A quinta edição do Festival de Cinema faz uma homenagem póstuma a Jofre Soares (1918-1996), artista consagrado no cinema nacional, com participação em mais de 100 filmes curtas e longas e em dezenas de novelas e minisséries de TV.

Iniciou sua carreira em Palmeira dos Índios (AL), realizando esquetes como palhaço de circo e ator amador. Motivado pelo desejo de mostrar seu trabalho além das fronteiras do lugar em que nasceu, ele produziu sozinho o monólogo As mãos de Eurídice, escrita por Pedro Bloch. A peça estreou em Palmeira e foi apresentada em Maceió, onde passaria a viver anos depois.

Os novos horizontes da capital foram determinantes para sua atuação na dramaturgia e logo ele se integraria à cena dos grupos teatrais. No Teatro Cultura do Nordeste (TCN), atuou como protagonista das peças O suicídio, de Pedro Onofre, e A beata Maria do Egito, escrita por Rachel de Queiroz. E foi convidado pela Associação Teatral de Alagoas (ATA) para encenar o papel de operário na peça Eles não usam Black tie, de Gianfrancesco Guarnieri, com direção da atriz Linda Mascarenhas.

Mas o momento decisivo de sua carreira se deu ao conhecer o cineasta Nelson Pereira dos Santos durante as filmagens de Vidas Secas, nos anos 60, em Palmeira dos Índios. Jofre foi ator no filme e colaborou intensamente na sua produção, ganhando a confiança do diretor. Ao final dos quatro meses de gravação, recebeu dele o convite de ir trabalhar no Rio de Janeiro, estreitando assim os laços de amizade entre os dois.

Naquela época, a realidade do cinema era bem diferente de hoje, e a realização de produções exigia um alto grau de colaboração. Jofre era desprovido de vaidades e não se importava em desempenhar múltiplas funções na produção do filme, até mesmo os serviços mais pesados. Essa disposição ao trabalho, o jeito espirituoso, bem-humorado e, principalmente, a força de sua atuação cênica, consolidaram sua imagem de ator tanto no cinema como na televisão. Dos anos 60 até 1996, conviveu com diretores consagrados da dramaturgia nacional.

Entre as mais de 100 produções em que atuou, destacam-se: Vidas Secas (1963), Tenda dos milagres (1969) e Memórias do cárcere (1983), de Nelson Pereira dos Santos; Terra em transe (1967), de Glauber Rocha; Chuvas de verão (1977) e Bye Bye Brasil (1979), de Cacá Diégues; Gabriela – cravo e canela (1983), de Bruno Barreto; Morte e vida Severina (1977), de Zelito Viana; Coronel Delmiro Gouveia (1978), de Geraldo Sarno; Mr. Abrakadabra (1996), de José Araripe Júnior, no qual protagonizou um mágico de circo; e Baile perfumado (1996), de Lírio Ferreira e Paulo Caldas. Na TV, consagrou-se com os personagens Zé Divino, da minissérie Riacho Doce (1990), e Padre Santo, da telenovela Renascer (1993).