conceitos.
Defina o dia para construção dos jogos em sala. Peça que escrevam as regras do jogo,
aproveitando para trabalhar ética, valores, direitos e deveres. Por fim, os grupos apresentam
50
os jogos para toda turma, os materiais utilizados e combinam momentos para sua utilização
pelos autores e por outros colegas dos outros grupos.
Abaixo alguns exemplos de jogos de tabuleiros:
Fonte: ATIVIDADES PARA EDUCAÇÃO INFANTIL, 2014.
7. Criando cores7
Objetivo: reconhecer elementos naturais que podem
ser utilizados em substituição a elementos
industrializados que causam mais impacto ao
meio ambiente; compreender a importância do
consumo responsável; conhecer a importância
da pintura como forma de comunicação de
nossos antepassados; compreender como as
tintas eram produzidas na pré-história e por
diferentes povos.
Áreas de conhecimento: Ciências da Natureza e
Ciências Humanas.
Conteúdo: produção responsável, arte rupestre.
Material: colheres de sopa, colheres de chá, potes plásticos (pode ser pote reutilizável),
250 gramas de cada um dos elementos naturais (terra, pó de café usado,
urucum em pó, açafrão), cola branca, folhas de papel.
7 Adaptação da atividade Tintas naturais - como fazer, elaborado pela professora Rosane Santos (SANTOS, 2013).
51
Desenvolvimento:
Inicialmente, trabalhe com a leitura e a interpretação do texto Mas como é que os
Homens das Cavernas tinham tintas para pintar? (MINI ARTISTAS, 2010). Converse
com os estudantes sobre os elementos naturais que os mais velhos utilizavam e ainda
utilizam para colorir sua pele ou pintar objetos de cerâmica; relate que podem ser
utilizados por nós em pinturas de pequena escala. Discuta com a turma quais elementos
naturais podemos utilizar para produzir nossas tintas. Peça aos estudantes que tragam
de casa materiais acessíveis à sua realidade.
Etapa 1 – Divida a sala em duplas, de acordo com a quantidade de elementos naturais
obtidos. Entregue para cada dupla os ingredientes para fazer a tinta e peça que
acompanhem atentamente as instruções dadas.
Explique que toda a tinta é feita de pigmento (que dá cor), diluente (veículo) e
aglutinante (aquilo que junta o pigmento e que fixa a tinta na superfície). Em
seguida, oriente-os a começar a preparação das tintas, misturando um pouco de
terra com água e cola branca. A terra será o pigmento, a água o veículo e a cola
o aglutinante, que dará também um pouco de brilho e plasticidade à tinta. Podese trabalhar também apenas com a mistura de terra e água, nesse caso a tinta
ficará opaca e menos plástica, como a das pinturas rupestres.8
Etapa 2 – No recipiente, coloque cinco colheres de chá de cola branca, depois
coloque a mesma medida de água. Em seguida, adicione uma colher de
sopa bem cheia do elemento natural que você vai utilizar. Misture bem. Os
estudantes podem experimentar adicionar mais ou menos pigmentos para
alcançar a tonalidade desejada.
Etapa 3 – Peça aos estudantes que peguem uma folha de papel ou papelão e façam uma
pintura, compartilhando os diversos tons obtidos uns com os outros.
Etapa 4 – Faça uma exposição dos trabalhos em um mural ou área comum da escola,
destacando os materiais utilizados.
52
8 NOVA ESCOLA CLUBE. Arte rupestre: passado e presente. Disponível em: <http://rede.novaescolaclube.org.br/planosde-aula/arte-rupestre-passado-e-presente>. Acesso em: 20 nov. 2017.
8. Feira de trocas9
Objetivo: reconhecer as ações de consumo responsável, seu impacto na sociedade
em que vivemos e no planeta; identificar e propor à comunidade/família/
escola práticas de consumo que não impactem de forma negativa o Planeta;
praticar o desapego a bens materiais e a
troca solidária.
Área de conhecimento: Ciências Humanas.
Conteúdo: consumo responsável/sustentável,
práticas de consumo sustentável, relação
entre bem-estar e consumo.
Material: brinquedos, livros, mobília e espaço para expor
os brinquedos e os livros, etiquetas.
Desenvolvimento:
Etapa 1 – Converse com a turma sobre os brinquedos
e/ou livros que possui e pouco utiliza,
questionando o que podemos fazer com eles. Em seguida, comente sobre a
proposta da feira de trocas e quanto essa iniciativa é importante para praticar o
consumo consciente e a solidariedade entre as pessoas e a natureza, ajudando
a refletir sobre a importância do desapego, assim como sobre a relação entre
bem-estar e consumo consciente.
Etapa 2 – Organização: convide outros profissionais da escola e os responsáveis
pelas crianças a participarem da organização e execução da feira; defina
previamente o local e o mobiliário (pátio da escola, sala de aula, entorno
da escola) que possibilitem expor e experenciar os brinquedos e livros;
encaminhe para os responsáveis um informe explicitando o objetivo e a
importância da atividade e os critérios para as trocas, além de data, horário
e local da feira; defina com a turma os critérios de funcionamento da feira,
9 Adaptação da atividade Feirinha de Trocas de Brinquedos (EDUKATU, 2016) ou disponível em: CRIANÇA E CONSUMO.
Feira de trocas de brinquedos. Trocar pode ser bem mais divertido do que comprar. Disponível em: <http://
criancaeconsumo.org.br/feira-de-trocas-de-brinquedos/>. Acesso em: 10 jan. 2018.
53
as tarefas, os respectivos responsáveis; divulgue a feira para toda a escola e
para a comunidade, convidando outras crianças a participarem. É importante
estabelecer algumas regras:
a) os brinquedos e/ou livros deverão estar em bom estado de conservação;
b) as crianças poderão levar mais de um objeto para troca;
c) só será permitida troca entre os objetos trazidos pelas crianças, em
nenhuma hipótese poderá ser utilizado dinheiro;
d) durante a troca, se necessário, os adultos poderão mediar possíveis
conflitos, mas não devem interferir na escolha das crianças quanto aos
objetos a serem trocados;
e) o espaço deve ser limpo antes, durante e depois da feira;
f) outras.
Etapa 3 – Na hora da feira (CRIANÇA E CONSUMO, 2014): conforme as crianças
forem chegando, etiquete os brinquedos com o nome de quem trouxe e
deixe-os nas esteiras ou cangas, no chão, perto de seu dono.
As crianças passearão entre as cangas e, ao escolher um brinquedo que
gostaria de ter, a criança pode ir, com um daqueles que trouxe, conversar com
o dono do brinquedo escolhido, sugerindo a troca.
Pode ser que mais de um brinquedo seja usado para a transação. Não
há problemas: é uma forma saudável de interação e de negociação – o
importante é que as crianças saiam satisfeitas com as trocas que fizerem.
Também é possível que haja algumas trocas trianguladas. Por exemplo: João
troca com Maria, que troca com Inês, que troca com João. Nesses casos, é
possível que seja necessário o auxílio de um adulto, para identificar e mediar as
oportunidades de triangulação.
Importante: A feira foi elaborada como uma alternativa ao consumo e uma
maneira de estimular as crianças a trocar brinquedos, além de promover a
reflexão sobre o consumismo. Procure trazer esse tema à tona com os pais
e/ou responsáveis presentes, converse sobre os hábitos das famílias e a
54
importância de iniciativas que questionem a sociedade de consumo em que
vivemos. Se precisar saber mais sobre essa questão, consulte os materiais no
site Criança e Consumo10.
Etapa 4 – Outras atividades – Além da troca de brinquedos, é possível sugerir
outras atividades para o dia da feira. Que tal uma oficina de construção de
brinquedo? Com alguns materiais, que podem ser desde gravetos a sucatas,
é possível montar brinquedos criativos e originais, que podem inclusive ser
trocados na própria feira. Brincadeiras também podem tornar a feira mais
alegre e divertida, como pular corda, empinar pipa, pega-pega. Se precisar de
inspiração, assista aos vídeos do Território do Brincar11 com brincadeiras de
diferentes lugares do Brasil.
Datas que podem inspirar ações na escola
15 de março – Dia Mundial do Consumidor
21 de março – Dia Mundial da Terra
21 de março – Dia Mundial da Infância
5 de junho – Dia Nacional da Reciclagem
30 de junho – Dia da Mídia Social
22 de setembro – Dia Mundial sem Carro
12 de outubro – Dia das Crianças
15 de outubro – Dia do Consumo Consciente
19 de outubro – Dia Mundial da Inovação
15 de dezembro – Dia Nacional da Economia Solidária
10 CRIANÇA E CONSUMO. Portal. Disponível em: <http://criancaeconsumo.org.br/>. Acesso em: 22 jun. 2017.
11 CRIANÇA E CONSUMO. Portal. Disponível em: <http://criancaeconsumo.org.br/>. Acesso em: 22 jun. 2017.
55
AVALIAR O ALCANCE DO ODS 12
Vamos avaliar?
Um dos grandes desafios dos processos de participação e mobilização é sua continuidade.
Por isso, convém que o trabalho com os ODS seja encarado como algo permanente e
torne-se parte das discussões pedagógicas de toda a comunidade escolar, principalmente
do corpo docente. Com a autoridade que lhes é conferida no ambiente escolar, docentes
podem atuar como facilitadores desse processo, construindo, com a comunidade escolar,
estratégias para que as ações sejam comunicadas o mais amplamente possível, gerando
mobilização para o alcance dos ODS.
Além de divulgar as ações do grupo no mural da escola, pode-se também criar jornais,
vídeos de celular, blogs e sites da escola, páginas em redes sociais. É possível também
realizar exposição de fotos ou produções que explicitem os principais avanços alcançados.
As crianças e adolescentes são incrivelmente criativos para encontrar meios de produzir
formas de tornar os conteúdos trabalhados mais atraentes e difundidos. Há também a
possibilidade de inscrever a escola em prêmios de educação, o que tornará o trabalho
realizado visível em outros espaços.
Para facilitar a identificação, a sistematização e a análise dos avanços e projeções, a turma ou
a escola poderá construir um painel nestes moldes:
?
Esse painel poderá ser preenchido periodicamente a cada 15 ou 30 dias ou conforme a
realidade de cada escola.
56
REFERÊNCIAS
ALANA. Criança e natureza, conheça o projeto. 2016. Disponível em: <https://www.youtube.com/
watch?v=_GeRQKzMmCM>. Acesso em: 20 out. 2017.
ALANA. Transtorno do déficit de natureza: o que é isso? 2017. Disponível em: <https://www.youtube.com/
watch?v=UBa06WUZ7a4>. Acesso em: 20 nov. 2017.
ASTA. O que fazemos. Disponível em: <http://redeasta.com.br>.
ATIVIDADES PARA EDUCAÇÃO INFANTIL. Jogo da velha reciclado. 2014. Disponível em: <http://www.
atividadeseducacaoinfantil.com.br/brinquedos-e-brincadeiras/jogos-tabuleiro-material-reciclado/attachment/jogovelha-reciclado/>. Acesso em: 17 jan. 2018.
BESSA, Leonardo Roscoe; MOURA, Walter José Faiad de (Orgs.). Manual de direito do consumidor. 4.
ed. 2014. Disponível em: <http://www.defesadoconsumidor.gov.br/images/manuais/manual-do-direito-doconsumidor.pdf>. Acesso em: 17 jan. 2018.
BLAUTH, Guilherme. Jardim das brincadeiras: uma estratégia lúdica para a educação ecológica. 2013.
Disponível em: <https://jardimdasbrincadeiras.files.wordpress.com/2013/09/jardim-das-brincadeiras.pdf>.
Acesso em: 23 nov. 2017.
BOCA DE RUA. Boca de rua, vozes de uma gente invisível. 2013. [Filme oficial]. Disponível em: <https://
www.youtube.com/watch?v=5TtoMSiRn0w>.
BORBA, Mônica Pilz; OTERO, Patrícia (Coords.). Consumo sustentável: 5 elementos. Instituto de Educação e
Pesquisa Ambiental. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009.
BRANDT, Artur. Fique sabendo, 5Rs da educação ambiental. TV Escola, 2013. Disponível em: <https://www.
youtube.com/watch?v=LKJM3DCmraM>. Acesso em: 16 jan. 2018.
BRASIL. Conheça o plano de ação para produção e consumo sustentáveis. Brasília, 2012. Disponível
em: <https://www.mma.gov.br/responsabilidade-socioambiental/producao-e-consumo-sustentavel/planonacional.html>. Acesso em: 13 jan. 2018.
BRASIL. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos; altera a Lei no
9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Diário Oficial da União. Brasília, 3 ago. 2010.
Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Lei/L12305.htm>. Acesso em:
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BRASIL. Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999. Dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de
Educação Ambiental e dá outras providências. Diário Oficial da União. Brasília, 28 abr. 1999. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9795.htm>. Acesso em: 12 ago. 2017.
BRASIL. Lei nº 12.187, de 29 de dezembro de 2009. Institui a Política Nacional sobre Mudança do Clima PNMC e dá outras providências. Diário Oficial da União. Brasília, 29 dez. 2009. Disponível em: <http://www.
planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/lei/l12187.htm>. Acesso em: 22 ago. 2017.
57
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15 de junho de 2012. Estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental. Diário
Oficial da União. Brasília, 16 jun. 2012. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_
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Consumidor, 2014.
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(Cadernos de consumo sustentável: criança). Disponível em: <http://criancaeconsumo.org.br/wp-content/
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