Caderno Introdutório

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                    Educação para o
Desenvolvimento Sustentável
na Escola

EDUCAÇÃO PARA
O DESENVOLVIMENTO
SUSTENTÁVEL NA ESCOLA

CADERNO INTRODUTÓRIO

BRASÍLIA, 2020

Publicado em 2020 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e a
Representação da UNESCO no Brasil, em cooperação com o Ministério da Educação (MEC).
© UNESCO 2020

Esta publicação está disponível em acesso livre ao abrigo da licença Atribuição-Partilha 3.0 IGO (CC-BY-SA 3.0 IGO) (http://
creativecommons. org/licenses/by-sa/3.0/igo/). Ao utilizar o conteúdo da presente publicação, os usuários aceitam os
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As indicações de nomes e a apresentação do material ao longo deste livro não implicam a manifestação de qualquer opinião
por parte da UNESCO a respeito da condição jurídica de qualquer país, território, cidade, região ou de suas autoridades,
tampouco da delimitação de suas fronteiras ou limites.
As ideias e opiniões expressas nesta publicação são as dos autores e não refletem obrigatoriamente as da UNESCO
nem comprometem a Organização.

Coordenação técnica da Representação da UNESCO no Brasil:
Marlova Jovchelovitch Noleto, Diretora e Representante
Maria Rebeca Otero Gomes, Coordenadora do Setor de Educação
Mariana Alcalay, Oficial do Setor de Educação
Edição e redação: Tereza Moreira e Rita Silvana Santana dos Santos
Pesquisa: Clara Miranda, Isabeli Cristini Santana Oliveira, Rita Silvana Santana dos Santos e Tereza Moreira
Revisão técnica: Setor de Educação da Representação da UNESCO no Brasil, Jane Fontana (Ministério da
Educação), Patricia Fernandes Barbosa (Ministério do Meio Ambiente) e Renata Maranhão (Agência Nacional
de Águas) e Maria Rehder (consultora da UNESCO)
Revisão gramatical e ortográfica: Lúcia Leiria
Revisão editorial: Unidade de Publicações da Representação da UNESCO no Brasil
Capa, Projeto gráfico e diagramação: Raruti Comunicação e Design
Ilustração: Marcela Weigert
Educação para o desenvolvimento sustentável na escola: caderno introdutório / editado por Tereza
Moreira e Rita Silvana Santana dos Santos. – Brasília : UNESCO, 2020.
72 p., il.
Incl. bibl.
ISBN: 978-85-7652-251-5
1. Educação para o desenvolvimento sustentável 2. Desenvolvimento sustentável 3. Objetivos
educacionais 4. Desenvolvimento curricular 5. Guia pedagógico 6. Brasil I. Moreira, Teresa II. Santos,
Rita Silvana Santana dos III. UNESCO
CDD 373
Esclarecimento: a UNESCO mantém, no cerne de suas prioridades, a promoção da igualdade de gênero, em todas as
suas atividades e ações. Devido à especificidade da língua portuguesa, adotam-se, nesta publicação, os termos no gênero
masculino, para facilitar a leitura, considerando as inúmeras menções ao longo do texto. Assim, embora alguns termos seja
escritos no masculino, eles referem-se igualmente ao gênero feminino.

Agradecimentos

A série “Cadernos de Educação para o Desenvolvimento Sustentável na Escola”
foi produzida pelo Setor de Educação da UNESCO no Brasil. O material é
resultado de uma parceria frutífera entre a UNESCO no Brasil e o Ministério da
Educação (MEC) que, no âmbito de seus mandatos, uniram esforços para produzir
um conteúdo de qualidade, fundamental para o nosso século, sobre Educação
Ambiental e Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS).
Gostaríamos de agradecer especialmente a Rita Silvana Santana dos Santos e
a Tereza Moreira, que desenvolveram a série, também enriquecida pelo apoio
técnico de Renata Maranhão, Patrícia Fernandes Barbosa, Jane Fontana e Maria
Rehder, cujas valiosas contribuições foram fundamentais para a preparação destes
cadernos.
Agradecimentos especiais a Thaís Pires e a Thaís Guerra pelo grande apoio e às
integrantes da equipe da Escola da Natureza de Brasília. Esse trabalho contou
também com a experiência e as contribuições de Mariana Braga, Massimiliano
Lombardo, Edneia Oliveira e Maria Clara Mendes.
Esse projeto não seria possível sem o apoio da equipe de publicação da UNESCO
no Brasil e o incansável trabalho gráfico de Edson Fogaça e Marcela Weigert.

Apresentação

Desafios globais, como erradicação da fome, agricultura sustentável, saúde e bemestar, educação de qualidade, acesso à agua potável e saneamento, cidades e
comunidades sustentáveis, consumo e produção responsáveis, mudança climática
global e preservação da vida na água e na terra, entre outros, exigem, mais do
que nunca, uma mudança urgente em nosso estilo de vida, bem como uma
transformação em nosso modo de pensar e agir.
Em 2015, os países das Nações Unidas adotaram a Agenda 2030 para o
Desenvolvimento Sustentável. Trata-se de um plano de ação previamente acordado
pelos Estados-membros, que convoca governos, a sociedade civil e o setor privado
a se comprometerem com a agenda proposta, protegendo e preparando as
gerações futuras, para alcançarmos o mundo que queremos em 2030.
A educação é explicitamente formulada como um objetivo independente, o Objetivo
de Desenvolvimento Sustentável 4 (ODS 4), que visa a “assegurar a educação inclusiva
e equitativa de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da
vida” , sendo, portanto, um fator essencial para atingir todos os demais ODS.
Para possibilitar essas mudanças e vencer esses desafios nos âmbitos local,
nacional, regional e global, precisamos de novas competências, habilidades,
valores e atitudes que assegurem sociedades mais sustentáveis. Nesse sentido,
os sistemas educacionais em geral, e as escolas em particular, como espaços de
socialização fundamental, devem responder a esses desafios prementes, definindo
objetivos e conteúdos de aprendizagem relevantes, introduzindo pedagogias
que inspirem e empoderem docentes e estudantes, e instando suas instituições a
incluir princípios de sustentabilidade em suas estruturas de gestão. A escola, sob
um ponto de vista mais abrangente, está diretamente ligada à sua comunidade, o

que aumenta sua importância e, consequentemente, sua responsabilidade, pois os
conhecimentos ali produzidos irão para além de seus muros, influenciando todo o
seu entorno.
A UNESCO Brasil e o Ministério da Educação (MEC) se uniram para produzir
uma série inédita de materiais pedagógicos, a fim de divulgar a Educação para
o Desenvolvimento Sustentável (EDS) e a Agenda 2030 para estudantes dos
anos iniciais do ensino fundamental, faixa etária para a qual há poucos materiais
educacionais sobre o tema. Além disso, é importante que crianças e jovens sejam
protagonistas da mudança de estilos de vida, contribuindo para criar uma cultura
mais responsável e sustentável. A primeira iniciativa foi produzir, em 2017, nove
vídeos educativos, a partir dos desafios descritos acima, que correspondem aos
ODS cuidadosamente selecionados, considerando sua relação mais direta com
a EDS e com a Educação Ambiental do Brasil: ODS 2 (Fome zero e agricultura
sustentável), ODS 3 (Saúde e bem-estar), ODS 4 (Educação de qualidade), ODS 6
(Água potável e saneamento), ODS 11 (Cidades e comunidades sustentáveis), ODS
12 (Consumo e produção responsáveis), ODS 13 (Ação contra a mudança global do
clima), ODS 14 (Vida na água) e ODS 15 (Vida terrestre).
A partir da produção dos vídeos, desenvolveu-se também esta série de cadernos
sobre a Agenda 2030. Em cada um deles, são sugeridas atividades lúdicas a serem
adaptadas conforme cada contexto escolar, atividades que podem ser utilizadas
tanto na educação formal como na não formal. Essa série é, assim, uma referência
para que profissionais da educação possam trabalhar com os ODS.
Os docentes são atores essenciais para a conscientização das gerações futuras e
da comunidade escolar como um todo, neste caso, com a utilização dos cadernos
que disponibilizamos. Vale lembrar que todos os 17 ODS estão interligados e
serão trabalhados ao longo desta série. Esta primeira edição será testada em
caráter piloto no Brasil, em suas cinco regiões, para, em seguida, ser validada e
amplamente divulgada no país e no mundo.
Dessa forma, os cadernos somam-se aos esforços que a UNESCO vem realizando,
desde 1992, com a instituição da Década das Nações Unidas para a Educação para

o Desenvolvimento Sustentável (2005-2014) e, atualmente, dando continuidade às
ações por meio do Programa de Ação Global para a EDS (2015-2030).
No Brasil, esse trabalho fortalece as ações que o MEC tem realizado para promover
a Educação Ambiental. Em sentido amplo, esse trabalho valoriza e reconhece a
importância do local para garantir a sobrevivência do global, contribuindo assim para
assegurarmos um mundo mais sustentável em 2030.

UNESCO no Brasil

Ministério da Educação (MEC)

Sumário

UMA EXPLICAÇÃO NECESSÁRIA...............................................................................10
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM....................................................................................15
INTRODUÇÃO.................................................................................................................. 16
Movimento mundial pela sustentabilidade.....................................................................16
Para além de 2030...............................................................................................................18
As conquistas brasileiras......................................................................................................19
O QUE É A AGENDA 2030?........................................................................................ 23
Todos a bordo! ....................................................................................................................23
O papel da UNESCO na implementação dos ODS.................................................. 35
A política brasileira de Educação Ambiental e sua aplicação
na Educação Básica............................................................................................................38
Por que e como trabalhar os ODS na escola?.......................................................................40
IDEIAS PARA A AÇÃO.................................................................................................... 49
REFERÊNCIAS................................................................................................................... 67

UMA EXPLICAÇÃO NECESSÁRIA

Qual educação precisamos oferecer hoje para garantir uma vida mais
sustentável até 2030?
Desde setembro de 2015, o mundo está diante de um novo desafio: alcançar
– até 2030 – os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Trata-se
de um ambicioso conjunto de 17 objetivos e 169 metas, que foi adotado
por 193 países-membros das Nações Unidas. Estes objetivos buscam
“garantir uma vida sustentável, pacífica, próspera e equitativa na Terra, para todos,
agora e no futuro” (UNESCO, 2017, p. 6).
Os ODS foram definidos por meio de um amplo processo de negociações, que durou
três anos e envolveu a participação de governos e da sociedade civil dos diversos
países. Contou ainda com a contribuição de cidadãos de todo o planeta por meio de
consultas on-line. O resultado desse esforço mundial compõe a Agenda 2030 para o
Desenvolvimento Sustentável, que comporta os 17 ODS e suas respectivas metas.
Desde então, milhões de pessoas e instituições em todo o mundo têm-se mobilizado em
resposta ao chamado dos ODS. Elas estão buscando maneiras de transformar os desafios
globais em objeto de suas reflexões e práticas locais, visando contribuir para o alcance
de metas tão ambiciosas. Afinal, isso pressupõe mudanças de estilo de vida, aquisição
de valores, habilidades, atitudes e comportamento que conduzam à construção de
sociedades mais sustentáveis.
É nesse contexto que a Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS) faz-se
presente. Todas as pessoas que vivem o cotidiano escolar como você, profissionais da
educação, funcionários da escola, estudantes, famílias e comunidade, são agentes de
transformação fundamentais para que os ODS sejam alcançados até 2030.
10

A partir da realização de ações contextualizadas com a realidade das escolas, incluindo a
mobilização de mais pessoas, você pode fazer toda a diferença para a Agenda 2030 ‘sair
do papel’, ajudando a dar vida e significado às metas no seu dia a dia.
Crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos, sem exceção, são fundamentais para a
transformação local no âmbito desse movimento global. E a escola é o melhor lugar do
mundo para tudo isso começar.
Com o objetivo de incentivar a compreensão, o debate, o exercício e a criação de práticas
pedagógicas transformadoras inspiradas nos ODS, contextualizadas com os desafios de
cada comunidade e região onde as escolas estão inseridas, esta Coleção chega até você.
Os vídeos e os cadernos que a compõem visam divulgar os ODS e fornecer subsídios para
o tratamento pedagógico de nove temas considerados mais relevantes para a EDS e o
atendimento dos estudantes na faixa etária entre sete e onze anos.
A partir de explicação feita pelas próprias crianças, os vídeos, disponíveis em <bitly.
comvideos_eds>, propiciam uma primeira aproximação com os temas. Os cadernos,
com conteúdos básicos e materiais de referência, apresentam os ODS e suas metas aos
docentes, subsidiando e estimulando o desenvolvimento e a criação de diversas atividades
pedagógicas, como pesquisas, jogos e brincadeiras, com os estudantes. Lembrando que
não existe receita pronta, quem vai trilhar o caminho para a materialização disso tudo é
você, em aliança com estudantes e comunidade escolar.
Vamos começar?

O papel da educação
A educação é considerada tema transversal a todos os ODS e uma estratégia essencial
na busca de sua concretização. Em primeiro lugar, porque é um direito humano e, por
seu intermédio, as pessoas com acesso à educação tornam-se mais empoderadas
e capazes de compreender outros direitos. Em segundo lugar, a educação,
especialmente a EDS, propicia melhor compreensão dos desafios que esses objetivos
representam para suas comunidades. A EDS provê a elas melhores condições de
11

debater e enfrentar os temas contemporâneos que os ODS suscitam, pois favorece
uma percepção da interdependência entre os âmbitos local e global no necessário
entendimento dos padrões de mudanças sociais, econômicas e ambientais que as
afetam (UNESCO, 2016).
A escola e, principalmente, os docentes são fundamentais nos esforços de inserir a
Educação para a Sustentabilidade (EDS) no trabalho pedagógico. Ambos podem contribuir
com a promoção de processos formativos voltados a abordar os ODS no contexto escolar.
Sua inclusão no currículo dos sistemas, nas redes de ensino e nos Projetos Político
Pedagógicos (PPP) das escolas propicia, aos estudantes, a chance de realizarem uma
aprendizagem contextualizada e de participarem ativamente na transformação de sua
realidade, especialmente quando o saber desenvolvido em sala de aula converte-se
também em práticas que alteram a gestão e os espaços físicos da escola em direção a
maior sustentabilidade.

Conteúdo desta coleção
Para a elaboração desta coleção foram identificados 9 ODS que têm relação direta com
a Educação Ambiental do Brasil e a Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS)
da UNESCO para os anos iniciais do ensino fundamental. Vale lembrar que todos os 17
ODS estão interligados e serão trabalhados ao longo desta coleção, que conta com os
seguintes volumes:
Caderno Introdutório – este caderno tem por objetivo fornecer

informações que contextualizem os ODS em relação às demais agendas
globais voltadas ao desenvolvimento sustentável. Além disso, pretende
mostrar como os (ODS) estão interligados e qual a importância da
abordagem pedagógica nas escolas e do envolvimento direto de
profissionais da educação, estudantes, famílias e de toda a comunidade
escolar para o alcance das metas no Brasil e no mundo. O caderno
Introdutório também apresenta as convergências entre a EDS, os ODS e
as políticas brasileiras de Educação Ambiental.

12

ODS 2: Fome zero e agricultura sustentável – pretende
promover, na comunidade escolar, a reflexão sobre valores e
práticas ligados à alimentação e à nutrição. Relata estratégias
de promoção de uma alimentação saudável, de combate à
desnutrição, à obesidade infantil e ao desperdício, e mostra a
necessidade de incentivo à agricultura sustentável por meio de
compras institucionais e do consumo responsável.
ODS 3: Saúde e bem-estar – esclarece e estimula a reflexão
sobre os conceitos de saúde, higiene e bem-estar, mostrando
como a desigualdade no acesso das pessoas a bens e serviços
compromete o alcance deste ODS. Promove uma compreensão
holística do tema, encorajando a adoção de valores e crenças,
bem como a mudança de atitudes e comportamentos
relacionados a uma vida saudável para todas as pessoas e em
todas as idades.
ODS 4: Educação de qualidade – aborda este tema fundamental
para o alcance do desenvolvimento sustentável. Pela compreensão
de que a educação é um direito humano fundamental, visa
estimular o debate acerca desse direito que é a base sobre a qual
se pode conquistar inclusão social, cultura de paz e não violência;
respeito à diversidade étnica, racial e cultural; e garantia dos
demais direitos humanos, necessários à criação de sociedades
sustentáveis.
ODS 6: Água potável e saneamento – mostra a importância
do acesso à água potável e ao saneamento como condição
fundamental para a vida humana e dos ecossistemas. Pretende
estimular a percepção das causas, dos efeitos e das consequências
da escassez de água e da deficiência dos serviços de
abastecimento e de saneamento no mundo e no Brasil, bem como
no âmbito local da escola e da comunidade.
13

ODS 11: Cidades e comunidades sustentáveis – trata do desafio de educar
para a convivência nas cidades e comunidades, tornando-as mais inclusivas,
seguras, resilientes e sustentáveis. Estimula a compreensão dos mecanismos de
participação pública nos destinos da cidade e da comunidade, mostrando a
importância de contribuir individual e coletivamente para incluir a dimensão
da sustentabilidade em seu planejamento.
ODS 12: Consumo e produção responsáveis – visa promover a reflexão
sobre o papel dos indivíduos e das coletividades nas relações de mercado,
considerando sua renda, orientações culturais e sociais, bem como as
condições ambientais. Busca incentivar que os estudantes avaliem seu
próprio comportamento como consumidores e estimular a comunidade
escolar a se envolver em práticas de consumo e de produção sustentáveis.
ODS 13: Ação contra a mudança global do clima – aborda a mudança
climática como fenômeno causado pela ação humana e as medidas
voltadas a combater seus impactos. Promove a compreensão do impacto
das nossas escolhas individuais sobre o clima, bem como sobre a
necessidade de revisão de nossos estilos de vida.
ODS 14: Vida na água – trata da conservação e do uso sustentável dos
oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento
sustentável. Além de incentivar o estudo da complexa vida marinha, mostra
as relações que os seres humanos estabelecem com os mares como
fornecedores de produtos e serviços essenciais. Busca promover práticas
pessoais e coletivas voltadas à saúde dos mares e oceanos.
ODS 15: Vida terrestre – além de discutir conceitos básicos relacionados
aos ecossistemas, estimula o conhecimento sobre os biomas brasileiros e
identifica as principais ameaças à biodiversidade. Visa sensibilizar contra
práticas ambientais destrutivas e contribuir para que os estudantes sejam
capazes de conectar-se com as áreas naturais locais e sentirem empatia
com a vida em todas suas dimensões, sejam humanas ou não humanas.

14

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

O texto a seguir fornece uma introdução à temática dos 17 Objetivos de Desenvolvimento
Sustentável (ODS). Mostra o contexto em que foram criados e a inter-relação entre
eles. Com as orientações e indicações aqui propostas, pretende-se atingir os seguintes
objetivos:
• fornecer uma visão geral e sistêmica sobre o conjunto dos ODS;
• incentivar a abordagem integrada dos ODS nos sistemas de educação;
• mostrar a importância de se trabalhar a Educação para o Desenvolvimento
Sustentável (EDS) nas escolas como parte das políticas públicas de educação;
• colaborar com a formação continuada de docentes por meio das temáticas
abordadas nos ODS e de ações pedagógicas para o desenvolvimento de
conteúdos propostos;
• estimular os estudantes a pensarem, sentirem e agirem em consonância com o
movimento local e global pelo alcance dos ODS;
• evidenciar o papel da escola na transformação socioambiental, considerando-a em
sua relação com a comunidade a que pertence;
• estabelecer parâmetros para a abordagem dos ODS na escola, integrando
currículo, Projetos Político Pedagógicos (PPP), gestão e espaço físico;
• sensibilizar a comunidade escolar para a importância da realização de ações
transformadoras (individuais e coletivas) nos locais onde estão inseridas para o
alcance dos ODS e garantia dos direitos humanos no Brasil e no mundo.

15

INTRODUÇÃO

Movimento mundial pela sustentabilidade
Desde meados do século XX, a humanidade vem intensificando esforços para garantir
qualidade de vida à crescente população mundial por meio do crescimento econômico.
Nas últimas décadas, no entanto, ficou claro que as conquistas não podem ocorrer à custa
do esgotamento dos recursos naturais, tampouco colocando em risco a sobrevivência das
demais espécies viventes no planeta.
Desde seus primórdios, em 1948, a UNESCO já preconizava uma educação voltada ao
cuidado com o meio ambiente (UNESCO, 2018). Ao longo do tempo, essa preocupação
traduziu-se em diversas iniciativas que pretendem agregar a temática ambiental aos
esforços pelo desenvolvimento, com participação expressiva na organização das
conferências das Nações Unidas sobre meio ambiente realizadas em Estocolmo, Suécia,
em 1972, e no Rio de Janeiro, Brasil, em 1992.
Pouco antes da II Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento
(Rio-92, Eco-92 ou Cúpula da Terra), começou a tomar corpo o conceito de desenvolvimento
sustentável, que se refere àquele desenvolvimento que procura satisfazer as necessidades da
geração atual, sem comprometer a capacidade das futuras gerações de satisfazerem suas
próprias necessidades. Ao contrário da ideia de enfatizar apenas o crescimento econômico,
o desenvolvimento sustentável tem como desafio integrar três dimensões fundamentais para
o bem-estar e a qualidade de vida dos indivíduos e das sociedades: crescimento econômico,
inclusão social e proteção ao meio ambiente.
16

Agendas para o século XXI
Durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento,
mais conhecida como Rio-92, inaugurou-se a ideia de que o desenvolvimento sustentável
só será alcançado pelo envolvimento, compromisso e ação de todos os governos e
segmentos da sociedade civil, incluindo as organizações não governamentais, os setores
empresariais, a comunidade científica e os meios de comunicação. Seria necessário
estabelecer uma agenda de compromissos pactuada e coordenada tanto em âmbito
global, como também em níveis nacionais e locais. Surgia a ideia da Agenda 21, que,
posteriormente, teria continuidade por meio dos Objetivos de Desenvolvimento do
Milênio (ODM) e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Agenda 21 – este documento de quarenta capítulos é um dos mais importantes
resultados da Conferência Rio-92. Adotado por 179 países, propõe um plano de ação,

!

realizado de forma participativa, a ser posto em prática durante o século XXI, e voltado
ao desenvolvimento humano em bases que conciliam proteção ambiental, promoção
de direitos humanos e eficiência econômica. Cada país, cada localidade e cada setor
social podem estabelecer as próprias prioridades, com base na identificação de sua
realidade específica. A UNESCO encarregou-se de gerenciar o capítulo 36 da Agenda,
que trata da educação. Esse capítulo reforça uma abordagem transversal desse tema
ao salientar que promover educação, conscientização pública e treinamento são ações
ligadas a praticamente todas as áreas da Agenda 21.
ODM – resultado da Declaração do Milênio das Nações Unidas, adotado
por 191 países no ano 2000, esse plano sintetiza as prioridades levantadas por
diversas conferências mundiais ocorridas na década de 1990. Os ODM definiram
8 objetivos concretos e mensuráveis por meio de 22 metas e 48 indicadores, que
deveriam ser alcançados pelos países no prazo de 15 anos. Os temas abordados
referiam-se, principalmente, aos maiores desafios enfrentados pelos países em
desenvolvimento, como o combate ao analfabetismo, à pobreza e à fome. Os
resultados desse esforço puderam ser medidos e avaliados global, nacional e
localmente, fornecendo elementos para o planejamento da continuidade das
ações, para além de 2015, com base nas lacunas identificadas.
17

ODS – estes objetivos compõem a chamada Agenda 2030. Essa agenda foi
idealizada durante a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento
Sustentável (Rio +20), como continuidade aos ODM, e adotada por 193
países-membros das Nações Unidas em 2015. Corresponde às ações a
serem realizadas entre 2015 e 2030, contendo 17 Objetivos e 169 metas. Em
setembro de 2015, ao lançar os ODS, o ex-Secretário Geral da ONU Ban KiMoon afirmou que constituem um apelo global, pois demandam as “ações de todos, em
todos os lugares”.

Para além de 2030
Mesmo que os 17 ODS sejam plenamente cumpridos até 2030, até a virada do século, a
humanidade terá pela frente diversos outros desafios. Estudos divulgados em 2017 pela
Divisão de População das Nações Unidas indicam, por exemplo, que, de uma população
mundial de 7,6 bilhões de pessoas em 2017, chegaremos a 8,3 bilhões de habitantes em
2030 e a 11,2 bilhões em 2100. A maior parte desse crescimento ocorrerá nos países
considerados de renda muito baixa, conforme indica o gráfico a seguir.

18

Para Alves (2018), a humanidade terá que enfrentar desafios adicionais, como o
envelhecimento da população dos países desenvolvidos e a bolha de jovens sem
educação e sem emprego nos países pobres. Questões como o aumento de migrações,
agravadas pelas mudanças do clima, podem tornar mais difícil a convivência entre pessoas
de diferentes origens sociais, econômicas e culturais. Mais gente no mundo significa
também a necessidade de exploração de mais recursos naturais. Considerando que o
planeta já está sobre-explorado, constitui um dilema garantir qualidade de vida para mais
gente sem comprometer o meio ambiente.
Tendências como essas levam a crer que a realização dos 17 ODS é condição essencial
para que as próximas décadas revertam processos que podem inviabilizar a continuidade
da vida humana na Terra. Daí a importância de haver um empenho global no alcance
dos ODS, o que implica o estabelecimento de parcerias entre governos, empresas,
organizações da sociedade civil, meio acadêmico e meios de comunicação. A escola é um
importante agente nesse processo de mudança e está sendo chamada a engajar-se nesse
amplo movimento.

As conquistas brasileiras
Talvez por ter sido o país anfitrião de duas conferências de cúpula das Nações Unidas
sobre meio ambiente e desenvolvimento (Rio-92 e Rio+20), o Brasil sempre desempenhou
forte protagonismo na aplicação dessas Agendas. Vejamos algumas conquistas que
ocorreram por aqui.
A Agenda 21 Brasileira foi formulada a partir das diretrizes do documento global e contou
com ampla participação popular. Esse documento inspirou a constituição de Agendas 21
Locais em muitos municípios. Foi apropriado por segmentos sociais diversificados, que
elaboraram suas respectivas agendas. Diversas instituições, incluindo o Ministério do Meio
Ambiente (MMA), criaram mecanismos para conhecer essas iniciativas. Em 2009, a Pesquisa
de Informações Básicas Municipais (Munic), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), identificou 1.105 municípios que estavam realizando processos de Agenda 21 Local.
Já os ODM foram objeto de monitoramento e avaliação tanto em âmbito global quanto
nacional. Eles vigoraram entre 2000 e 2015 e mostraram um bom desempenho em sua
19

aplicação no Brasil, sobretudo graças às políticas governamentais de inclusão social e à
intensa participação da sociedade. Algumas dessas políticas constituem boas práticas,
que se converteram em tecnologias sociais e estão sendo disseminadas mundo afora,
como é o caso das políticas de renda mínima, as ações de convivência com o Semiárido,
a ampliação de áreas protegidas, entre outras. O quadro a seguir enumera os resultados
brasileiros obtidos para cada ODM1.
ODM

Meta original

Alcance no Brasil1

Até 2015, reduzir a fome
e a pobreza extrema à
metade do que era em
1990.

A pobreza extrema caiu de 25%, em 1990, para
3%, em 2013: 16 milhões de pessoas saíram do
mapa da fome.

Universalizar o acesso à
educação básica.

98% das crianças de 7 a 14 anos estavam na
escola em 2015. A porcentagem de jovens de 15
a 24 anos com pelo menos seis anos de estudo
passou de 60%, em 1990, para 84%, em 2012.

Eliminar a disparidade
entre homens e mulheres
no acesso à educação, no
mercado de trabalho e na
representação política.

As mulheres brasileiras têm maior nível de
escolaridade que os homens. No período entre
1990 e 2015, a presença feminina no emprego
formal cresceu mais (17,3%) que a masculina
(9,7%). As disparidades salariais, assim como a
representação política das mulheres, porém,
ainda constituem desafios. No Brasil, as mulheres
ganham, em média, 25% a menos do que os
homens. Isso sem considerar os recortes de raça,
pois no caso das mulheres negras, esse índice é
maior.

Até 2015, reduzir a
mortalidade na infância a
dois terços do que era em
1990.

A meta foi alcançada antes do prazo, com
redução de 53,7 (1990) para 17,7 óbitos por mil
nascidos vivos em 2011.

1 Dados disponíveis em ODM Brasil. Disponível em: <http://www.odmbrasil.gov.br/o-brasil-e-os-odm>; e também em
PNUD, 2016. Disponível em: <http://www.estrategiaods.org.br/wp-content/uploads/2016/05/FAQ.pdf>.

20

ODM

Meta original

Alcance no Brasil1

Reduzir a mortalidade
materna a ¾ da taxa de
1990 e universalizar o
acesso à saúde sexual e
reprodutiva.

A mortalidade materna caiu 55% de 1990 a 2011,
passando de 141 para 64 óbitos em cada 1.000
nascidos vivos. Intensificou-se o cuidado prénatal; 99% dos partos ocorrem em instituições de
saúde.

Até 2015, interromper a
propagação, diminuir a
incidência e universalizar
o acesso ao tratamento
da Aids; reduzir a
incidência de malária e
outras doenças, como a
tuberculose.

Os casos de Aids mantiveram-se em torno de
20 por 100 mil habitantes nos últimos 10 anos. O
índice de mortalidade pela doença diminuiu. A
incidência de malária caiu de 3,9 para 1,3 casos
por mil habitantes/ano, e a de tuberculose de
51,8 para 37casos por 100 mil habitantes.

Reduzir até 2010 a perda
da biodiversidade; reduzir
pela metade, até 2015, a
proporção da população
sem acesso permanente
e sustentável à água
potável e ao esgotamento
sanitário; alcançar
melhoria significativa na
vida de habitantes de
assentamentos precários.

Em 2012, as porcentagens de pessoas sem
acesso à água e ao esgotamento sanitário caíram
abaixo da metade do nível de 1990 e as taxas de
moradia inadequada para a população urbana
caiu para 36,6% em 2012. Houve redução do
desmatamento na Amazônia de 27.772 km2,
em 2004, para 4.848 km2, em 2014. Mas o
desmatamento voltou a subir nos anos seguintes.

Atender às necessidades
especiais dos países
menos desenvolvidos.

Na última década, o Brasil teve participação
destacada no G20, grupo de países
emergentes; prestou apoio financeiro à
Associação Internacional de Desenvolvimento
(AID), participou na Rodada de Doha (da
Organização Mundial do Comércio), visando
diminuir as barreiras comerciais aos países
menos desenvolvidos, e teve forte atuação na
Cooperação Sul-Sul.

21

O histórico de êxito na aplicação das agendas anteriores talvez explique a grande
repercussão e a adesão que os ODS estão recebendo. Para alcançar os 17 ODS e suas 169
metas, será preciso um esforço compartilhado entre União, estados, municípios, sociedade
e setor privado. Mas vale lembrar que é preciso estar vigilante para que conquistas
anteriores da sociedade brasileira não sejam revertidas devido a políticas públicas que
relativizem direitos adquiridos.

Para saber mais
Um vídeo realizado pelo MMA e intitulado “MMA – Programa Agenda 21” trata dessa agenda
e está disponível em: <http://bit.ly/2pUj1eo>
O programa Conexão Brasil, da TVE, traz a série “Objetivos do Milênio”, com os desafios
representados pelos ODM. Disponível em: <http://bit.ly/2sc7g3v>
Os resultados obtidos pelo País com o ODM são objeto do vídeo “Dos ODM aos ODS:
experiências e desafios para o Brasil – PNUD _ 25_09_2015”, que pode ser acessado em:
<http://bit.ly/2sc7g3v>

A publicação “Objetivos de Desenvolvimento do Milênio: relatório nacional de
acompanhamento”, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), traz um estudo
detalhado sobre cada ODM e suas respectivas metas e está disponível em:
<http://bit.ly/37BXoQO>

Em âmbito mundial, os ODM são avaliados na publicação das Nações Unidas, intitulado
“Relatório sobre os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio 2015”, acessível em:
<http://bit.ly/2QP4887>

22

O QUE É A AGENDA 2030?
Todos a bordo!
Antes do término da vigência dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) e
diante dos resultados obtidos, as Nações Unidas iniciaram a mobilização em torno da
formulação de uma agenda global, cuja formulação demorou quase três anos. A decisão
de lançar-se um processo para a definição dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
(ODS) surgiu durante a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento
Sustentável (Rio+20), em junho de 2012. Desde setembro de 2015, portanto, o mundo está
diante de novo desafio: alcançar os ODS até 2030.
Este ambicioso conjunto de objetivos compõe o documento intitulado “Transformando
Nosso Mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”, que foi adotado por
193 países-membros das Nações Unidas. A formulação dos ODS resultou de um processo
transparente, inclusivo e participativo – um acordo mundial sem precedentes. Mais do
que uma agenda para os países em desenvolvimento, os ODS possuem uma natureza
universalmente aplicável, levando em conta diferentes realidades, prioridades nacionais,
capacidades e estágios de desenvolvimento. A Agenda 2030 reflete uma visão mais
integrada e interdependente das soluções para o desenvolvimento sustentável. Por isso, os
ODS não podem ser vistos como algo a ser conquistado pelos países isoladamente.

23

Crédito da arte: Ken Robinson/Global Goals

Fonte: https://nacoesunidas.org/pos2015/

24

Estes são os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável:2
Objetivo 1: Erradicação da pobreza – Acabar com a pobreza em todas as suas formas,
em todos os lugares.
Objetivo 2: Fome zero e agricultura sustentável – Acabar com a fome, alcançar a
segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável.
Objetivo 3: Saúde e bem-estar – Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar
para todos, em todas as idades.
Objetivo 4: Educação de qualidade – Assegurar a educação inclusiva e equitativa de
qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos.
Objetivo 5: Igualdade de gênero – Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas
as mulheres e meninas.
Objetivo 6: Água potável e saneamento – Assegurar a disponibilidade e gestão
sustentável da água e saneamento para todos.
Objetivo 7: Energia limpa e acessível – Assegurar o acesso confiável, sustentável,
moderno e a preço acessível à energia para todos.
Objetivo 8: Trabalho decente e crescimento econômico – Promover o crescimento
econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho
decente para todos.
Objetivo 9: Indústria, inovação e infraestrutura – Construir infraestruturas resilientes,
promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação.
Objetivo 10: Redução das desigualdades – Reduzir a desigualdade dentro dos países e
entre eles.
Objetivo 11: Cidades e comunidades sustentáveis – Tornar as cidades e os
assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis.
2 BRASIL. Ministério das Relações Exteriores. Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). Disponível em: <http://www.
itamaraty.gov.br/pt-BR/politica-externa/desenvolvimento-sustentavel-e-meio-ambiente/134-objetivos-de-desenvolvimentosustentavel-ods>. Acesso em: 20 mar. 2018.

25

Objetivo 12: Consumo e produção responsáveis – Assegurar padrões de produção e
de consumo sustentáveis.
Objetivo 13: Ação contra a mudança global do clima – Tomar medidas urgentes para
combater a mudança climática e seus impactos.
Objetivo 14: Vida na água – Promover a conservação e o uso sustentável dos oceanos,
dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável.
Objetivo 15: Vida terrestre – Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos
ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação,
deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade.
Objetivo 16: Paz, justiça e instituições eficazes – Promover sociedades pacíficas e
inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e
construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis.
Objetivo 17: Parcerias e meios de implementação – Fortalecer os meios de
implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável.

Direitos Humanos: a base dos ODS
Conforme o preâmbulo da Agenda 2030, em todos os ODS há temas que dialogam com
o cumprimento dos direitos humanos. Os ODS, assim como os direitos humanos, são
integrados e indivisíveis, por essa razão, sua aplicação exige uma abordagem sistêmica,
integrada e que envolve esforços globais.
A abordagem pedagógica com os ODS é uma oportunidade para, a partir da perspectiva
da Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS), discutir os direitos humanos no
ensino fundamental, contribuindo para a implementação do Plano Nacional de Educação
em Direitos Humanos (PNEDH) e a promoção de uma cultura de paz e ambiente não
discriminatório, de valorização e respeito às diversidades na escola.
A tabela abaixo, produzida pela ONU, traz a relação de cada ODS com os direitos
humanos relacionados, com base nos tratados e documentos internacionais.
26

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável Direitos Humanos relacionados *
Acabar com a pobreza em todas as suas
formas, em todos os lugares

• Direito a um padrão de vida adequado

As metas incluem erradicar a pobreza extrema;
implementar medidas de proteção social; e
assegurar a igualdade de acesso de homens e
mulheres aos recursos econômicos.

• Direito à seguridade social

[DUDH art. 25; PIDESC art. 11; CDC art. 27].
[DUDH art. 22; PIDESC art. 9; CDPD art. 28; CDC art. 26].
• Direitos iguais das mulheres na vida econômica
[CEDAW art. 11, 13, 14 (2) (g), 15 (2), 16 (1)].

Acabar com a fome, alcançar a segurança
alimentar e a melhoria da nutrição e promover
a agricultura sustentável
As metas incluem acabar com a fome e a desnutrição;
melhorar a produção agrícola e a produção
sustentável e resiliente de alimentos; corrigir distorções
comerciais e garantir o funcionamento de mercados
de commodities alimentares.
Assegurar uma vida saudável e promover o
bem-estar para todos, em todas as idades
As metas incluem reduzir a mortalidade materna;
acabar com as mortes infantis evitáveis; acabar ou
reduzir com a AIDS e outras doenças; promover a
cobertura universal de saúde, fornecer
medicamentos essenciais a preços acessíveis, além
de cuidados de saúde sexual e reprodutiva; fomentar
pesquisa de vacinas e acesso a medicamentos.

• Direito à alimentação adequada [DUDH art. 25;
PIDESC art. 11; CDC art. 24 (2) (c)].
• Cooperação internacional, que inclui assegurar
a distribuição equitativa de suprimentos mundiais de
alimentos [DUDH art. 28; PIDESC I art. 2 (1), 11 (2)].

• Direito à vida [DUDH art. 3; PIDCP art. 6],
especialmente de mulheres [CEDAW art. 12] e de
crianças [CDC art. 6].
• Direito à saúde [DUDH art. 25; PIDESC art. 12],
especialmente de mulheres [CEDAW art. 12]; e de
crianças [CDC art. 24].
• Proteção especial para mães e filhos [PIDESC art.10].
• Direito a usufruir dos benefícios do progresso
científico e de sua aplicação [DUDH art. 27; PIDESC
art. 15 (1) (b)].
• Cooperação internacional [DUDH art. 28, DDD art.
3-4], especialmente em relação ao direito à saúde e ao
direito das crianças [PIDESC art. 2 (1); CDC art. 4].

Assegurar a educação inclusiva e equitativa
de qualidade, e promover oportunidades de
aprendizagem ao longo da vida para todos
As metas incluem o acesso universal à educação
pré-primária, primária e secundária gratuita e de
qualidade; melhorar as habilidades profissionais;
promover a igualdade de acesso à educação;
expandir as instalações educacionais, além
de fornecer bolsas de estudo e formação aos
professores.

• Direito à educação [DUDH art. 26; PIDESC art. 13],
especialmente em relação às crianças [CDC art. 28, 29];
pessoas com deficiência [CDC art. 23 (3), CDPD art.24];
e população indígena [DDPI art. 14].
• Igualdade de direitos das mulheres e das meninas
no campo da educação [CEDAW art. 10].
• Direito ao trabalho, incluindo formação técnica e
profissional [PIDESC art. 6].
• Cooperação internacional [DUDH art. 28; DDD art.
3-4], especialmente em relação às crianças [CDC art. 23
(4), 28 (3)], pessoas com deficiência [CDPD art. 32],
e população indígena [DDPI art. 39].

Alcançar a igualdade de gênero e empoderar
todas as mulheres e meninas
As metas incluem eliminar a discriminação e a
violência contra mulheres e meninas; valorizar o
cuidado não remunerado e o trabalho doméstico;
garantir a plena participação das mulheres; garantir
o acesso a cuidados de saúde reprodutiva; e
igualdade de acesso das mulheres aos recursos
econômicos.

• Eliminação de todas as formas de discriminação
contra as mulheres [CEDAW art. 1-5] e meninas [CDC
art. 2], especialmente em relação à legislação, políticas
e vida pública (art. 7), econômica e social (art. 11, 13), e
relações familiares (art. 16)].
• Direito de decidir o número e o intervalo entre a
gestação dos filhos [CEDAW art. 12, 16 (1) (e); CDC art.
24 (2) (f )].
• Proteção especial para mães e filhos [PIDESC art. 10].
• Eliminação da violência contra mulheres e meninas
[CEDAW art. 1-6; DEVAW art. 1-4; CDC art. 24 (3), 35].
• Direito a condições de trabalho justas e favoráveis
[PIDESC art. 7; CEDAW art.11].

Assegurar a disponibilidade e gestão
sustentável da água e saneamento para todos

• Direito à água potável e saneamento [PIDESC art. 11].

As metas incluem garantir acesso universal e
equitativo à água potável segura e acessível, além
de saneamento e higiene para todos; reduzir a
poluição; aumentar a eficiência do uso da água; e
promover a gestão participativa dos serviços de
água e saneamento.

• Igualdade de acesso à água e saneamento para as
mulheres rurais [CEDAW art. 14 (2) (h)].

• Direito à saúde [DUDH art. 25; PIDESC art. 12].

Assegurar o acesso confiável, sustentável,
moderno e a preço acessível à energia para
todos

• Direito a um padrão de vida adequado

Promover o crescimento econômico
sustentado, inclusivo e sustentável, emprego
pleno e produtivo e trabalho decente para
todos

• Direito ao trabalho e a condições laborais justas
e favoráveis [DUDH art. 23; PIDESC art. 6, 7, 10;
CDPD art. 27; Principais Convenções Trabalhistas da
OIT e Declaração da OIT sobre Princípios e Direitos
Fundamentais no Trabalho].

[DUDH art. 25; PIDESC art. 11].

• Direito a usufruir dos benefícios do progresso
As metas incluem garantir o acesso universal a
científico e da sua aplicação
serviços de energia acessíveis, confiáveis e modernos.
[DUDH art. 27; PIDESC art. 15 (1) (b)].

As metas incluem promover o crescimento
econômico sustentado; melhorar a eficiência
dos recursos na produção e consumo; garantir o
emprego pleno e produtivo e trabalho decente
para todos; erradicar o trabalho e o tráfico forçado
e infantil; proteger os direitos trabalhistas, inclusive
os dos trabalhadores migrantes; e aumentar o
acesso a serviços financeiros.

• Proibição da escravidão, trabalho forçado e tráfico
de pessoas [DUDH art. 4; PIDCP art. 8; CEDAW art. 6;
CDC art. 34-36].
• Igualdade de direitos das mulheres em relação ao
emprego [CEDAW art. 11; Convenção da OIT No 100
e no 111].
• Proibição do trabalho infantil [CDC art. 32;
Convenção da OIT No 182].
• Igualdade de direitos trabalhistas dos trabalhadores
migrantes [CMW art. 25].

Construir infraestruturas resilientes, promover
a industrialização inclusiva e sustentável e
fomentar a inovação
As metas incluem o acesso econômico e equitativo
à infraestrutura de qualidade; industrialização
geradora de emprego; acesso a serviços
financeiros e mercados; inovação e transferência
de tecnologia e aumento do acesso às TIC.

Reduzir a desigualdade dentro dos países e
entre eles
As metas incluem promover taxas de crescimento
dos 40% mais pobres; promover a inclusão social,
econômica e política; reduzir as desigualdades de
oportunidades e resultados; assegurar a proteção
social para todos; garantir a participação na
tomada de decisão econômica; facilitar a migração
e reduzir os custos de transação para remessas de
migrantes..

• Direito a usufruir dos benefícios do progresso
científico e de sua aplicação [DUDH art. 27; PIDESC
art. 15 (1) (b)].
• Direito de acesso à informação [DUDH art. 19;
PIDCP art. 19 (2)].
• Direito à moradia adequada, incluindo terra e
recursos [DUDH art. 25; PIDESC art. 11].
• Igualdade de direitos das mulheres ao crédito
financeiro e à infraestrutura rural [CEDAW art. 13 (b),
art. 14 (2)].
• Direito à igualdade e não discriminação [DUDH art.
2; PIDESC art. 2 (2); PIDCP art. 2 (1), 26; CERD art. 2 (2);
CEDAW art. 2; CDC art. 2; CDPD art. 5; CMW art. 7;
DDD art. 8 (1)].
• Direito a participar em assuntos públicos [DUDH
art. 21; PIDCP art. 25; CEDAW art. 7; CERD art. 5; CDPD
art. 29; DDD art. 8 (2)].
• Direito à seguridade social [DUDH art. 22; PIDESC
art. 9-10; CDPD art. 28].
• Promoção de condições para migração
internacional [CMW art. 64].
• Direito dos migrantes de transferir seus ganhos e
economias [CMW art. 47 (1)].

Tornar as cidades e os assentamentos humanos • Direito à moradia adequada, incluindo terra e
recursos [DUDH art. 25; PIDESC art. 11].
inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis
As metas incluem garantir o acesso à moradia,
serviços básicos e transporte público para todos;
planejamento participativo de assentamentos
humanos; salvaguardar o património cultural e
natural; e fortalecer a resiliência aos desastres.

• Direito de participar da vida cultural [DUDH art. 25;
PIDESC art. 15; CERD art. 5, 7; CDPD art. 30; CDC art. 31].
• Acessibilidade de transporte, instalações e
serviços especialmente de pessoas com
deficiência [CDPD art. 9 (1) ], crianças [CDC art. 23], e
mulheres rurais [CEDAW art. 14 (2)].
• Proteção contra desastres naturais [CDPD art. 11].

Assegurar padrões de produção e de consumo
sustentáveis
As metas incluem alcançar uma gestão sustentável
e o uso eficiente dos recursos naturais; melhorar
a gestão de resíduos; promover a contratação
pública sustentável; garantir o acesso à
informação e à capacitação para o
desenvolvimento sustentável.

• Direito à saúde incluindo o direito a um ambiente
seguro, limpo, saudável e sustentável [DUDH art. 25
(1); PIDESC art. 12].
• Direito à alimentação adequada e direito à água
potável [DUDH art. 25 (1); PIDESC art. 11].
• Direito de todos os povos disporem livremente de
seus recursos naturais [PIDCP, PIDESC art. 1 (2)]..

Tomar medidas urgentes para combater a
mudança do clima e seus impactos

• Direito à saúde incluindo o direito a um ambiente
seguro, limpo, saudável e

As metas incluem o fortalecimento da resiliência
e adaptação à mudança climática e desastres
naturais, inclusive em comunidades marginalizadas;
além da implementação do Fundo Verde para o
Clima.

sustentável [DUDH art. 25 (1); PIDESC art. 12; CRC art.
24; CEDAW art. 12; CMW art. 28].

Conservação e uso sustentável dos oceanos,
dos mares e dos recursos marinhos para o
desenvolvimento sustentável

• Direito à saúde incluindo o direito a um ambiente
seguro, limpo, saudável e sustentável [DUDH art. 25
(1); PIDESC art. 12; CDC art. 24; CEDAW art. 12; CMW art. 28].

As metas incluem reduzir a poluição marinha;
conservar os ecossistemas e áreas marinhas
costeiras, além do estoque de peixes; garantir
acesso ao mercado para pescadores de pequena
escala; proteger a biodiversidade marinha.

• Direito à alimentação adequada e à água potável

Proteger, recuperar e promover o uso
sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir
de forma sustentável as florestas, combater a
desertificação, deter e reverter a degradação
da terra e deter a perda de biodiversidade

• Direito à saúde incluindo o direito a um ambiente
seguro, limpo, saudável e sustentável [DUDH art. 25
(1); PIDESC art. 12; CDC art. 24; CEDAW art. 12; CMW
art. 28].

As metas incluem o manejo sustentável de água
doce, ecossistemas de montanha e florestas;
combater a desertificação; impedir a perda de
biodiversidade; combater a caça ilegal e o tráfico de
espécies protegidas.
Promover sociedades pacíficas e inclusivas
para o desenvolvimento sustentável,
proporcionar o acesso à justiça para todos e
construir instituições eficazes, responsáveis e
inclusivas em todos os níveis
As metas incluem reduzir todas as formas de
violência; acabar com a violência e o tráfico
de crianças; promover o Estado de Direito e a
justiça para todos; reduzir fluxos financeiros e de
armas ilícitos, corrupção e suborno; promover o
desenvolvimento de instituições eficazes, além da
participação na tomada de decisões em todos os
níveis; garantir a identidade legal para todos.

• Direito à alimentação adequada e ao direito à
água potável [DUDH art. 25 (1); PIDESC art. 11].
• Direito de todos os povos de dispor livremente de
sua riqueza natural e recursos [PIDCP, PIDESC art. 1 (2)].

[DUDH art. 25 (1); PIDESC art. 11].
• Direito de todos os povos de dispor livremente de
sua riqueza natural e recursos [PIDCP, PIDESC art. 1 (2)].

• Direito à alimentação adequada e direito à água
potável [DUDH art. 25 (1); PIDESC art. 11].
• Direito de todos os povos de dispor livremente de
sua riqueza natural e recursos [PIDCP, PIDESC art. 1 (2)].

• Direito à vida, à liberdade e à segurança da pessoa
[DUDH art. 3; PIDCP art. 6 (1), 9 (1); CDF art. 1] incluindo a
liberdade contra tortura [DUDH art. 5; PIDCP art. 7; CAT
art. 2; CDC art. 37 (a)].
• Proteção das crianças de todas as formas de
violência, abuso ou exploração [CDC art. 19, 37 (a),
incluindo o tráfico (CDC art. 34-36; CDC–OP1)].
• Direito de acesso à justiça e ao devido processo legal
[DUDH art. 8, 10; PIDCP art. 2 (3), 14-15; CEDAW art. 2 (c)].
• Direito à personalidade jurídica [DUDH art. 6; PIDCP
art. 16; CDPD art. 12].
• Direito a participar em assuntos públicos [DUDH art.
21; PIDCP art. 25].
• Direito de acesso à informação [DUDH art. 19; PIDCP
art. 19 (1)].

Fortalecer os meios de implementação
e revitalizar a parceria global para o
desenvolvimento sustentável
As metas incluem fortalecer os recursos nacionais e
internacionais; garantir a sustentabilidade da dívida,
a transferência de tecnologia e capacitação;
promover o comércio; reforçar a coerência política
e institucional respeitando o espaço político
dos países; promover parcerias com múltiplos
parceiros; medir o progresso com base em dados
desagregados..

• Direito de todos os povos à autodeterminação
[PIDCP, PIDESC art. 1 (1); DDD art. 1 (1)].
• Direito de todos os povos ao desenvolvimento e à
cooperação internacional [DUDH art. 28; PIDESC art. 2
(1); CDC art. 4; CDPD art. 32 (1); DDD art. 3-5].
• Direito de todos de aproveitar os benefícios do
progresso científico e da sua aplicação, incluindo a
cooperação internacional no domínio científico
[DUDH art. 27 (1); PIDESC art. 15 (1)].
• Direito à privacidade [DUDH art. 12; PIDCP art.
17], incluindo o respeito pelos direitos humanos e os
princípios éticos na coleta de dados e utilização de
estatísticas [CDPD art. 31 (1)].

Os cinco Ps: uma síntese dos ODS
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
(ODS) constituem um plano ambicioso, a
ser implantado globalmente a partir de
uma jornada coletiva e de compromisso
para que ninguém seja deixado para
trás. Sua natureza interligada contempla
cinco áreas de crucial importância para o
desenvolvimento sustentável, denominadas
5Ps: Pessoas-Planeta-Prosperidade-PazParcerias, conforme imagem ao lado. Os
5Ps traduzem a visão sobre desenvolvimento
sustentável, em que as dimensões sociais,
ambientais e econômicas são consideradas de
forma interligada e indivisível.
Fonte: http://www.br.undp.org/content/brazil/pt/home/post-2015.html

31

Princípios dos ODS

1

Universalidade sem uniformidade
– A Agenda 2030 tem um caráter
universal, aplicável a todos os países.
Nenhum lugar do mundo pode afirmar
que já alcançou o desenvolvimento
sustentável, mas cada país e cada
localidade têm seus próprios desafios e
soluções.

2

Não deixar ninguém para trás –
Todas as pessoas devem ser incluídas
nos esforços e nos benefícios
resultantes do desenvolvimento
sustentável. Os esforços precisam
ir além das médias estatísticas dos
países – que muitas vezes encobrem
profundas desigualdades – e alcançar
especialmente as pessoas em situação

3

de maior vulnerabilidade.
Integração – Os objetivos possuem vínculos entre si e devem ser vistos de
forma integrada. O Objetivo 3, por exemplo, refere-se à saúde e ao bemestar para todos. Isso implica, necessariamente, acabar com a pobreza (ODS
1) e a fome (OSD 2), dentre outras medidas, como reduzir a desigualdade
dentro dos países e entre eles (ODS 10).

32

Depende de nós
Os ODS constituem uma agenda de direitos e não possuem natureza legalmente vinculante,
ou seja, nenhum país sofrerá sanções por deixar de cumpri-los. Quando os países
comprometem-se com esses direitos, porém, eles assumem o compromisso político de
criar uma estrutura nacional para sua implementação. Isso envolve o estabelecimento de
leis, políticas, planos e programas, medidas que permitem aos ODS serem tratados como
questões a serem enfrentadas por meio de ações coletivas.
Por essa razão, é fundamental a contextualização das metas globais com as legislações e
políticas públicas nacionais existentes e vigentes, principalmente, a partir das abordagens
pedagógicas contextualizadas com a realidade de cada comunidade, município e estado
onde a escola está inserida.
O Brasil foi um dos principais articuladores da formulação dos ODS. Por isso, o país tem
pela frente a responsabilidade de implementar essa agenda. Uma missão que é tanto do
governo como da população. Vale lembrar que esse processo democrático e abrangente
envolve a seguinte estrutura:
Diversos segmentos sociais estão se organizando para
a implementação dos ODS. Em âmbito nacional, foram
criadas a Comissão Nacional dos ODS, coordenada
pelo governo, e a Frente Parlamentar Mista de Apoio
aos ODS, do Congresso Nacional. Mas há também
iniciativas de municípios, universidades, institutos
de pesquisas, organizações não governamentais
e movimentos sociais que apostam no sucesso da
Agenda 2030.
O engajamento das instituições de pesquisa também
é fundamental para o sucesso da implementação
dos ODS. O IBGE, por exemplo, integra a Comissão
Nacional dos ODS e montou uma plataforma virtual para o acompanhamento permanente
dos indicadores formulados para cada um dos objetivos e suas metas.
33

Uma das novidades desta agenda é que, pela primeira vez, o setor privado e as organizações
filantrópicas estão se engajando maciçamente e podem desempenhar um relevante papel,
aportando conhecimentos específicos e abordagens inovadoras.
No âmbito da sociedade civil, vale lembrar a importância do envolvimento das escolas,
dos educadores, das comunidades, das famílias, das crianças e da juventude. Todos têm
um papel a desempenhar na realização dos ODS e, de maneira especial, no exercício do
direito à educação de qualidade.

Para saber mais
É interessante, ao iniciar o diálogo sobre os ODS, também explicar o que é a ONU, como funciona, seu
papel, principais temáticas e contexto da criação dos ODS. Informações em:
<https://nacoesunidas.org/conheca/como-funciona/>

Acesse o site da ONU Brasil também para conhecer o texto que embasa cada ODS:
<https://nacoesunidas.org/pos2015/>

Selecionamos quatro vídeos disponibilizados pela ONU Brasil sobre a Agenda 2030:
“A ONU tem um plano: os Objetivos Globais”, que explica em linguagem simples o que são os
ODS: <http://bit.ly/2rqqxOe>
“Transformando os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio rumo a 2030” faz um balanço do
alcance dos ODM e lança a plataforma 2030.Disponível em: <http://bit.ly/2DfaZQf>
O vídeo “O que são os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU?” faz uma síntese do
que significa o conjunto de ODS para a humanidade e o planeta. Acessível em:
<http://bit.ly/2OIxWR1>

Há também o vídeo “ODS: Não deixar ninguém para trás”, que enfatiza o sentido do slogan da
Agenda 2030, e está disponível em: <http://bit.ly/2qN6Ccm>
O portal Objetivos de Desenvolvimento Sustentável do IBGE realiza o acompanhamento dos
indicadores definidos para cada ODS e contém diversas informações relevantes para o trabalho em
sala de aula. Disponível em: <http://bit.ly/2pU0P4A>

34

Acesse o link que traz a narração, a audiodescrição e a janela com a Língua Brasileira de
Sinais (Libras) de cada ODS, além da tabela que faz a relação do ODS 4 e metas da Lei do
PNE em: <http://bit.ly/2OiDAu6>. Este conteúdo foi produzido pela Campanha Nacional
pelo Direito à Educação no âmbito da Semana de Ação Mundial 2017. A versão acessível foi
produzida pela ONG Mais Diferenças.

O papel da UNESCO na implementação dos ODS
Por ser uma organização das Nações Unidas dedicada à educação, à ciência e à cultura, a
UNESCO possui papel destacado na implementação dos ODS. O documento intitulado Agenda
Educação 2030, de cuja formulação a instituição participou ativamente, mostra o papel
fundamental que a educação exerce na erradicação da pobreza e no alcance dos demais ODS.
A Declaração de Incheon, resultante do Fórum Mundial de Educação, ocorrido na
Coreia do Sul em 2015, confiou à UNESCO a responsabilidade de liderar e coordenar
a Educação 2030, bem como ser o ponto focal para a educação no âmbito do
acompanhamento dos ODS, em especial do ODS 4 – Educação de qualidade.
Diversos programas e campanhas desenvolvidos pela UNESCO, em suas áreas de ciência,
tecnologia e inovação (CTI), ciências humanas e sociais, e de valorização da cultura, da
comunicação e do acesso à informação, fazem da instituição um ator-chave na construção
do desenvolvimento sustentável. De forma direta, a UNESCO tornou-se também a
responsável pelo acompanhamento anual da implementação dos ODS 6 (Água potável e
saneamento), 14 (Vida na água) e 15 (Vida terrestre).

O ODS 4 e a Meta 4.7
O ODS 4 busca “Assegurar a educação inclusiva e equitativa de qualidade, e promover
oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos”. Este ODS possui 10 metas,
sendo a Meta 4.7 a mais vinculada ao trabalho da UNESCO:
Até 2030, garantir que todos os alunos adquiram conhecimentos e
habilidades necessárias para promover o desenvolvimento sustentável,
inclusive, entre outros, por meio da educação para o desenvolvimento

35

sustentável e estilos de vida sustentáveis, direitos humanos, igualdade
de gênero, promoção de uma cultura de paz e não violência, cidadania
global e valorização da diversidade cultural e da contribuição da cultura
para o desenvolvimento sustentável (UNESCO, 2017, p. 8).

Esta meta sintetiza todo o mandato da UNESCO para o tema da educação de qualidade,
conferindo a este ODS um caráter que aponta para a mudança cultural pretendida no
alcance do desenvolvimento sustentável. Algo a ser conquistado por meio da Educação
para o Desenvolvimento Sustentável (EDS).

O que é Educação para o Desenvolvimento Sustentável?
O trabalho pedagógico envolvendo os ODS tem sido realizado, mundialmente, na perspectiva
da Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS). O conceito de EDS nasceu da
necessidade de educação para abordar a crescentes desafios ambientais que o planeta
enfrenta. A EDS, formulada em 2005, pode ser conceituada como uma educação que
contribui para que as pessoas pensem criticamente, identificando elementos insustentáveis em
suas vidas e na sociedade, e ajam por mudanças sociais e ambientais positivas.
O lançamento da Década das Nações Unidas da Educação para o Desenvolvimento
Sustentável (2005-2014) desencadeou um movimento global para reorientar a educação
para os desafios do desenvolvimento sustentável. A UNESCO coordena mundialmente
o Programa de Ação Global sobre EDS (2014-2030), criado para implementação e
monitoramento das ações da década. Esse programa visa garantir que os princípios da EDS
sejam promovidos na educação formal, não formal e informal, incluindo questões-chaves
sobre desenvolvimento sustentável no ensino e na aprendizagem.
A busca do desenvolvimento sustentável exige um amplo movimento voltado à mudança
de mentalidades, atitudes e comportamentos. Segundo a Declaração de Incheon
(UNESCO, 2015, p. 8), é por meio da EDS que se “desenvolvem habilidades, valores
e atitudes que permitem aos cidadãos levar vidas saudáveis e plenas, tomar decisões
conscientes e responder a desafios locais e globais”.
Por isso, a EDS é entendida como parte da educação de qualidade e da aprendizagem ao
longo da vida. Relaciona-se diretamente com o ODS 4 e indiretamente com os demais
36

ODS, pois dá suporte aos indivíduos para que transformem seu próprio comportamento,
aprendam a participar de processos coletivos e engajem-se em mudanças sociais,
econômicas e políticas em direção à sustentabilidade. No caderno sobre o ODS 4, esse
tema será tratado com mais profundidade.
O esquema a seguir sintetiza as habilidades encorajadas pela EDS.
Principais dimensões conceituais da EDS
Os estudantes adquirem conhecimentos, compreensão
Habilidades
cognitivas

e raciocínio crítico sobre questões globais e sobre a
interconectividade/interdependência entre países e entre
diferentes populações.
Os estudantes têm o sentimento de pertencer a
uma humanidade comum, ao compartilhar valores e

Habilidades
socioemocionais

responsabilidade e possuir direitos.
Os estudantes demonstram empatia, solidariedade e respeito
por diferenças e diversidade.

Habilidades
comportamentais

Os estudantes agem de forma efetiva e responsável nos
contextos local, nacional e global, em prol de um mundo mais
pacífico e sustentável.

Fonte: Adaptado de UNESCO, 2013.3

Em âmbito nacional, a EDS procura pontos de convergência com as políticas públicas
existentes que se relacionam à defesa do meio ambiente e de estilos de vida sustentáveis.
3 Esquema desenvolvido pela UNESCO com base em contribuições de especialistas em Educação para a Cidadania Global
(ECG) e Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS) de todo o mundo e na consultoria técnica sobre ECG, realizada
em Seul, Coreia do Sul, em 2013, e no Primeiro Fórum da UNESCO sobre Educação para a Cidadania Global, que ocorreu
em Bangkok, Tailândia, em 2013.

37

A política brasileira de Educação Ambiental e sua aplicação na
educação básica
No Brasil, desde a década de 1990, existem políticas públicas voltadas a estimular a busca da
sustentabilidade socioambiental. E diversas delas apoiam-se na Lei nº 9.795/994, que instituiu
a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA). Essa lei estabelece que a Educação
Ambiental constitui-se de processos que possibilitem a construção de conhecimentos e valores,
bem como de ações individuais e coletivas em prol da sustentabilidade socioambiental.
Dentre os objetivos da PNEA estão o incentivo à construção de uma consciência crítica
a respeito da problemática socioambiental; e o incentivo ao exercício da cidadania
que abrange, dentre outros, a participação e o compromisso individual e coletivo com
a sustentabilidade socioambiental. A lei destaca a necessidade de compreensão do
ambiente em sua totalidade, considerando-se a interdependência entre os meios natural,
socioeconômico e cultural, bem como a abordagem articulada das questões ambientais
locais, regionais, nacionais e globais.

Políticas de Educação Ambiental para a educação formal e não formal
A Lei nº 9.795/99 define a existência de um Órgão Gestor para a coordenação da PNEA,
que é formado pelos Ministérios de Meio Ambiente (MMA) e da Educação (MEC). Desde
o início da década de 2000, diversas iniciativas de ambos os ministérios têm favorecido a
abordagem da Educação Ambiental na educação formal e não formal.
Tais iniciativas foram muito influenciadas pela concepção de incentivo à constituição
de sociedades sustentáveis, em vez de trabalharem com a noção de desenvolvimento
sustentável. Isso se deve à grande influência que tais políticas tiveram do Tratado de Educação
Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global, documento produzido
pela sociedade civil planetária durante a Conferência Rio-92. Esse documento enfatiza a
necessidade de constituição de sociedades sustentáveis, pelo seu caráter mais abrangente,
plural e que considera a diversidade de culturas e modos de vida existentes no planeta,
alguns dos quais não levam em consideração a noção clássica de desenvolvimento.
4 O texto completo desta lei encontra-se em: BRASIL. Lei n. 9.795, de 27 de abril de 1999. Dispõe sobre a educação
ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.
gov.br/ccivil_03/leis/L9795.htm>. Acesso em: 12 ago. 2017.

38

Dentre as iniciativas do Órgão Gestor da PNEA voltadas à educação formal está a
Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente (CNIJMA). Realizada em cinco
edições, no período compreendido entre 2003 e 2018, essa Conferência representou um
pretexto pedagógico para mobilizar milhões de crianças e adolescentes país afora para
construírem conhecimentos, proporem e implementarem ações voltadas à construção de
sociedades sustentáveis.
No âmbito dessa Conferência, incentivou-se a criação e o fortalecimento da Comissão de
Meio Ambiente e Qualidade de Vida (COM-VIDA) nas escolas, bem como a constituição
dos Coletivos Jovens de Meio Ambiente (CJ). Tratam-se de instâncias colegiadas,
protagonizadas por adolescentes e jovens para proposição e implementação de estudos e
práticas de sustentabilidade socioambiental na relação escola-comunidade. Tais coletivos
constituem importantes estruturas que fomentam a participação cidadã e a articulação, e
implantam iniciativas voltadas à sustentabilidade nas escolas e comunidades.
As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental, estabelecidas pelo Conselho
Nacional de Educação, em 2012, também reconhecem o papel transformador e emancipatório
da Educação Ambiental. Consideram estratégico seu desenvolvimento nas escolas
diante do atual contexto nacional e mundial em que a preocupação
com as mudanças climáticas, a degradação da natureza, a redução
da biodiversidade, os riscos socioambientais locais e globais, as
necessidades planetárias evidenciam-se na prática social [...] (BRASIL,
2012, p. 2).

Iniciativas de educação não formal, como a comunicação popular, também são
reconhecidas como de extrema importância no contexto de implementação da PNEA.
Uma das linhas de ação do Programa Nacional de Educação Ambiental (ProNEA)5,
que cuida da articulação de ações de comunicação para a Educação Ambiental, é a
Educomunicação. Essa linha contempla metodologias de produção participativa de
produtos e ações de comunicação para a Educação Ambiental e a sustentabilidade,
desenvolvidos pelas próprias comunidades, contextualizados com suas realidades.
5 Todas as informações sobre as diretrizes e ações de Educomunicação socioambiental desenvolvidas pelo Ministério do
Meio Ambiente estão disponíveis em: BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Educomunicação. Disponível em:
<http://www.mma.gov.br/educacao-ambiental/educomunicacao.html>. Acesso em: 11 out. 2018.

39

Iniciativas inspiradoras têm sido realizadas, como Circuito Tela Verde: Mostra Nacional
de Produção Audiovisual Independente; Plataforma Educares: Práticas de Educação
Ambiental e Comunicação Social em Resíduos Sólidos; Projeto Nas Ondas do
São Francisco (veiculação de spots – peças radiofônicas, produzidos pelas próprias
comunidades da Bacia Hidrográfica do São Francisco), entre outros.

Convergências entre EDS e EA
A Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS) e a Educação Ambiental (EA)
possuem diferentes compreensões sobre o conceito de sustentabilidade, mas convergem
em pontos essenciais. Ambas pretendem, por exemplo, formar cidadãos críticos, capazes
de atuar individual e coletivamente em prol de transformações sociais, tendo como
horizonte a criação de sociedades em que a coexistência entre todos os seres – humanos
ou não – torne-se realidade.
A concepção aqui trabalhada comunga com a perspectiva de cidadania local e global,
aquela em que os estudantes compreendem seus direitos e responsabilidades para
a construção de um mundo melhor para todos. Isso deve incluir, necessariamente, o
compromisso com a justiça social, a sustentabilidade ambiental e os direitos humanos. O
esquema da próxima página traduz essas convergências entre ambas as perspectivas.

Por que e como trabalhar os ODS na escola?
Além de assegurar a aquisição de habilidades básicas em letramento e matemática, a
educação de qualidade, que é tema do ODS 4, visa promover criatividade, habilidades
analíticas e de resolução de problemas nos estudantes. Alto nível cognitivo deve estar
necessariamente associado a habilidades interpessoais e sociais, bem como a uma sólida
formação em direitos humanos (Agenda 2030, ponto 9). Por isso, independentemente da
linha pedagógica adotada – seja EDS ou Educação Ambiental – eis alguns bons motivos
para introduzir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nas escolas.

40

1

Promover aprendizagens é função social da escola. Isso se dá por meio da
construção e da partilha de conhecimentos e também pela convivência entre
as pessoas, com seus diversos modos de ser e de viver, que são particulares de
cada tempo e lugar. Mobilizando-se em torno dos ODS, a escola insere-se no
movimento da sociedade para a realização da Agenda 2030.

2

O ambiente escolar possibilita às crianças e aos jovens desenvolverem valores,
habilidades, atitudes e comportamentos fundamentais para o alcance do
desenvolvimento sustentável. O que se aprende na escola influi na forma
como vemos o mundo e atuamos sobre ele, exercitando uma cidadania, que,
no século XXI, é ao mesmo tempo local e planetária.

3

O próprio espaço escolar pode ser um lugar onde as crianças e os jovens
vivenciam na prática as mudanças culturais em direção à sustentabilidade.
Além de serem incluídos no currículo, os ODS podem-se tornar objeto das
práticas de gestão e inspirar alterações no espaço físico da escola.

A escola como espaço educador sustentável
As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental (Art. 14) recomendam que
as instituições de ensino tornem-se espaços educadores sustentáveis. Isso quer dizer que a
sustentabilidade socioambiental deve fazer parte, não apenas do currículo escolar, como
objeto de aprendizagens formais, mas também do cotidiano da comunidade escolar, em
práticas que estimulem o cuidado com o meio ambiente e com as pessoas.
No exercício da gestão escolar, por exemplo, isso se traduz em (1) esforços para evitar
desperdício de água, energia, alimentos, materiais e equipamentos; (2) criação e manutenção
de estruturas de convívio social voltadas a permitir maior participação e engajamento da
comunidade escolar nos destinos da escola, como o Conselho Escolar, o Grêmio Estudantil
e/ou a Com-Vida.
A escola sustentável trata seu espaço físico de forma coerente e integrada com os objetivos
da sustentabilidade. Isso significa manter equilíbrio entre áreas verdes e espaços construídos;
41

BAIXO
IMPACTO

oferecer acessibilidade para todos, bem

Respeito
às condições
ambientais e
ao patrimônio
cultural

como conforto térmico e acústico nas
salas de aula; adotar tecnologias
ambientalmente sustentáveis;

ESPAÇO
FÍSICO

respeitar as características culturais e

Consumo/resíduos
Alimentação
Saúde
Eficiência
no uso dos
recursos

COMVIDA

GESTÃO

Participação
Respeito aos
Direitos humanos

paisagísticas da comunidade em que
ESCOLA
SUSTENTÁVEL

CURRÍCULO

se situa, entre outros aspectos.

Abordagem
inter e
transdisciplinar

Observando bem, todos os 17 ODS
podem-se converter em temas

COMUNIDADE

a serem trabalhados pela escola.
Dessa forma, a instituição escolar

PPP

pode-se tornar uma referência de

PARTICIPAÇÃO

sustentabilidade para o território em
que está situada, educando não apenas

CGEA/MEC, 2014.

pelo que diz, mas – sobretudo – pelo que
pratica. O esquema ao lado indica as diferentes
dimensões da sustentabilidade no espaço escolar.

Escola-comunidade, uma relação a ser reforçada no alcance dos ODS
Tanto na perspectiva da EDS quanto da EA, a relação entre a escola e a comunidade
é considerada fundamental para problematizar a realidade concreta e situar local e
globalmente cada ODS. Para trabalhar o senso de pertencimento planetário e metas tão
ambiciosas com crianças, é preciso começar pelo seu contexto mais imediato. Entendendo
sua realidade e observando as mudanças ocorridas, elas poderão perceber-se como partes
de um contexto maior – a turma, a escola, a comunidade, o município, o país, o mundo.
Docentes e estudantes precisam reconhecer-se como pertencentes a um coletivo,
entendendo que alcançar os ODS não ocorrerá isoladamente. Somos interdependentes
no movimento mundial pela manutenção da vida no Planeta. Os docentes, na condição de
integrantes de uma comunidade e imbuídos do seu potencial crítico e criativo, constituem
elementos-chaves dessa transformação desejada.
42

Mas a comunidade escolar é mais ampla: compõe-se de estudantes e seus familiares,
profissionais da educação, outros funcionários (equipes que cuidam da administração,
da limpeza, da alimentação, da segurança) e população do entorno da escola. Todos
podem ser envolvidos e ter oportunidade de trabalhar/conviver pedagogicamente,
aproveitando a diversidade geracional e as diferentes bagagens pessoais para o alcance
das metas previstas nos ODS. As organizações do entorno (com seus clubes, associações,
comunidades religiosas, empresas, grupos esportivos) também podem contribuir para o
processo que se dá na escola, expandindo-o para outros âmbitos.

Não há receita pronta, cada escola define seu percurso
É muito importante que cada escola defina os temas mais pertinentes para iniciar seu trabalho
com os ODS. É preciso debruçar-se sobre o contexto local, identificando os principais desafios,
e desenvolver uma perspectiva mais abrangente das expectativas da comunidade escolar.
Se, por exemplo, o acesso à água potável e ao saneamento forem relevantes para a
escola, o ODS 6 poderá ser o tema escolhido. Vale salientar, no entanto, que é preciso ter
sempre em mente que os ODS estão interligados, estabelecendo entre si uma teia de interrelações, cuja abordagem mostra-se essencial para que possam ser compreendidos em
toda sua complexidade. Ao se deparar com esse assunto, fatalmente surgirão outros temas
relacionados, como os desafios para a saúde (ODS 3) decorrentes da falta de saneamento.
O aparecimento de doenças transmissíveis por mosquitos ou os riscos de doenças
infectocontagiosas devido à ingestão de água contaminada são dois assuntos relevantes
para serem tratados na intersecção entre saneamento e saúde.
Trabalhando esses temas será possível verificar outras conexões entre eles e principalmente
com a realidade vivenciada na própria escola. Partindo-se de uma dada situação inicial –
preferencialmente por meio de dados quantitativos – é possível criar uma linha de base
para as transformações que serão realizadas. Dessa maneira, será possível medir os passos
dados no decorrer do processo de aprendizagem e nas transformações ocorridas na
escola/comunidade em relação ao ODS adotado.
A percepção de que o tratamento temático dos ODS pode produzir transformações positivas
em sua realidade encoraja a escola a dar passos mais ambiciosos. De forma contextualizada,
43

é possível desenvolver conhecimentos, habilidades, atitudes e comportamentos voltados à
sustentabilidade socioambiental, obtendo resultados concretos por meio de todos os ODS.

Crianças de 6 a 10 anos como sujeitos do currículo
Os conteúdos disponíveis neste conjunto de cadernos visam subsidiar docentes dos anos
iniciais do ensino fundamental, para sua prática pedagógica com crianças na faixa etária
de 6 a 10 anos. Mas podem ser adaptados para outras faixas etárias e outros públicos, até
mesmo considerando atividades de educação não formal, nas comunidades em que as
escolas se situam.
Ao conceber as crianças como sujeitos do currículo, entendemos que o trabalho pedagógico
com os ODS deverá envolver concomitantemente três dimensões da aprendizagem6:
• cognitiva, que possibilita a construção de conhecimentos necessários à sua
compreensão da realidade;
• socioemocional, que seja capaz de subsidiar o desenvolvimento de habilidades
sociais, de autorreflexão, de valores e atitudes sociais;
• comportamental, que auxilie os estudantes na consecução das ações necessárias
ao alcance dos ODS a partir das propostas definidas pela comunidade escolar.
Essas dimensões favorecem o desenvolvimento de um pensamento crítico, aliado à
valorização da ética e do respeito ao outro, contribuindo para o alcance das metas propostas
e dando à escola possibilidades reais de contribuir com o alcance dos ODS em seu
município.

A intenção é fazer a ligação entre os conteúdos já existentes no currículo escolar com os
ODS. Isso requer acolher, interpretar e legitimar conhecimentos, vivências e experiências
locais a partir de uma autocrítica e estabelecer relações com as pautas globais de uma
forma contextualizada. A interação entre esses saberes possibilita ainda o reconhecimento
das aprendizagens ocorridas nos diferentes espaços educadores – formais e não formais –
em que os docentes e os estudantes vivem.
6 Para mais informações consultar o guia Educação para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável publicado pela
UNESCO em 2017. UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Educação para os
objetivos de desenvolvimento sustentável: objetivos de aprendizagem. 2017a. Disponível em: <http://unesdoc.unesco.org/
images/0025/002521/252197POR.pdf>. Acesso em: 13 ago. 2017.

44

Metodologia
Mudanças de comportamento, pensamento, valores e ações requerem processos
pedagógicos que, pautados na sustentabilidade, provoquem nas pessoas o desejo e/ou a
necessidade de mudar a si mesmas e o mundo. Nesse sentido, a abordagem metodológica
tem uma função crucial na consecução dos objetivos de aprendizagem almejados.
As pessoas envolvem-se e aprendem aquilo que faz sentido para elas. Estudantes,
docentes, gestores, funcionários são, nesse sentido, sujeitos do currículo (MACEDO, 2013).
Eles e elas se situam frente aos conteúdos eleitos como formativos a partir de suas próprias
crenças, valores, saberes e posicionamentos políticos. Não são apenas executores do
currículo, mas criadores e cocriadores, na medida em que definem o quê e como farão
com os conteúdos propostos: ignorar, negar ou desenvolver.
O papel do docente muda substancialmente nesse novo contexto. De instrutor voltado
a transmitir conteúdos, esse tende a atuar como alguém que se coloca na posição de
aprendiz permanente e que transmite aos estudantes o gosto por aprender, algo que, nas
palavras de Delors (1996), “exige esforço, atenção, rigor e vontade”. Dessa forma, o docente
protagoniza a inclusão dos ODS no currículo e tem a função de contextualizar e dar
sentido às aprendizagens por meio de seus conhecimentos e práticas.

Temas complexos exigem tratamento complexo
Para dar conta de incluir os ODS no cotidiano escolar, torna-se necessário trabalhar
de forma pluri, multi, inter e transdisciplinar. Isso significa envolver todas as áreas de
conhecimento, possibilitando sua integração no currículo. Significa também fazê-las
dialogar com outros saberes, incluindo os trazidos pelas pessoas que compõem a
comunidade escolar e seu entorno. Enfim, crianças e adultos precisam, cada vez mais,
aprender a aprender por meio das conexões em rede dos distintos saberes.
Considerando a crescente complexidade das temáticas, é necessário que os docentes
rompam o isolamento e iniciem um trabalho cooperativo, com base em um planejamento
que inclua os ODS no Projeto Político Pedagógico (PPP) da escola. Por meio da troca de
informações e do diálogo, é possível tratar de temas complexos, evitando a fragmentação
e a compartimentalização das diferentes disciplinas.
45

Dessa forma, o trabalho pedagógico envolvendo cada ODS possibilitará as seguintes ações:
• construir conhecimentos necessários para ampliar sua compreensão;
• desenvolver valores e atitudes compatíveis com as culturas da sustentabilidade;
• adquirir habilidade de comportamentos sociais compatíveis com essas novas culturas;
• realizar as ações necessárias ao alcance dos ODS na escola a partir das propostas
definidas pela comunidade escolar, com apoio de parceiras conquistadas nesse
processo.

Articulação entre ODS e destes com o currículo
O trabalho com os ODS requer vínculos com os demais ODS e respectivos conteúdos
previstos no currículo escolar. Neste conjunto de publicações, cuidamos para oferecer
pistas de possíveis conexões com outros conteúdos escolares favoráveis ao domínio da
leitura e da escrita, do cálculo matemático e da “compreensão do ambiente natural e
social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta
a sociedade” (LDB, art. 32). Buscamos, portanto, articular os conhecimentos a serem
trabalhados em três níveis complementares:
• interno, que envolve as relações entre os diferentes conteúdos constitutivos do
ODS específico;
• dos conteúdos do ODS com aqueles previstos nas disciplinas do currículo escolar;
• do ODS especificamente tratado com os demais ODS e seus respectivos
conteúdos.
Vale lembrar que, dentre as metas de cada ODS, algumas relacionam-se diretamente com
a educação e, portanto, serão enfatizadas em cada caderno, enquanto outras possuem
mais relevância para outros setores e atores sociais. Na tabela que consta do Anexo 1,
foram realizadas algumas interações temáticas entre os ODS. O grau de interação vai de 1
(fraca) a 3 (forte). O exercício, realizado pela escola e a comunidade, poderá revelar outros
temas e conexões, considerando a realidade local.

Os ODS no seu cotidiano
Os ODS já fazem parte do seu cotidiano, mais até do que você possa imaginar! Às vezes,
ao lermos sobre metas globais, podemos ter a sensação que elas estão distantes da nossa
46

realidade, mas o conteúdo da Agenda 2030 tem impacto direto no nosso dia a dia,
enquanto indivíduos e sociedade.
A realização, na escola, de atividades que consigam transformar comportamentos em
atitudes saudáveis e sustentáveis pode salvar vidas e garantir direitos. E, quando a família
e a comunidade são envolvidas e o trabalho com os ODS é feito de forma integrada, os
resultados podem ser ainda maiores.
Um simples lavar de mãos (ODS 3 – Saúde e bem-estar) na rotina espontânea da criança
ou, até mesmo, a conscientização da comunidade sobre educação alimentar e a urgência
de ações intersetoriais locais para a erradicação da desnutrição infantil (ODS 2 – Fome
zero e agricultura sustentável) são exemplos de ações que contribuem diretamente para o
alcance dos ODS.
Essas são algumas das razões pelas quais o chamado para o cumprimento dos ODS não
é apenas direcionado aos governos que se comprometeram com as metas globalmente,
mas é, em especial, para você que vive o cotidiano escolar: docentes, profissionais de
educação, comunidade escolar e todas as pessoas que ali interagem diariamente.

Para saber mais
Conheça a Lei 9.795/1999, que estabelece a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA)
em: <http://bit.ly/2On9fed>
O Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade
Global, que orienta as ações de Educação Ambiental do Órgão Gestor da PNEA pode ser
conhecido em: <http://bit.ly/2Olsm88>
As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental podem ser acessadas em:
<http://bit.ly/2rssBpi>

O guia Educação para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, publicado pela UNESCO
em 2017, está disponível em: <http://unesdoc.unesco.org/images/0025/002521/252197POR.pdf>
Para inspirar-se nas metodologias e conhecer os projetos de Educomunicação em Educação
Ambiental, acesse: <http://bit.ly/2OGj1rY>

47

AGORA É COM VOCÊ!
Desenvolver atividades com as crianças dos anos iniciais do ensino fundamental requer
cuidado e dedicação. É muito importante criar um ambiente solidário, livre de juízos de valor,
de forma que elas possam expressar-se com liberdade e por meio de diferentes linguagens
(oral, escrita, audiovisual, etc.) e adaptações à realidade local e à sua sala de aula.
A criação de uma cultura de participação desde o ensino fundamental contribui para
a formação de cidadãos atuantes no monitoramento do acesso ao direito humano à
educação. São inúmeras as possibilidades para discutir educação com estudantes do
ensino fundamental.
Selecionamos algumas atividades a serem desenvolvidas, considerando a faixa etária dos
anos iniciais do ensino fundamental (6 a 10 anos) e a abordagem integrada dos 17 ODS. Há
ainda indicações nos demais Cadernos da coleção, que poderão aprofundar as temáticas
e as atividades para trabalhá-las. Vale lembrar que esse conteúdo não é uma receita pronta,
mas fruto dos esforços para a construção de subsídios que estimulem você a adaptá-lo e a
criar suas próprias atividades contextualizadas com a realidade de sua escola.
Mãos à obra!

48

IDEIAS PARA A AÇÃO
No diálogo com a turma, pode-se partir de questões como (1) o que já sabemos sobre os
ODS? (2) o que mais queremos saber? As respostas a essas perguntas podem dar margem
a diversas ações em sala de aula e/ou na escola. O mais importante é que as iniciativas
conquistem o interesse e o empenho das crianças a partir de processos que estimulem a
participação, a escuta, a partilha coletiva e a valorização das diferentes vozes.

1. ODS em ação
Objetivo: conhecer as principais características dos Objetivos de Desenvolvimento
Sustentável e sua importância para a melhoria da vida no Planeta; planejar, executar e
monitorar ações sobre os ODS propostos.
Áreas de conhecimento: Linguagens, Ciências da Natureza e Ciências Humanas.
Conteúdo: Fome zero e agricultura sustentável (ODS 2); Saúde e bem-estar (ODS 3),
Educação de qualidade (ODS 4), Energia limpa e acessível (ODS 7); Indústria, inovação
e infraestrutura (ODS 9); Cidades e comunidades sustentáveis (ODS 11); Consumo e
produção responsáveis (ODS 12); Ação contra a mudança global do clima (ODS 13);
Vida na água (ODS 14), Vida na Terra (ODS 15) e Paz, justiça e instituições eficazes (ODS 16).
Material: vídeo, cartolinas, caneta hidrográfica, cartaz/placas com logomarca de
cada ODS, caixa para compor o Banco de Ideias.
Desenvolvimento:
Etapa 1 – Converse com os estudantes sobre o que eles acham que precisa
melhorar no mundo para que pessoas, animais, plantas e o próprio
planeta vivam bem. Enriqueça a discussão com dados e informações da
comunidade em que vivem, pedindo também exemplos de seu cotidiano.
Com os estudantes, assista ao vídeo A ONU tem um plano: os Objetivos
Globais7. Ao final do vídeo, procure identificar o que eles descobriram de
7 A ONU tem um plano: os Objetivos Globais. ONU BRASIL. A ONU tem um plano: os objetivos globais. 2017. Disponível
em: <http://bit.ly/2rqqxOe>. Acesso em: 13 abr. 2018.

49

novidade, em linhas gerais sobre os ODS, aproveitando também para explicar
a eles o que é a ONU e o contexto em que as metas foram criadas. As
informações, incluindo textos e vídeos curtos, sobre o que é e como funciona
a ONU estão disponíveis em: <https://nacoesunidas.org/conheca/>.
Apresente a imagem de cada um dos ODS e pergunte para a turma se
alguém sabe alguma coisa sobre cada ODS. A partir das respostas, explique
ideias iniciais acerca de cada ODS.
Etapa 2 –
1. Organize a turma em pequenos grupos e entregue uma imagem de ODS
para cada equipe com a seguinte questão:
Se vocês tivessem o poder de mudar esta realidade que lhe é apresentada
através desta logo, o que vocês fariam? Quais pessoas convidariam para
colaborar?
2. Entregue a cada grupo uma folha de cartolina e, em seguida, peça que
escrevam três ações que contribuam para a realização daquele ODS.
3. Peça que cada grupo faça uma apresentação breve das soluções
encontradas e, em seguida, solicite que toda a turma indique as conexões
entre os temas abordados com outros ODS.
4. Comente com a turma a importância da ação conjunta, local e global para
alcançar os ODS, salientando que há outras pessoas no mundo também
comprometidas com a sustentabilidade. Em seguida, projete e dialogue
sobre o vídeo Emma Watson apresenta a maior aula do mundo8.
5. Construa com a turma um plano de ação para subsidiar a realização das
ações proposta pelos estudantes. Em seguida fixe um mural na sala para
que todos possam monitorar e avaliar as ações realizadas, bem como as
soluções para superar os desafios encontrados.

8 ONU BRASIL. Emma Watson apresenta a maior aula do mundo. 2017. Disponível em: < http://bit.ly/36V1e6H>. Acesso em:
13 abr. 2018.

50

Modelo de plano de ação
Ação

ODS

Quando

O que será

Resultados

necessário?

obtidos

Responsáveis

2.Viva os Objetivos!

Baixar tabuleiro em: https://go-goals.org/pt-pt/faz-o-download-aqui/

51

Objetivo: compreender ideias iniciais acerca dos 17 Objetivos de Desenvolvimento
Sustentável.
Áreas de conhecimento: Linguagens, Ciências Humanas e Ciências da Natureza.
Conteúdo: 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, cooperação.
Material: tabuleiro, peão, cartões com questões9. Este material pode ser impresso
ou construído com materiais reciclados.
Desenvolvimento:
Dependo do tamanho da turma, crie equipes de 3-4 pessoas por peão.

Baixar “Como jogar” em: https://go-goals.org/pt-pt/faz-o-download-aqui/
9 Disponível em ONU BRASIL. Objetivos de desenvolvimento sustentável. Bem-vindo à página de download do “Viva os
objetivos!”. Disponível em: <https://go-goals.org/pt-pt/faz-o-download-aqui/>. Acesso em: 11 out. 2018.

52

Baixar o KIT “Faça você mesmo” em: https://go-goals.org/pt-pt/faz-o-download-aqui/

53

3. Jogo da amarelinha10
Objetivo: compreender as relações entre os ODS e sua importância para a
construção da sustentabilidade ambiental; instigar o interesse das crianças para os
estudos acerca dos ODS que serão trabalhados nos demais cadernos; reconhecer a
existência de regras nas brincadeiras vivenciadas.
Áreas de conhecimento: Linguagens, Ciências da Natureza, Ciências Humanas e
Matemática.
Conteúdo: Fome zero e agricultura sustentável (ODS 2); Saúde e bem-estar (ODS
3); Educação de qualidade (ODS 4); Água potável e saneamento (ODS 6); Cidades e
comunidades sustentáveis (ODS 11); Ação contra a mudança global do clima (ODS 13);
Vida na água (ODS 14) e Vida na terra (ODS 15).
Material: cartões grandes com os ODS, dados dos ODS.
Desenvolvimento:
Etapa 1 – Roda de conversa: iniciar uma breve conversa perguntando para os
estudantes o que sabem sobre sustentabilidade ambiental e sobre os ODS.
Durante a fala, registrar as respostas visando identificar os conhecimentos
prévios sobre o tema. Em seguida, apresentar imagens com os símbolos dos 17
ODS e, considerando as falas das crianças, explicar o propósito de cada ODS.
Etapa 2 – Jogo amarelinha: a realização dessa atividade é mais indicada em espaços
amplos, como pátio da escola, áreas abertas que tenham terreno plano. Caso
não seja possível, poderá afastar as cadeiras para o canto da sala de aula,
deixando o centro livre. Comece perguntando quem já brincou de amarelinha,
como brincou, quem quer desenhar a amarelinha. Em seguida, poderá fazer um
desenho no quadro para ilustrar e orientar os estudantes sobre o propósito da
brincadeira e construir com eles/elas as regras, considerando as dicas abaixo:
• o jogador, posicionado na frente da casa de número 2, joga uma pedrinha
em direção as demais casas contendo os ODS. A partir de então, inicia uma
10 Adaptação: MORELLI, Helena. Jogo da amarelinha – como brincar. Disponível em: <https://www.fazfacil.com.br/lazer/
amarelinha-como-brincar/>. Acesso em: 11 out. 2018.

54

sequência de saltos alternados com um pé nas casas simples e dois pés nas
casas duplas até chegar a casa até a casa Sustentabilidade;
• a casa onde está a pedra não pode ser pisada, é preciso pular por cima dela;
• segue pulando num pé só, ou, no caso de ter duas casas lado a lado, um pé
em cada casa, percorrendo as casas até a Sustentabilidade;
• em seguida um colega joga um dos Dado ODS;
• a criança que está na casa Sustentabilidade deverá falar uma ação/ideia
relacionando o ODS da casa com a pedrinha e o ODS sorteado no Dado;
• em seguida, volta pulando todo o trajeto, até a casa número anterior à pedra;
• chegando lá, tem de pegar de volta a pedra, sem perder o equilíbrio e
continuar até retornar ao início do jogo;
• passará a vez para a/o outro que, no trajeto de ida e de volta, pisar nas linhas
ou margens das casas e:
- esquecer-se de pegar a pedra de volta ou não conseguir pegá-la;
- colocar os dois pés no chão numa casa só;
- pisar nas linhas do jogo;
- entrar na casa onde deixou cair a pedra;
- deixar a pedra cair na casa errada.

Caso isso aconteça, passa a vez para o jogador seguinte e, quando chegar novamente sua
vez, retoma a sequência da casa em que acertou pela última vez.

Começando o jogo
a) Colocar os cartazes com cada ODS ou risque o
desenho no chão da sala, conforme Figura 1.
b) Sortear para saber a ordem de cada jogador.
Dependendo da quantidade de crianças poderá
fazer duas amarelinhas simultâneas.
c) Relembrar os critérios e iniciar a brincadeira.

55

VIDA
TERRESTRE
AÇÃO CONTRA A
MUDANÇA GLOBAL
DO CLIMA

VIDA
NA ÁGUA

SAÚDE E
BEM-ESTAR

FOME ZERO E
AGRICULTURA
SUSTENTÁVEL

Figura 2: Dado ODS 1

FOME ZERO E
AGRICULTURA
SUSTENTÁVEL

SAÚDE E
BEM-ESTAR

EDUCAÇÃO DE
QUALIDADE

CIDADES E
COMUNIDADES
SUSTENTÁVEIS

CONSUMO E
PRODUÇÃO
RESPONSÁVEIS

Figura 1 – Jogo amarelinha para ODS

56

Figura 3: Dado ODS 2

Baixar o “Jogo amarelinha para ODS” em: https://pt.unesco.org/fieldoffice/brasilia/expertise/education-sustainable-development

EDUCAÇÃO DE
QUALIDADE

4. O que temos nesta caixa?
Objetivo: mapear pessoas, instituições e materiais físicos e virtuais que possam
subsidiar estudos e ações envolvendo os ODS no contexto escolar; construir
coletivamente um acervo com materiais informativos e contato de pessoas e
instituições que poderão contribuir para os estudos envolvendo as temáticas dos ODS.
Áreas de conhecimento: Linguagens, Ciências da Natureza e Ciências Humanas.
Conteúdo: Fome zero e agricultura sustentável (ODS 2); Saúde e bem-estar (ODS
3), Educação de qualidade (ODS 4), Energia limpa e acessível (ODS 7); Indústria,
inovação e infraestrutura (ODS 9); Cidades e comunidades sustentáveis (ODS
11); Consumo e produção responsáveis (ODS 12); Ação contra a mudança global
do clima (ODS 13); Vida na água (ODS 14), Vida na Terra (ODS 15) e Paz, justiça e
instituições eficazes (ODS 16).
Material: vídeo, cartolinas, caneta hidrográfica, caixa para o Banco de Ideias.
Desenvolvimento:
Atividade prévia
Coloque em uma caixa cartões contendo os ODS e algumas de suas metas.
Atente para que haja um cartão para cada criança, ainda que sejam repetidos.
Embale a caixa, de modo que as crianças não consigam abrir. Faça cinco cartões
contendo os 5 Ps.
Cartões 5 Ps

Baixar em: https://pt.unesco.org/fieldoffice/brasilia/expertise/education-sustainable-development

57

Cartões ODS

Baixar em: https://pt.unesco.org/fieldoffice/brasilia/expertise/education-sustainable-development

Etapa 1 – Escolha cinco estudantes. Com uma fita adesiva, cole um cartão dos 5 Ps no
corpo de cada estudante.
Apresente para a turma a caixa com os ODS fechada e peça que adivinhem
o que há dentro dela. Pode ser feita uma rodada para que todas as crianças
manuseiem a caixa e façam conjecturas.
Exponha a imagem dos 5 Ps e informe que o que consta na caixa tem relação com
a referida imagem. Caso ninguém adivinhe, abra parcialmente a caixa e peça que
cada criança, com os olhos fechados, coloque a mão na caixa e tire um cartão.
Se a turma for grande, solicite que os alunos juntem-se aos colegas que têm
cartões iguais e comentem o que sabem sobre aquele ODS. Caso seja uma turma
pequena, peça que cada criança fale o ODS que tirou e procure colocar perto de
si os Ps que podem ser alcançados com a realização daquele objetivo (exemplo:
Fome zero e agricultura sustentável envolve os 5 Ps – pessoas, paz, prosperidade,
planeta e parceria). Peça que os estudantes argumentem, mostrando os motivos
pelos quais aqueles Ps estão envolvidos com determinado objetivo.
58

Após cada aluno falar, aprofunde as explicações sobre a
inter-relação entre os objetivos e os 5 Ps.
Etapa 2 – Apresente para a turma a Caixa de Ideias (baú, estante
ou outro espaço). Convide a turma a preencher essa caixa
com materiais e informações de pessoas e instituições que
poderão contribuir com o alcance do referido ODS. Se a
turma já realizou a atividade ODS em ação é interessante
relacionar com as ações propostas. Oriente para
que investiguem materiais físicos e audiovisuais,
pessoas e instituições que possam colaborar
com a aprendizagem sobre o tema do ODS. À
proporção que os materiais e as informações
forem trazidos, faça uma breve análise para
verificar a pertinência com o ODS. Estabeleça prazos para
analisar e organizar os materiais trazidos.
Organize com as crianças uma miniexposição de ideias “Por uma
vida melhor em 2030”, em que serão apresentadas suas sugestões
para o futuro dos humanos e do planeta.

5. Tecendo solidariedade
Objetivo: identificar conhecimentos acerca dos
ODS; estabelecer relações entre os ODS, bem
como a ligação de interdependência entre os seres
vivos e a Terra; evidenciar a importância da ajuda
mútua para o alcance da prosperidade e do bemestar para as pessoas e o planeta.
Áreas de conhecimento: Ciências Humanas,
Linguagens e Ciências da Natureza.
Conteúdo: sustentabilidade ambiental, ODS,
valores, interdependência.
59

Material: placas com a imagem e uma meta de cada um dos ODS, um rolo de
barbante, fita adesiva.
Desenvolvimento:
Converse com os estudantes sobre a relação de interdependência entre os diversos
ODS, e destes com os seres humanos e os outros seres que habitam o planeta. Siga
a dinâmica:
1. Distribua entre os estudantes as placas e peça que eles a coloquem no peito ou na
testa, de forma que todos tenham uma delas;
2. Entregue o barbante nas mãos de um dos estudantes e peça que ele jogue o rolo
para o colega em cuja placa esteja escrito algo que se relaciona com a sua, dizendo
brevemente o porquê da escolha;
3. Explique também que um mesmo aluno/tema pode ser envolvido na teia várias vezes;
4. A dinâmica continua até que todos os estudantes estejam envolvidos na teia;
5. Por fim, comente sobre a interdependência entre os ODS e a força que tem uma
teia – explicar a resistência de uma teia de aranha, por exemplo, devido justamente à
interconexão entre os fios, que cria uma trama forte.
*As placas poderão ser confeccionadas pelas próprias crianças com os recursos
disponíveis na escola, em casa e/ou na comunidade.

6. ODS em notícia: jornal mural
Objetivo: reconhecer a finalidade de cada ODS e sua importância para a vida das
pessoas e do planeta; identificar problemas que geram degradação socioambiental;
identificar ações que podem ser realizadas tendo em vista a sustentabilidade.
Áreas de conhecimento: Linguagens, Ciências Humanas.
Conteúdo: ODS, escrita, leitura, texto jornalístico.
Material: cartolina, pincéis, recortes de jornais e revistas, tesoura, cola.

60

Desenvolvimento:
1. Apresente aos estudantes uma imagem com os 17 ODS;
2. Após divida a sala em dezessete grupos, distribuindo os temas dos ODS entre
os grupos. Em seguida, peça que cada grupo faça uma pesquisa sobre o tema
e selecione materiais de jornal, revista, on-line ou não, e/ou anotações sobre o
conteúdo proposto. OBS: Se a turma desenvolveu a atividade O que temos nesta
caixa?, oriente-a a buscar informações disponíveis no acervo, além de outras fontes;
3. Na sequência, explique aos estudantes que a classe irá construir um jornal mural11,
e que cada grupo ficará encarregado de abastecer esse jornal com os conteúdos
relacionados ao ODS selecionado para seu grupo;
4. A cada semana, um grupo ficará encarregado de colocar as notícias no jornal,
fazendo antes uma pequena apresentação sobre o que conseguiu em sua pesquisa;
5. Oriente os estudantes quanto ao que deve estar contido no jornal mural, a saber: o que é
o ODS? Quais os principais problemas relacionados a esse assunto foi possível identificar
em jornais, revistas e outros meios? Quais os impactos desse problema para a sociedade?
Há iniciativas sendo tomadas para melhorar essa situação? Quais? Onde? Como a
escola pode contribuir para alcançar esse ODS?
Imagens acerca do ODS.

7. Você faz parte12
Objetivo: reconhecer a relação de
interdependência entre os 17 ODS; identificar a
relação de interdependência presente na vida
(entre disciplinas escolares, natureza, pessoas,
corpo humano); valorizar a cooperação como
necessária à consecução de objetivos.
11 Metodologias para elaboração do “Jornal Mural” de forma participativa estão disponíveis em: USP – Universidade de São
Paulo. Pais e Mestres. Sugestão de aula: ensino fundamental. O jornal mural da escola. 2007. Disponível em: <http://www.
usp.br/nce/educomjt/paginas/mural.pdf>. Acesso em: 11 out. 2018. e VIRAÇÃO EDUCOMUNICAÇÃO. Como se faz: Jornal
mural. 2017. Disponível em: <https://issuu.com/portfolio_viracao/docs/jornal_mural>. Acesso em: 11 out. 2018.
12 Adaptação do Jogo dos quadrados. ANDRADE, S. G. Teoria e prática de dinâmica de grupo. 1999. p. 91-93. Disponível
em: <https://books.google.com.br/books?id=Xo644NrmdbYC&pg=PA91&dq=dinamica+dos+quadrados&hl=pt-BR&sa=X
&ved=0ahUKEwiN46XS8rfaAhWIf5AKHQIJABEQ6AEILDAB#v=onepage&q=dinamica%20dos%20quadrados&f=false>.
Acesso em: 13 abr. 2018.

61

Áreas de conhecimento: Linguagens, Ciências da Natureza, Ciências Humanas e
Matemática.
Conteúdo: ODS, cooperação, parceria, interdependência.
Material: papel cartão, cola, tesoura e envelope.
Desenvolvimento:
Atividade prévia
Recorte as peças do quebra-cabeça e identifique-as com letras, conforme a Figura 1.
Separe cinco envelopes e identifique cada um deles com uma letra (a, b, c, d, e, f). Em
cada envelope, coloque partes diferentes de um quadrado, conforme exemplo abaixo:
Envelope A – partes a, b, c
Envelope B – partes i, a, c
Envelope C – partes h, d, c
Envelope D – partes j, c, f
Envelope E – partes d, e, g

c

e

c

i
a

a
j

c
62

g

c
b

f

h

d
d

Etapa 1 – Organize a turma em grupos compostos por cinco a seis estudantes e
entregue os cinco envelopes. Solicite que não abram até que as orientações
sejam dadas. Informe que, durante o jogo, não poderão falar. As peças só
poderão ser obtidas se a outra criança desejar entregar, mas deverão ser
entregues e não encaixadas no quadrado da outra criança. Os estudantes
terão dez minutos para montar os cinco quadrados iguais (o tempo poderá
variar conforme o perfil da turma).
Caso esse tempo não seja suficiente, poderá ser estendido. Durante o jogo, é
importante que a/o docente acompanhe as posturas das crianças: alguém prendeu
a peça sem querer dividir; alguém colaborou rapidamente com outra criança;
elas observaram outros quadrados além dos seus; como resolveram a situação?
Figura 1 – Modelo de recorte dos quadrados para formação do mapa do mundo
Verso

Frente
PARCERIAS E MEIOS
DE IMPLEMENTAÇÃO

E
STIÇA
PAZ, JU UIÇÕES
INSTIT ES
EFICAZ

ERRA
DA PO DICAÇÃO
BREZA
FO
AG ME
SU RICU ZERO E
STE LT
NTÁ URA
VEL

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TE

ÁG
E SA UA PO
NEA TÁVEL
MEN
TO

E ES
ADES AD
CID MUNID TÁVEIS
CO STEN
SU

IGUALD
DE GÊN ADE
ERO

OE
CONSUM
ÃO
PRODUÇ EIS
RESPONSÁV

EDUCAÇÃO DE
QUALIDADE

AÇÃO CONTRA A
MUDANÇA GLOBAL
DO CLIMA

VIDA
NA ÁG
UA

EE
SAÚD -ESTAR
BEM

RED
DES UÇÃO D
IGU AS
ALD
ADES

ÍV
GIA ESS
ENER PA E AC
LIM

EL

NTE
TRABALHO DECE
NTO
E CRESCIME
ECONÔMICO

INDÚSTRIA,
E INFRAEST INOVAÇÃO
RUTURA

Você pode fazer a montagem no chão da sala de aula ou no patio escolar. Para fazer manualmente o quebra-cabeça,

frente

verso

sugere-se usar material reciclado, lembrando que a Figura 1 é composta de frente (globo terrestre) e verso (quadrados
com as medidas para recorte) conforme ilustrado na próxima página. Como sugestão, produzir um quebra cabeça em
formato quadrado com 125 cm (cada lado). A dimensão de recorte dos quadrados menores é de 25 cm (cada lado).
Baixar a frente e o verso dos recortes dos quadros em:
https://pt.unesco.org/fieldoffice/brasilia/expertise/education-sustainable-development

63

8. Bingo da sustentabilidade
Objetivo: ampliar o conhecimento linguístico a respeito de temáticas fundamentais
para a sustentabilidade do planeta; reconhecer e respeitar a diversidade cultural a
partir das palavras.
Áreas de conhecimento: Linguagens, Ciências Humanas e Ciências da Natureza.
Conteúdo: vocabulário, culturas de origem africana, indígena e europeia, recursos
naturais, escrita, leitura.
Material: mapa do Brasil, cartelas do bingo (anexo), caneta.
Desenvolvimento:
Converse com os estudantes sobre quais jogos de tabuleiro ou cartela eles conhecem.
Pergunte se conhecem o bingo e explique que este será um bingo diferente, pois não
serão utilizados números, mas palavras e que, por meio dele, poderão conhecer os
nomes de alguns recursos naturais em outras línguas. Dialogue com os estudantes a
respeito das línguas estrangeiras conhecidas por eles. Indague também se eles sabem
que no território brasileiro há locais onde não se fala o português.
1. Apresente no mapa a localização de algumas terras indígenas e suas línguas
nativas, como tupi, macro-jê, pareci, uraurá, etc. Pergunte aos estudantes se eles
conhecem alguma língua de origem africana e se sabem que a África possui
várias línguas oficiais além dos dialetos. Explique a importância de reconhecer
essas línguas e culturas.
2. Divida os estudantes em duplas e explique que cada dupla receberá uma folha
com as palavras em português e sua tradução em espanhol, krenak, zulu e inglês.
Além disso, cada uma receberá uma cartela de bingo em branco com a indicação
das línguas que deverão ser utilizadas para preencher as cartelas (só não poderá ser
utilizada a língua portuguesa). Distribua a cartela e a folha entre as duplas. Peça que os
alunos preencham as cartelas com quinze das dezesseis palavras da língua indicada.
3. A cada sorteio, os participantes deverão marcar em sua cartela a palavra sorteada.
Caso não tenham a palavra, não deverão marcar nada.
4. Os estudantes que preencherem toda a cartela primeiro devem gritar “Bingo!”.
5. Ao final, converse com os estudantes sobre o que aprenderam.
64

Minivocabulário das línguas para elaboração das cartelas
Português

Krenak-Borun
(tronco tupi guarani)

Zulu
(nigero-congolesa)

Espanhol

Inglês

Água

Munhã

Amanzi

Agua

Water

Banho

Quijoum

Ukugeza

Baño

Shower

Comer

Mangut

Udle

Comer

Eat

Céu

Tarú

Isibhakabhaka

Cielo

Sky

Calor

Uh uh

Ukushisa

Calor

Heat

Cantar

Angri

Ukucula

Cantar

Sing

Criança

Cruc-não

Ingane

Niño

Child

Esperar

Djirá

Ukulinda

Esperar

Wait

Estrela

Ét & ét

Inkanyezi

Estrella

Star

Fogo

Djompeg

Umlilo

Fuego

Fire

Falar

Au

Ukukhuluma

Hablar

Speak

Frio

Amburúm

Kubanda

Frío

Cold

Mãe

Kidjônpou

Umama

Madre

Mother

Sol

Tepou

Ilanga

Sol

Sun

Terra

Nác

Umhlaba

Tierra

Earth

Vento

Ourú

Umoya

Viento

Wind

Fonte: Dicionário ilustrado tupi guarani. Disponível em: <https://www.dicionariotupiguarani.com.br/krenak/>

65

Modelo de cartelas
Bingo - Língua krenak-borun
Bingo – Língua inglesa
Bingo – Língua zulu
Bingo – Língua espanhola
Utilizar um modelo de cartela para cada língua.

66

REFERÊNCIAS
ALVES, J. E. D. A população mundial por grupos de países: 1950-2100. 2018. Disponível em: <https://
www.ecodebate.com.br/2018/02/21/populacao-mundial-por-grupos-de-paises-1950-2100-artigo-de-joseeustaquio-diniz-alves/>. Acesso em: 23 mar. 2018.
ANDRADE, S. G. Teoria e prática de dinâmica de grupo. 1999. p. 91-93. Disponível em: <https://books.
google.com.br/books?id=Xo644NrmdbYC&pg=PA91&dq=dinamica+dos+quadrados&hl=pt-BR&sa=X&ved=0a
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Acesso em: 13 abr. 2018.
BRASIL. Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional.
Diário Oficial da União, 21 dez. 1996. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/Ccivil_03/leis/L9394.
htm>. Acesso em: 30 jan. 2018.
BRASIL. Lei n. 9.795, de 27 de abril de 1999. Dispõe sobre a Educação Ambiental, institui a Política Nacional de
Educação Ambiental e dá outras providências. Diário Oficial da União, 28 abr. 1999. Disponível em: <http://
www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9795.htm>. Acesso em: 12 ago. 2017.
BRASIL. Lei n. 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que
estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a
obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”, e dá outras providências. Diário Oficial da
União, 10 jan. 2003. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.639.htm>. Acesso
em: 22 jul. 2017.
BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Conselho Pleno. Resolução n. 2, de 15 de junho de 2012. Estabelece
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Disponível em: <http://bit.ly/2rssBpi>. Acesso em: 20 jul. 2017.
BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes curriculares para a educação básica: diversidade e inclusão. Brasília,
2015. Disponível em: <http://etnicoracial.mec.gov.br/component/k2/item/6-diretrizes-curriculares-nacionais-para-aeducacao-basica-diversidade-e-inclusao.
BRASIL. Ministério das Relações Exteriores. Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). Disponível
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www.mma.gov.br/educacao-ambiental/formacao/item/11152>. Acesso em: 17 jul. 2017.
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Internacional sobre Educação para o Século XXI. 7.ed. Brasília: UNESCO; São Paulo: Cortez, 2010. Disponível
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