Primeira conferência do Caiite debate ameaças à universidade e à produção do conhecimento | Primeira conferência do Caiite debate ameaças à universidade e à produção do conhecimento – Caiite 2016

Primeira conferência do Caiite debate ameaças à universidade e à produção do conhecimento

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A proposta da primeira conferência do Congresso Acadêmico Integrado de Inovação e Tecnologia (Caiite) 2016 foi contextualizar as universidades públicas no cenário de crise política no país e discutir as perspectivas de futuro para o ensino superior. O convidado para esse debate foi o professor Universidade Estadual de São Paulo (Unesp-Marília), Giovanni Alves, livre-docência em teoria sociológica.

A conferência realizada na noite desta quarta-feira (7) marcou o início do maior evento científico de Alagoas com críticas ao modelo político que, segundo o professor, ameaça as instituições públicas de ensino. “Nós vivemos em tempos de crise estrutural do capitalismo brasileiro, um período de contrarrevolução, defensiva neoliberal, de desmonte da coisa pública, então eu diria que nunca a universidade pública nesse país foi tão ameaçada”, ressaltou Giovanni.

O tema da conferência de Giovanni Alves foi Universidade, produção de conhecimento e práxis social: desafios para o Brasil no século 21. Ele mencionou o que chama de “vícios da universidade neoliberal” como tendências negativas que estão se desenvolvendo dentro das instituições. “O academicismo, o produtivismo e o corporativismo eu considero algo preocupante”, enfatizou.

Na palestra, o professor colocou sua visão de esperança e novas possibilidades para superar a crise. “Eu acredito que a sociedade brasileira vá reagir a esse modelo neoliberal, assim como fez em 2002. O neoliberalismo é insustentável político e socialmente. Eu diria que a questão está em nós construirmos uma frente política de esquerda que consiga resgatar o valor da universidade pública. Essa é a esperança, que nós tenhamos esse caminho”, destacou Alves.

Ele encerrou o debate ressaltando a importância dos atores sociais que estão nas universidades, como peças fundamentais para a reconstrução de instituições críticas. “Tem uma dimensão social, que é o papel do movimento estudantil, dessa juventude que está ocupando, se politizando, buscando esclarecer, de fato, entender a situação política do país, porque a eles interessa a sobrevivência da universidade pública”, disse. E completou com a proposta de uma luta contínua.

“Espero que professores e técnicos consigam superar o corporativismo, para que eles possam ter uma visão integral de um projeto de universidade comprometida com os interesses da civilização, e não meramente uma universidade produtivista, academicista e burocratizada. São grandes desafios para os próximos anos”, finalizou Giovanni, aproveitando para parabenizar a realização do evento que promove reflexões como esta.

“A experiência foi maravilhosa porque estamos vivendo tempos sombrios no Brasil, tempos que criam desalento na sociedade, nas pessoas. O que vi aqui na Ufal, na abertura deste Congresso, foi exatamente uma lição de resistência e esperança e considero isto fundamental, eu diria até, que se fosse só esta solenidade, já seria suficiente”, disse.

Manuella Soares – jornalista