ODS 4: Educação de Qualidade

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                    Educação para o
Desenvolvimento Sustentável
na Escola
Educação de qualidade

EDUCAÇÃO PARA
O DESENVOLVIMENTO
SUSTENTÁVEL NA ESCOLA

ODS 4
EDUCAÇÃO DE QUALIDADE

BRASÍLIA, 2020

Publicado em 2020 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e a
Representação da UNESCO no Brasil, em cooperação com o Ministério da Educação (MEC).
© UNESCO 2020

Esta publicação está disponível em acesso livre ao abrigo da licença Atribuição-Partilha 3.0 IGO (CC-BY-SA 3.0 IGO) (http://
creativecommons. org/licenses/by-sa/3.0/igo/). Ao utilizar o conteúdo da presente publicação, os usuários aceitam os
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por parte da UNESCO a respeito da condição jurídica de qualquer país, território, cidade, região ou de suas autoridades,
tampouco da delimitação de suas fronteiras ou limites.
As ideias e opiniões expressas nesta publicação são as dos autores e não refletem obrigatoriamente as da UNESCO
nem comprometem a Organização.

Coordenação técnica da Representação da UNESCO no Brasil:
Marlova Jovchelovitch Noleto, Diretora e Representante
Maria Rebeca Otero Gomes, Coordenadora do Setor de Educação
Mariana Alcalay, Oficial do Setor de Educação
Edição e redação: Tereza Moreira e Rita Silvana Santana dos Santos
Pesquisa: Clara Miranda, Isabeli Cristini Santana Oliveira, Rita Silvana Santana dos Santos e Tereza Moreira
Revisão técnica: Setor de Educação da Representação da UNESCO no Brasil, Jane Fontana (Ministério da
Educação), Patricia Fernandes Barbosa (Ministério do Meio Ambiente) e Renata Maranhão (Agência Nacional
de Águas) e Maria Rehder (consultora da UNESCO)
Revisão gramatical e ortográfica: Lúcia Leiria
Revisão editorial: Unidade de Publicações da Representação da UNESCO no Brasil
Capa, Projeto gráfico e diagramação: Raruti Comunicação e Design
Ilustração: Marcela Weigert
Educação para o desenvolvimento sustentável na escola: ODS 4, educação de qualidade / editado por
Tereza Moreira e Rita Silvana Santana dos Santos. – Brasília : UNESCO, 2020.
72 p., il.
Incl. bibl.
ISBN: 978-85-7652-258-4
1. Educação para o desenvolvimento sustentável 2. Desenvolvimento sustentável 3. Qualidade
educacional 4. Desenvolvimento curricular 5. Guia pedagógico 7. Brasil I. Moreira, Teresa II. Santos, Rita
Silvana Santana dos III. UNESCO
CDD 373
Esclarecimento: a UNESCO mantém, no cerne de suas prioridades, a promoção da igualdade de gênero, em todas as
suas atividades e ações. Devido à especificidade da língua portuguesa, adotam-se, nesta publicação, os termos no gênero
masculino, para facilitar a leitura, considerando as inúmeras menções ao longo do texto. Assim, embora alguns termos sejam
escritos no masculino, eles referem-se igualmente ao gênero feminino.

Agradecimentos

A série “Cadernos de Educação para o Desenvolvimento Sustentável na Escola”
foi produzida pelo Setor de Educação da UNESCO no Brasil. O material é
resultado de uma parceria frutífera entre a UNESCO no Brasil e o Ministério da
Educação (MEC) que, no âmbito de seus mandatos, uniram esforços para produzir
um conteúdo de qualidade, fundamental para o nosso século, sobre Educação
Ambiental e Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS).
Gostaríamos de agradecer especialmente a Rita Silvana Santana dos Santos e
a Tereza Moreira, que desenvolveram a série, também enriquecida pelo apoio
técnico de Renata Maranhão, Patrícia Fernandes Barbosa, Jane Fontana e Maria
Rehder, cujas valiosas contribuições foram fundamentais para a preparação destes
cadernos.
Agradecimentos especiais a Thaís Pires e a Thaís Guerra pelo grande apoio e às
integrantes da equipe da Escola da Natureza de Brasília. Esse trabalho contou
também com a experiência e as contribuições de Mariana Braga, Massimiliano
Lombardo, Edneia Oliveira e Maria Clara Mendes.
Esse projeto não seria possível sem o apoio da equipe de publicação da UNESCO
no Brasil e o incansável trabalho gráfico de Edson Fogaça e Marcela Weigert.

Apresentação

Desafios globais, como erradicação da fome, agricultura sustentável, saúde e bemestar, educação de qualidade, acesso à agua potável e saneamento, cidades e
comunidades sustentáveis, consumo e produção responsáveis, mudança climática
global e preservação da vida na água e na terra, entre outros, exigem, mais do
que nunca, uma mudança urgente em nosso estilo de vida, bem como uma
transformação em nosso modo de pensar e agir.
Em 2015, os países das Nações Unidas adotaram a Agenda 2030 para o
Desenvolvimento Sustentável. Trata-se de um plano de ação previamente acordado
pelos Estados-membros, que convoca governos, a sociedade civil e o setor privado
a se comprometerem com a agenda proposta, protegendo e preparando as
gerações futuras, para alcançarmos o mundo que queremos em 2030.
A educação é explicitamente formulada como um objetivo independente, o Objetivo
de Desenvolvimento Sustentável 4 (ODS 4), que visa a “assegurar a educação inclusiva
e equitativa de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da
vida” , sendo, portanto, um fator essencial para atingir todos os demais ODS.
Para possibilitar essas mudanças e vencer esses desafios nos âmbitos local,
nacional, regional e global, precisamos de novas competências, habilidades,
valores e atitudes que assegurem sociedades mais sustentáveis. Nesse sentido,
os sistemas educacionais em geral, e as escolas em particular, como espaços de
socialização fundamental, devem responder a esses desafios prementes, definindo
objetivos e conteúdos de aprendizagem relevantes, introduzindo pedagogias
que inspirem e empoderem docentes e estudantes, e instando suas instituições a
incluir princípios de sustentabilidade em suas estruturas de gestão. A escola, sob
um ponto de vista mais abrangente, está diretamente ligada à sua comunidade, o

que aumenta sua importância e, consequentemente, sua responsabilidade, pois os
conhecimentos ali produzidos irão para além de seus muros, influenciando todo o
seu entorno.
A UNESCO Brasil e o Ministério da Educação (MEC) se uniram para produzir
uma série inédita de materiais pedagógicos, a fim de divulgar a Educação para
o Desenvolvimento Sustentável (EDS) e a Agenda 2030 para estudantes dos
anos iniciais do ensino fundamental, faixa etária para a qual há poucos materiais
educacionais sobre o tema. Além disso, é importante que crianças e jovens sejam
protagonistas da mudança de estilos de vida, contribuindo para criar uma cultura
mais responsável e sustentável. A primeira iniciativa foi produzir, em 2017, nove
vídeos educativos, a partir dos desafios descritos acima, que correspondem aos
ODS cuidadosamente selecionados, considerando sua relação mais direta com
a EDS e com a Educação Ambiental do Brasil: ODS 2 (Fome zero e agricultura
sustentável), ODS 3 (Saúde e bem-estar), ODS 4 (Educação de qualidade), ODS 6
(Água potável e saneamento), ODS 11 (Cidades e comunidades sustentáveis), ODS
12 (Consumo e produção responsáveis), ODS 13 (Ação contra a mudança global do
clima), ODS 14 (Vida na água) e ODS 15 (Vida terrestre).
A partir da produção dos vídeos, desenvolveu-se também esta série de cadernos
sobre a Agenda 2030. Em cada um deles, são sugeridas atividades lúdicas a serem
adaptadas conforme cada contexto escolar, atividades que podem ser utilizadas
tanto na educação formal como na não formal. Essa série é, assim, uma referência
para que profissionais da educação possam trabalhar com os ODS.
Os docentes são atores essenciais para a conscientização das gerações futuras e
da comunidade escolar como um todo, neste caso, com a utilização dos cadernos
que disponibilizamos. Vale lembrar que todos os 17 ODS estão interligados e
serão trabalhados ao longo desta série. Esta primeira edição será testada em
caráter piloto no Brasil, em suas cinco regiões, para, em seguida, ser validada e
amplamente divulgada no país e no mundo.
Dessa forma, os cadernos somam-se aos esforços que a UNESCO vem realizando,
desde 1992, com a instituição da Década das Nações Unidas para a Educação para

o Desenvolvimento Sustentável (2005-2014) e, atualmente, dando continuidade às
ações por meio do Programa de Ação Global para a EDS (2015-2030).
No Brasil, esse trabalho fortalece as ações que o MEC tem realizado para promover
a Educação Ambiental. Em sentido amplo, esse trabalho valoriza e reconhece a
importância do local para garantir a sobrevivência do global, contribuindo assim para
assegurarmos um mundo mais sustentável em 2030.

UNESCO no Brasil

Ministério da Educação (MEC)

Sumário
OBJETIVOS DA APRENDIZAGEM...............................................................................10
UMA AGENDA GLOBAL................................................................................................. 11
Todos a bordo!....................................................................................................................... 11
É preciso educar-se para a sustentabilidade.................................................................. 17
Políticas de Educação Ambiental no Brasil................................................................................19
Motivos para abordar os ODS na escola.......................................................................20
PREPARAR PARA A PRÁTICA ...................................................................................... 22
Um longo percurso.............................................................................................................23
Educação, tema-chave para a Agenda 2030..............................................................25
Fatores que desafiam a conquista do ODS 4...............................................................29
A política nacional de educação e o ODS 4................................................................. 31
Início do trabalho com o ODS 4 na escola...................................................................36
IDEIAS PARA A AÇÃO.................................................................................................... 45
AVALIAR O ALCANCE DO ODS 4............................................................................. 64
REFERÊNCIAS................................................................................................................... 65
ANEXO............................................................................................................................... 70

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
Este caderno trata da educação, um direito humano fundamental e
base para a garantia dos demais direitos, para a consolidação da paz
e para o alcance do desenvolvimento sustentável. Por isso, o Objetivo
do Desenvolvimento Sustentável 4 (ODS 4) visa “Assegurar a educação
inclusiva e equitativa de qualidade, e promover oportunidades de
aprendizagem ao longo da vida para todos”.
Com as orientações e indicações aqui propostas, pretendemos contribuir
para realizar as seguintes ações:
•

facilitar a compreensão de que a educação é um direito humano

fundamental de crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos e é base para
garantir outros direitos, como inclusão social, diversidade étnica, racial e cultural, paz
e não violência;
• contribuir para que a comunidade escolar aprenda a respeito dos Objetivos do
Desenvolvimento Sustentável (ODS) por meio da inclusão das temáticas abordadas
no Projeto Político Pedagógico (PPP);
• colaborar com a realização dos ODS na escola, de forma a fortalecê-la como um
espaço que promove a sustentabilidade, a inclusão e a cultura de paz;
• contribuir para que a educação de qualidade seja direito garantido para todas as
pessoas, sem exceção, da primeira infância ao longo da vida, na realidade da escola,
no município, no estado, no país e em todo o planeta;
•dar subsídios para docentes criarem abordagens pedagógicas para os ODS
contextualizadas com a realidade de suas escolas e comunidades, valorizando as
diversidades e contribuindo para a criação de um ambiente sem discriminação, a
cultura de paz e o exercício à cidadania;
• estimular a realização e a criação de atividades sobre os ODS que propiciem
espaços de escuta e participação dos sujeitos do direito à educação e profissionais
da educação, partindo do chão da escola, abrangendo toda a comunidade.
10

Crédito da arte: Ken Robinson/Global Goals

UMA AGENDA GLOBAL
Todos a bordo!
Qual educação precisamos oferecer hoje para garantir uma vida mais sustentável até 2030?
Desde setembro de 2015, o mundo está diante de um novo desafio: alcançar – até 2030 –
os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Trata-se de um ambicioso conjunto
de 17 objetivos e 169 metas, que foi adotado por 193 países-membros das Nações Unidas.
Esses objetivos buscam “garantir uma vida sustentável, pacífica, próspera e equitativa na
Terra, para todos, agora e no futuro” (UNESCO, 2017a, p. 6).
Os ODS foram definidos por meio de um amplo processo de negociações, que durou
três anos e envolveu a participação de governos e da sociedade civil dos diversos
países. Contou ainda com a contribuição de cidadãos de todo o planeta por meio de
consultas on-line. O resultado desse esforço mundial compõe a Agenda 2030 para o
Desenvolvimento Sustentável, que comporta os 17 ODS e suas respectivas metas.
Desde então, milhões de pessoas e instituições, em todo o mundo, têm-se mobilizado em
resposta ao chamado dos ODS. Elas estão buscando maneiras de transformar os desafios
globais em objeto de suas reflexões e práticas locais, visando contribuir para o alcance
de metas tão ambiciosas. Afinal, isso pressupõe mudanças de estilo de vida, aquisição
de valores, habilidades, atitudes e comportamento que conduzam à construção de
sociedades mais sustentáveis.
11

É nesse contexto que a Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS) faz-se
presente. Todas as pessoas que vivem o cotidiano escolar como você, profissionais da
educação, estudantes, famílias e comunidade, são agentes de transformação fundamentais
para que os ODS sejam alcançados até 2030.
A partir da realização de ações contextualizadas com a realidade das escolas, incluindo a
mobilização de mais pessoas, você pode fazer toda a diferença para a Agenda 2030 ‘sair
do papel’, ajudando a dar vida e significado às metas em seu dia a dia.
Crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos, sem exceção, são fundamentais para a
transformação local no âmbito desse movimento global. E o melhor lugar do mundo para
tudo isso começar é a escola.
Com o objetivo de incentivar a compreensão, o debate, o exercício e a criação de práticas
pedagógicas transformadoras inspiradas nos ODS, contextualizadas com os desafios de
cada comunidade e região onde as escolas estão inseridas, esta série chega até você.
Os vídeos e os cadernos que a compõem visam divulgar os ODS e fornecer subsídios para
o tratamento pedagógico de nove temas considerados mais relevantes para a EDS e o
atendimento dos estudantes na faixa etária entre seis e dez anos1.
A partir de explicação feita pelas próprias crianças, os vídeos, disponíveis em <bitly.com/
videos_eds> (UNESCO, 2017c), propiciam uma primeira aproximação com os temas.
Os cadernos, com conteúdos básicos e materiais de referência, apresentam os ODS e
suas metas aos docentes, subsidiando e estimulando o desenvolvimento e a criação de
diversas atividades pedagógicas, como pesquisas, jogos e brincadeiras, com os estudantes.
Lembrando que não existe receita pronta, quem vai trilhar o caminho para a materialização
disso tudo é você, em aliança com estudantes e comunidade escolar.
Vamos começar?

1. Para a elaboração desta série foram identificados 9 ODS que têm relação direta com a Educação Ambiental do Brasil e a
EDS da UNESCO para dos anos iniciais do ensino fundamental esta faixa etária (6 a 10 anos). Lembrando que todos os 17
ODS estão interligados e serão trabalhados ao longo desta série.

12

Estes são os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável

Fonte: ONU BRASIL, 2015. <https://nacoesunidas.org/pos2015/>.

Objetivo 1: Erradicação da pobreza – Acabar com a pobreza em todas as suas formas,
em todos os lugares.
Objetivo 2: Fome zero e agricultura sustentável – Acabar com a fome, alcançar a
segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável.
Objetivo 3: Saúde e bem-estar – Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar
para todos, em todas as idades.
Objetivo 4: Educação de qualidade – Assegurar a educação inclusiva e equitativa de
qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos.
Objetivo 5: Igualdade de gênero – Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas
as mulheres e meninas.
Objetivo 6: Água potável e saneamento – Assegurar a disponibilidade e gestão
sustentável da água e saneamento para todos.
Objetivo 7: Energia limpa e acessível – Assegurar o acesso confiável, sustentável,
moderno e a preço acessível à energia para todos.
Objetivo 8: Trabalho decente e crescimento econômico – Promover o crescimento
econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho
decente para todos.
13

Objetivo 9: Indústria, inovação e infraestrutura – Construir infraestruturas resilientes,
promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação.
Objetivo 10: Redução das desigualdades – Reduzir a desigualdade dentro dos países e
entre eles.
Objetivo 11: Cidades e comunidades sustentáveis – Tornar as cidades e os
assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis.
Objetivo 12: Consumo e produção responsáveis – Assegurar padrões de produção e
de consumo sustentáveis.
Objetivo 13: Ação contra a mudança global do clima – Tomar medidas urgentes para
combater a mudança climática e seus impactos.
Objetivo 14: Vida na água – Promover a conservação e o uso sustentável dos oceanos,
dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável.
Objetivo 15: Vida terrestre – Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos
ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação,
deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade.
Objetivo 16: Paz, justiça e instituições eficazes – Promover sociedades pacíficas e
inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e
construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis.
Objetivo 17: Parcerias e meios de implementação – Fortalecer os meios de
implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável.

14

Princípios dos ODS
• Cada país e cada localidade tem seus próprios desafios e pode alcançar os
ODS com base em sua própria realidade.
• Ninguém deve ficar para trás. É fundamental que todos sejam incluídos nos
esforços e nos benefícios do desenvolvimento sustentável.
• Os objetivos devem ser vistos de forma integrada: o alcance de um ODS
relaciona-se com o alcance dos demais.

Direitos Humanos: a base dos ODS
Conforme o preâmbulo da Agenda 2030, em todos os ODS há temas
que dialogam com o cumprimento dos direitos humanos. Os ODS,
assim como os direitos humanos, são integrados e indivisíveis, por essa
razão, sua aplicação exige uma abordagem sistêmica, integrada e que
envolve esforços globais.
A abordagem pedagógica com os ODS é uma oportunidade para, a
partir da perspectiva da Educação para o Desenvolvimento Sustentável
(EDS), discutir os direitos humanos no ensino fundamental, contribuindo
para a implementação do Plano Nacional de Educação em Direitos
Humanos (PNEDH) e a promoção de uma cultura de paz e ambiente não
discriminatório, de valorização e respeito às diversidades na escola.
O caderno ODS 4: Educação de qualidade,
desta série, dispõe de informações sobre o tema
da Educação em Direitos Humanos (EDH). O
caderno Introdutório, desta série, traz uma tabela,
produzida pela ONU, com a relação de cada ODS
com os direitos humanos relacionados, com base
nos tratados e documentos internacionais.

15

Depende de nós
Os ODS constituem uma agenda de direitos e não possuem natureza
legalmente vinculante, ou seja, nenhum país sofrerá sanções por deixar de
cumpri-los. Quando os países comprometem-se com esses direitos, porém,
eles assumem o compromisso político de criar uma estrutura nacional para sua
implementação. Isso envolve o estabelecimento de leis, políticas, planos e programas,
medidas que permitem aos ODS serem tratados por meio de ações coletivas.
O Brasil foi um dos principais articuladores da formulação dos ODS. Por isso, o país tem pela
frente a responsabilidade de implementar essa agenda. Uma missão que é tanto do governo
quanto da população. Diversos segmentos sociais estão se organizando para a implementação
dos ODS: governos nas esferas federal, estadual e municipal, meio empresarial e instituições
filantrópicas, universidades e instituições de pesquisas, organizações não governamentais e
movimentos sociais que apostam no sucesso da Agenda 2030.
No âmbito da sociedade civil, vale ressaltar a importância do envolvimento das escolas,
dos educadores, das comunidades, das famílias, das crianças e da juventude. Todos têm
um papel a desempenhar na realização dos ODS e, de maneira especial, no exercício do
direito à educação de qualidade.

Para saber mais
É interessante, ao iniciar o diálogo sobre os ODS, também explicar o que é a ONU, como
funciona, qual seu papel, suas principais temáticas e o contexto da criação dos ODS. Informações
em (ONU BRASIL, s.d.): <https://nacoesunidas.org/conheca/como-funciona/>.
Selecionamos três vídeos disponibilizados pela ONU Brasil sobre a Agenda 2030:
A ONU tem um plano: os Objetivos Globais (ONU BRASIL, 2017), que explica em
linguagem simples o que são os ODS: <http://bit.ly/2rqqxOe>

16

Transformando os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio rumo a 2030 (ONU
BRASIL,2015) faz um balanço do alcance dos ODM e lança a plataforma 2030. Disponível
em: <http://bit.ly/2DfaZQf>
Há também o vídeo ODS: não deixar ninguém para trás (ONU BRASIL, 2016), que
enfatiza o sentido do slogan da Agenda 2030, e está disponível em:
<http://bit.ly/2qN6Ccm>
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) acompanha a implementação
dos ODS. No portal, criado com essa finalidade, é possível encontrar vídeos, entrevistas
e diversos recursos para quem quiser saber mais sobre o tema. O vídeo IBGE Explica
– Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (Introdução) (IBGE, 2016) fornece
informações adicionais sobre os objetivos. Disponível em: <http://bit.ly/2pU0P4A>

O caderno Introdutório, desta série, traz mais subsídios sobre o
histórico das agendas internacionais para o século XXI e detalhes sobre a
Agenda 2030. É fortemente recomendada a leitura desse caderno, que
fornece a base para utilizar as demais publicações desta série.

É preciso educar para a sustentabilidade
A busca do desenvolvimento sustentável exige um amplo movimento voltado à mudança
de mentalidades, atitudes e comportamentos. O trabalho pedagógico envolvendo os ODS
tem sido realizado mundialmente na perspectiva da Educação para o Desenvolvimento
Sustentável (EDS). Segundo a UNESCO (2017a), a EDS pode ser conceituada como uma
educação nos âmbitos formal, não formal e informal que contribui para que as pessoas
pensem criticamente, identificando elementos insustentáveis em suas vidas e na sociedade,
e ajam por mudanças sociais e ambientais positivas.
17

Segundo a Declaração de Incheon, por meio da EDS, desenvolvem-se “habilidades, valores e
atitudes que permitem aos cidadãos levar vidas saudáveis e plenas, tomar decisões conscientes e
responder a desafios locais e globais” (UNESCO, 2015b, p. 8). Por isso, a EDS é entendida como
parte da educação de qualidade e da aprendizagem ao longo da vida. Relaciona-se diretamente
com o ODS 4 e indiretamente com os demais ODS, pois dá suporte aos indivíduos para que
transformem seu próprio comportamento, aprendam a participar de processos coletivos e
engajem-se em mudanças sociais, econômicas e políticas em direção à sustentabilidade.

O esquema a seguir sintetiza as habilidades a serem desenvolvidas ao trabalhar com EDS2.
Principais dimensões conceituais da EDS

Habilidades
cognitivas

Habilidades
socioemocionais

Os estudantes constroem conhecimentos, compreensão e raciocínio
crítico sobre questões globais e sobre a interconectividade /
interdependência entre países e entre diferentes populações.
Os estudantes desenvolvem o sentimento de pertencer a uma
humanidade comum, ao compartilhar valores e responsabilidades e
ao perceberem-se possuidores de direitos.
Os estudantes demonstram empatia, solidariedade e respeito por
diferenças e diversidade.

Habilidades
comportamentais

Os estudantes agem de forma efetiva e responsável nos contextos
local, nacional e global, em prol de um mundo mais pacífico e
sustentável.

Fonte: Adaptado de UNESCO, 2013.

2 Esquema desenvolvido pela UNESCO com base em contribuições de especialistas em Educação para a Cidadania
Global (ECG) e a Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS) de todo o mundo e na consultoria técnica sobre ECG,
realizada em Seul, Coreia do Sul, em 2013, e no Primeiro Fórum da UNESCO sobre a Educação para a Cidadania Global,
que ocorreu em Bangkok, Tailândia, em 2013.

18

Políticas de Educação Ambiental no Brasil
No Brasil, desde a década de 1990, existem políticas públicas voltadas a estimular a busca
da sustentabilidade socioambiental, algumas das quais se baseiam na Lei nº 9795/99
(BRASIL, 1999), que instituiu a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA). Essa
lei estabelece que a Educação Ambiental constitui-se de processos que possibilitem a
construção de conhecimentos e valores, bem como de ações individuais e coletivas em
prol da sustentabilidade socioambiental.
No âmbito da educação formal, o Conselho Nacional de Educação (CNE), em 2012,
estabeleceu as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental (DCNEA)
(BRASIL, 2012). Tais diretrizes reconhecem o papel transformador da Educação Ambiental
e consideram estratégico seu desenvolvimento nas escolas, principalmente diante do atual
quadro de riscos socioambientais a que estamos expostos tanto em nível global quanto local.
As DCNEA também incentivam as escolas a constituírem-se como espaços educadores
sustentáveis, promovendo as temáticas relacionadas em seu Projeto Político Pedagógico (PPP),
o que tem reflexos no tratamento curricular, na gestão e no espaço físico escolar.
Iniciativas de educação não formal, como a comunicação popular, também são reconhecidas
por sua extrema importância no contexto de implementação da PNEA. Uma das linhas de
ação do Programa Nacional de Educação Ambiental (ProNEA)3, que cuida da articulação
de ações de comunicação para a Educação Ambiental, é a Educomunicação. Essa linha
contempla metodologias de produção participativa de produtos e ações de comunicação
para a Educação Ambiental e a sustentabilidade, desenvolvidos pelas próprias comunidades,
contextualizados com suas realidades. Iniciativas inspiradoras têm sido realizadas, como Circuito
Tela Verde: Mostra Nacional de Produção Audiovisual Independente; Plataforma Educares:
Práticas de Educação Ambiental e Comunicação Social em Resíduos Sólidos; Projeto Nas
Ondas do São Francisco (veiculação de spots – peças radiofônicas, produzidos pelas próprias
comunidades da Bacia Hidrográfica do São Francisco); entre outras.
3 Todas as informações sobre as diretrizes e ações de Educomuicação socioambiental desenvolvidas pelo Ministério do
Meio Ambiente estão disponíveis em: BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Educomunicação. Disponível em: <http://
www.mma.gov.br/educacao-ambiental/educomunicacao.html>.

19

Motivos para abordar os ODS na escola

1

Promover aprendizagens é função social da escola. Isso se dá por meio da
construção e da partilha de conhecimentos, como também pela convivência entre
as pessoas e pela interação de seus diversos modos de ser e de viver, que são
particulares de cada tempo e lugar. Mobilizando-se em torno dos ODS, a escola
insere-se no movimento da sociedade para a realização da Agenda 2030.

2

O ambiente escolar possibilita à criança desenvolver novos valores, habilidades,
atitudes e comportamentos fundamentais para o alcance do desenvolvimento
sustentável. O que se aprende na escola influi na forma como percebemos
o mundo e atuamos sobre ele, exercitando uma cidadania, que é, ao mesmo
tempo, local e planetária.

3

O próprio espaço escolar pode ser um lugar onde as crianças vivenciam na
prática mudanças culturais em direção à sustentabilidade. Além de serem
incluídos no currículo, os ODS podem-se tornar objeto das práticas de gestão e
inspirar alterações no espaço físico da escola.

Vale lembrar que tudo que ocorre na escola tem impacto na vida da comunidade mais
ampla. Afinal, a comunidade escolar é constituída por estudantes e seus familiares,
docentes, funcionários responsáveis pela gestão, limpeza, alimentação, segurança,
bem como pela população residente nas imediações. Se há esforços concretos pela
sustentabilidade, isso terá reflexos sobre todas essas pessoas. A escola, nesse sentido, é
uma irradiadora de influências positivas para o entorno.
Todos precisam ser envolvidos e ter oportunidade de trabalhar/conviver pedagogicamente,
aproveitando a diversidade geracional e as diferentes bagagens pessoais para o alcance das
metas previstas nos ODS. As organizações do entorno, a exemplo de associações, comércio
local, grupos esportivos e religiosos, também podem contribuir para o processo que se dá na
escola, expandindo-o para outros âmbitos.
20

Que tal conhecer como os ODS podem ser trabalhados nas
escolas? O caderno Introdutório, desta série, contém informações
complementares.

Para saber mais
Conheça a Lei nº 9.795/1999 (BRASIL, 1999), que estabelece a Política Nacional de
Educação Ambiental em: <http://bit.ly/2On9fed>
As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental (BRASIL, 2012), que
podem ser úteis no tratamento dos ODS na escola, estão disponíveis em:
<http://bit.ly/2rssBpi>
Para inspirar-se nas metodologias e conhecer os projetos de Educomunicação em
Educação Ambiental (BRASIL, s.d.), acesse: <http://bit.ly/2OGj1rY>

21

PREPARAR PARA A PRÁTICA
A escola é um dos espaços mais legitimados para o trabalho
com o ODS 4. Afinal, não há ninguém melhor e mais
especializado que docentes, profissionais de educação,
estudantes e membros da comunidade escolar para falar
sobre educação de qualidade. Para despertar nas crianças,
desde cedo, essa conscientização, é fundamental que os
docentes trabalhem com abordagens pedagógicas para a
Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS) e que estimulem espaços de escuta
e participação.
Na condição de docentes, quando nos preparamos para ensinar, temos a possibilidade
de expandir o nosso próprio saber. Desenvolvemos novas percepções não apenas a
respeito do tema tratado, mas também sobre como ensinar o conteúdo para as crianças,
considerando suas especificidades cognitivas, sociais, culturais, raciais, entre outras.
De forma concomitante, ao interagirmos com as crianças e suas bagagens próprias,
aprendemos com os diversos saberes e experiências trazidos por elas acerca do conteúdo.
Agregam-se ainda os conhecimentos que vêm da comunidade do entorno e de parceiros,
quando estes são acolhidos pela escola. Esse diálogo de saberes propicia a formação
de uma genuína comunidade de aprendizagem. Por isso, o tema da educação é tão
importante e transversal aos outros 16 ODS.
A seguir, são apresentadas algumas informações que poderão subsidiar a abordagem do
ODS 4 na escola.

22

Um longo percurso
O percurso de conquistas na educação ganhou impulso a partir de 2000, quando foram
estabelecidos os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), uma agenda global
composta de oito compromissos a serem cumpridos entre 2000 e 2015. Desde então, o
mundo fez progressos notáveis, sobretudo no acesso à escolarização formal. (É possível
saber sobre os ODM no caderno Introdutório desta série).

Conquistas dos ODM na área da educação
Os ODM vigoraram até 2015 e contribuíram para avanços significativos na educação, em
âmbito mundial e também no Brasil. Dentre os resultados obtidos pelo ODM 2: Alcançar
a educação primária universal, vale ressaltar os seguintes:
Objetivo

Universalizar o
acesso à
educação
básica.

Alcance mundial

Alcance no Brasil

A taxa de matrículas subiu de
83% em 2000 para 91% em
2015, com o acréscimo de
quase 50 milhões de crianças
na escolarização formal.

Em 2000, 95,3% das crianças de 7
a 14 anos estavam na escola. Esse
número subiu para 98% em 2015.

A taxa de alfabetização entre
os jovens com 15 a 24 anos
aumentou de 83% para 91%
entre 1990 e 2015.

A porcentagem de jovens de 15 a
24 anos, com pelo menos seis anos
de estudo, passou de 81,1%, em
2000, para 84,9% em 2016.

Fonte: ONU BRASI, 2015; INEP, 2016.

Uma das preocupações em âmbito mundial é a menor presença feminina no contexto
escolar. Segundo o Censo INEP de 2016, esse é um tema superado no Brasil. A diferença
nos percentuais de matrículas entre meninos e meninas é da ordem de 5% no ensino
fundamental e de 18% no ensino médio. Só que a favor das mulheres!
Outro ponto de destaque nas conquistas brasileiras é a crescente inclusão. Cerca de 80%
dos estudantes com deficiência, transtornos globais de aprendizagem e altas habilidades
estavam matriculados em escolas regulares em 2015 (INEP, 2016).
23

Com o aumento do acesso de crianças e jovens à escolarização formal, o
desafio maior tem sido garantir uma educação de qualidade para todos.
Com a formulação dos ODS, novamente a educação entrou em pauta,
como tema do ODS 4.
A Declaração de Incheon, que acompanhou o desenvolvimento do
ODS 4, foi aprovada em 21 de maio de 2015 no Fórum Mundial de
Educação, ocorrido na cidade Incheon, na Coreia do Sul. Mais de
1.600 participantes de 160 países, incluindo mais de 120 ministros,
chefes e membros de delegações, líderes de agências e funcionários de
organizações internacionais, além de representantes da sociedade civil, da
profissão docente, do movimento jovem e do setor privado, adotaram a
Declaração de Incheon para a Educação 2030, que estabelece uma nova
visão para a educação nos próximos 15 anos.
A UNESCO, como agência especializada das Nações Unidas para a
educação, foi encarregada de liderar a agenda da Educação 2030 com
seus parceiros.
Essa declaração resultou no Marco de Ação da Educação 2030, adotado por 184 Estadosmembros da UNESCO, em 4 de novembro de 2015, em Paris. Esse documento é resultado
de um esforço coletivo que envolveu consultas profundas e abrangentes, que foram
conduzidas e assumidas pelos países e facilitadas pela UNESCO, bem como por outros
parceiros. O roteiro de implementação para atingir as dez metas de educação é o Marco
de Ação da Educação 2030, que fornece orientação aos governos e parceiros sobre
como transformar os compromissos em ações.
A Declaração de Incheon defende a inclusão como alicerce de uma educação
transformadora e compromete-se a enfrentar a exclusão. Acesse a íntegra do
documento com narração, audiodescrição e Língua Brasileira de Sinais (Libras) em:
<http://maisdiferencas.org.br/projeto/declaracao-de-incheon/>
Fonte: ONG Mais Diferenças.

24

Educação: tema-chave para a Agenda 2030
O ODS 4 busca “assegurar a educação inclusiva e equitativa
de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem
ao longo da vida para todos”.
Diversos conceitos da Declaração de Incheon deram origem
a esse objetivo. Destacamos aqui os principais:
Educação inclusiva – envolve o respeito à diversidade e às necessidades dos
estudantes que lidam com múltiplas formas de discriminação e, por vezes, com situações
emergenciais, que constituem obstáculos à realização do direito à educação. Deve-se dar
atenção especial à discriminação baseada em gênero, bem como aos grupos vulneráveis.
Educação equitativa – relaciona-se ao dever de garantir que circunstâncias pessoais
ou sociais, como gênero, origem étnica ou contexto econômico, não sejam obstáculos
ao acesso à educação e que todos os indivíduos atinjam pelo menos um nível mínimo de
habilidades básicas.
Educação de qualidade – segundo a Declaração de Incheon (UNESCO, 2015b),
paralelamente ao aprimoramento das habilidades básicas de alfabetização e matemática,
a educação de qualidade deve promover a criatividade, o pensamento crítico e a
capacidade de resolver problemas, bem como o desenvolvimento de habilidades
interpessoais e socioemocionais. Segundo esse documento, a educação de qualidade
“desenvolve habilidades, valores e atitudes que permitem aos cidadãos levar vidas
saudáveis e plenas, tomar decisões conscientes e responder a desafios locais e globais”.
Educação ao longo da vida – trata-se de uma educação continuada, que tem início no
interior da família e da comunidade, estendendo-se para escolas, universidades, cursos
técnicos, organizações sociais, entidades culturais, meios de comunicação, incluindo o uso
adequado das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC).
Educação para todos – o direito à educação é universal, ou seja, independe de
sexo, idade, raça, cor, língua, religião, opinião política, condição física e mental,
origem étnica, nacional ou social. Isso vale também para imigrantes, grupos indígenas
25

e populações tradicionais, principalmente aquelas em situação de isolamento,
vulnerabilidade ou com outro status.

Metas do ODS 4
Para atingir esse objetivo foram traçadas diversas metas, bem como sistemas de
acompanhamento de seu alcance. Esse ODS abrange tanto a educação formal quanto a
não formal. Por isso, destacamos as metas que se relacionam explicitamente à educação

(© Elyx By Yak)

básica, que é o nosso foco de abordagem.
4.1 Até 2030, garantir que todas as meninas e meninos completem
o ensino primário e secundário livre, equitativo e de qualidade, que
conduza a resultados de aprendizagem relevantes e eficazes.
4.2 Até 2030, garantir que todos os meninos e meninas tenham acesso
a um desenvolvimento de qualidade na primeira infância, cuidados e
educação pré-escolar, de modo que estejam prontos para o ensino
primário.
4.3 Até 2030, assegurar a igualdade de acesso para todos os homens e as
mulheres à educação técnica, profissional e superior de qualidade, a preços
acessíveis, incluindo a universidade.
4.4 Até 2030, aumentar substancialmente o número de jovens e adultos que
tenham habilidades relevantes, inclusive competências técnicas e profissionais,
para emprego, trabalho decente e empreendedorismo.
4.5 Até 2030, eliminar as disparidades de gênero na educação
e garantir a igualdade de acesso a todos os níveis de educação e
formação profissional para os mais vulneráveis, incluindo as pessoas
com deficiência, os povos indígenas e as crianças em situação de
vulnerabilidade.
4.6 Até 2030, garantir que todos os jovens e uma substancial proporção dos
adultos, homens e mulheres, estejam alfabetizados e tenham adquirido o
conhecimento básico de matemática.
26

4.7 Até 2030, garantir que todos os alunos adquiram conhecimentos e
habilidades necessárias para promover o desenvolvimento sustentável,
inclusive, entre outros, por meio da Educação para o Desenvolvimento
Sustentável e estilos de vida sustentáveis, direitos humanos, igualdade
de gênero, promoção de uma cultura de paz e não violência, cidadania
global, e valorização da diversidade cultural e da contribuição da
cultura para o desenvolvimento sustentável.
4.a Construir e melhorar instalações físicas para a educação,
apropriadas para crianças e sensíveis às deficiências e ao gênero e que
proporcionem ambientes de aprendizagem seguros, não violentos,
inclusivos e eficazes para todos.
4.b Até 2020, ampliar substancial e globalmente o número de bolsas de
estudo disponíveis para os países em desenvolvimento, em particular os
países de menor desenvolvimento relativo, pequenos Estados insulares em
desenvolvimento e os países africanos, para o ensino superior, incluindo
programas de formação profissional, de tecnologia da informação e da
comunicação, programas técnicos, de engenharia e científicos em países
desenvolvidos e outros países em desenvolvimento.
4.c Até 2030, substancialmente aumentar o contingente de docentes
qualificados, inclusive por meio da cooperação internacional para a formação
de professores, nos países em desenvolvimento, especialmente os países
de menor desenvolvimento relativo e pequenos Estados insulares em
desenvolvimento.

Condições para uma educação de qualidade
O esquema a seguir revela a complexidade de trabalhar-se por uma educação de qualidade,
que transcenda as relações de aprendizagem.

27

Fonte: Tikly (2010) apud UNESCO (2012). Beyond the Conceptual Moze: The Notion of Quality in Education

Os diversos fatores que contribuem para isso combinam:
• políticas públicas: com definição de diretrizes consistentes, financiamento
adequado e valorização profissional;
• ambiente escolar motivador;
• envolvimento familiar e comunitário nos destinos da educação.
Tamanha complexidade requer um esforço permanente tanto dos governos em suas
diversas esferas – federal, estadual e municipal –, quanto da sociedade, especialmente no
que se refere ao controle social sobre as políticas existentes.

28

Fatores que desafiam a conquista do ODS 4
Mesmo com as conquistas já obtidas, o Brasil precisa superar diversos obstáculos para
alcançar a educação de qualidade para todos. O encadeamento desses desafios favorece
a evasão escolar, especialmente nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio.
Mais investimentos e melhor distribuição – os recursos aplicados em educação
no Brasil representam cerca de 6% do Produto Interno Bruto, segundo o Ministério da
Educação. A Meta 20 do Plano Nacional de Educação (PNE Lei 13.005 /2014) determina
“ampliar o investimento público em educação pública de forma a atingir, no mínimo, o
patamar de 7% do Produto Interno Bruto (PIB) do País no 5º ano de vigência desta lei, e no
mínimo, o equivalente a 10% do PIB” em 2024.
Maior valorização profissional – cerca de 15% dos três milhões de docentes da
educação básica4 ainda não possuem a formação adequada exigida pelo PNE. Os
docentes, em sua maioria mulheres, também recebem baixos salários e vivenciam
condições de trabalho inadequadas (IPEA, 2015).
Melhorias no ambiente escolar – a infraestrutura das escolas tem grande impacto
na qualidade da educação e na permanência dos estudantes (INEP, 2013). Isso inclui o
conforto das dependências, bem como a existência de bibliotecas, quadras esportivas,
laboratórios, áreas livres e arborizadas. O fomento a práticas esportivas e culturais e à
convivência da comunidade torna a escola mais atraente para os estudantes.
Cultura de paz, respeito e não violência – as desigualdades presentes na sociedade
brasileira refletem-se no ambiente escolar tanto para docentes quanto para estudantes.
Ambientes marcados pelo descaso favorecem o desrespeito e a violência, que prejudicam
as relações entre docentes e estudantes, e entre os próprios estudantes, afetando o
convívio da comunidade escolar. A violência manifesta-se de distintas formas: desde
intimidações, ameaças e humilhações até agressão física. Os alvos são, especialmente,
4 A educação básica no Brasil inclui os níveis educacionais: educação infantil, educação primária, educação
secundária (inferior e superior). A nomenclatura adotada desses níveis educacionais brasileiros difere da Classificação
Internacional Padronizada da Educação (ISCED, 2011). Por exemplo, a educação primária corresponde aos anos iniciais
do ensino fundamental, a educação secundária inferior corresponde aos anos finais do ensino fundamental, e a educação
secundária superior corresponde ao ensino médio. Essa correspondência pode ser encontrada nas páginas 66-67 do
“Glossário de Terminologia Curricular do UNESCO-IBE” (UNESCO, 2016), disponível em: <http://unesdoc.unesco.org/
images/0022/002230/223059por.pdf>.

29

as pessoas marcadas por deficiências físicas e intelectuais, por orientação sexual, por
questões de raça/etnia, entre outras.
Eliminação das barreiras para o acesso – a universalização do acesso à escola, apesar
dos avanços nos últimos dez anos, ainda é um desafio no Brasil. A Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílios (Pnad) 2015 mostra que 2.802.258 crianças e adolescentes de 4
a 17 anos estão fora da escola: 821.595 (4 a 5 anos); 166.626 (6 a 10 anos); 220.884 (11 a
14 anos) e 1.593.151 (de 15 a 17 anos) (IBGE, 2015). Os esforços locais para o alcance dos
ODS, por meio de abordagens pedagógicas que incluam diálogo com famílias, estudantes
e membros da comunidade sobre esse problema, são fundamentais para identificar os que
estão fora da escola em sua região, contribuindo para a criação de estratégias e alianças
locais para trazê-los de volta.
O trabalho infantil é uma das causas da exclusão escolar no Brasil e sua erradicação está
prevista na Agenda 2030. Para saber mais sobre esse desafio no contexto do ODS 8 e
sobre a Meta 8.7 e sua correlação com demais ODS, acesse o relatório Trabalho Infantil
nos ODS, produzido pelo Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil
(FNPETI) em parceria com o Ministério Público do Trabalho (MPT) , disponível em: https://
fnpeti.org.br/media/publicacoes/arquivo/Trabalho_Infantil_nos_ODS.pdf
Estímulo de ações e políticas públicas voltadas à permanência e à conclusão na
idade certa – o Brasil convive com elevados índices de repetência e de evasão. Muitas
vezes, isso acontece devido à inadequação do ambiente escolar, o que leva o estudante
a sucessivas repetências e, finalmente, ao abandono da escola. Incluir essas crianças e
jovens é essencial para alcançar a meta de universalizar o acesso à educação até 2030.
Os dados do Censo Escolar 2017 (INEP, 2017) mostram que há 35 milhões de estudantes
matriculados no ensino fundamental e no ensino médio nas redes públicas e privadas,
segundo o UNICEF5; desses alunos, mais de 7 milhões estão com dois ou mais anos
de atraso escolar. São quase 5 milhões no ensino fundamental e mais de 2 milhões no
ensino médio. Por outro lado, tem havido importantes conquistas, por exemplo, dados da
Pnad 2015 mostram que 97% das crianças de seis anos de idade estavam frequentando
a escola, ou seja, o acesso é quase universalizado nessa idade. Esses dados reforçam a
5 Dados do relatório do UNICEF Panorama da distorção idade-série no Brasil. UNICEF. Panorama da distorção idade-série
no Brasil. Brasília, [s.d.]. Disponível em: <https://www.unicef.org/brazil/pt/resources_38834.html>. Acesso em: 3 out. 2018.

30

importância da realização de políticas públicas e abordagens pedagógicas que estimulem
a permanência dos estudantes. Seu trabalho em sala de aula é fundamental para o
enfrentamento desse desafio.

A política nacional de educação e o ODS 4
Em termos das políticas públicas de educação no Brasil, uma das mais relevantes é o Plano
Nacional de Educação (PNE). Trata-se de um documento com força de lei, com dez anos de
duração, que estabelece metas e estratégias para garantir o direito à educação de qualidade.
A partir das metas nacionais, os estados e os municípios estabelecem suas prioridades. O
atual PNE (2014–2024) é regido pela Lei nº 13.005/2014 e possui vinte metas.
No Relatório de Monitoramento Global da Educação 2016 (UNESCO, 2017b, p. 23),
que acompanha o progresso com relação às dez metas do Objetivo de Desenvolvimento
Sustentável (ODS 4) para Educação, o Brasil é citado como exemplo de sucesso de
participação social, com mais de 3,5 milhões de pessoas contribuindo com o processo de
construção do PNE.

Correspondência entre as metas do PNE e o ODS 4
Tanto a Agenda 2030 quanto o PNE constituem compromissos do Brasil em relação à
universalização da educação de qualidade. Ambos possuem metas comuns, sendo que o
PNE apresenta maior detalhamento, considerando as prioridades brasileiras.
A tabela a seguir estabelece a relação entre as respectivas metas do ODS 4 e do PNE.

31

Metas PNE

32

Metas ODS

01

Universalizar, até 2016, a educação infantil na pré-escola para as
crianças de quatro a cinco anos de idade e ampliar a oferta de
educação infantil em creches, de forma a atender, no mínimo, 50%
das crianças de até três anos até o final da vigência deste PNE.

4.2

02

Universalizar o ensino fundamental de nove anos para toda a
população de seis a 14 anos e garantir que pelo menos 95%
dos alunos concluam essa etapa na idade recomendada, até o
último ano de vigência deste PNE.

4.1

03

Universalizar, até 2016, o atendimento escolar para toda a
população de 15 a 17 anos e elevar, até o final do período de
vigência deste PNE, a taxa líquida de matrículas no ensino
médio para 85%.

4.1

04

Universalizar, para a população de quatro a 17 anos com
deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas
habilidades ou superdotação, o acesso à educação básica e ao
atendimento educacional especializado, preferencialmente na
rede regular de ensino, com a garantia de sistema educacional
inclusivo, de salas de recursos multifuncionais, classes, escolas
ou serviços especializados, públicos ou conveniados.

4.5

05

Alfabetizar todas as crianças, no máximo, até o final do terceiro
ano do ensino fundamental.

4.1

06

Oferecer educação em tempo integral em, no mínimo, 50%
das escolas públicas, de forma a atender, pelo menos, 25% dos
estudantes da educação básica.

4.1; 4.7

07

Fomentar a qualidade da educação básica em todas as
etapas e modalidades, com melhoria do fluxo escolar e da
aprendizagem, de modo a atingir as seguintes médias nacionais
para o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb):
6,0 nos anos iniciais do ensino fundamental; 5,5 nos anos finais
do ensino fundamental; 5,2 no ensino médio.

4.1

08

Elevar a escolaridade média da população de 18 a 29 anos,
de modo a alcançar, no mínimo, 12 anos de estudo no último
ano de vigência deste plano, para as populações do campo, da
região de menor escolaridade no País e dos 25% mais pobres,
e igualar a escolaridade média entre negros e não negros
declarados à Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE).

4.1; 4.5

09

Elevar a taxa de alfabetização da população com 15 anos ou
mais para 93,5% até 2015 e, até o final da vigência deste PNE,
erradicar o analfabetismo absoluto e reduzir em 50% a taxa de
analfabetismo funcional.

4.6

10

Oferecer, no mínimo, 25% das matrículas de educação de
jovens e adultos, nos ensinos fundamental e médio, na forma
integrada à educação profissional.

4.3; 4.4

11

Triplicar as matrículas da educação profissional técnica de nível
médio, assegurando a qualidade da oferta e pelo menos 50%
da expansão no segmento público.

4.3; 4.4

12

Elevar a taxa bruta de matrícula na educação superior para 50%
e a taxa líquida para 33% da população de 18 a 24, assegurada
a qualidade da oferta e expansão para, pelo menos, 40% das
novas matrículas, no segmento público.

4.3

13

Elevar a qualidade da educação superior e ampliar a proporção
de mestres e doutores do corpo docente em efetivo exercício
no conjunto do sistema de educação superior para 75%, sendo,
do total, no mínimo, 35% doutores.

4.3; 4c

14

Elevar gradualmente o número de matrículas na pós-graduação
stricto sensu, de modo a atingir a titulação anual de 60 mil
mestres e 25 mil doutores.

4b

33

15

Garantir, em regime de colaboração entre a União, os Estados,
o Distrito Federal e os Municípios, no prazo de um ano
de vigência deste PNE, política nacional de formação dos
profissionais da educação de que tratam os incisos I, II e III
do caput do art. 61 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de
1996, assegurado que todos os docentes da educação básica
possuam formação específica de nível superior, obtida em curso
de licenciatura na área de conhecimento em que atuam.

4c

16

Formar, em nível de pós-graduação, 50% dos professores
da educação básica, até o último ano de vigência deste
PNE, e garantir a todos os profissionais da educação básica
formação continuada em sua área de atuação, considerando as
necessidades, demandas e contextualizações dos sistemas de
ensino.

4c

17

Valorizar os profissionais do magistério das redes públicas de
educação básica, de forma a equiparar seu rendimento médio
ao dos(as) demais profissionais com escolaridade equivalente,
até o final do sexto ano de vigência deste PNE.

4c

18

Assegurar, no prazo de dois anos, a existência de planos de
carreira para os profissionais da educação básica e superior
pública de todos os sistemas de ensino e, para o plano de
carreira dos profissionais da educação básica pública, tomar
como referência o piso salarial nacional profissional, definido em
lei federal, nos termos do inciso VIII do art. 206 da Constituição
Federal.

4c

19

Assegurar condições, no prazo de dois anos, para a efetivação
da gestão democrática da educação, associada a critérios
técnicos de mérito e desempenho e à consulta pública à
comunidade escolar, no âmbito das escolas públicas, prevendo
recursos e apoio técnico da União para tanto.

ODS 17

20

Ampliar o investimento público em educação pública de forma
a atingir, no mínimo, o patamar de 7% do PIB do País no quinto
ano de vigência desta Lei e, no mínimo, o equivalente a 10% do
PIB ao final do decênio.

ODS 17

Fonte: Adaptado de Manual SAM, 2017, p. 20 (Campanha Nacional pelo Direito à Educação).

34

A contribuição da Meta 4.7 do ODS 4
Nesse sentido, o ODS 4 contribui de forma relevante para a educação brasileira. A
Meta 4.7 busca, até 2030, garantir que todos os estudantes adquiram conhecimentos
e habilidades necessárias para promover o desenvolvimento sustentável, inclusive, entre
outros, por meio da Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS) e estilos de vida
sustentáveis, direitos humanos, igualdade de gênero, promoção de uma cultura de paz e
não violência, cidadania global e valorização da diversidade cultural e da contribuição da
cultura para o desenvolvimento sustentável.6
Desenvolver atividades sobre a Meta 4.7 é, portanto, uma forma concreta de introduzir a
Educação Ambiental, a EDS e os demais ODS nos esforços de tornar a escola um espaço
que educa para a sustentabilidade e para os direitos humanos. Além disso, abre espaço
para a discussão de um Projeto Político Pedagógico (PPP) vivo e dinâmico. Pode também
desencadear a inclusão de novos elementos nos Planos Municipais e Estaduais de Educação,
convertendo-os em documentos capazes de traduzir a realidade local, bem como conter
metas e estratégias que contribuam para a real melhoria das condições educacionais.

Para saber mais
A Declaração de Incheon é fundamental para refletir-se sobre a educação do século 21.
O documento está disponível em: <http://bit.ly/35BHDrg>
O documento Planejando a Próxima Década traz as 20 metas do Plano Nacional de
Educação e pode ser acessado em: <http://bit.ly/37ARdNb>
O portal De Olho nos Planos oferece a possibilidade de consultar o estágio de
elaboração dos planos municipais de educação por estado e município e está disponível
em: <www.deolhonosplanos.org.br>
É possível pesquisar Indicadores da Qualidade na Educação no endereço
<www.indicadoreseducacao.org.br>

6 As metas do ODS 4 estão disponíveis no site da ONU Brasil, em: <https://nacoesunidas.org/pos2015/ods4/>.

35

Início do trabalho com o ODS 4 na escola
O reconhecimento das potencialidades, dos conhecimentos, das experiências e dos
valores presentes no contexto escolar é fundamental para iniciar o trabalho com os ODS.
Com isso, podem-se identificar as demandas para alcançar-se uma educação de qualidade
para todos. Nesse sentido, ao planejar a seleção e a abordagem dos conteúdos a serem
desenvolvidos, precisamos atentar para os seguintes pontos:
• características cognitivas, comportamentais e socioemocionais das crianças;
• objetivos previstos para o período escolar, considerando o Projeto Político
Pedagógico (PPP) e os conteúdos previstos nele;
• condições da escola (estrutura física e organizacional, aspectos pedagógicos e de
gestão, relação com as famílias e a comunidade);
• possíveis articulações com os colegas docentes, outros funcionários da escola,
movimentos sociais e instituições existentes no local;
• levantamento de ações já realizadas na escola e em outros espaços sociais
favoráveis ao trabalho com os ODS;
• leitura de materiais sobre o ODS para aprofundamento de cada tema;
• seleção de atividades e materiais adequados, incluindo o vídeo do ODS
correspondente, produzido pela UNESCO no Brasil em parceria com o Ministério da
Educação (MEC), disponível em: <bitly.com/videos_eds>.

Conteúdos da Meta 4.7 a serem abordados na escola
A escola, como parte da sociedade e lugar de convivência entre diferentes, reproduz
desigualdades, como as de sexo, idade, raça, cor, etnicidade, língua, religião, opinião
política, origem nacional ou social, classe econômica, bem como discriminações
de pessoas com deficiência, migrantes, grupos indígenas e outros em situação de
vulnerabilidade. Por isso, ao realizarmos os esforços pelo desenvolvimento sustentável,
precisamos necessariamente enfrentar o desafio de tratar desses assuntos em sala
de aula (e fora dela também). A Meta 4.7 ressalta a importância de tratar as seguintes
especificidades:
• Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS) e estilos de vida sustentáveis;
• direitos humanos;
36

• igualdade;
• promoção de uma cultura de paz e não violência;
• valorização da diversidade étnica, racial e cultural;,
• contribuição da cultura para a cidadania global;
• as TIC e a cidadania global.
Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS) e estilos de vida sustentáveis
– relaciona-se a condutas éticas e a práticas de vida que sejam pautadas pelo cuidado
com as gerações atuais e futuras, assim como com o ambiente natural. Isso envolve
educar-se para a produção e o consumo responsáveis e para a participação em iniciativas
que promovam a criação de sociedades sustentáveis. Criar estilos de vida sustentáveis
significa repensar os nossos hábitos de consumo, a forma como organizamos a nossa vida
cotidiana e como nos relacionamos socialmente.
Vale lembrar que a Constituição Federal de 1988, em seu Artigo 225, garante o direito
de todos os brasileiros “ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso
comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à
coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”.
Diversos ODS também abordam importantes aspectos dessa temática, como Consumo
e produção responsáveis (ODS 12), Fome zero e agricultura sustentável (ODS 2), Água e
saneamento (ODS 6), Energia limpa e acessível (ODS 7), Cidades e comunidades sustentáveis
(ODS 11). Tais assuntos fazem parte do cotidiano escolar e podem-se transformar em projetos,
campanhas e práticas de gestão que ensinem a escola e a comunidade a desenvolver uma
cultura voltada à sustentabilidade. Vale frisar que a inclusão de tais temas no Projeto Político
Pedagógico (PPP) permitirá que sejam trabalhados de forma continuada.
Vamos refletir:
Quais ações são realizadas em sua escola para o desenvolvimento sustentável e
estilos de vida sustentáveis?

37

Direitos humanos – o direito humano à educação deve contemplar não apenas o acesso
à escolarização formal, mas, sobretudo, a uma educação que promova o desenvolvimento
humano, para todas as pessoas, independentemente de raça/etnia, condição socioeconômica
etc. Isso implica o acesso a direitos, como à água, à saúde, ao trabalho decente, entre outros
temas abordados nos ODS. Além de garantir conhecimento, a educação precisa fornecer
instrumentos para o uso ético, responsável e sustentável desse conhecimento no mundo.
Algo a ser trabalhado tanto na educação formal quanto por meios extracurriculares.
O Brasil elaborou seu Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos em 2003
(BRASIL. CNEDH, 2007). O objetivo principal desse plano é formar cidadãos que
assumam papéis ativos na construção de um mundo mais igualitário, justo, pacífico
e sustentável. Vivemos um momento em que nossas escolhas e ações determinam
nossa capacidade de usufruir das liberdades fundamentais e da capacidade de
autodeterminação e desenvolvimento. É necessário que nos eduquemos para manter as
conquistas já adquiridas.
Vamos refletir:
Como você relaciona os direitos humanos e o desenvolvimento sustentável?

Igualdade de gênero – a igualdade e a não discriminação são princípios fundamentais
dos direitos humanos. Todas as pessoas têm o direito de ser tratadas de forma igualitária
pela lei e o direito à proteção contra a discriminação por diversos motivos. Isso vale para
a garantia do direito à educação, sem discriminação (convenção relativa à luta contra a
descriminação no campo de educação, UNESCO, 1960 apud UNESCO, 2003). A escola
é o espaço fundamental para promoção de uma cultura não discriminatória e de uma
convivência pacífica de respeito às diversidades. Não haverá educação de qualidade, se
não houver um esforço intencional da escola em romper com barreiras que impedem
a continuidade dos estudos e a promoção de direitos iguais entre meninas e meninos.
Por sua importância, a questão de gênero é assunto transversal a diversos ODS, também
tratado de forma específica no ODS 5. Estereótipos de gênero têm reflexos objetivos na
vida escolar de crianças e adolescentes, como o bullying, e mais tarde, na vida adulta, com
iniquidades no mundo do trabalho e desigualdades salariais entre homens e mulheres.
38

Promoção de uma cultura de paz e não violência – a escola deve ser um espaço
em que a construção da identidade coletiva e do senso de pertencimento local e
global transcenda as diferenças individuais, culturais, religiosas, étnicas, dentre outras.
O desenvolvimento das habilidades cognitivas para pensar de forma crítica, sistêmica
e criativa, bem como o cultivo de valores, como justiça, paz, respeito, dignidade e
sustentabilidade, podem contribuir para criar um ambiente propício ao convívio.
A educação voltada à paz e à não violência também estimula habilidades sociais, como
empatia e resolução de conflitos, comunicação, interação social e cultural. As atividades
desenvolvidas na escola podem estimular também as capacidades para agir de forma
colaborativa, social e ambientalmente sustentável e responsável. Vale lembrar que esse
tema, por sua importância no atual momento da humanidade, tornou-se objeto do ODS
16: Paz, Justiça e Instituições Eficazes.
Vamos refletir:
Como sua escola encara os conflitos que surgem da convivência entre os
integrantes da comunidade escolar? Existem mecanismos para combater o
bullying e outras formas de discriminação e violência?
Valorização da diversidade étnica, racial e cultural – o Brasil possui dimensões
continentais e grande variedade de paisagens, climas, culturas e modos de vida. Trata-se
também de um país que tem, em sua matriz cultural, a presença de centenas de etnias
indígenas, além de europeus, africanos e asiáticos de diversas origens. A presença de
povos de diferentes raças e etnias no Brasil requer o reconhecimento e a valorização da
interculturalidade como prática necessária à consecução de uma educação de qualidade
para todas as pessoas.
Valorizar nossa diferença e diversidade cultural no ambiente escolar significa
desmentir estereótipos em relação à contribuição das populações indígenas e negras,
reconhecendo seus múltiplos papéis na formação de nossas culturas. Isso implica, por
exemplo, desconstruir a imagem da população negra como descendente de escravos,
bem como das populações indígenas como um grupo social que não possui direito à
autodeterminação.
39

Vale lembrar a obrigatoriedade da aplicação das Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008,
que introduzem o Ensino da História e da Cultura Africana e Afro-brasileira e Indígenas
no currículo, bem como as diretrizes curriculares específicas para educação indígena,
quilombola e para crianças em situação de itinerância (como ciganos, artistas circenses etc.).
De outro lado, a escola tem a capacidade de oferecer às crianças a possibilidade de
descobrirem toda a riqueza que os distintos biomas proporcionam aos modos de vida
locais, moldando distintas culturas regionais. Elas poderão reconhecer a sabedoria
presente em hábitos alimentares, de moradia e em práticas econômicas locais que
podem ser mais condizentes com os princípios da sustentabilidade.
Vamos refletir:
Como é tratada a diversidade cultural nas práticas escolares? Existem ações intencionais
de reconhecimento, valorização e inclusão dessa diversidade no cotidiano?
Contribuição da cultura para a cidadania global – a Educação para a Cidadania Global
(ECG) está ao lado da Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS) na Agenda
2030 como meio para a implementação da educação de qualidade. O conceito de
cidadania global leva em consideração os crescentes fluxos internacionais de comunicação,
mercadorias, serviços, ideias, pessoas e culturas. Refere-se a um “sentimento de pertencer a
uma comunidade mais ampla, além de fronteiras nacionais, que enfatiza nossa humanidade
comum e faz uso da interconectividade entre o local e o global, o nacional e o internacional”
(UNESCO, 2015a, p. 2).
A Educação para a Cidadania Global conecta todos os temas abordados
anteriormente e pretende empoderar estudantes para que se engajem e assumam
papéis ativos, tanto local quanto globalmente, por um mundo mais justo, pacífico,
tolerante, inclusivo, seguro e sustentável. Isso pressupõe o exercício da participação,
de forma que as crianças possam aprender a opinar e decidir, preparando-se para
entender suas responsabilidades, deveres e direitos quando adultas. É importante que
a escola garanta espaços de participação, como os grêmios estudantis, a Comissão de
Meio Ambiente e Qualidade de Vida (Com-Vida)7 e o Conselho Escolar.
40

7 A Com-Vida é uma política pública desenvolvida pelo MEC com o objetivo de aliar a melhoria de qualidade de vida na
escola e na comunidade com o exercício de participação e protagonismo da juventude. Incentivar e manter a Com-Vida
pode ser um caminho para tratar os ODS como pauta escolar permanente.

Vamos refletir:
Como as crianças são estimuladas a pertencerem ao ambiente escolar e
compreenderem seu papel como cidadãos globais?
As TIC e a cidadania global – educar para a cidadania global envolve também ensinar e
aprender a lidar com as tecnologias da informação e da comunicação. Essa necessidade
manifesta-se tanto no volume de informações disponíveis, quanto na dificuldade que
temos para selecionar, organizar, avaliar e decidir quais são confiáveis e relevantes.
Segundo a Declaração de Alexandria8, de 2005, a Alfabetização Midiática e Informacional
(AMI) está no centro da educação continuada, devido a seu enorme potencial de
inovações, que exigem constante atualização, bem como às possibilidades de convivência
intergeracional. Afinal, os nativos digitais possuem desenvoltura para lidar com os
equipamentos, mas inexperiência para lidar criticamente com os conteúdos.
Além de incentivar nos estudantes a percepção de que a informação deve ser avaliada
dentro do contexto específico de sua produção, cabe aos docentes estimular uma relação
ética com o uso da informação, especialmente nas mídias sociais, impedindo a violação
dos direitos (em questões como difamação, invasão de privacidade e comportamentos
hostis). É fundamental que todos nós entendamos como utilizar essas tecnologias em
processos de transformação dos estilos de vida atuais em direção a maneiras sustentáveis
de viver e conviver.
Vamos refletir:
Como a escola educa para o uso das Tecnologias da Informação e da
Comunicação?

8 Trata-se do documento resultante do Colóquio em Nível Superior sobre Competência Informacional e Aprendizado ao
Longo da Vida, ocorrido em Alexandria, Egito, em novembro de 2005. Disponível em: IFLA. Declaração de Alexandria
sobre competência informacional e aprendizado ao longo da vida. International Federations of Library Associations
and Institutions, 2008. Disponível em: <https://www.ifla.org/files/assets/wsis/Documents/beaconinfsoc-pt.pdf>. Acesso
em: 3 ago. 2018.

41

Conexões entre a educação e outros ODS

Educação
de qualidade

No caderno Introdutório há uma tabela com possíveis temas a
serem abordados na escola.
O guia da UNESCO, intitulado Educação para os Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável: objetivos de aprendizagem,
contém orientações sobre como tratar deste e de outros ODS em
sala de aula. Disponível em: <http://bit.ly/34qjVhO>.

42

Para saber mais
A publicação da UNESCO, Paz, como se Faz? Semeando cultura de paz nas escolas,
contém indicações de como trabalhar estes temas em sala de aula. Disponível em:
<http://unesdoc.unesco.org/images/0017/001785/178538por.pdf>
Acesse o livro Educação para a cidadania global: preparando alunos para os desafios
do século XXI em: <http://bit.ly/35zUsT6>
Publicada em oito volumes, a coleção História Geral da África está agora também disponível
em português. Um dos projetos editoriais mais importantes da UNESCO nos últimos
trinta anos, a coleção História Geral da África é um grande marco no processo de
reconhecimento do patrimônio cultural da África. Acesse em: <http://bit.ly/2Doka0B>
A publicação Ensinar Respeito por Todos (ERT): guia de implementação, produzida no
âmbito de um projeto conjunto entre UNESCO, Estados Unidos da América e Brasil, traz
conteúdo voltado para as respostas educacionais que se contrapõem à discriminação e à
violência. Acesse em: <http://bit.ly/2XM1AJg>
Conheça a iniciativa O Valente não é Violento, da ONU Mulheres, sobre a igualdade de
direitos entre mulheres e homens. Disponível em:
<http://www.onumulheres.org.br/programasemdestaque/genero-na-escola/>
A coleção Educação e Relações Raciais, da Ação Educativa, contém diversos textos e
vídeos sobre o tratamento deste tema na escola, acessível em:
<http://www.acaoeducativa.org.br/relacoesraciais/colecao-educacao-e-relacoes-raciais/>
O vídeo Aldeia Indígena em Maricá Preserva o Idioma Guarani trata da preservação
da língua materna por meio da escola. Disponível em: <http://bit.ly/33oXpnY>
O Relatório Mundial da UNESCO, Investir na Diversidade Cultural e no Diálogo
Intercultural pode ser acessado em:
<http://unesdoc.unesco.org/images/0018/001847/184755por.pdf>

43

A Safernet Brasil criou um site com recursos pedagógicos (cartilhas, vídeos, planos
de aula, etc.) para docentes interessados em promover atividades curriculares e
extracurriculares que promovam o uso ético e consciente da internet. Este site pode ser
acessado em: <http://bit.ly/2qL2cmk>
Acesse o link que traz a narração, a audiodescrição e a janela com a Língua Brasileira de
Sinais (Libras) de cada ODS, além da tabela que faz a relação do ODS 4 e metas da Lei
do PNE em: <http://bit.ly/2OiDAu6>. Esse conteúdo foi produzido pela Campanha
Nacional pelo Direito à Educação no âmbito da Semana de Ação Mundial 2017. A versão
com a narração, audiodescrição e Libras foi produzida pela ONG Mais Diferenças.

AGORA É COM VOCÊ!
Desenvolver atividades com as crianças dos anos iniciais do ensino fundamental
requer cuidado e dedicação. É muito importante criar um ambiente solidário, livre de
juízos de valor, de forma que elas possam expressar-se com liberdade e por meio de
diferentes linguagens (oral, escrita, audiovisual etc.) e adaptações à realidade local e
à sua sala de aula.
A criação de uma cultura de participação desde o ensino fundamental contribui para
a formação de cidadãos atuantes no monitoramento do acesso ao direito humano à
educação. São inúmeras as possibilidades para discutir educação com estudantes do
ensino fundamental.
Selecionamos algumas atividades a serem desenvolvidas, considerando a faixa etária
priorizada (6 a 10 anos) e as temáticas relacionadas à educação de qualidade. Há ainda
indicações de sites e outros recursos onde será possível conseguir mais atividades que
trabalhem os temas do ODS 4.
Mãos à obra!

44

IDEIAS PARA A AÇÃO

Pode-se partir da exibição do vídeo da UNESCO referente
ao ODS 4 no link <bitly.com/vídeos_eds> e, com base
nas reações demonstradas pelas crianças, explorar com
elas estes pontos: (1) o que aprendemos com esse vídeo?
(2) o que já sabemos? (3) o que queremos aprender?
As respostas a essas perguntas podem dar margem a diversas ações em sala de aula e/ou
na escola. É possível, por exemplo, planejar e executar uma campanha sobre educação de
qualidade. Ou desenvolver um projeto de pesquisa sobre a escola dos nossos sonhos. O
mais importante é que as iniciativas conquistem o interesse e o empenho das crianças.

1. Criando um ícone
Objetivo: reconhecer os diversos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS),
estimulando as crianças a refletirem sobre eles e a identificarem sua
importância em imagens do cotidiano.
Áreas de conhecimento: Linguagens e Ciências Humanas.
Conteúdo: cidadania global, ODS, leitura imagética.
Material: papel ofício, revistas, jornais, cola, tesoura. Ver os ícones dos ODS em ANEXO.
Desenvolvimento:
Apresente às crianças os 17 ODS sem os símbolos que os caracterizam. Explique o que cada
um deles significa e sua importância para a população e para o planeta. Em seguida, separe
as crianças em duplas ou trios (dependendo do número de crianças da turma), atribua a
cada dupla ou trio um ícone e peça que recortem imagens de jornais que representam o
tema que elas estão abordando. Ao término, solicite que cada dupla ou trio apresente o
45

ícone criado. Em seguida, mostre o ícone oficial que representa cada ODS.
Peça que as crianças elaborem um mural com os ícones oficiais e aqueles criados por
elas, valorizando os trabalhos realizados. Comente sobre a importância da criação de
símbolos para sintetizar ideias, facilitando a
comunicação em âmbitos mundial e local.

2. Vamos combinar?9
Objetivo: estabelecer as regras fundamentais
para o funcionamento do grupo.
Áreas de conhecimento: Linguagens e
Ciências Humanas.
Conteúdo: paz, cidadania global, direitos
humanos, participação, expressão verbal,
escrita, leitura e interpretação de texto.
Material: papel ofício, lápis, papel pardo e
pincel atômico.
Desenvolvimento:
Solicitar que o grupo determine suas próprias regras é permitir que as crianças pensem
sobre possibilidades e necessidades coletivas, que sejam internalizadas e pactuadas
por todas. Essa é uma forma de levar cada uma delas a assumir sua participação no
compromisso grupal.
Para isso, forme uma roda de conversa, com todos sentados. Reflita com o grupo sobre a
necessidade e a importância de criar acordos de convivência para o bom funcionamento
dos grupos. Tais acordos são usados como recursos para estabelecer limites, garantir a
liberdade individual, a segurança do grupo e a confiança entre as pessoas.
Logo após, projete o vídeo ODS 4 para Crianças: Educação de Qualidade10 e
solicite que formem subgrupos para conversar sobre o que aprenderam com o vídeo.
9 Adaptado de DICKMAN, I.; DICKMAN, I. Dinâmicas pedagógicas: criatividade e criticidade. São Paulo: Dialogar, 2017.
10 UNESCO TV PORTUGUESE. ODS 4 para crianças – Educação de Qualidade. 2017. Disponível em: <https://www.
youtube.com/watch?v=NQwqFKerFMg>. Acesso em: 4 mai. 2018.

46

Em seguida, peça que os subgrupos pensem em regras necessárias para o bom
funcionamento do grupo, elaborando coletivamente uma proposta de acordo de
convivência. As propostas são escritas no papel pardo e, a seguir, cada subgrupo faz sua
apresentação.
Os subgrupos reúnem-se em plenário para analisar todas as propostas. São discutidos o
significado de cada regra e sua aplicabilidade. Oriente as crianças a buscarem consenso
em relação às normas estabelecidas, evitando concluir o documento enquanto esse
consenso não for atingido. Acrescente também sugestões e propostas de regras, caso
perceba que alguma questão importante não foi abordada no plenário.
Após estabelecido o consenso sobre quais pontos do acordo são válidos, peça que as
crianças formalizem, por meio de um texto, o Acordo de Convivência que será adotado
por todo o grupo. A assinatura de cada integrante sela esse compromisso. Exponha
o acordo de convivência na sala para que todas as pessoas tenham acesso, e a turma
possa revisar, quando considerar necessário.

3. Fazemos parte de quê?11
Objetivo: desenvolver a
percepção das
diferenças entre
as pessoas como
constitutivas da vida e
das culturas.
Áreas de conhecimento:
Linguagens (Educação
Física) e Ciências Humanas.
Conteúdo: participação, diversidade cultural, vocabulário, coordenação de
movimentos, inclusão.
Material: um espaço amplo e livre, aparelho de som com música alegre, giz.
11 Atividade extraída e adaptada de: Ação Educativa. A participação de crianças e adolescentes e os planos de educação. 2.
ed. São Paulo: Ação Educativa, 2015.

47

Desenvolvimento:
Desenhe no espaço um círculo interno e outro externo e combine as regras do jogo:
quando você fizer uma pergunta, as crianças que responderem sim deverão pular para
dentro do círculo interno. Coloque uma música de fundo e peça que as crianças dancem
ou caminhem pela sala ou pátio. Pare de repente a música, fazendo uma pergunta. Em
seguida, retome a música e peça que as crianças continuem a dançar ou caminhar até a
próxima pergunta. A ideia é mexer os corpos, gerar entrosamento/diversão e risos.
Possíveis perguntas (escolha de seis a dez questões) que devem ser adequadas à faixa etária:
• quem pertence a uma família grande;
• quem pertence a uma família pequena;
• quem pertence a determinado time de futebol;
• quem pertence a um grupo de amigos e amigas;
• quem faz parte daqueles que gostam de brincar de esconde-esconde;
• quem faz parte daqueles que gostam de música;
• quem faz parte daqueles que gostam de ouvir histórias de terror;
• quem acha que nossa escola precisa melhorar;
• quem faz parte...
Em seguida, peça que os estudantes procurem identificar com quantas crianças da sala
eles encontraram pontos em comum.
Cuide para que não sejam feitas perguntas que criem constrangimento ou situação de
discriminação entre as crianças. Propositalmente, evitamos abordar perguntas sobre
vínculo religioso ou orientação sexual, considerando que esses temas podem gerar
situações de discriminação futura na escola.
Por fim, dialogue com as crianças sobre a necessidade de valorização das diferenças
entre as pessoas e da inclusão. Reflita com elas sobre acolhimento em relação a quem
pensa ou tem gostos diferentes dos delas, bem como sobre a importância de destacar o
que temos em comum.
48

4. Assembleia escolar12
Objetivo: estimular a participação das crianças nos destinos da escola.
Áreas de conhecimento: Linguagens e Ciências Humanas.
Conteúdo: cidadania global, direitos humanos, participação, expressão verbal, leitura.
Material: pincéis atômicos, painel, papéis e cartolina.
Desenvolvimento:
Esta atividade pode obter melhores resultados se mobilizar toda a escola, mas pode ser
feita em cada sala. Neste caso, peça que as crianças falem do que gostam e do que não
gostam na escola, propondo ideias para torná-la um local melhor. É importante criar um
ambiente de respeito e escuta, estimulando-as a expressarem suas opiniões sem receio.
1. Divida a turma em três equipes, entregando para cada uma delas uma cartolina e um
pincel atômico. Em seguida, explique que a tarefa será feita em duas fases. Primeiro em
equipes, por meio de rodas de conversa, e depois de forma coletiva. Na primeira fase,
cada grupo responderá a três perguntas: que bom..., que pena... e que tal.
2. A primeira rodada da conversa deve responder à questão: que bom..., em que
as crianças irão refletir sobre as vantagens da escola em itens como conteúdo das
aulas, relação professor/aluno, relação entre os alunos, limpeza das dependências,
qualidade da alimentação, organização, respeito ao outro, combate à discriminação,
segurança dos prédios, condição dos equipamentos, acessibilidade e inclusão
de pessoas com deficiência, existência de biblioteca e laboratórios, acesso a
tecnologias digitais, espaço adequado para prática de esportes, entre outros.
3. No segundo momento, as crianças respondem à questão: que pena...,
identificando os pontos falhos da escola, considerando os itens acima e outros que
surjam. Da mesma forma, durante esta rodada, as ideias são registradas em uma
cartolina. Por fim, as crianças elaboram propostas para a questão: que tal...
4. Em seguida, cada grupo apresenta, em um pequeno cartaz, os itens levantados.
12 Baseada em atividade desenvolvida pela Escola da Natureza, de Brasília-DF.

49

Com os estudantes, faça uma lista com os itens que foram mais destacados em todos
os grupos. Por fim, estimule as crianças a escreverem uma carta à equipe gestora
expondo suas propostas para a melhoria das condições da escola. Peça também
que a turma registre o que os estudantes podem fazer para contribuir na melhoria da
escola. Há ainda a opção de deixar duas caixas em sala de aula, para que as crianças
possam depositar suas críticas e sugestões. Numa das caixas deve estar escrito: Que
bom; e, na outra, Que pena, para que as crianças opinem continuamente sobre
melhoria do ambiente escolar.

5. A paz que a gente constrói13
Objetivo: desenvolver a
responsabilidade pessoal e coletiva pela
criação de uma cultura de paz.
Áreas de conhecimento: Linguagens
(Artes), Ciências Humanas, Matemática e
Ensino Religioso.
Conteúdo: leitura e escrita, vocabulário,
direitos e deveres, paz e lutas sociais
para conquista dos direitos, diversidade
cultural, diversidade religiosa, valores,
desenvolvimento de habilidades estéticas,
organização dos territórios (divisão territorial e política - países, estado,
municípios), geometria, medidas de grandeza, relação entre quantidade e
símbolos matemáticos, resolução de situação problema.
Baixe os símbolos que expressam a cultura de paz em:
https://pt.unesco.org/fieldoffice/brasilia/expertise/education-sustainable-development

13 Baseado na atividade Paz e conflito armado. AIDGLOBAL; MATIAS, Ana; MENDES, Ana Lúcia; CARVALHO, Carla Marta;
BRANQUINHO, Judite. Manual de educação para a cidadania global: uma proposta de articulação para o 2º ciclo do
ensino básico. 2015. Disponível em: <http://www.educarparacooperar.pt/wp-content/uploads/FINAL_Manual-CidadaniaGlobal_Digital.pdf>. Acesso em: 20 jul. 2018.

50

Desenvolvimento:
Apresente para as crianças símbolos (e/ou palavras e expressões) de diferentes
raças-etnias e grupos sociais que expressam a cultura de paz, sem mencionar seus
significados. Pode-se também solicitar que as crianças pesquisem em casa.
Bi Do Bi Inka = Ninguém deve morder os outros. Simboliza a paz e a
harmonia14 ubuntu.

Bandeira branca

Pomba branca

Símbolo criado por Gerald Herbert Holtom

Dois dedos levantados

Baixe os símbolos que expressam a cultura de paz em:
https://pt.unesco.org/fieldoffice/brasilia/expertise/education-sustainable-development

Pergunte às crianças se elas identificam esses símbolos, sabem seu significado e sua
origem, provocando uma conversa dirigida sobre o tema. Em seguida, apresente a
escrita do símbolo, seu significado e sua origem. Para crianças que já desenvolveram
habilidade de leitura, entregue um texto que trate do tema.
Peça que comentem, desenhem e/ou produzam um texto sobre o seguinte tema: o que
é paz para você?, expressando as situações de vida em que sentem paz. Pergunte se

conhecem ou já ouviram falar de alguém que se destacou por promover a paz. Solicite
que citem exemplos de pessoas próximas a elas, que vivem ou viveram em sua cidade
ou comunidade. Peça que falem a respeito do que sabem sobre essa pessoa (nome,
origem, o que fez).
14 Imagem disponível em <http://www.une.edu/sites/default/files/shared/binkabi.gif>.
(MITOLOGIA EM SÍMBOLOS. Símbolos africanos. 2011. Disponível em: <https://mitologiaemsimbolos.wordpress.
com/2011/09/09/simbolos-africanos/>. Acesso em: 28 jul. 2017).

51

Desenvolva uma conversa sobre pacifistas de diferentes nacionalidades e religiões,
abordando o que fizeram, os desafios enfrentados e o título de Prêmio Nobel da Paz,
que alguns deles receberam (explicar o que é esse prêmio). Exemplo: Albert Einstein,
Bezerra de Menezes, Chico Mendes, Chico Xavier, Dalai Lama, Desmond Tutu, Dom
Hélder Câmara, Francisco de Assis, Irmã Dulce, João Paulo II, John Lennon, Madre
Teresa de Calcutá, Mahatma Gandhi, Malala Yousafzai, Martin Luther King, Nelson
Mandela, Papa Francisco, Sathya Sai Baba, Steve Biko, Wangari Maathai, Zilda Arns.
Pode-se solicitar que as crianças aprofundem os estudos sobre lideranças pacifistas
e construam um painel na escola. Esse painel pode gerar um movimento para
dialogar por que a ausência da paz gera violência?. Para esse diálogo podem ser
convidadas pessoas da comunidade reconhecidas por sua ação em favor da paz.
A partir das informações colhidas nesse diálogo, estimule as crianças a pensarem
propostas sobre o que pode ser feito para que a gente viva em paz?.É importante
identificar/distinguir ações que poderão ser realizadas direta e indiretamente pelas
próprias crianças daquelas que requerem a interferência de outras instâncias sociais.
Pode-se ainda produzir com as crianças tarjetas contendo direitos, deveres e ações
favoráveis à consecução desses direitos e deveres. As referidas tarjetas poderão ser
utilizadas na atividade Salve-me com um abraço, além de compor um mosaico ou
mural na sala de aula.
Nesta atividade, poderão surgir situações delicadas de violência doméstica e infantil.
Por essa razão, consideramos mais indicado trabalhar com a expressão gráfica
inicialmente. Agrupe e analise os tipos de violência (violência física, verbal, psicológica;
contra mulher, negro, gays, diferenças regionais, pessoas com deficiência etc; bullying;
racismo, injúria racial; guerra entre países; escravidão e trabalho escravo; violência na
escola, no bairro) que surgirem do diálogo com os estudantes para então preparar as
aulas seguintes e fazer os encaminhamentos pertinentes.

52

6. Violência e meios de comunicação15
Objetivo: provocar reflexões sobre a quantidade
de violência a que estamos expostos
cotidianamente.
Áreas de conhecimento: Linguagens , Ciências
Humanas, Matemática.
Conteúdo: leitura e escrita, vocabulário, direitos
e deveres, cultura de paz e não violência,
lutas sociais para conquista dos direitos,
diversidade cultural, valores.
Desenvolvimento:
As crianças relacionam os programas de TV que assistiram durante a semana, as músicas
mais ouvidas e os jogos digitais mais utilizados. Liste os programas, as músicas e os
jogos mencionados e pergunte:
• quais programas, músicas e jogos retrataram situações de violência? Quais retratam
situações de paz?
Com as crianças, calcule a porcentagem de programas que tratam de violência e que
tratam de paz. Com base nos dados levantados, conduza uma roda de conversa pra
dialogar sobre as seguintes questões:
• estamos realmente conscientes da intensidade de violência que aparece nos meios
de comunicação?
• essa consciência muda nossa forma de assistir televisão, jogar ou escutar músicas?
• selecionamos os programas que assistimos ou ouvimos?
• a natureza humana é essencialmente amorosa, pois desde bebês precisamos de
cuidados e de afeto para ter saúde física, emocional e espiritual. Por que, então, falase mais de violência que de paz?
• como cada um se sente ao testemunhar repetidamente situações de violência?
• quais as influências dessas imagens em nossa saúde individual, familiar e coletiva?
15 DISKIN, L.; ROIZMAN, L. G. Paz, como se faz? Semeando cultura de paz nas escolas. 4. ed. 2008. p. 51. Disponível em:
<http://unesdoc.unesco.org/images/0017/001785/178538por.pdf>. Acesso em: 10 jul. 2017.

53

Pode-se atentar ainda para a questão da classificação indicativa para cada filme e ou
programa que, muitas vezes, não é respeitada.

7. Colcha de retalhos16
Objetivo: desenvolver o senso de pertencimento e inclusão na teia da vida.
Áreas de conhecimento: Linguagens (Artes), Ciências da Natureza, Ciências Humanas
e Matemática.
Conteúdo: leitura e escrita; vocabulário; valorização da identidade cultural; valores;
cidadania global/planetária; sustentabilidade socioambiental; inclusão;
estrutura lógico-matemática; comparação: maior que, menor que, igual;
classificação; números e operações; tratamento da informação; formação do
universo e da vida na terra; ambiente natural e construído.
Material: tecido: lona, algodão ou morim, cortados em tamanhos e formatos variados;
tinta de tecido ou tinta guache (é bom lembrar que o guache se dissolve em
água!); linha e agulha ou cola de tecido. O tecido, a tinta, a linha e a agulha
poderão ser substituídos por pedaços de papel e cola para confecção de painel.
Desenvolvimento:
1ª Etapa: História de vida – reúna as crianças em semicírculo e, em seguida, peça
para que procurem lembrar suas histórias pessoais e familiares, pensando em suas
origens, sentimentos e momentos marcantes, sonhos, enfim, tudo aquilo que cada
pessoa considera representativo de sua vida. Depois disso, convide-as a escolher
pedaços de tecidos (pode ser substituído por folha de papel) para pintar símbolos, cores
ou imagens relacionadas às suas lembranças.
Esse é um momento individual, que deve levar o tempo necessário para que cada um sintase à vontade para expressar o máximo de sua história de vida. Quando todos terminarem,
proponha a composição da primeira parte da colcha de retalhos (ou do mural), em que
podem ser costurados ou colados os trabalhos de cada um, sem ordem definida.
16 DISKIN, L.; ROIZMAN, L. G. Paz, como se faz? Semeando cultura de paz nas escolas. 2002. p. 13. Disponível em:
<http://www.palasathena.org.br/downloads/CartilhaPazcomosefaz.pdf>. Acesso em: 10 jul. 2017.

54

2ª Etapa: História da comunidade – esta fase exige muito diálogo entre as crianças,
que devem construir a história da comunidade onde vivem. Uma boa dica é fazer
uma pesquisa junto aos mais velhos ou, ainda, utilizar dados disponíveis em meio
impresso ou via internet, quando possível. O grupo escolhe fatos, acontecimentos e
características da comunidade para representá-los também em pedaços de tecido
pintados ou em folhas de papel. É interessante que as crianças se reúnam em pequenos
grupos para a criação coletiva do trabalho. Todas as pinturas, depois de terminadas,
deverão ser costuradas ou coladas, compondo o barrado lateral na colcha ou no mural.
3ª Etapa: História da cidade, do país, da Terra – a ideia é dar continuidade à colcha
de retalhos ou ao mural, criando novos barrados, de forma a complementá-la com a
história do país, do mundo e, até mesmo, do universo. Não há limites nem restrições.
O objetivo principal é estimular a vontade de conhecer e registrar a vida, em suas
diferentes formas e momentos.
Isso implicará, necessariamente, realizar pesquisas em diferentes fontes: internet, museus,
centros de pesquisa, planetários, etc. Exercita-se, dessa forma, a capacidade de busca e o
processamento de informações para a composição desse trabalho – algo que pode ser feito
individualmente ou em grupo. Desse modo, as crianças poderão compreender diversos
fenômenos sociais, históricos e naturais, sentindo-se integrantes da grande teia da vida.

8. Diversidade religiosa em sala de aula17
Objetivo: reconhecer as diferenças religiosas presentes no Brasil e no mundo; valorizar
o respeito às diferentes crenças .
Áreas de conhecimento: Linguagens, Ciências Humanas, Ciências da Natureza,
Matemática e Ensino Religioso.
Conteúdo: leitura e escrita; vocabulário; valorização da identidade cultural; valores
(respeito, cooperação); estrutura lógico-matemática: inclusão, comparação
(crescente, decrescente, maior que, menor que, igual), classificação; números
17 Texto enviado por Geraldo Vicente da Silva, para o site do IBGE. SILVA, Geraldo Vicente. Diversidade religiosa em sala
de aula. IBGE 7 a 12. Disponível em: <http://7a12.ibge.gov.br/12-vamos-contar/vamos-contar-blog/10113-diversidadereligiosa-em-sala-de-aula-geraldo-vicente-da-silva.html>. Acesso em: 10 jun. 2017.

55

e operações matemáticas (porcentagem, adição, subtração, multiplicação e
divisão); escrita numérica; estatística; tratamento da informação (elaboração,
leitura e interpretação de gráficos); análise e resolução de problemas.
Desenvolvimento:
Pesquise dados atuais sobre as principais religiões da população brasileira e o
quantitativo de pessoas que não integram nenhum grupo religioso (ateus, agnósticos).
Faça um quadro com dados estatísticos nacionais (preferencialmente em formato de
gráfico) e mundiais e, a partir dele, faça um levantamento junto às crianças sobre opções
religiosas, orientando a conversa a partir dos dados da turma e das questões abaixo:
• das religiões que constam deste quadro, quais vocês já conheciam?
• o que vocês sabem sobre essas religiões?
• sobre quais religiões vocês têm curiosidade de conhecer um pouco mais?
Em seguida, exiba um vídeo18 ou conte uma história sobre a diversidade religiosa no
Brasil e explique como essa diversidade vincula-se à origem dos diferentes povos que
habitaram nosso país. As crianças são convidadas a pesquisar as religiões das pessoas
que vivem na vizinhança de sua casa e na escola. Para isso, elabore com elas um
questionário com perguntas fechadas e sem nome dos respondentes. As respostas são
compiladas, mantendo-se o anonimato dos participantes. Com base nos dados obtidos,
construa um gráfico que traduza a realidade local em termos de opções religiosas.
Com a mobilização do interesse das crianças, é possível realizar outras pesquisas,
estudos e debates sobre as características das diversas religiões, buscando aprofundar a
compreensão sobre elas e superar possíveis preconceitos. Vale também organizar uma
roda de conversa com lideranças ou representantes das diferentes religiões, convidando
ateus e/ou agnósticos da comunidade.
Pode-se ainda avançar nos estudos, abordando outras religiões existentes no mundo,
mas que não foram mencionadas na pesquisa. Articule essas informações, explorando
temas como cultura de paz, disputas geradas pela intolerância religiosa e direito
18 Sugestão: Intolerância religiosa para crianças. ENSINO RELIGIOSO. Intolerância religiosa para crianças. 2016. Disponível
em: <https://www.youtube.com/watch?v=r-UV7qcMWuQ>. Acesso em: 10 jul. 2018.

56

humano à livre expressão religiosa. Na discussão, é importante lembrar a existência de
ateus e agnósticos (fazendo a distinção entre ambos os grupos), caso não tenham sido
mencionados pelos estudantes.

9. Meu querido bebê da Nigéria19
Objetivo: reconhecer e valorizar as diferenças e as
identidades individuais a partir do corpo humano.
Áreas de conhecimento: Linguagens, Ciências Humanas,
Ciências da Natureza, Matemática.
Conteúdo: corpo humano; identidades; tamanho,
proporção e comparação (maior que, menor que,
igual); padrões estéticos e beleza corporal.
Desenvolvimento:
Um jogador é escolhido e sai da sala de aula. Enquanto isso, um dos jogadores (o bebê)
que ficaram na sala deita-se no chão e os outros desenham seu contorno com giz.
Depois ele se junta aos demais, e o que estava do lado de fora da sala é chamado para
tentar descobrir de quem é aquele contorno. Acertando ou não, depois de dois ou três
minutos, trocam-se os jogadores.
Após as identificações, converse com as crianças sobre os diferentes corpos humanos
(tamanho, forma...) e como eles também expressam nossas identidades, tornando-nos
únicos. É interessante também trabalhar aspectos relacionados à estética e à superação
dos padrões de beleza.
A atividade pode ser finalizada com um autorretrato elaborado por cada criança.

19 CORAÇÃO AFRICANO. Brasil & África. Um país e um continente num só coração. Brincadeiras tradicionais africanas
– parte 2. 2015. Disponível em: <https://coracaoafricano2532014.wordpress.com/2015/11/30/brincadeiras-tradicionaisafricanas-parte-2/>. Acesso em: 17 jul. 2018.

57

10. Salve-se com um abraço20
Objetivo: desenvolver o espírito de coletividade,
solidariedade e amizade; trabalhar letramento, domínio do
corpo, movimento.
Áreas de conhecimento: Linguagens.
Conteúdo: valores (solidariedade, cooperação), direitos e
deveres, leitura, movimento.
Desenvolvimento:
Esta atividade é uma adaptação da brincadeira pegapega. Sorteie ou escolha uma criança para ser a
abraçadora. Ela tentará tocar um dos colegas que, para ser
salvo, deverá abraçar alguém.
Variação da atividade:
Sorteie ou escolha um estudante para ser o abraçador. Distribua entre os colegas as
tarjetas elaboradas na atividade A paz que a gente constrói. Essas tarjetas, contendo
direitos e deveres e ações para sua consecução, deverão ser fixadas no corpo de cada
estudante de forma que todos possam ler.
O abraçador tentará pegar um dos colegas que, para ser salvo, deverá abraçar alguém que
tenha a tarjeta pertinente com a ação, o direito ou o dever que está afixado em seu corpo.
Sempre que um colega conseguir ser pego, passará a ser o abraçador.

20 OEI. Uma copa do mundo em sua escola: guia do professor. Organização dos Estados Ibero-americanos para a
Educação, a Ciência e a Cultura, 2013. Disponível em: <http://www.oei.org.br/pdf/copa_guia_prof.pdf>. Acesso em:
10 jul. 2017.

58

11. Inclusão21
Objetivo: compreender os desafios e os
direitos das pessoas com deficiência;
desenvolver confiança grupal e empatia.
Áreas de conhecimento: Linguagens e
Ciências Humanas.
Conteúdo: valores (respeito, solidariedade, cooperação, empatia), direitos das pessoas
com deficiência, inclusão social, acessibilidade, palavras em libras.
Desenvolvimento:
Inicialmente, o grupo é dividido em duplas. Um dos integrantes, com os olhos fechados,
e o outro, com os olhos abertos, irão se locomover. Pode-se, por exemplo, marcar um
ponto de chegada e solicitar que andem naquela direção.
No segundo momento, peça que um dos integrantes fique fixo na cadeira e o outro
poderá levantar-se. Solicite que peguem objetos e locomovam-se pela sala.
No terceiro momento, indique ações por meio de uma palavra, utilizando Libras, e peça
que os estudantes ajam conforme o significado da palavra, por exemplo, pular, sentar,
andar, sorrir.
Após realizada a atividade, forme uma roda para que as crianças possam compartilhar
as sensações que experimentaram, os desafios e as facilidades para realizar as ações,
bem como se puderam contar com ajuda dos colegas. A partir dos comentários
e observações surgidos, reflita com o grupo sobre direitos das pessoas com
deficiência, responsabilidade, empatia, solidariedade, cooperação, bem como sobre a
responsabilidade pela segurança de outra pessoa em situação de vulnerabilidade.
Variação: passe um vídeo em Libras e peça que os estudantes comentem. A partir daí discuta
com as crianças a importância de saber dialogar com pessoas com deficiência auditiva.
21 Adaptação da atividade O cego e o acompanhante, de DICKMAN, I.; DICKMAN, I. Dinâmicas pedagógicas:
criatividade e criticidade. São Paulo: Dialogar, 2017.

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12. É de menino e de menina?22
Objetivo: redimensionar valores e
atributos pessoais; desconstruir estigmas
referentes a papéis sociais atribuídos a
meninos e meninas.
Áreas de conhecimento: Linguagens,
Ciências Humanas e Matemática.
Conteúdo: valores (respeito,
solidariedade, cooperação, empatia),
direitos e deveres, papel das mulheres
e dos homens em diferentes culturas,
produção textual, leitura, sistema
monetário.
Material: papéis grandes (quatro folhas
previamente preparadas, conforme
procedimentos e mais outras em branco),
pincéis atômicos.

Desenvolvimento:
Divida os estudantes em dois grupos: meninas e meninos, que ficarão em ambientes
diferentes. Anuncie para os grupos que, nesse exercício, haverá a oportunidade de
questionar algumas das maneiras de serem, como meninos e meninas.
Entregue para o grupo de meninos uma folha grande, já preparada, contendo a
seguinte frase: como menino, eu tenho de... Entregue também algumas folhas a
mais, em branco e alguns pincéis atômicos. Proceda da mesma forma com o grupo
das meninas. Na folha grande, escreva: como menina, eu tenho de... Durante quinze
minutos, os participantes completam suas frases quantas vezes quiserem.

60

22 Adaptado de DICKMAN, I.; DICKMAN, I. Dinâmicas pedagógicas: criatividade e criticidade. São Paulo: Dialogar, 2017.

Após esse tempo, entregue outra folha grande aos grupos. Para o grupo das meninas,
na folha, está escrito: o que eu deixei de fazer por ser menina?; para o grupo dos
meninos, o que eu deixei de fazer por ser menino?. O tempo para essa segunda fase
é de mais quinze minutos. Após esse novo tempo, troque as folhas respondidas pelos
grupos e peça que discutam o que o outro grupo respondeu, concedendo mais um
tempo para a discussão. Concluído esse momento, reúna os dois grupos promovendo
um tempo para leitura e questionamento do que foi elaborado.
Promova um diálogo com os estudantes, estimulando reflexões e ações sobre
separação do que é de menino ou de menina; sobre o que é machismo; o que são
os movimentos feministas (o que são e por que/ para que existem); situação atual das
mulheres no Brasil e no mundo (renda, trabalho, violência, escolaridade); papel das
mulheres e dos homens em diferentes culturas.

13. Cidadania em pequenos gestos23
Objetivo: favorecer a reflexão sobre a responsabilidade social.
Áreas de conhecimento: Linguagens e Ciências Humanas.
Conteúdo: cidadania global, participação, valores (responsabilidade, solidariedade),
exercício de expressão verbal e escrita, direitos e deveres.
Material: papel ofício, lápis, quadro branco de giz ou folha de papel para cartaz.
Desenvolvimento:
Forme um círculo com as crianças e distribua folhas de ofício e lápis para cada
participante. Solicite às crianças que listem, individualmente, situações vivenciadas na
semana anterior, na escola, em que o exercício da cidadania deixou de ser realizado.
Exemplo: sujar o chão, danificar bens públicos, etc. Dê alguns minutos para a realização
desse registro.
Em seguida, forme subgrupos para partilhar as situações e construir uma lista comum,
por subgrupo, contendo as ações consideradas mais significativas. Essa lista é registrada
no quadro branco/de giz ou em folha de papel para cartaz.
23 Adaptado de DICKMAN, I.; DICKMAN, I. Dinâmicas pedagógicas: criatividade e criticidade. São Paulo: Dialogar, 2017.

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Em plenário, as listas dos subgrupos são apresentadas, e as crianças conversam sobre as
situações, relacionando-as a questões mais amplas, como o desperdício de água,
energia e alimentos, a manutenção do patrimônio público e do bem-estar na escola,
o respeito e a tolerância entre estudantes e destes com os demais integrantes da
comunidade escolar, etc.
Por fim, chame atenção para o compromisso social que deve orientar a relação dos
seres humanos com o mundo e para a responsabilidade que todos devem ter com o
que é público e representa bem comum.
Esta atividade permite à criança dar-se conta de que a cidadania é exercida a partir de
pequenos atos. Com essa consciência, torna-se possível relacionar vivências do dia
a dia a situações mais amplas, de modo que o exercício da cidadania – campo dos
direitos e deveres – não se restrinja a um discurso desvinculado da vida cotidiana.

Datas que podem inspirar ações na escola
21 de janeiro – Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa
21 de março – Dia Mundial da Eliminação da Discriminação Racial
19 de abril – Dia do Índio
21 de maio – Dia Mundial da Diversidade Cultural
3 de junho – Dia da Educação Ambiental
5 de junho – Dia Mundial do Meio Ambiente
15 de julho – Dia Mundial das Habilidades dos Jovens
8 de setembro – Dia Internacional da Alfabetização
21 de setembro – Dia Mundial da Paz
15 de outubro – Dia dos Professores
20 de novembro – Dia Nacional da Consciência Negra
25 de novembro – Dia Mundial contra a Violência de Gênero
10 de dezembro – Dia Mundial dos Direitos Humanos
62

Para saber mais
Consulte também o Portal do Professor, do Ministério da Educação, que contém
sugestões de aulas e diversos recursos educacionais nas temáticas da diversidade. Acesso
em: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br>
O Portal MultiRio: a mídia educativa da cidade possui diversos recursos educacionais
(videoaulas, jogos, animação, webradio) para enriquecer o trabalho pedagógico. Acesso
em: <http://www.multirio.rj.gov.br/>
O Portal Vamos Contar, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística reúne atividades
com estudantes relacionadas a matemática e estatística. Além de produção própria, o portal
abriga sugestões de atividades elaboradas por professores de todo o país. Vale conferir:
<https://vamoscontar.ibge.gov.br/>
A página Educom.JT do Núcleo de Comunicação e Educação da Universidade de São
Paulo (NCE-USP) disponibiliza a sugestão de mais de 60 abordagens pedagógicas para
Educomunicação (Educom.JT) que podem ser acessadas em:
<http://www.usp.br/nce/educomjt/paginas/index.htm>
O site Mirim Povos Indígenas Brasil, do Instituto Socioambiental, possui diversas
atividades e materiais didáticos para as crianças conhecerem mais sobre as culturas
indígenas do Brasil. Acessível em: <https://mirim.org/>

63

AVALIAR O ALCANCE DO ODS 4
Vamos verificar?
Um dos grandes desafios dos processos de participação e mobilização é sua continuidade.
Por isso, convém que o trabalho com os ODS seja encarado como algo permanente e
torne-se parte das discussões pedagógicas de toda a comunidade escolar, principalmente
do corpo docente. Com a autoridade que lhes é conferida no ambiente escolar, docentes
podem atuar como facilitadores desse processo, construindo, junto à comunidade escolar,
estratégias para que as ações sejam comunicadas o mais amplamente possível, gerando
mobilização para o alcance dos ODS.
Além de divulgar as ações do grupo no mural da escola, pode-se também criar jornais,
vídeos de celular, blogs e sites da escola, páginas em redes sociais. É possível também
realizar exposição de fotos ou produções que explicitem os principais avanços alcançados.
As crianças e adolescentes são incrivelmente criativos para encontrar meios de produzir
formas de tornar os conteúdos trabalhados mais atraentes e difundidos. Há também a
possibilidade de inscrever a escola em prêmios de educação, o que tornará o trabalho
realizado visível em outros espaços.
Para facilitar a identificação, a sistematização e a análise de avanços e projeções, a turma
ou a escola poderá construir um painel como este abaixo:

?

Esse painel poderá ser preenchido periodicamente a cada 15 ou 30 dias ou conforme a
64

realidade de cada escola.

REFERÊNCIAS
AÇÃO EDUCATIVA. A participação de crianças e adolescentes e os planos de educação. 2. ed. São
Paulo: Ação Educativa, 2015.
AÇÃO EDUCATIVA. Educação e relações raciais. Coleção Educação e Relações Raciais. 2013. Disponível
em: <http://www.acaoeducativa.org.br/relacoesraciais/colecao-educacao-e-relacoes-raciais/>. Acesso em:
20 jul. 2017.
AÇÃO EDUCATIVA. Indicadores da qualidade na educação. Disponível em: <http://www.
indicadoreseducacao.org.br/>. Acesso em: 11 jul. 2017.
AIDGLOBAL et al. Manual de educação para a cidadania global: uma proposta de articulação para o
2º ciclo do ensino básico. 2015. Disponível em: <http://www.educarparacooperar.pt/wp-content/uploads/
FINAL_Manual-Cidadania-Global_Digital.pdf>. Acesso em: 20 jul. 2018.
BRASIL. Comitê Nacional de Educação em Direitos Humanos. Plano Nacional de Educação em Direitos
Humanos. Brasília, 2007. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/docman/2191-plano-nacional-pdf/file>.
Acesso em: 25 set. 2018.
BRASIL. IBGE Educa. Vamos contar. Disponível em: <http://vamoscontar.ibge.gov.br/>. Acesso em: 28 jun. 2017.
BRASIL. Lei n. 9.795, de 27 de abril de 1999. Dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional
de Educação Ambiental e dá outras providências. Diário Oficial da União, 28 abr. 1999. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9795.htm>. Acesso em: 12 mar. 2018.
BRASIL. Lei n. 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que
estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a
obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”, e dá outras providências. Diário Oficial da
União, 10 jan. 2003. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.639.htm>. Acesso
em: 22 jul. 2017.
BRASIL. Lei n. 11.645, de 10 de março de 2008. Altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996,
modificada pela Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que estabelece as diretrizes e bases da educação
nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e cultura
Afro-Brasileira e Indígena. Diário Oficial da União, 11 mar. 2008. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11645.htm. Acesso em: 3 out. 2018.
BRASIL. Lei n. 13.005, de 25 de junho de 2014. Aprova o Plano Nacional de Educação - PNE e dá outras
providências. Diário Oficial da União, 26 jun. 2014. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_
ato2011-2014/2014/lei/l13005.htm>. Acesso em: 22 jul. 2017.
BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Resolução n. 2, de 15 de junho
de 2012. Estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental. Diário
Oficial da União, 16 jun. 2012. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_

65

docman&view=download&alias=10988-rcp002-12-pdf&category_slug=maio-2012-pdf&Itemid=30192>.
Acesso em: 20 jul. 2017.
BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes curriculares para a educação básica: diversidade e inclusão.
Brasília, 2013. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/docman/julho-2013-pdf/13677-diretrizes-educacaobasica-2013-pdf/file>. Acesso em: 11 jul. 2017.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Articulação com os Sistemas de Ensino. Planejando a próxima
década: conhecendo as 20 metas do Plano Nacional de Educação. Brasília, 2014. Disponível em: <http://pne.
mec.gov.br/images/pdf/pne_conhecendo_20_metas.pdf>. Acesso em: 20 jul. 2018.
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Educomunicação. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/
educacao-ambiental/educomunicacao.html>.
BRASIL. ODM Brasil: o Brasil e os ODM. Disponível em: <http://www.odmbrasil.gov.br/o-brasil-e-os-odm>.
Acesso em: 20 jul. 2017.
BRASIL. Portal do professor. Disponível em: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/index.html>. Acesso em:
10 jun. 2017.
CAMPANHA NACIONAL PELO DIREITO À EDUCAÇÃO (SAM). Manual acessível da SAM 2017: semana
de Ação Mundial | Cap 5 parte 1. 2017. Disponível em:<https://www.youtube.com/watch?v=XfHR1hXJ04&feature=youtu.be>.
CAMPANHA NACIONAL PELO DIREITO À EDUCAÇÃO (SAM). Não vamos inventar a roda. 2017.
Disponível em: <http://semanadeacaomundial.org/2017/materiais/>. Acesso em: 20 jul. 2017.
CORAÇÃO AFRICANO. Brasil & África: um país e um continente num só coração. Brincadeiras tradicionais
africanas, parte 2. 2015. Disponível em: <https://coracaoafricano2532014.wordpress.com/2015/11/30/
brincadeiras-tradicionais-africanas-parte-2/>. Acesso em: 17 jul. 2018.
COSTA, Francisco de Assis Morais da (Org.). Educomunicação socioambiental: comunicação popular e
educação. Brasília: Ministério do Meio Ambiente. Secretaria de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental.
Programa Nacional de Educação, 2008. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/estruturas/educamb/_
arquivos/txbase_educom_20.pdf>. Acesso em 3. out. 2018.
DE OLHO NOS PLANOS. Portal. Disponível em: <http://www.deolhonosplanos.org.br/>. Acesso em: 21 jul. 2017.
DICKMAN, I.; DICKMAN, I. Dinâmicas pedagógicas: criatividade e criticidade. São Paulo: Dialogar, 2017.
DISKIN, L.; ROIZMAN, L. G. Paz, como se faz? Semeando cultura de paz nas escolas. 4. ed. 2008. Disponível
em: <http://unesdoc.unesco.org/images/0017/001785/178538por.pdf>. Acesso em: 10 jul. 2017.
ENSINO RELIGIOSO. Intolerância religiosa para crianças. 2016. Disponível em: <https://www.youtube.
com/watch?v=r-UV7qcMWuQ>. Acesso em: 10 jul. 2018.
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Geografia e Estatística, 2016. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=Fev2MHAa-qo>.

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Geografia e Estatística, 2015. Disponível em: <https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv98887.pdf>.
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rumo a 2030. Brasília, 2015. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=p1I_
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<http://unesdoc.unesco.org/images/0025/002521/252197POR.pdf>. Acesso em: 13 ago. 2017.
UNESCO. Relatório Mundial da UNESCO: investir na diversidade cultural e no diálogo intercultural.
Brasília, 2009. Disponível em: <http://unesdoc.unesco.org/images/0018/001847/184755por.pdf>.
Acesso em: 15 jul. 2017.
UNESCO. Relatório de monitoramento global da educação Investir na diversidade cultural 2017/18.
Brasília, 2017b. Disponível em: <http://unesdoc.unesco.org/images/0025/002593/259338e.pdf>. Acesso
em: 3 out. 2018.
UNESCO. Objetivos de desenvolvimento sustentável para crianças. Brasília, 2017. Disponível em: <bitly.
com/videos_eds>.
UNESCO TV PORTUGUESE. ODS 4 para crianças: educação de qualidade. Brasília, 2017. Disponível em:
<https://www.youtube.com/watch?v=NQwqFKerFMg>. Acesso em: 4 mai. 2018.
UNICEF. O cenário da distorção idade-série no Brasil. Brasília, [s.d.]. p. 4. Disponível em: <https://www.
unicef.org/brazil/pt/panorama_distorcao_idadeserie_brasil.pdf>. Acesso em: 3 out. 2018.
UNICEF. Cenário da exclusão escolar no Brasil. Brasília, 2017. Disponível em: <https://www.unicef.org/
brazil/pt/resources_36288.html>. Acesso em: 3 out 2018.
UNICEF. Panorama da distorção idade-série no Brasil. Brasília, [s.d.]. Disponível em: <https://www.unicef.
org/brazil/pt/resources_38834.html>. Acesso em: 3 out. 2018.
USP. Educom.JT. Disponível em: <http://www.usp.br/nce/educomjt/paginas/index.htm>.

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ANEXO: ícones dos ODS

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