ODS 6: Água Potável e Saneamento
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Educação para o
Desenvolvimento Sustentável
na Escola
Água e saneamento
EDUCAÇÃO PARA
O DESENVOLVIMENTO
SUSTENTÁVEL NA ESCOLA
ODS 6
ÁGUA POTÁVEL E SANEAMENTO
BRASÍLIA, 2020
Publicado em 2020 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e a
Representação da UNESCO no Brasil, em cooperação com o Ministério da Educação (MEC).
© UNESCO 2020
Esta publicação está disponível em acesso livre ao abrigo da licença Atribuição-Partilha 3.0 IGO (CC-BY-SA 3.0 IGO) (http://
creativecommons. org/licenses/by-sa/3.0/igo/). Ao utilizar o conteúdo da presente publicação, os usuários aceitam os
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As indicações de nomes e a apresentação do material ao longo deste livro não implicam a manifestação de qualquer opinião
por parte da UNESCO a respeito da condição jurídica de qualquer país, território, cidade, região ou de suas autoridades,
tampouco da delimitação de suas fronteiras ou limites.
As ideias e opiniões expressas nesta publicação são as dos autores e não refletem obrigatoriamente as da UNESCO
nem comprometem a Organização.
Coordenação técnica da Representação da UNESCO no Brasil:
Marlova Jovchelovitch Noleto, Diretora e Representante
Maria Rebeca Otero Gomes, Coordenadora do Setor de Educação
Mariana Alcalay, Oficial do Setor de Educação
Edição e redação: Tereza Moreira e Rita Silvana Santana dos Santos
Pesquisa: Clara Miranda, Isabeli Cristini Santana Oliveira, Rita Silvana Santana dos Santos e Tereza Moreira
Revisão técnica: Setor de Educação da Representação da UNESCO no Brasil, Jane Fontana (Ministério da
Educação), Patricia Fernandes Barbosa (Ministério do Meio Ambiente) e Renata Maranhão (Agência Nacional
de Águas) e Maria Rehder (consultora da UNESCO)
Revisão gramatical e ortográfica: Lúcia Leiria
Revisão editorial: Unidade de Publicações da Representação da UNESCO no Brasil
Capa, Projeto gráfico e diagramação: Raruti Comunicação e Design
Ilustração: Marcela Weigert
Educação para o desenvolvimento sustentável na escola: ODS 6, água potável e saneamento / editado
por Tereza Moreira e Rita Silvana Santana dos Santos. – Brasília : UNESCO, 2020.
68 p., il.
Incl. bibl.
ISBN: 978-85-7652-257-7
1. Educação para o desenvolvimento sustentável 2. Desenvolvimento sustentável 3. Água potável
4. Saneamento 5. Recursos hídricos 6. Desenvolvimento curricular 7. Guia pedagógico 8. Brasil I.
Moreira, Teresa II. Santos, Rita Silvana Santana dos III. UNESCO
CDD 373
Esclarecimento: a UNESCO mantém, no cerne de suas prioridades, a promoção da igualdade de gênero, em todas as
suas atividades e ações. Devido à especificidade da língua portuguesa, adotam-se, nesta publicação, os termos no gênero
masculino, para facilitar a leitura, considerando as inúmeras menções ao longo do texto. Assim, embora alguns termos sejam
escritos no masculino, eles referem-se igualmente ao gênero feminino.
Agradecimentos
A série “Cadernos de Educação para o Desenvolvimento Sustentável na Escola”
foi produzida pelo Setor de Educação da UNESCO no Brasil. O material é
resultado de uma parceria frutífera entre a UNESCO no Brasil e o Ministério da
Educação (MEC) que, no âmbito de seus mandatos, uniram esforços para produzir
um conteúdo de qualidade, fundamental para o nosso século, sobre Educação
Ambiental e Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS).
Gostaríamos de agradecer especialmente a Rita Silvana Santana dos Santos e
a Tereza Moreira, que desenvolveram a série, também enriquecida pelo apoio
técnico de Renata Maranhão, Patrícia Fernandes Barbosa, Jane Fontana e Maria
Rehder, cujas valiosas contribuições foram fundamentais para a preparação destes
cadernos.
Agradecimentos especiais a Thaís Pires e a Thaís Guerra pelo grande apoio e às
integrantes da equipe da Escola da Natureza de Brasília. Esse trabalho contou
também com a experiência e as contribuições de Mariana Braga, Massimiliano
Lombardo, Edneia Oliveira e Maria Clara Mendes.
Esse projeto não seria possível sem o apoio da equipe de publicação da UNESCO
no Brasil e o incansável trabalho gráfico de Edson Fogaça e Marcela Weigert.
Apresentação
Desafios globais, como erradicação da fome, agricultura sustentável, saúde e bemestar, educação de qualidade, acesso à agua potável e saneamento, cidades e
comunidades sustentáveis, consumo e produção responsáveis, mudança climática
global e preservação da vida na água e na terra, entre outros, exigem, mais do
que nunca, uma mudança urgente em nosso estilo de vida, bem como uma
transformação em nosso modo de pensar e agir.
Em 2015, os países das Nações Unidas adotaram a Agenda 2030 para o
Desenvolvimento Sustentável. Trata-se de um plano de ação previamente acordado
pelos Estados-membros, que convoca governos, a sociedade civil e o setor privado
a se comprometerem com a agenda proposta, protegendo e preparando as
gerações futuras, para alcançarmos o mundo que queremos em 2030.
A educação é explicitamente formulada como um objetivo independente, o Objetivo
de Desenvolvimento Sustentável 4 (ODS 4), que visa a “assegurar a educação inclusiva
e equitativa de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da
vida” , sendo, portanto, um fator essencial para atingir todos os demais ODS.
Para possibilitar essas mudanças e vencer esses desafios nos âmbitos local,
nacional, regional e global, precisamos de novas competências, habilidades,
valores e atitudes que assegurem sociedades mais sustentáveis. Nesse sentido,
os sistemas educacionais em geral, e as escolas em particular, como espaços de
socialização fundamental, devem responder a esses desafios prementes, definindo
objetivos e conteúdos de aprendizagem relevantes, introduzindo pedagogias
que inspirem e empoderem docentes e estudantes, e instando suas instituições a
incluir princípios de sustentabilidade em suas estruturas de gestão. A escola, sob
um ponto de vista mais abrangente, está diretamente ligada à sua comunidade, o
que aumenta sua importância e, consequentemente, sua responsabilidade, pois os
conhecimentos ali produzidos irão para além de seus muros, influenciando todo o
seu entorno.
A UNESCO Brasil e o Ministério da Educação (MEC) se uniram para produzir
uma série inédita de materiais pedagógicos, a fim de divulgar a Educação para
o Desenvolvimento Sustentável (EDS) e a Agenda 2030 para estudantes dos
anos iniciais do ensino fundamental, faixa etária para a qual há poucos materiais
educacionais sobre o tema. Além disso, é importante que crianças e jovens sejam
protagonistas da mudança de estilos de vida, contribuindo para criar uma cultura
mais responsável e sustentável. A primeira iniciativa foi produzir, em 2017, nove
vídeos educativos, a partir dos desafios descritos acima, que correspondem aos
ODS cuidadosamente selecionados, considerando sua relação mais direta com
a EDS e com a Educação Ambiental do Brasil: ODS 2 (Fome zero e agricultura
sustentável), ODS 3 (Saúde e bem-estar), ODS 4 (Educação de qualidade), ODS 6
(Água potável e saneamento), ODS 11 (Cidades e comunidades sustentáveis), ODS
12 (Consumo e produção responsáveis), ODS 13 (Ação contra a mudança global do
clima), ODS 14 (Vida na água) e ODS 15 (Vida terrestre).
A partir da produção dos vídeos, desenvolveu-se também esta série de cadernos
sobre a Agenda 2030. Em cada um deles, são sugeridas atividades lúdicas a serem
adaptadas conforme cada contexto escolar, atividades que podem ser utilizadas
tanto na educação formal como na não formal. Essa série é, assim, uma referência
para que profissionais da educação possam trabalhar com os ODS.
Os docentes são atores essenciais para a conscientização das gerações futuras e
da comunidade escolar como um todo, neste caso, com a utilização dos cadernos
que disponibilizamos. Vale lembrar que todos os 17 ODS estão interligados e
serão trabalhados ao longo desta série. Esta primeira edição será testada em
caráter piloto no Brasil, em suas cinco regiões, para, em seguida, ser validada e
amplamente divulgada no país e no mundo.
Dessa forma, os cadernos somam-se aos esforços que a UNESCO vem realizando,
desde 1992, com a instituição da Década das Nações Unidas para a Educação para
o Desenvolvimento Sustentável (2005-2014) e, atualmente, dando continuidade às
ações por meio do Programa de Ação Global para a EDS (2015-2030).
No Brasil, esse trabalho fortalece as ações que o MEC tem realizado para promover
a Educação Ambiental. Em sentido amplo, esse trabalho valoriza e reconhece a
importância do local para garantir a sobrevivência do global, contribuindo assim para
assegurarmos um mundo mais sustentável em 2030.
UNESCO no Brasil
Ministério da Educação (MEC)
Sumário
OBJETIVOS DA APRENDIZAGEM...............................................................................10
UMA AGENDA GLOBAL................................................................................................. 11
Todos a bordo!....................................................................................................................... 11
É preciso educar-se para a sustentabilidade.................................................................. 17
Políticas de Educação Ambiental no Brasil................................................................................19
Motivos para abordar os ODS na escola.......................................................................20
PREPARAR PARA A PRÁTICA ...................................................................................... 22
Direito à água, um direito humano..................................................................................23
Conquistas dos ODM em água e saneamento............................................................26
Distribuição da água no Brasil..........................................................................................28
Gestão das águas, chave para a paz............................................................................... 33
Iniciar o trabalho com o ODS 6 na escola....................................................................36
IDEIAS PARA A AÇÃO.................................................................................................... 45
AVALIAR O ALCANCE DO ODS 6.............................................................................60
REFERÊNCIAS.................................................................................................................... 61
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A importância da educação para o cuidado com a água e o
saneamento é tema deste caderno e refere-se ao Objetivo de
Desenvolvimento Sustentável 6: “Assegurar a disponibilidade e gestão
sustentável da água e o saneamento para todos”.
Com as orientações e indicações aqui propostas, pretendemos contribuir para
realizar as seguintes ações:
• mostrar a importância da água como elemento fundamental para a vida,
que deve ser disponibilizada a todos em qualidade e quantidade adequadas;
• aumentar a percepção de que a água e o saneamento estabelecem relações com
outras temáticas e fazem parte de sistemas globais complexos;
• motivar a percepção das causas, dos efeitos e das consequências da escassez de
água e da deficiência dos serviços de abastecimento e saneamento no Brasil e no
mundo;
• estimular nos estudantes a responsabilidade pelo uso sustentável da água;
• identificar as questões relativas à água e ao saneamento que afetam a escola e a
comunidade, fomentando a participação em atividades para a melhoria da gestão
desses serviços.
10
Crédito da arte: Ken Robinson/Global Goals
UMA AGENDA GLOBAL
Todos a bordo!
Qual educação precisamos oferecer hoje para garantir uma vida mais sustentável até 2030?
Desde setembro de 2015, o mundo está diante de um novo desafio: alcançar – até 2030 –
os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). Trata-se de um ambicioso conjunto
de 17 objetivos e 169 metas, que foi adotado por 193 países-membros das Nações Unidas.
Esses objetivos buscam “garantir uma vida sustentável, pacífica, próspera e equitativa na
Terra, para todos, agora e no futuro” (UNESCO, 2017a).
Os ODS foram definidos por meio de um amplo processo de negociações, que durou
três anos e envolveu a participação de governos e da sociedade civil dos diversos
países. Contou ainda com a contribuição de cidadãos de todo o planeta por meio de
consultas on-line. O resultado desse esforço mundial compõe a Agenda 2030 para o
Desenvolvimento Sustentável, que comporta os 17 ODS e suas respectivas metas.
Desde então, milhões de pessoas e instituições, em todo o mundo, têm-se mobilizado em
resposta ao chamado dos ODS. Elas estão buscando maneiras de transformar os desafios
globais em objeto de suas reflexões e práticas locais, visando contribuir para o alcance
de metas tão ambiciosas. Afinal, isso pressupõe mudanças de estilo de vida, aquisição
de valores, habilidades, atitudes e comportamento que conduzam à construção de
sociedades mais sustentáveis.
11
É nesse contexto que a Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS) faz-se
presente. Todas as pessoas que vivem o cotidiano escolar como você, profissionais da
educação, funcionários da escola, estudantes, famílias e comunidade, são agentes de
transformação fundamentais para que os ODS sejam alcançados até 2030.
A partir da realização de ações contextualizadas com a realidade das escolas, incluindo a
mobilização de mais pessoas, você pode fazer toda a diferença para a Agenda 2030 ‘sair
do papel’, ajudando a dar vida e significado às metas em seu dia a dia.
Crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos, sem exceção, são fundamentais para a
transformação local no âmbito desse movimento global. E o melhor lugar do mundo para
tudo isso começar é a escola.
Com o objetivo de incentivar a compreensão, o debate, o exercício e a criação de práticas
pedagógicas transformadoras inspiradas nos ODS, contextualizadas com os desafios de
cada comunidade e região onde as escolas estão inseridas, esta série chega até você.
Os vídeos e os cadernos que a compõem visam divulgar os ODS e fornecer subsídios para
o tratamento pedagógico de nove temas considerados mais relevantes para a EDS e o
atendimento dos estudantes na faixa etária entre seis e dez anos.1
A partir de explicação feita pelas próprias crianças, os vídeos, disponíveis em <bitly.com/
videos_eds> (UNESCO, 2017c), propiciam uma primeira aproximação com os temas.
Os cadernos, com conteúdos básicos e materiais de referência, apresentam os ODS e
suas metas aos docentes, subsidiando e estimulando o desenvolvimento e a criação de
diversas atividades pedagógicas, como pesquisas, jogos e brincadeiras, com os estudantes.
Lembrando que não existe receita pronta, quem vai trilhar o caminho para a materialização
disso tudo é você, em aliança com estudantes e comunidade escolar.
Vamos começar?
1. Para a elaboração desta série foram identificados 9 ODS que têm relação direta com a Educação Ambiental do Brasil e a
EDS da UNESCO para dos anos iniciais do ensino fundamental esta faixa etária (6 a 10 anos). Lembrando que todos os 17
ODS estão interligados e serão trabalhados ao longo desta série.
12
Estes são os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável
Fonte: ONUBR, s.d.
Objetivo 1: Erradicação da pobreza – Acabar com a pobreza em todas as suas formas,
em todos os lugares.
Objetivo 2: Fome zero e agricultura sustentável – Acabar com a fome, alcançar a
segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável.
Objetivo 3: Saúde e bem-estar – Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar
para todos, em todas as idades.
Objetivo 4: Educação de qualidade – Assegurar a educação inclusiva e equitativa de
qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos.
Objetivo 5: Igualdade de gênero – Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas
as mulheres e meninas.
Objetivo 6: Água potável e saneamento – Assegurar a disponibilidade e gestão
sustentável da água e saneamento para todos.
Objetivo 7: Energia limpa e acessível – Assegurar o acesso confiável, sustentável,
moderno e a preço acessível à energia para todos.
Objetivo 8: Trabalho decente e crescimento econômico – Promover o crescimento
econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho
decente para todos.
13
Objetivo 9: Indústria, inovação e infraestrutura – Construir infraestruturas resilientes,
promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação.
Objetivo 10: Redução das desigualdades – Reduzir a desigualdade dentro dos países e
entre eles.
Objetivo 11: Cidades e comunidades sustentáveis – Tornar as cidades e os
assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis.
Objetivo 12: Consumo e produção responsáveis – Assegurar padrões de produção e
de consumo sustentáveis.
Objetivo 13: Ação contra a mudança global do clima – Tomar medidas urgentes para
combater a mudança climática e seus impactos.
Objetivo 14: Vida na água – Promover a conservação e o uso sustentável dos oceanos,
dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável.
Objetivo 15: Vida terrestre – Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos
ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação,
deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade.
Objetivo 16: Paz, justiça e instituições eficazes – Promover sociedades pacíficas e
inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e
construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis.
Objetivo 17: Parcerias e meios de implementação – Fortalecer os meios de
implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável.
14
Princípios dos ODS
• Cada país e cada localidade tem seus próprios desafios e pode alcançar os
ODS com base em sua própria realidade.
• Ninguém deve ficar para trás. É fundamental que todos sejam incluídos nos
esforços e nos benefícios do desenvolvimento sustentável.
• Os objetivos devem ser vistos de forma integrada: o alcance de um ODS
relaciona-se com o alcance dos demais.
Direitos Humanos: a base dos ODS
Conforme o preâmbulo da Agenda 2030, em todos os ODS há temas
que dialogam com o cumprimento dos direitos humanos. Os ODS,
assim como os direitos humanos, são integrados e indivisíveis, por essa
razão, sua aplicação exige uma abordagem sistêmica, integrada e que
envolve esforços globais.
A abordagem pedagógica com os ODS é uma oportunidade para, a
partir da perspectiva da Educação para o Desenvolvimento Sustentável
(EDS), discutir os direitos humanos no ensino fundamental, contribuindo
para a implementação do Plano Nacional de Educação em Direitos
Humanos (PNEDH) e a promoção de uma cultura de paz e ambiente
não discriminatório, de valorização e respeito às diversidades na escola.
O caderno ODS 4: Educação de qualidade,
desta série, dispõe de informações sobre o tema
da Educação em Direitos Humanos (EDH). O
caderno Introdutório, desta série, traz uma tabela,
produzida pela ONU, com a relação de cada ODS
com os direitos humanos relacionados, com base
nos tratados e documentos internacionais.
15
Depende de nós
Os ODS constituem uma agenda de direitos e não possuem natureza
legalmente vinculante, ou seja, nenhum país sofrerá sanções por deixar
de cumpri-los. Quando os países comprometem-se com esses direitos,
porém, eles assumem o compromisso político de criar uma estrutura
nacional para sua implementação. Isso envolve o estabelecimento de leis,
políticas, planos e programas, medidas que permitem aos ODS serem tratados por meio
de ações coletivas.
O Brasil foi um dos principais articuladores da formulação dos ODS. Por isso, o país tem
pela frente a responsabilidade de implementar essa agenda. Uma missão que é tanto
do governo quanto da população. Diversos segmentos sociais estão se organizando
para a implementação dos ODS: governos nas esferas federal, estadual e municipal,
meio empresarial e instituições filantrópicas, universidades e instituições de pesquisas,
organizações não governamentais e movimentos sociais que apostam no sucesso da
Agenda 2030.
No âmbito da sociedade civil, vale ressaltar a importância do envolvimento das escolas,
dos educadores, das comunidades, das famílias, das crianças e da juventude. Todos têm
um papel a desempenhar na realização dos ODS e, de maneira especial, no exercício do
direito à educação de qualidade.
Para saber mais
É interessante, ao iniciar o diálogo sobre os ODS, também explicar o que é a ONU, como
funciona, qual seu papel, suas principais temáticas e o contexto da criação dos ODS.
Informações em (ONUBR, s.d.): https://nacoesunidas.org/conheca/como-funciona/.
Acesse o site da ONU Brasil também para conhecer o texto que embasa cada ODS
(ONUBR, s.d.): <https://nacoesunidas.org/pos2015/>
Selecionamos três vídeos disponibilizados pela ONU Brasil sobre a Agenda 2030:
16
A ONU tem um plano: os Objetivos Globais (ONU BRASIL, 2017), que explica em
linguagem simples o que são os ODS: <http://bit.ly/2rqqxOe>
Transformando os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio rumo a 2030 (ONU
BRASIL, 2015)faz um balanço do alcance dos ODM e lança a plataforma 2030. Disponível
em: <http://bit.ly/2DfaZQf>
Há também o vídeo ODS: Não deixar ninguém para trás (ONU BRASIL, 2016), que
enfatiza o sentido do slogan da Agenda 2030, e está disponível em:
< http://bit.ly/2qN6Ccm>
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) acompanha a implementação
dos ODS. No portal, criado com essa finalidade, é possível encontrar vídeos, entrevistas
e diversos recursos para quem quiser saber mais sobre o tema. O vídeo IBGE Explica
– Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (Introdução) (IBGE, 2016) fornece
informações adicionais sobre os objetivos. Disponível em: <http://bit.ly/2pU0P4A>
O caderno Introdutório, desta série, traz mais subsídios sobre o
histórico das agendas internacionais para o século XXI e detalhes sobre
a Agenda 2030. É fortemente recomendada a leitura desse caderno,
que fornece a base para utilizar as demais publicações desta série.
É preciso educar-se para a sustentabilidade
A busca do desenvolvimento sustentável exige um amplo movimento voltado à
mudança de mentalidades, atitudes e comportamentos. O trabalho pedagógico
envolvendo os ODS tem sido realizado mundialmente na perspectiva da Educação
para o Desenvolvimento Sustentável (EDS). Segundo a UNESCO (2017a), a EDS pode
ser conceituada como uma educação nos âmbitos formal, não formal e informal
que contribui para que as pessoas pensem criticamente, identificando elementos
17
insustentáveis em suas vidas e na sociedade, e ajam por mudanças sociais e ambientais
positivas.
Segundo a Declaração de Incheon (UNESCO, 2015), por meio da EDS, desenvolvemse “habilidades, valores e atitudes que permitem aos cidadãos levar vidas saudáveis e
plenas, tomar decisões conscientes e responder a desafios locais e globais”. Por isso, a
EDS é entendida como parte da educação de qualidade e da aprendizagem ao longo da
vida. Relaciona-se diretamente com o ODS 4 e indiretamente com os demais ODS, pois
dá suporte aos indivíduos para que transformem seu próprio comportamento, aprendam
a participar de processos coletivos e engajem-se em mudanças sociais, econômicas e
políticas em direção à sustentabilidade.
O esquema a seguir sintetiza as habilidades a serem desenvolvidas ao trabalhar com EDS2.
Dimensões conceituais chaves da EDS
Habilidades cognitivas
Habilidades socioemocionais
Os estudantes constroem conhecimentos,
compreensão e raciocínio crítico sobre
questões globais e sobre a interconectividade /
interdependência entre países e entre diferentes
populações.
Os estudantes desenvolvem o sentimento
de pertencer a uma humanidade comum, ao
compartilhar valores e responsabilidades e ao
perceberem-se possuidores de direitos.
Os estudantes demonstram empatia, solidariedade
e respeito por diferenças e diversidade.
Habilidades comportamentais
Os estudantes agem de forma efetiva e
responsável nos contextos local, nacional e global,
em prol de um mundo mais pacífico e sustentável.
Fonte: Adaptado de UNESCO (2015).
2 Esquema desenvolvido pela UNESCO com base em contribuições de especialistas em Educação para a Cidadania
Global (ECG) e a Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS) de todo o mundo e na consultoria técnica sobre ECG,
realizada em Seul, Coreia do Sul, em 2013, e no Primeiro Fórum da UNESCO sobre a Educação para a Cidadania Global,
que ocorreu em Bangkok, Tailândia, em 2013.
18
Políticas de Educação Ambiental no Brasil
No Brasil, desde a década de 1990, existem políticas públicas voltadas a estimular a busca
da sustentabilidade socioambiental, algumas das quais se baseiam na Lei nº 9795/992,3
que instituiu a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA). Essa lei estabelece
que a Educação Ambiental constitui-se de processos que possibilitem a construção
de conhecimentos e valores, bem como de ações individuais e coletivas em prol da
sustentabilidade socioambiental.
No âmbito da educação formal, o Conselho Nacional de Educação (CNE), em 2012,
estabeleceu as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental (DCNEA)
(BRASIL, 2012). Tais diretrizes reconhecem o papel transformador da Educação Ambiental
e consideram estratégico seu desenvolvimento nas escolas, principalmente diante do atual
quadro de riscos socioambientais a que estamos expostos tanto em nível global quanto local.
As DCNEA também incentivam as escolas a constituírem-se como espaços educadores
sustentáveis, promovendo as temáticas relacionadas em seu Projeto Político Pedagógico (PPP),
o que tem reflexos no tratamento curricular, na gestão e no espaço físico escolar.
Iniciativas de educação não formal, como a comunicação popular, também são
reconhecidas por sua extrema importância no contexto de implementação da PNEA. Uma
das linhas de ação do Programa Nacional de Educação Ambiental (ProNEA)4, que cuida da
articulação de ações de comunicação para a Educação Ambiental, é a Educomunicação.
Essa linha contempla metodologias de produção participativa de produtos e ações de
comunicação para a Educação Ambiental e a sustentabilidade, desenvolvidos pelas
próprias comunidades, contextualizados com suas realidades. Iniciativas inspiradoras têm
sido realizadas, como Circuito Tela Verde: Mostra Nacional de Produção Audiovisual
Independente; Plataforma Educares: Práticas de Educação Ambiental e Comunicação
Social em Resíduos Sólidos; Projeto Nas Ondas do São Francisco (veiculação de spots –
peças radiofônicas, produzidos pelas próprias comunidades da Bacia Hidrográfica do São
Francisco); entre outras.
3 O texto completo dessa lei está disponível em: http://bit.ly/2On9fed. Acesso em 05 de dezembro de 2019.
4 Todas as informações sobre as diretrizes e ações de Educomuicação socioambiental desenvolvidas pelo Ministério do
Meio Ambiente estão disponíveis em: http://bit.ly/2OGj1rY. Acesso em 05 de dezembro de 2019.
19
Motivos para abordar os ODS na escola
1
Promover aprendizagens é função social da escola. Isso se dá por meio da
construção e da partilha de conhecimentos, como também pela convivência entre
as pessoas e pela interação de seus diversos modos de ser e de viver, que são
particulares de cada tempo e lugar. Mobilizando-se em torno dos ODS, a escola
insere-se no movimento da sociedade para a realização da Agenda 2030.
2
O ambiente escolar possibilita à criança desenvolver novos valores, habilidades,
atitudes e comportamentos fundamentais para o alcance do desenvolvimento
sustentável. O que se aprende na escola influi na forma como percebemos
o mundo e atuamos sobre ele, exercitando uma cidadania, que é, ao mesmo
tempo, local e planetária.
3
O próprio espaço escolar pode ser um lugar onde as crianças vivenciam na
prática mudanças culturais em direção à sustentabilidade. Além de serem
incluídos no currículo, os ODS podem-se tornar objeto das práticas de gestão e
inspirar alterações no espaço físico da escola.
Vale lembrar que tudo que ocorre na escola tem impacto na vida da comunidade mais
ampla. Afinal, a comunidade escolar é constituída por estudantes e seus familiares,
docentes, funcionários responsáveis pela gestão, limpeza, alimentação, segurança,
bem como pela população residente nas imediações. Se há esforços concretos pela
sustentabilidade, isso terá reflexos sobre todas essas pessoas. A escola, nesse sentido, é
uma irradiadora de influências positivas para o entorno.
Todos precisam ser envolvidos e ter oportunidade de trabalhar/conviver
pedagogicamente, aproveitando a diversidade geracional e as diferentes bagagens
pessoais para o alcance das metas previstas nos ODS. As organizações do entorno, a
exemplo de associações, comércio local, grupos esportivos e religiosos, também podem
contribuir para o processo que se dá na escola, expandindo-o para outros âmbitos.
20
Que tal conhecer como os ODS podem ser trabalhados nas
escolas? O caderno Introdutório, desta série, contém informações
complementares.
Para saber mais
Conheça a Lei nº 9.795/1999 (BRASIL, 1999), que estabelece a Política Nacional de
Educação Ambiental em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9795.htm>
As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental (BRASIL, 2012), que
podem ser úteis no tratamento dos ODS na escola, estão disponíveis em:
<http://bit.ly/2rssBpi>
Para inspirar-se nas metodologias e conhecer os projetos de Educomunicação em
Educação Ambiental (BRASIL, s.d.), acesse: <http://bit.ly/2OGj1rY>
21
PREPARAR PARA A PRÁTICA
Você sabia que deixar a torneira aberta durante a escovação
dos dentes por um minuto pode gerar um desperdício de 14
litros de água5?
Assim, se toda a família usar o volume de um copo de água
só para enxaguar a boca, em apenas um mês, o volume
economizado é suficiente para 40 anos de escovação de
dentes da família toda.
A conscientização e a informação para a mudança de comportamento, por meio da
realização de abordagens pedagógicas para o ODS 6 na escola desde a infância, a partir
de seu trabalho, são peças-chave para que as metas globais da Agenda 2030 saiam do
papel e virem realidade, transformando sociedades, salvando todo o planeta.
Na condição de docentes, quando nos preparamos para ensinar, temos a possibilidade de
expandir nosso próprio saber. Desenvolvemos novas percepções não apenas a respeito do
tema tratado, mas também sobre como ensinar o conteúdo para as crianças, considerando
suas especificidades cognitivas, sociais, culturais, raciais, dentre outras.
De forma concomitante, ao interagirmos com as crianças e suas bagagens próprias,
aprendemos com os diversos saberes e experiências trazidos por elas acerca do conteúdo.
Agregam-se ainda os conhecimentos que vêm da comunidade do entorno e de parcerias,
quando estas são acolhidas pela escola. Esse diálogo de saberes propicia a formação de
uma genuína comunidade de aprendizagem
A seguir, algumas informações que poderão subsidiar o trabalho com ODS 6 na escola.
5 Informações do Instituto Akatu sobre economia de água disponíveis: <https://www.akatu.org.br/dicas/economia-de-agua/>.
22
Direito à água, um direito humano
Em julho de 2010, a Assembleia Geral das Nações Unidas declarou o acesso à
água potável e ao saneamento como um direito humano6, essencial para o gozo
pleno dos demais direitos. Afinal, tudo o que necessitamos para sobreviver na
Terra depende da água. E o saneamento garante que essa água esteja potável,
segura para o consumo, mantendo-nos saudáveis e em condições de exercermos
plenamente nossa cidadania.
A garantia de acesso equitativo à água e ao saneamento em todo o mundo constitui o
Objetivo do Desenvolvimento Sustentável 6. Esse é um desafio em torno do qual todos
os países devem se empenhar nos próximos anos, considerando os enormes esforços
necessários para concretizá-lo. Como parte dessa tarefa, é papel da escola trabalhar sobre
esse tema, enfatizando aspectos insuficientemente tratados nos currículos e que serão
vitais para a reflexão e as práticas das novas gerações.
Metas do ODS 6
Em torno do ODS 6, foram estabelecidas algumas metas (BRASIL, s.d.). Destacamos aquelas
que se relacionam explicitamente à educação básica, que é nosso foco de abordagem.
6.1 Até 2030, alcançar o acesso universal e equitativo à água potável, segura
e acessível para todos.
6.2 Até 2030, alcançar o acesso a saneamento e higiene adequados e
equitativos para todos, e acabar com a defecação a céu aberto, com especial
atenção para as necessidades das mulheres e meninas e daqueles em situação
de vulnerabilidade.
6 Conforme Resolução da Assembleia Geral da ONU, A/RES/64/292, de 28 de julho de 2010.
23
6.3 Até 2030, melhorar a qualidade da água, reduzindo a poluição,
eliminando despejo e minimizando a liberação de produtos químicos
e materiais perigosos, reduzindo à metade a proporção de águas
residuais não tratadas, e aumentando substancialmente a reciclagem e
reutilização segura em âmbito mundial.
6.4 Até 2030, aumentar substancialmente a eficiência do uso da
água em todos os setores e assegurar retiradas sustentáveis e o
abastecimento de água doce para enfrentar a escassez de água, e
reduzir substancialmente o número de pessoas que sofrem com a
escassez de água.
6.5 implementar a gestão integrada dos recursos hídricos em todos os
níveis, inclusive via cooperação transfronteiriça, conforme apropriado.
6.6 Até 2020, proteger e restaurar ecossistemas relacionados com
a água, incluindo montanhas, florestas, zonas úmidas, rios, aquíferos e
lagos.
6.a Até 2030, ampliar a cooperação internacional e o
apoio ao desenvolvimento de capacidades para os países em
desenvolvimento em atividades e programas relacionados à água
e ao saneamento, incluindo a coleta de água, a dessalinização, a
eficiência no uso da água, o tratamento de afluentes, a reciclagem e
as tecnologias de reuso.
6.b Apoiar e fortalecer a participação das comunidades locais,
para melhorar a gestão da água e do saneamento.
24
A importância de garantir água e saneamento como direito
1
2
Para quem dispõe desses benefícios, o acesso à água e ao saneamento provoca
mudanças significativas em suas vidas, melhorando suas condições de saúde e
diminuindo o nível de desigualdade social com grande rapidez.
Por ser um direito, o acesso à água potável e ao saneamento não pode ser
considerado um ato de benevolência do poder público, mas um dever do
Estado a ser garantido para toda a população, independentemente de gênero,
raça ou grupo social a que pertença.
3
As comunidades podem participar, na tomada de decisão, sobre a melhor
gestão das águas e do saneamento e acompanhar os progressos em direção a
sistemas cada vez mais eficientes e sustentáveis.
O que isso significa para as pessoas?
Água em quantidade suficiente - segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS)
(PNUD, 2006), são necessários entre 50 e 100 litros de água por dia para que uma pessoa
possa suprir suas necessidades, como manter-se limpa e em boas condições de saúde,
cozinhar e conservar a higiene de sua moradia. Grande parte das pessoas que possuem
problemas de acesso à água no mundo, no entanto, dispõe de apenas cinco litros por dia —
um décimo da quantidade mínima diária!
Água de qualidade - o acesso às fontes de água seguras é tão importante quanto
dispor da quantidade suficiente. A água para uso doméstico deve ser limpa, ou seja, sem
contaminantes biológicos, químicos e radiológicos que constituam ameaça para a saúde.
Existem normas para medir a segurança da água potável que devem ser seguidas, para
garantir o acesso equitativo a esse bem natural.
Saneamento para todas as pessoas, sem exceção - a coleta e o tratamento dos
esgotos de forma compatível com a realidade de cada local são condições para
universalizar padrões de higiene e fundamentais para a dignidade humana. Da mesma
25
forma, a coleta e a disposição adequada dos resíduos, bem como todas as ações voltadas
a tratar e disponibilizar água, compõem as ações de saneamento básico. Tais ações
possuem papel fundamental na proteção da qualidade das águas superficiais (cursos
d’água) e subterrâneas (aquíferos). Vale salientar também que o saneamento inadequado
contribui para a ocorrência de inúmeras doenças de veiculação hídrica e é uma das
principais causas de mortalidade infantil.
Conquistas dos ODM em água e saneamento
Esse tema compõe a agenda mundial há algumas décadas. Uma das
metas do sétimo Objetivo de Desenvolvimento do Milênio (ODM 7)7
foi justamente o cuidado com a água e o saneamento. Ao fazerem
um balanço do alcance dos ODM (ONU, 2015), as Nações Unidas
concluíram que ocorreram avanços em âmbito global e também no
Brasil. Eis alguns resultados:
Meta original
Reduzir pela metade,
até 2015, a proporção
da população sem
acesso permanente
e sustentável à
água potável e
ao esgotamento
sanitário,
considerando-se os
níveis de 1990.
Alcance Mundial
Alcance no Brasil
Entre 1990 e 2015,
1,9 bilhão de novas
pessoas começaram
a receber água
potável canalizada
em suas residências.
Esse número passou
de 2,3 bilhões para
4,2 bilhões. Ou seja,
mais da metade da
população global
(58%) já dispõe de
acesso a serviços de
abastecimento de
água.
Das metas do ODM 7, a única
que possui um critério objetivo
e mensurável para determinar
seu alcance é a C: reduzir pela
metade, até 2015, a proporção
da população sem acesso
permanente e sustentável à
àgua potável e ao esgotamento
sanitário. Segundo o Relatório
ODM 2013, parte da meta C
foi atingida cinco anos antes do
prazo, com redução do percentual
de pessoas sem água potável
de 24% para 11% da população
mundial entre 1990 e 2010.
7 Os ODM foram estabelecidos pelas Nações Unidas em torno de prioridades mundiais para o alcance da sustentabilidade
no período entre 2000 e 2015. Mais informações podem ser obtidas no caderno “Introdutório”, desta série.
26
Reduzir pela metade,
até 2015, a proporção
da população sem
acesso permanente
e sustentável à
água potável e
ao esgotamento
sanitário,
considerando-se os
níveis de 1990.
Outros 2,1 bilhões de
pessoas obtiveram
acesso a saneamento
melhorado, passando
de 54% para 68% da
população global. A
proporção de pessoas
que ainda defecam ao
ar livre caiu de 24%,
em 1990, para 13%,
em 2015.
Segundo o Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada (IPEA),
de 1990 a 2014, o acesso ao
esgotamento sanitário passou
de 53% para 77%. A população
sem acesso a algum tipo de
saneamento caiu de 47%
para 23%, menos da metade
do observado em 1990. A
população extremamente pobre,
especialmente nas regiões Norte
e Nordeste, foi a mais atendida
(IPEA, 2014)
Duas iniciativas brasileiras que reúnem criatividade e parcerias entre o governo e a
sociedade civil contribuíram para melhorar o acesso à água e ao saneamento, tendo-se
transformado em exemplos para o mundo:
• Programa Cisternas – desenvolvido pela Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), este
programa promoveu o acesso da população rural nordestina à água potável ao criar
mais de um milhão de cisternas para captação de água da chuva. A iniciativa recebeu,
em 2017, o prêmio do World Fund Council, como relevante iniciativa no combate à
desertificação.
• Programa Cultivando Água Boa – realizado pela empresa energética Itaipu
Binacional, em parceria com 29 municípios do Oeste Paranaense, esta iniciativa
desenvolveu 64 ações articuladas visando a melhoria da qualidade das águas na Bacia
Hidrográfica do Rio Paraná III. Ao longo de mais de dez anos de atuação, o programa
recebeu oito prêmios nacionais e internacionais, beneficiando mais de um milhão de
pessoas e tendo sua tecnologia social exportada para diversos outros países como
modelo de política pública que reúne melhoria da qualidade das águas com forte
impacto socioambiental.
27
Distribuição da água no Brasil
Nosso país é privilegiado no acesso à água,
pois 12% de todas as reservas hídricas do planeta circulam em nosso território. Essa água,
porém, tem distribuição muito desigual nas distintas regiões, conforme mostra o mapa.
• A Amazônia, por exemplo, detém quase
70% da água superficial e lá vivem apenas 5%
da população brasileira.
• Enquanto isso, no Sudeste, que abriga 40%
68,5% para a Região Norte
3,3% para a Região Nordeste
da população, a disponibilidade de água nos
cursos d’água é de apenas 6%.
Nos últimos anos, algumas grandes cidades
6% para a Região Sudeste
brasileiras, como São Paulo, Rio de Janeiro
6,5% para a Região Sul
e Brasília, têm enfrentado problemas de
15,7% para a Região Centro Oeste
abastecimento de água e fala-se muito em
crise hídrica, que antes era uma característica
apenas do semiárido nordestino.
Se a água é um bem renovável, por que existe escassez?
A água é um elemento natural que está sempre em movimento e, por isso, recicla-se
continuamente, conforme indica o esquema a seguir:
Este ciclo presta importantes serviços ambientais. Além da alimentação dos cursos d’água,
mantém a fertilidade dos solos, a vida das florestas e dos animais, a qualidade do ar. Vale
lembrar, no entanto, que, embora seja um recurso renovável, a água não está disponível
de forma ilimitada. Cada local e cada estação do ano obedecem a padrões climáticos
específicos, que precisam ser levados em consideração.
28
Quando qualquer elo dessa cadeia é quebrado, todo o ciclo fica comprometido. O estresse
hídrico ocorre, por exemplo, se houver captação acima da capacidade de reposição da
natureza, desmatamento nas áreas de mananciais ou nível de poluição das águas muito
alto. As grandes cidades brasileiras já vivenciam esses problemas em seu cotidiano,
comprometendo a capacidade de recarga dos mananciais.
A crise hídrica como resultado
Mais de 2 bilhões de pessoas não dispõem dos serviços mais básicos, segundo o último
Relatório Mundial das Nações Unidas sobre Desenvolvimento dos Recursos Hídricos
- “Não deixar ninguém para trás”, coordenado e publicado pelo Programa Mundial de
Avaliação dos Recursos Hídricos (WWAP) da UNESCO. (UNESCO, 2019). Em 2015, três
entre dez pessoas (2,1 bilhões) não tinham acesso à água potável segura, e 4,5 bilhões de
pessoas, ou seis entre dez, não tinham instalações sanitárias geridas de forma segura.
Nos últimos 50 anos, a disponibilidade de água per capita no planeta foi reduzida em 60%
(UN WATER, s.d.). Nesse sentido, as Nações Unidas alertam que, em 2030, a população
29
mundial precisará de 40% a mais de água. Assim, podemos perceber que essa conta não
fecha. Em um cenário de escassez, que já se vivencia no presente, como garantir o atendimento
de uma demanda futura de tal magnitude? Daí a necessidade de promover cada vez mais
informação, conhecimento e novas práticas voltadas ao uso sustentável da água.
No Brasil, por exemplo, dos 5.570 municípios existentes, apenas 1.692 (30% deles)
realizaram seus planos municipais de saneamento.8 Tais planos, previstos na Lei nº
11.445/20079 , são essenciais para os financiamentos destinados ao abastecimento de
água, bem como à coleta e ao tratamento de esgotos. Vale lembrar também que esses
planos precisam estar em permanente articulação com outras políticas, como as de manejo
de resíduos sólidos e de manejo das águas pluviais urbanas.
Desafios a enfrentar nas próximas décadas
Poluição – nas cidades, a poluição é causada
pelo despejo de dejetos humanos, resíduos
sólidos e produtos químicos na água. No meio
rural, pelos agrotóxicos e lançamentos de
dejetos humanos e de animais sem tratamento.
Segundo dados divulgados pelo PNUD (2006),
cerca de 1,8 milhão de crianças morrem a
cada ano, no mundo, por beberem água
contaminada. É bom lembrar que, a cada R$
1,00 investido em saneamento, economizam-se
R$ 4,00 com despesas em saúde.
O caderno ODS 11: cidades e comunidades sustentáveis, desta
série, dispõe de mais informações sobre o tema.
8 Segundo dados do SNIS de 2015. (BRASIL. Ministério das Cidades, 2015).
9 A lei n° 21.445, de 5 de janeiro de 2007, que estabelece as diretrizes nacionais para o saneamento básico está disponível
em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/l11445.htm>.
30
Desperdício – o desperdício de água não é um fenômeno
presente apenas nos países desenvolvidos. Quase todos
os que possuem grandes reservas aquíferas estão nessa
condição. Estudos da Agência Nacional de Águas (ANA),
do Brasil, informam que um habitante das cidades consome,
em média, três vezes mais água que um habitante do meio
rural. Além do desperdício individual, ainda há as perdas
causadas pela má gestão das águas nas empresas, bem
como as geradas pelo próprio poder público. Devido a
fraudes e falta de manutenção adequada de vazamentos
nas tubulações, calcula-se que sejam desperdiçados 36,7%
da água tratada nos sistemas de saneamento existentes10.
O caderno ODS 12: Consumo e produção responsáveis, desta
série, dispõe de mais informações sobre o tema.
Mudança do clima – quer acreditemos ou não, o clima
da Terra está mudando. Daqui para frente, teremos de nos
preparar para o que vem por aí. E as mudanças já estão
afetando e afetarão ainda mais o regime de águas de todo
o planeta, inclusive do Brasil. Teremos de adaptar nossas
cidades, a forma de consumirmos água e produzirmos
alimentos, bem como a forma de lidarmos com a pressão
social e econômica causada por ciclos cada vez mais
frequentes de secas e inundações. Em nosso país, a falta ou o
excesso de água são também causas de inúmeros desastres,
como secas intensas, alagamentos e deslizamentos de encostas de morros. Esses eventos
têm-se intensificado nos últimos anos, o que ocasiona perdas humanas e materiais de
grandes proporções, atingindo a vida das comunidades e também as escolas. A prevenção
10 Dados do SNIS de 2015. (VELASCO,. 2017a).
31
de desastres e a adaptação às mudanças do clima são temas que exigem aprofundamento
no ambiente escolar, preparando os estudantes e as comunidades em que vivem para
responder adequadamente a eventos extremos.
A relação entre água e mudança do clima é abordada também
no caderno ODS 13: Ação contra a mudança global do clima
desta série.
Para saber mais
O vídeo O Ciclo da Água (Ciclo Hidrológico) da ANA (ANA, 2014c), pode ser acessado
em: <http://bit.ly/33sEJDM>
O mapa das regiões hidrográficas pode ser encontrado em: <https://www.ana.gov.br/
todos-os-documentos-do-portal/documentos-spr/mapas-regioes-hidrograficas>
O vídeo Resíduo sólido, do Programa Água Brasil, discute o tema do saneamento (ANA,
2015e). Disponível em: <http://bit.ly/2rxPpni>
O Rei Gastão, vídeo selecionado para 4ª Mostra do Circuito Tela Verde, trata do
desperdício de água de forma lúdica (MOSTRA TELA VERDE, 2013). Disponível em:
<http://bit.ly/2q020zs>
A ONU lançou também o Glossário de termos do Objetivo de Desenvolvimento
Sustentável 6, contendo explicações de todos os termos técnicos existentes nas metas
deste ODS (ONU BRASIL, 2018). O material pode ser acessado em:
<http://bit.ly/34u3mBi>
32
Gestão das águas, chave para a paz
Estudos das Nações Unidas informam que 40% da população mundial e 21 países já
enfrentam escassez de água (UM WATER, s.d.). Conflitos violentos pelo controle da água
são registrados em 70 regiões do planeta, ocasionando fome e migrações em massa. A
tendência é que esses conflitos alastrem-se, caso não haja uma gestão eficiente das águas
que seja capaz de compatibilizar os chamados usos múltiplos: abastecimento, geração de
energia, produção agrícola, industrial e pesqueira, e turismo. A gestão sustentável da água
só poderá alcançar sua eficiência máxima, se contar com a participação tanto do governo
quanto da sociedade civil e do meio empresarial.
Distribuição do consumo de água –
embora seja importante fazermos nossa parte,
individualmente, para economizar água, é
necessário desconstruir a ideia de que se
façam economias substanciais de água apenas
desligando-se a torneira. Mesmo lidando com
crianças de 6 a 10 anos, é papel do docente e de
toda a escola contribuir para tratar do tema da
água em sua complexidade. O gráfico a seguir mostra a percentagem de consumo de três
importantes atividades humanas.
Agropecuária – trata-se da atividade humana com maior demanda de água. Segundo
estudos da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), são
necessários cerca de 3 mil litros de água para atender às necessidades de alimentos de
uma única pessoa por dia11. O cultivo de um quilo de grãos, por exemplo, demanda 1.500
11 Publicado no site da ANA sobre o Dia Mundial da Água(2014a). Disponível em: <http://aguasdemarco.ana.gov.br/2014/>.
33
litros, enquanto a produção de um quilo de carne exige dez vezes mais (15 mil litros).
As mudanças do clima exigirão da agropecuária maior adaptação aos biomas e gestão
dos riscos ambientais na produção de alimentos.
Atividades industriais – a água utilizada nos
processos produtivos refere-se ao produto em
si, mas também aos sistemas de aquecimento,
refrigeração e limpeza das dependências das
fábricas. Existem diversas medidas voltadas a
otimizar o uso da água nas atividades industriais,
como o reuso da água em diversos processos,
a captação de água da chuva, a troca de
equipamentos por outros mais eficientes no uso da água e também a devolução da água à
natureza em boas condições de salubridade.
Abastecimento público – a água consumida
nos centros urbanos refere-se tanto aos gastos
domésticos quanto aos produzidos pelo setor de
serviços. A gestão das águas nos centros urbanos
baseia-se no trabalho realizado pelas Estações
de Tratamento de Água (ETA), em processos que
visam a eliminação de agentes contaminantes.
Depende também do tratamento de esgotos,
que evita a contaminação dos solos e dos cursos
d’água com os efluentes produzidos pelas atividades humanas. Além de um eficaz serviço
de fornecimento de água tratada e de captação e tratamento de esgotos, a gestão das
águas deve focalizar o dimensionamento adequado da demanda, a redução do desperdício
individual e coletivo, a conservação dos mananciais e a menor impermeabilização dos solos.
Considerando os usos múltiplos da água, dois grupos de atividades econômicas de grande
importância dependem – para sua manutenção – da integridade dos ambientes aquáticos:
<turismo e pesca/aquicultura>.
34
Turismo – no Brasil, rios, cachoeiras, lagoas
e praias compõem atrativos de grande apelo
popular. Basta verificar a quantidade de turistas
que frequenta anualmente o Pantanal, as
Cataratas do Iguaçu, o Encontro das Águas, em
Manaus, ou as praias nordestinas. O turismo é
uma das atividades que mais depende de água
em boas condições, bem como de ambientes
com potencial cênico e paisagístico, como as áreas protegidas.
Pesca e aquicultura – pesca, seja industrial
ou artesanal, desempenha papel relevante
na produção de alimentos e no sustento das
populações rurais e urbanas, mas necessita de
rios e lagos com água em quantidade e qualidade
suficientes. Isso vale também para berçários
da vida aquática, como são os manguezais.
A manutenção dos ecossistemas aquáticos
dentro de limites de equilíbrio biológico é condição essencial para a sustentabilidade dos
estoques pesqueiros. E isso depende, fundamentalmente, da qualidade das águas.
Água e cultura – É importante que a dimensão
cultural também esteja associada à gestão das
águas e ao seu estudo nas escolas. Afinal, a água
está profundamente enraizada nas tradições
de todos os povos do planeta. Quase todas as
civilizações tiveram início nas proximidades de
rios e fontes d’água. Além do valor utilitário, o
urbanismo, a arquitetura e o paisagismo exploram
os elementos estéticos da proximidade com a água. A reverência a esse elemento natural
está presente nas artes e nas mitologias. Nas religiões cristãs, o batismo representa uma
iniciação à vida espiritual; nas linhagens espirituais de matriz africana existem diversas
divindades ligadas à água; o mesmo ocorre com a tradição das diversas etnias indígenas.
35
Faz parte do processo educativo o contato com as dimensões estéticas, espirituais e de
evocação da memória ancestral como elementos essenciais para o cuidado com as águas.
A Convenção do Patrimônio Natural e Cultural da UNESCO tombou um conjunto
de bens culturais e naturais considerados patrimônio da humanidade. Entre os bens
naturais tombados no Brasil, destacam-se aqueles em que a água desempenha papel
relevante: o Parque Nacional do Iguaçu, o Pantanal, o Parque Nacional do Jaú e a Costa
do Descobrimento são alguns exemplos. O Instituto do Patrimônio Histórico, Artístico e
Natural (Iphan) e os órgãos estaduais e municipais também possuem a diretriz de tombar
sítios considerados relevantes para a preservação do patrimônio hídrico.
ODS 6 na escola
O reconhecimento das potencialidades, dos conhecimentos, das experiências e dos
valores presentes no contexto escolar, bem como as necessidades para o alcance de uma
educação de qualidade para todas e todos, é fundamental para começar o trabalho com
os ODS. Nesse sentido, ao planejar a seleção e a abordagem dos conteúdos a serem
desenvolvidos precisamos atentar para os seguintes pontos:
• características cognitivas, emocionais e socioculturais das crianças;
• objetivos previstos para o período escolar, considerando o Projeto Político
Pedagógico (PPP) das escolas e os conteúdos previstos nele;
• condições da escola (estrutura física e organizacional, aspectos pedagógicos e de
gestão, relação com as famílias e a comunidade);
• possíveis articulações com os colegas docentes, outros funcionários da escola,
movimentos sociais e instituições existentes no local;
• levantamento de ações já realizadas na escola e em outros espaços sociais
favoráveis ao trabalho com este ODS;
• leitura de materiais sobre o ODS para aprofundamento de cada tema;
• seleção de atividades e materiais adequados, incluindo o vídeo do ODS
correspondente.
36
Água e saneamento, temas multidimensionais
O ODS 6 dedica-se a um tema complexo, que possui implicações
sociais, econômicas e ambientais tanto em âmbito local
quanto global. Trata-se também de uma questão
educativa e cultural, porque é cada vez mais necessário
desenvolver consciência sobre a gravidade da
situação que a humanidade está enfrentando em
relação à crise hídrica. Mas a água é também algo
muito próximo, com quem desenvolvemos uma
relação de total familiaridade. Afinal, a água está
presente em nossas vidas desde antes da primeira
respiração, representa 70% de nossos corpos e
acompanha os ciclos de nascimento e morte de tudo
o que existe neste planeta. Nesse sentido, podemos
dizer que água é um elemento essencial à nossa vida e à
vida na Terra.
Dimensões do tema água
O tratamento desta temática na escola envolve conteúdos os mais diversos. Suscita
provocações, a serem exploradas por meio de estudos, pesquisas e atividades
desenvolvidas na própria escola ou fora dela, considerando-se as seguintes dimensões:
Dimensão
Corpo
Conteúdo
Provocações
Hidratação das células
Circulação sanguínea
e linfática Alimentação
O meu corpo respira, alimenta-se, bebe
água, movimenta-se, comunica-se. Como
uso a água? Quais são meus pensamentos,
sentimentos, memórias da água?
Higiene pessoal
Qual a relação da água com minha
saúde?
Memória cultural
Como utilizo água para minha higiene
pessoal e como isso contribui para minha
autoestima e dignidade?
37
De onde vem a água que usamos para
limpar e cozinhar?
Abastecimento
de água
Desperdício
Casa
Coleta e tratamento
de esgoto
Alimentação
De onde vem a eletricidade que usamos?
Como é nosso consumo de água e
energia? Esse consumo atende a nossa
necessidade, sem desperdícios?
Que rituais religiosos praticamos e como
a água se relaciona com eles?
Como é produzido o alimento que
consumimos?
Para onde vai a água servida e os
esgotos?
Existe coleta pública dos resíduos que
produzimos? E para onde vão esses
resíduos depois de coletados?
Nossa casa está em área de risco de
desastres, como encostas de morros e
beiras de rios?
Em que bioma se situa nossa escola?
O clima favorece ou dificulta o acesso à
água? Como lidamos com isso?
Escola /
Comunidade
Bioma e clima
Como a água chega à escola?
Cursos d’água
Como ela é tratada?
Abastecimento
de água
A escola tem projetos e atividades sobre
água? Como nossa escola e comunidade
usam a água?
Coleta e tratamento
de esgoto
Como é feita a coleta e o tratamento de
esgotos?
Desperdício
Como lidamos com os cursos d’água?
O que podemos fazer para tornar nossa
relação com os cursos d’água mais
sustentável?
Onde nossa escola e comunidade
desperdiçam água?
38
Regiões hidrográficas
Aquíferos
Em que região hidrográfica nos situamos?
Quais são os rios mais importantes de
nossa bacia?
Abastecimento
público
Que tradições culturais sobre a água
existem em nossa região?
Atividades
econômicas
Quais são nossas principais atividades
econômicas? Elas são muito ou pouco
exigentes em termos de consumo de
água? Que tipo de poluição produzem e
como é tratada?
Serviços ambientais
Bacia
hidrográfica
País
Água virtual
Mudanças do clima
Prevenção de
desastres
Gestão das águas
Elementos estéticos e
culturais
Mudança do clima
Crise hídrica
Planeta
Prevenção de
desastres
Mananciais
Qual é a importância da floresta em
pé para a oferta de água? Qual é a
importância da mata ciliar?
Que riscos as mudanças climáticas trazem
para nossa região?
O que são os rios voadores e como eles
afetam o clima da Terra?
Como as mudanças climáticas interferem
na oferta de água no planeta?
Como podemos nos prevenir de
desastres provocados pela falta ou
excesso de água?
Como podemos defender os mananciais
para que a água seja um direito humano
na prática?
Fonte: Adaptado de TRAJBER, 2015.
39
Alguns conceitos a serem introduzidos nas escolas
Água virtual – este conceito refere-se à quantidade de água utilizada,
direta ou indiretamente, na produção de algum bem ou serviço. O
Brasil, por exemplo, é um dos maiores produtores e exportadores de
carne, soja, milho, algodão e aves. Ao comercializar esses produtos,
nosso país está exportando também a água necessária para os
produzir. Por isso, o país é também considerado o quinto maior
exportador de água virtual do mundo. Isso acontece não apenas na
agricultura, mas na indústria e no setor de serviços, já que a água
é necessária em processos produtivos, como no aquecimento, na refrigeração e na
higienização de matérias-primas e das dependências das empresas.
Água como mercadoria – a crise hídrica tem levado a uma crescente discussão
mundial em torno da tendência de transformar a água em mercadoria. Com valor
de mercado, a água só seria acessível a quem tivesse dinheiro para pagá-la. Em
alguns lugares, as atividades produtivas desviam tanta água que sobra pouco
para o abastecimento público, por exemplo. Isso vai contra o que determina a
Lei no 9.433/97 (BRASIL, 1997), a chamada Lei das Águas: em momentos de
escassez, o consumo humano e dos animais deve ser priorizado. Por tudo isso,
ao reconhecer o acesso à água e ao saneamento como direito humano, a ONU faz um
importante gesto em favor da vida.
Pegada hídrica – para medir o consumo direto e indireto de água que as pessoas,
comunidades e organizações realizam foi criado o conceito da Pegada Hídrica.
Quanto maior o gasto, maior a pegada. Geralmente, a pegada hídrica indireta de uma
pessoa, ou seja, a água que está embutida em produtos e serviços que ela consome, é
muito maior do que sua pegada hídrica direta (água para beber e para higiene).
No caso brasileiro, por exemplo, apenas 5% da pegada hídrica referem-se ao
consumo de água para beber, cozinhar e lavar. Os 95% restantes estão relacionados
com a compra de produtos, como roupas, mobílias, equipamentos e utensílios e,
principalmente, alimentos. A redução da pegada hídrica está entre os maiores desafios
da sustentabilidade e mexe com nossos padrões de produção e consumo. Reduzir a
40
pegada hídrica é um apelo para todos nós. Mas o que isso significa? No quadro a seguir,
explicitamos ações que podem ser realizadas tanto em relação à pegada direta quanto à
pegada indireta.
Medidas para redução da pegada hídrica
Instalar válvulas de descarga e
chuveiros que economizam água.
Evitar vazamentos nos canos.
Comprar eletrodomésticos de baixo
consumo de água e eletricidade.
Fechar a torneira ao realizar
atividades como lavagem de louça e
escovação dos dentes.
Diminuir o tempo de uso do
chuveiro.
Evitar uso de água tratada na
irrigação de jardim e na limpeza
doméstica.
Evitar o descarte de óleo,
medicamentos, tintas ou outros
poluentes na pia, no tanque ou no ralo.
Pegada indireta
Mudar hábitos de consumo, substituindo
um produto com grande pegada hídrica por
outro com pegada menor. Exemplo: produtos
com menos embalagens e/ou menos
processados.
Diminuir o consumo de carne bovina,
substituindo-a por outras fontes de proteína
com menor pegada no processo produtivo.
Optar por produtos de origem local, com
pegada hídrica adaptada ao clima do bioma.
Utilizar roupas, calçados e outros itens
pessoais até que estejam bem gastos ou doálos/trocá-los.
Exigir que as embalagens dos produtos
contenham informação sobre o gasto real de
água usado em sua produção.
Denunciar vazamentos de água em
tubulações em locais públicos.
Educar-se para o acompanhamento da
gestão dos serviços de água e esgoto,
exercendo o controle social sobre tais
serviços.
Fonte: Autores.
Pegada direta
41
Algumas relações entre Água potável e saneamento (ODS 6) com outros ODS
Fonte: Autores.
Água
potável e
saneamento
42
No caderno Introdutório, há uma tabela com temas que relacionam
os ODS e podem ser abordados na escola. O caderno ODS 14: Vida
na água estabelece interessantes conexões entre água potável e
saneamento e a integridade dos ecossistemas aquáticos.
Para saber mais
O guia da UNESCO, intitulado Educação para os Objetivos de Desenvolvimento
Sustentável: objetivos de aprendizagem, traz orientações sobre como tratar deste e de
outros ODS em sala de aula. Disponível em: <http://bit.ly/2snxxfw>
No Repositório da Agência Nacional de Águas (ANA, s.d.), podem ser encontrados
diversos subsídios para o trabalho sobre água na educação básica: <http://bit.ly/2QVV5lL>
Mais informações sobre o conceito de pegada hídrica podem ser obtidas em (WATER
FOOTPRINT, s.d.): <https://www.natureza-portugal.org/o_nosso_planeta/agua/
pegada_hidrica/>
Palavras indígenas relacionadas com a água podem ser conferidas no glossário
elaborado pela ANA disponível em: <http://www.ana.gov.br/aguaecultura/palavra/
linguas.htm>
A Campanha Água é Vida. E vida não se desperdiça, da ANA, possui 45 spots com dicas
sobre economia da água em residências, na indústria e na agricultura e números sobre seu
consumo no Brasil e no mundo (ANA, 2013). Disponível em: <http://bit.ly/35L7ttf>
Exemplo de conhecimento popular sobre a identificação de veios d´água dos mananciais:
vídeo Conhecimento popular: a busca pela água (ONG CHAPADA, 2016). Disponível
em: <http://bit.ly/2KZFIVU>
O uso consciente da água (USP, 2006) é o título de sugestão de atividade de Educomunicação
produzida pelo Núcleo de Comunicação e Educação da Universidade de São Paulo
(NCE-USP), disponível em: <http://www.usp.br/nce/educomjt/paginas/agua.pdf>
43
AGORA É COM VOCÊ!
A escola é um dos melhores lugares para as crianças aguçarem a curiosidade sobre a
situação do saneamento básico na comunidade; e sobre o uso, o consumo e os impactos
negativos do desperdício da água.
Desenvolver atividades com as crianças dos anos iniciais do ensino fundamental, contudo,
requer cuidado e dedicação. É muito importante criar um ambiente solidário, livre de juízos
de valor, de forma que elas possam-se expressar com liberdade e por meio de diferentes
linguagens (oral, escrita, audiovisual etc.).
Assim, seu trabalho como docente é fundamental para a conscientização dos estudantes
sobre a importância de suas ações, individuais e coletivas, para a transformação local a fim
de salvar a Terra, nosso Planeta Água.
Selecionamos algumas atividades a serem desenvolvidas, considerando a faixa etária
priorizada e as temáticas relacionadas à água. Há ainda indicações de sites e outros recursos
onde será possível conseguir informações para trabalhar os temas do ODS 6.
Mãos à obra!
44
IDEIAS PARA A AÇÃO
Pode-se partir da exibição do vídeo da UNESCO
referente ao ODS 6 (disponível em: bitly.com/
videos_eds) (UNESCO, 2017b) e, com base nas
reações demonstradas pelas crianças, explorar com
elas estes pontos:
(1) o que aprendemos com esse vídeo?
(2) o que já sabemos?
(3) o que queremos aprender?
As respostas a essas perguntas podem dar margem a diversas ações em sala de
aula e/ou na escola. É possível, por exemplo, desenvolver um projeto de pesquisa e, em
seguida, planejar e executar uma campanha sobre o combate ao desperdício de água. O
mais importante é que as iniciativas conquistem o interesse e o empenho das crianças.
1. Ecoauditoria da água na escola12
Objetivo: realizar um diagnóstico sobre o uso da água na escola; propor e implementar
ações para o uso sustentável da água no contexto escolar.
Áreas de conhecimento: Linguagens, Ciências Humanas e Matemática.
Conteúdo: operação numérica, tratamento da informação, abastecimento de água,
qualidade da água, coleta e tratamento de esgoto, uso racional da água,
desperdício, reuso e reutilização da água, captação da água, vocabulário,
produção textual.
Desenvolvimento:
Apresente o vídeo ODS 6 para crianças - Água Potável e Saneamento, da UNESCO, e,
em seguida, provoque uma reflexão sobre a situação da água na escola. Veja algumas
12 Adaptação do material Escolas sustentáveis (BRASIL. MEC, 2011).
45
perguntas orientadoras: como a água chega à escola?
Como ela é tratada? Qual o destino da água utilizada na escola? Como é feita a coleta e
o tratamento de esgotos? Onde nossa escola e comunidade desperdiçam água?
A partir das respostas das crianças, proponha uma investigação para conhecer e
compreender qual a situação atual e o que poderá ser feito para a utilização adequada
da água na escola. Em seguida, apresente e discuta o questionário abaixo, verificando
se há outras questões propostas pelas crianças. As respostas poderão ser obtidas a
partir das observações realizadas por elas mesmas ou por meio do diálogo com outros
profissionais da educação atuantes na escola.
1. De onde vem a água utilizada na escola?
( ) Rua ( ) Poço comum/cisterna ( ) Poço artesiano ( ) Outros (especifique)
2. A água é de boa qualidade?
( ) Sim
( ) Não
2.1. Se não, quais são os fatores que prejudicam a qualidade da água?
(Cabe mais de uma resposta)
( ) Poluição orgânica (coliformes fecais etc.)
( ) Poluição química (metais pesados etc.)
( ) Outros (especifique): _______________________________________
3. O abastecimento de água costuma ser interrompido?
( ) Sim, frequentemente
( ) Sim, eventualmente ( ) Nunca
4. A escola adota medidas para garantir água de qualidade e em quantidade
suficiente para atender a suas necessidades?
( ) Sim
( ) Não
Quais medidas:___________________
5. Há manutenção para evitar desperdício de água nas torneiras, bebedouros,
tanques, pias e descargas?
( ) Sim, frequentemente
46
( ) Sim, eventualmente
( ) Nunca
6. Que destino é dado às águas servidas (pias, chuveiros)?
( ) Correm pelo terreno, sem nenhum tipo de aproveitamento
( ) São usadas para regar as plantas
( ) Vão para o esgoto
7. Há algum tipo de aproveitamento da água da chuva?
8. ( ) Sim
( ) Não
Que tipo de aproveitamento?__________________
9. Qual é a percentagem de água reutilizada? ______________________
10. Consumo de água na escola (em litros). Por duas semanas, registre os dados do
hidrômetro da escola.
Semana 1: ________________________________________________
Semana 2: ________________________________________________
Projeção para um ano letivo (40 semanas): _____________________
Consumo total de água/pessoa/ano: ________________________
Após o levantamento, as informações são socializadas e discutidas em sala de aula,
buscando compreender a situação da água na escola. Por fim, a turma propõe ações
para o uso sustentável da água. Para facilitar a execução e o monitoramento das ações
propostas, é recomendável expor para alunos e responsáveis da escola estes pontos:
o que será realizado? Como? Com quem? Com o quê?, além de priorizar as ações,
considerando as necessidades e as condições para executar.
47
2. Construção de um filtro13
Objetivo: compreender a importância do
tratamento da água para a saúde humana.
1/2
Áreas de conhecimento: Ciências da Natureza,
Ciências Humanas, Linguagens e Matemática.
Conteúdo: saúde, água limpa e água poluída, tratamento da água (filtragem),
proporção, unidades de medida, importância do solo para limpeza da água,
diferença entre água poluída e água contaminada.
Material: uma garrafa plástica transparente de dois litros; um punhado de algodão ou
filtro de café; um copo de areia; um copo de pedras pequenas; tesoura sem
ponta; um copo com água suja.
Desenvolvimento:
Para realização da atividade, é importante que a/o docente corte previamente as
garrafas plásticas, um pouco acima do meio, visando garantir camadas filtrantes de
espessura adequada.
Organize a turma em pequenos grupos (quatro crianças) e oriente para a realização das
etapas seguintes:
• pegar a parte de cima da garrafa e dentro dela colocar o algodão, depois
a areia e, por último, as pedras. Verificar se os tamanhos das camadas estão
proporcionalmente iguais;
• colocar a parte de cima da garrafa dentro da parte de baixo, como se fosse um funil;
• entregar um copo de água para as crianças e pedir que elas observem a cor e o cheiro;
• com o filtro pronto, pedir às crianças que coloquem, aos poucos, a água suja no filtro;
• pedir às crianças que observem atentamente e depois registrem por escrito o que
ocorreu com a água e por quê.
Nesse momento é importante provocar as crianças a refletirem sobre estes pontos:
13 Adaptação de: CIÊNCIA HOJE DAS CRIANÇAS. Um filtro só seu! Disponível em: <http://chc.cienciahoje.uol.com.br/
um-filtro-so-seu/>.
48
quais mudanças ocorreram com a água? A cor e o cheiro sofreram alterações? Por que
a água saiu mais clara e limpa? O que ocorreu com a sujeira da água? Quais os
possíveis usos dessa água filtrada? A água poderá ser bebida? Por quê?
A partir das respostas das crianças comente estas questões: a) a água é filtrada,
mas permanece contaminada, pois não foram eliminadas, por exemplo, pequenas
partículas, bactérias, pesticidas, metais pesados; b) a água aparentemente limpa pode
estar contaminada e não ser adequada para ser bebida, sendo necessário utilizar
outros elementos para purificá-la; c) a importância do solo para limpeza da água; d) a
importância da água limpa e potável para a saúde humana; e) as formas de tratamento
da água e os diferentes usos que podem ser feitos pelos seres humanos. Para
enriquecer a discussão, exiba novamente o vídeo da UNESCO sobre o ODS 6.
Essa atividade poderá sofrer uma pequena modificação: 1) pegar um copo com
água potável e colocar um pouco de sal; 2) despejar essa água salgada no filtro; 3)
pedir aos estudantes que experimentem a água e verifiquem se o sabor foi ou não
alterado (ficou doce ou salgada) e por quê; 3 ) com as respostas obtidas, conversar
sobre estes pontos: o sal não é filtrado por nenhuma das camadas do filtro caseiro;
é muito difícil separar o sal da água, o que torna o processo de dessalinização difícil
e caro; os custos de transformar a água dos oceanos em água potável para todos;
quantidade de água salgada e doce no planeta.
3. Cálculo do custo com água e saneamento
Valor Renda
Valor 5% da renda
Valor Conta
Analisar
C
V
B>C V
B<C X
B=C
A
A x 0,05 = B
Objetivo: compreender a relação entre custo familiar com água e saneamento e os
parâmetros das Nações Unidas sobre o tema; reconhecer a água potável e o
saneamento básico como direitos humanos.
49
Áreas de conhecimento: Matemática, Ciências Humanas e Linguagens.
Conteúdo: cálculo, porcentagem, sistema monetário, vocabulário, participação social,
direito à água potável e ao saneamento básico.
Material: conta de água e esgoto; questionário produzido em sala de aula.
Desenvolvimento:
Esta é uma atividade indicada para escolas em que o abastecimento de água (e talvez o
de esgoto) seja feita por meio de empresa pública ou contratada. Segundo parâmetros
estabelecidos pelas Nações Unidas, os custos dos serviços de água e saneamento não devem
ultrapassar 5% do rendimento familiar. Então, vamos verificar se isso acontece na prática?
Organize a turma em grupos e entregue, para cada um, a cópia de uma conta de água
e um papel com o valor da renda mensal dos membros de uma família hipotética.
Exemplo de família hipotética: cada um dos responsáveis (supondo dois adultos)
recebem um salário mínimo; uma filha e um filho com mais de dezoito anos recebem
um salário mínimo cada um; um filho desempregado; um aposentado recebe um salário
mínimo; duas crianças pequenas, sem rendimento.
Cada equipe deverá somar os recebimentos de todos os membros da família que moram
naquele domicílio para obter a renda familiar. Em seguida, verificará o valor da conta de
água e saneamento daquele mês. Identificará, em seguida, a percentagem da renda familiar
que está comprometida com o pagamento da conta.
Em sala de aula, estudantes comparam os resultados das equipes, verificam a média
calculada pela classe e constroem um gráfico para tratar/organizar os resultados
obtidos. Em seguida conversam sobre 1) a importância desses serviços para o
atendimento da população, inclusive daquelas famílias que ganham menos; 2) as razões
por que a água potável e o saneamento básico são direitos humanos; 3) as medidas a
serem adotadas caso a família não tenha acesso a água e saneamento.
50
4. Excursão a mananciais e a estação de tratamento de água e esgoto
Objetivo: ampliar a compreensão sobre os custos sociais da produção de água
de qualidade.
Áreas de conhecimento: Ciências da Natureza, Ciências Humanas, Linguagens
e Matemática.
Conteúdo: tratamento da água, abastecimento público de água, desperdício, percurso
da água, valor monetário do tratamento e da distribuição da água.
Material: ônibus ou van, equipamentos de registro: máquinas fotográficas, celulares
ou filmadoras.
Desenvolvimento:
Esta atividade em grupo deve ser agendada previamente junto à direção da escola e com as
autoridades locais responsáveis pela gestão das águas, de forma que seja uma visita guiada.
Elabore previamente, com os estudantes, uma lista de perguntas sobre o percurso
da água e os tratamentos que recebe para chegar às nossas casas. Identifique, entre
estudantes, um grupo de entrevistadores e um grupo responsável pelo registro
fotográfico e/ou em vídeo da visita.
Se possível, a visita deverá incluir um passeio às áreas de mananciais, com a
verificação do estado em que se encontram (nível de vegetação das margens,
identificação da qualidade das águas, proximidade ou ausência de moradias, situação
do local de captação das águas). Em seguida, visitem a estação de tratamento
de águas, com a percepção de todos os estágios de tratamento e dos elementos
químicos que são usados no tratamento das águas e dos efluentes. E, por último,
percorram a estação de tratamento de esgotos, verificando os diferentes estágios pelos
quais passam até retornarem aos cursos d’água.
No retorno dessa atividade, os estudantes deverão organizar-se para relatar suas
vivências para a comunidade escolar. Deve-se escolher uma data relevante para a
conservação das águas para reunir toda a comunidade escolar. As atividades propostas
são uma exposição fotográfica; um vídeo de celular bem breve (1 minuto); uma peça teatral.
51
5. Ciclo da água14
Objetivo: reconhecer o ciclo natural da água e as implicações na/da vida humana.
Áreas de conhecimento: Ciências da Natureza, Ciências Humanas e Linguagens.
Conteúdo: ciclo da água, leitura e interpretação de texto, produção de desenho,
implicações das ações humanas no ciclo da água, uso da água pelos humanos.
Material: textos e imagens sobre o tema, atlas geográfico e computadores conectados
à internet, bacia, água e copo.
Desenvolvimento:
A aula pode ser iniciada questionando os estudantes sobre os caminhos percorridos
pela água até as torneiras de casa, buscando valorizar os conhecimentos prévios
trazidos por eles. Pergunte se conhecem a origem da água que abastece a cidade onde
moram. Questione de onde vem a água que utilizamos em nosso cotidiano? Como a
água chega à escola e à nossa casa? Organize uma lista no quadro relacionando os
trajetos citados.
Caso tenha desenvolvido as atividades Escola - ecoauditoria da água e/ou Excursão
a mananciais e a estação de tratamento de água e esgoto, retome as informações e os
resultados obtidos.
Em seguida apresente a música Água, do grupo Palavra Cantada, e logo após convide
os estudantes a cantarem e interpretarem a música. Depois peça que desenhem o que
sentiram e aprenderam com a música. Por fim, solicite que apresentem e comentem
sobre o desenho. Saliente os aspectos referentes ao ciclo da água, articulando com a
realidade dos estudantes e da comunidade. É interessante trazer aspectos concernentes
à sustentabilidade socioambiental da água, destacando o ciclo natural da água e as
implicações geradas pela ação humana nesse ciclo.
14 Adaptação: SANTOS, M. C. Ciclo da água. Disponível em: <https://www.institutonetclaroembratel.org.br/educacao/para-ensinar/planos-de-aula/ciclo-da-agua/>. Acesso em: 10 ago. 2018.
52
6. O funcionamento de rios e bacias hidrográficas15
Objetivo: aprender sobre o conceito de bacia
hidrográfica; identificar as principais bacias
do Brasil e suas possíveis utilizações;
NASCENTE
reconhecer a importância e a necessidade
de sua preservação.
AFLUENTE
Áreas de conhecimento: Ciências da Natureza,
Ciências Humanas e Linguagens.
INTERFLÚVIOS
LEITO
BACIA HIDROGRÁFICA
Conteúdo: bacia hidrográfica, regiões
RIO PRINCIPAL
hidrográficas, serviços ambientais,
aquíferos, atividades econômicas, gestão
FOZ
das águas, leitura e interpretação de texto,
irrigação de plantações, produção de energia elétrica, lazer, transporte e
navegação, vocabulário, mananciais, pontos cardeais, escala cartográfica.
Material: textos e imagens sobre o tema, atlas geográfico e computadores conectados
à internet, bacia, água e copo.
Desenvolvimento:
Etapa 1 – Inicie a atividade entregando tarjetas com palavras, como curso d´água,
rio, córregos, afluentes, nascente, foz, lençol freático. Peça que as crianças
comentem o que significa cada palavra. A partir das respostas, explique os
significados dos termos. Em seguida, aguce a curiosidade das crianças em
relação aos corpos d’água existentes nas proximidades por meio de perguntas
e, logo após, solicite a seguinte pesquisa: qual é o nome do principal curso
d´água que passa pela cidade ou município em que vivemos? Onde ele nasce
e onde acaba? Quais os córregos ou rios secundários que deságuam nesse rio
principal, ou seja, quais seus principais afluentes? e Quais as principais formas
de utilização das águas desse rio pelas pessoas que moram no município?
15 Adaptação: NOVA ESCOLA CLUBE. O funcionamento de rios e bacias hidrográficas. Disponível em: <http://rede.
novaescolaclube.org.br/planos-de-aula/o-funcionamento-de-rios-e-bacias-hidrograficas>.
53
A partir dos resultados trazidos pelas crianças, faça a mediação de uma
roda de conversa sobre as águas que percorrem o lugar onde todos moram
salientando aspectos referentes a abastecimento da cidade, irrigação de
plantações, produção de energia elétrica, lazer, transporte e navegação.
Anote as informações no quadro.
Etapa 2 – Ressalte que os rios nascem em determinado lugar e deságuam em outro.
Explique que o local onde eles nascem chama-se nascente, que eles terminam
na foz e que afluentes são rios menores que deságuam em outros, maiores.
Aproveite a conversa para abordar o conceito de bacia hidrográfica.
1. Pegue um pouco de água em um copo ou tigela e jogue sobre a bacia,
demonstrando que, não importa em que lugar a água caia, ela sempre seguirá
em direção ao fundo da bacia, em função da força exercida pela gravidade.
O mesmo ocorre com os cursos d’água.
2. Após essas demonstrações, explique, utilizando o quadro, que as bacias
hidrográficas são as áreas em que ocorrem a drenagem (captação da água) em
direção a um rio e a seus afluentes. Ela pode ocorrer através do escoamento
superficial ou pelo lençol freático.
3. Explique que a bacia hidrográfica recebe esse nome porque ela funciona
de forma muito semelhante a uma bacia comum, que o rio sempre estará
localizado na parte mais baixa da bacia, pois é para lá que as águas sempre
correm. Pontue que ela é o conjunto de todos os elementos de um rio e
que se forma graças a diferentes cursos d´água, constituindo uma área de
drenagem que funciona como se fosse um cone. Por isso, toda água que cai
em forma de chuva corre por diferentes caminhos até chegar a um rio ou lago
principal. Mostre um esquema de bacia hidrográfica (CEDIBH, s.d.).
4. Lembre que a escola em que estão também se situa em uma bacia
hidrográfica. Instigue os estudantes a saberem em que região hidrográfica a
escola situa-se e quais são os rios mais importantes dessa bacia hidrográfica.
Etapa 3 – Organize grupos e proponha uma atividade no laboratório de informática,
na biblioteca, na sala de leitura ou na sala de aula com a utilização materiais
54
previamente selecionados por você, docente. A finalidade dessa aula é
promover conhecimentos sobre as principais bacias hidrográficas do Brasil.
Peça uma pesquisa sobre as principais bacias existentes em nosso país.
Proponha que a turma observe o mapa contendo as bacias hidrográficas
e problematize: quantas são as bacias hidrográficas existentes no território
brasileiro? Qual é a maior e a menor bacia de nosso país? Quais estão
situadas no estado em que moramos? De qual bacia o lugar em que vivemos
faz parte? Qual é o principal rio dessa bacia? Permita que todos expressem
suas observações e, se necessário, explique as possíveis dúvidas. Peça que
encontrem e/ou identifiquem, na internet, o rio responsável pela drenagem da
bacia onde a escola está localizada. Se não for possível, faça você mesmo e
apresente os resultados em outra aula.
7. As águas têm nomes?
Objetivo: identificar os habitantes tradicionais da localidade onde a escola está situada por
meio dos nomes dos corpos d’água existentes; conhecer a história ambiental local
valorizando as crenças, ritos e hábitos das comunidades relacionados com a água.
Áreas de conhecimento: Linguagens, Ciências Humanas e Ciências da Natureza.
Conteúdo: leitura e interpretação de texto iconográfico, construção de texto,
vocabulário, ortografia, história do bairro e do contexto histórico-ambiental
do espaço em que vive, ação humana no ambiente (ambiente natural e
construído), lençóis freáticos, contaminação da água, relação da água com a
saúde humana.
Material: computador com acesso à internet ou mapa (em meio físico) do município,
celular ou máquina fotográfica.
Desenvolvimento:
Esta é uma atividade em grupo, envolvendo a pesquisa local dos cursos d’água
existentes e seus respectivos nomes. Os estudantes deverão identificar os nomes, a
origem do grupo étnico que deu origem aos corpos d’águas e o significado de cada
um deles. Se possível, fotografarão um dos cursos d’água, de forma a obterem imagens
55
da situação em que se encontram atualmente. Conversarão também com pessoas
mais antigas da comunidade e levantarão informações em sites, materiais impressos,
imagens para identificar como era o bairro ou comunidade em que se situa a escola,
destacando como era o ecossistema local; quais as principais mudanças ocorridas;
aspectos concernentes à água – de onde vem, como chega até as pessoas; vegetação;
animais; uso do espaço – o que as pessoas faziam. Em seguida, deverão organizar as
informações e apresentar, em sala de aula, os resultados obtidos.
Esta atividade poderá subsidiar diálogos sobre os seguintes temas: (1) propriedades das
águas existentes no território a partir dos significados dos nomes; (2) condição atual
dos cursos d’água (limpos e com fluxo livre, canalizados, poluídos, assoreados etc.)
no território; (3) ocupação do território (quem existia antes e quem chegou depois)
relacionada à qualidade da água: principais situações encontradas na pesquisa; (4) relação
da comunidade com os corpos d’água existentes nos locais em que vivem; (5) história
ambiental do bairro e/ou da cidade – relação entre a história da natureza com a história
da sociedade humana.
8. Pegada hídrica
Objetivo: entender o que é pegada hídrica e águas virtuais; propor e desenvolver ações
individuais e coletivas para a redução do consumo de água e da pegada hídrica.
Áreas de conhecimento: Ciências da Natureza, Ciências Humanas e Matemática.
Conteúdo: água virtual, pegada hídrica, consumo consciente, uso da água.
Material: televisor ou computador com caixa de som e projetor multimídia, vídeo.
Desenvolvimento:
Utilize alguns objetos da sala e/ou de uso pessoal da criança e pergunte se há água
naquele objeto. Em caso afirmativo, qual a quantidade estimada. Em seguida, exiba o
vídeo de animação Cartilha Planeta Água16. Logo após, discuta com a turma sobre o
que é água virtual e faça uma estimativa de quanto cada pessoa consome de água por
dia. Na segunda etapa, exiba o vídeo Água virtual e como podemos reduzir nosso
16 Vídeo disponível em (WILIVRO, 2015): <https://www.youtube.com/watch?v=MoVRmwEsdmE>.
56
consumo de água17. Converse com a turma sobre a pegada hídrica (direta e indireta),
indagando se a estimativa realizada aproxima-se do que foi projetado no vídeo.
Por fim, levante propostas individuais e coletivas para a redução do consumo de água e
da pegada hídrica.
9. Jogando dados, jogando ODS
Objetivo: compreender as relações entre o ODS 6 e
os ODS relativos à Saúde e bem-estar (ODS
3), Educação de qualidade (ODS4), Cidades e
comunidades sustentáveis (ODS 11), Consumo
33%
23%
19%
16%
e produção responsáveis (ODS 12), Ação
contra a mudança global do clima (ODS 13),
Vida na água (ODS 14) e Vida terrestre (ODS
15);
Áreas de conhecimento: Ciências da Natureza,
3%
5%
1%
Ciências Humanas, Linguagens e Matemática.
Conteúdo: Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS): Fome zero e agricultura
sustentável (ODS 2); Saúde e bem-estar (ODS 3), Educação de qualidade (ODS
4), Água potável e saneamento (ODS 6), Cidades e comunidades sustentáveis
(ODS 11), Consumo e produção responsáveis (ODS 12), Mudança global do
clima (ODS 13), Vida na água (ODS 14), Vida terrestre (ODS 15).
Material: dados ODS e dado numérico.
Desenvolvimento:
Organize a turma em grupos com cinco a seis crianças e oriente em relação à
dinâmica do jogo. Lance o dado numérico e, simultaneamente, um dos dados
ODS. O primeiro dado corresponde à quantidade de palavras e, o segundo,
ao ODS que deverá relacionar-se com o ODS 6. Ao lançar os dois dados, cada
grupo deverá escrever, no quadro, a quantidade (indicada no dado) de palavras
que expressem a relação entre o ODS sorteado e o ODS 6. A professora poderá
17 Vídeo disponível em USP, 2017. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=4I4FmB-UVDg>.
57
estipular um tempo para respostas. Essas palavras poderão inspirar a elaboração
de desenhos, músicas, murais ou outras produções a respeito dos ODS.
Sugestão de quadro:
ODS 2 ODS 3 ODS 4 ODS 11 ODS 12 ODS 13 ODS 14 ODS 15
ODS 6
58
FOME ZERO E
AGRICULTURA
SUSTENTÁVEL
EDUCAÇÃO DE
QUALIDADE
VIDA
TERRESTRE
AÇÃO CONTRA A
MUDANÇA GLOBAL
DO CLIMA
VIDA
NA ÁGUA
SAÚDE E
BEM-ESTAR
EDUCAÇÃO DE
QUALIDADE
CIDADES E
COMUNIDADES
SUSTENTÁVEIS
SAÚDE E
BEM-ESTAR
FOME ZERO E
AGRICULTURA
SUSTENTÁVEL
CONSUMO E
PRODUÇÃO
RESPONSÁVEIS
Para baixar a imagem do dado, acesse:
https://pt.unesco.org/fieldoffice/brasilia/expertise/education-sustainable-development
Datas que podem inspirar ações na escola
2 de fevereiro – Dia Mundial das Zonas Úmidas
22 de março – Dia Mundial da Água
5 de junho – Dia Mundial do Meio Ambiente
8 de junho – Dia Mundial dos Oceanos
29 de junho – Dia do Pescador
12 de outubro – Dia Mundial para a Prevenção de Desastres Naturais e Dia do Mar
59
AVALIAR O ALCANCE DO ODS 6
Vamos verificar?
Um dos grandes desafios dos processos de participação e mobilização é sua continuidade.
Por isso, convém que o trabalho com os ODS seja encarado como algo permanente e
torne-se parte das discussões pedagógicas de toda a comunidade escolar, principalmente
do corpo docente. Com a autoridade que lhes é conferida no ambiente escolar, docentes
podem atuar como facilitadores desse processo, construindo, com a comunidade escolar,
estratégias para que as ações sejam comunicadas o mais amplamente possível, gerando
mobilização para o alcance dos ODS.
Além de divulgar as ações do grupo no mural da escola, pode-se também criar jornais,
vídeos de celular, blogs e ſites da escola, páginas em redes sociais. É possível também
realizar exposição de fotos ou produções que explicitem os principais avanços alcançados.
As crianças e adolescentes são incrivelmente criativos para encontrar meios de produzir
formas de tornar os conteúdos trabalhados mais atraentes e difundidos. Há também a
possibilidade de inscrever a escola em prêmios de educação, o que tornará o trabalho
realizado visível em outros espaços.
Para facilitar a identificação, a sistematização e a análise dos avanços e projeções, a turma
ou a escola poderá construir um painel nestes moldes:
Esse painel poderá ser preenchido periodicamente a cada 15 ou 30 dias ou conforme a
realidade de cada escola.
60
REFERÊNCIAS
ALBANO, Elton. O ciclo da água: veja como a ação humana pode interferir. 2016. Disponível em: <https://www.
youtube.com/watch?v=8G8OosfOZI4>. Acesso em: 24 jul. 2017.
ANA. Acervo educacional sobre água. Brasília: Agência Nacional de Águas. Disponível em: <https://
capacitacao.ead.unesp.br/dspace/handle/ana/140>. Acesso em: 23 jul. 2017.
ANA. Água e energia é o tema do dia mundial da água. Brasília: Agência Nacional de Águas, 2014a.
Disponível em: <http://aguasdemarco.ana.gov.br/2014/>. Acesso em: 15 ago. 2017.
ANA. Água é vida: e vida não se desperdiça. Brasília: Agência Nacional de Águas, 2013. Disponível em:
<http://www2.ana.gov.br/Paginas/imprensa/evento.aspx?IDEvento=195>. Acesso em: 30 jun. 2017.
ANA. A água nas línguas indígenas. Brasília: Agência Nacional de Águas. Disponível em: <http://www.ana.
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